Avaliação do governo Lula avança em 2026, mas polarização trava queda da rejeição popular
O cenário político brasileiro inicia o ano de 2026 sob o signo da polarização cristalizada, mas com sinais vitais de recuperação para o Palácio do Planalto. A mais recente avaliação do governo Lula, mensurada pela pesquisa Latam Pulse da AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, revela uma administração que conseguiu expandir sua base de apoio, embora permaneça em um empate técnico com a rejeição. Divulgados nesta quinta-feira (22), os dados apontam que 47,1% dos brasileiros classificam a gestão petista como positiva, um avanço significativo que, no entanto, colide com uma barreira de 48,5% de reprovação (ruim ou péssimo).
Este levantamento não é apenas um retrato do momento, mas um termômetro crucial para o ano eleitoral que se avizinha. A avaliação do governo Lula demonstra uma resiliência política construída sobre pilares de políticas sociais e alívio fiscal, ao mesmo tempo em que expõe as feridas abertas de medidas impopulares, como a tributação do e-commerce e a fiscalização de transações financeiras digitais.
A Dinâmica da Recuperação e o “Desaparecimento” do Centro
A análise detalhada dos números mostra uma evolução robusta na avaliação do governo Lula quando comparada ao mesmo período do ano anterior. Em janeiro de 2025, a aprovação da gestão amargava 37,8%. O salto para 47,1% representa um ganho de capital político de nove pontos percentuais em doze meses. Este crescimento não ocorreu em um vácuo; ele foi alimentado pela migração de eleitores que antes se posicionavam na neutralidade.
O dado mais revelador da pesquisa é a drástica redução do grupo que avalia o governo como “regular. Apenas 4,4% dos entrevistados optaram por essa classificação, uma queda abrupta de 11,2 pontos percentuais. Isso indica que o eleitorado brasileiro abandonou o muro: ou aderiu ao projeto governista, impulsionando a avaliação do governo Lula para o terreno positivo, ou consolidou-se na oposição. O “centro” da opinião pública, historicamente um fiel da balança, praticamente evaporou, sinalizando uma disputa plebiscitária para 2026.
Imagem Pessoal vs. Avaliação da Gestão
Um fenômeno interessante observado no levantamento é a correlação entre a figura do presidente e a avaliação do governo Lula como instituição. Enquanto a gestão divide o país ao meio, a imagem pessoal de Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta um desafio ligeiramente maior. A desaprovação pessoal do presidente atingiu 50,7%, superando numericamente a sua aprovação, que ficou em 48,7%.
Essa discrepância sugere que, embora parte do eleitorado reconheça os méritos administrativos e as entregas do governo — refletidos na avaliação do governo Lula —, ainda existe uma resistência à figura política do líder petista. A estabilidade da desaprovação, que se manteve no mesmo patamar da rodada anterior (considerando a margem de erro), aponta para um teto de vidro difícil de ser quebrado sem fatos novos na economia ou na política.
Os Pilares da Aprovação: Saúde e Renda
Para compreender o avanço na avaliação do governo Lula, é imperativo dissecar os vetores de satisfação popular. A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg identificou dois grandes “acertos” que blindaram a administração contra uma rejeição maior.
O primeiro é a política de saúde, especificamente a gratuidade no programa Farmácia Popular. Para 86% dos entrevistados, a medida foi um acerto incontestável. Em um país onde o custo de vida pressiona o orçamento familiar, a garantia de acesso a medicamentos funciona como um colchão social de alta percepção de valor.
O segundo pilar que sustenta a avaliação do governo Lula é a reforma na tabela do Imposto de Renda. A isenção para quem ganha até R$ 5 mil mensais, uma promessa de campanha que começou a vigorar efetivamente, foi classificada como positiva por 76% da população. Apenas 16% viram erro na medida, e 8% não souberam opinar. Essa injeção direta de renda disponível no bolso da classe média baixa é, sem dúvida, o motor que impulsionou os nove pontos de crescimento na aprovação geral.
As Pedras no Sapato: “Taxa da Blusinha” e Pix
Se a saúde e o IR são os ventos a favor, a política tributária sobre o consumo digital e a fiscalização financeira são as tempestades que impedem a avaliação do governo Lula de decolar para patamares de maioria absoluta.
A chamada “taxa da blusinha” — a tributação de compras internacionais de até US$ 50 — continua sendo um calcanhar de Aquiles. Rejeitada por 59% dos entrevistados, a medida atinge diretamente a base de consumo jovem e digitalizada, um segmento que foi crucial para a eleição de Lula em 2022. A percepção de que o governo está encarecendo o acesso a bens de consumo globalizados corrói a popularidade em faixas demográficas estratégicas.
Outro ponto de fricção é a tentativa de fiscalização das transações via Pix superiores a R$ 5 mil mensais. Considerada um erro por 56% da população, essa pauta voltou à tona com força após ser explorada pela oposição, notadamente em vídeos do deputado federal Nikolas Ferreira (PL). A narrativa de “vigilância estatal” sobre as finanças pessoais ressoa negativamente em um eleitorado cada vez mais bancarizado e avesso a burocracias, travando a melhora na avaliação do governo Lula.
Metodologia e Contexto Eleitoral
A pesquisa Latam Pulse, realizada pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, ouviu 5.418 pessoas entre os dias 15 e 20 de janeiro de 2026. A margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos, o que confere alta confiabilidade aos dados de empate técnico na polarização.
Com a avaliação do governo Lula oscilando entre 47,1% de ótimo/bom e 48,5% de ruim/péssimo, o cenário para a sucessão ou reeleição desenha-se como uma batalha de trincheiras. O governo conseguiu recuperar terreno perdido em 2025, mas a ausência de uma maioria confortável e a rejeição persistente a pautas econômicas específicas indicam que a disputa pela narrativa em 2026 será decidida nos detalhes da economia real — no preço do remédio, no desconto do Imposto de Renda e na taxa da compra online.
Para o Planalto, o desafio agora é transformar a aprovação de medidas isoladas (como o Farmácia Popular) em uma aprovação sistêmica da gestão, convertendo os 76% que aplaudem a isenção do IR em eleitores que avaliem positivamente o governo como um todo. Enquanto isso não ocorre, a avaliação do governo Lula permanece como um espelho fiel de um Brasil dividido.






