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Azul (AZUL3) reduz prejuízo ajustado em 97,6% no 1T26 após reestruturação

Companhia aérea reportou Ebitda de R$ 1,7 bilhão, caixa maior e queda relevante da dívida após sair do Chapter 11.

por João Souza
07/05/2026 às 14h41
em Empresas
Companhia Aérea Reportou Ebitda De R$ 1,7 Bilhão, Caixa Maior E Queda Relevante Da Dívida Após Sair Do Chapter 11. - Gazeta Mercantil

A Azul (AZUL3) registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 44,4 milhões no primeiro trimestre de 2026, uma redução de 97,6% em relação à perda ajustada de R$ 1,8 bilhão apurada no mesmo período de 2025. O resultado, divulgado nesta quinta-feira, 7 de maio, mostra uma melhora expressiva na última linha ajustada da companhia aérea após a conclusão de sua reestruturação financeira nos Estados Unidos e a saída do Chapter 11, processo encerrado em 20 de fevereiro.

Sem os ajustes, a Azul (AZUL3) reportou lucro líquido de R$ 1,4 bilhão no 1T26, alta de 81,5% na comparação anual. A diferença entre o lucro contábil e o prejuízo ajustado decorre da exclusão de efeitos ligados a direitos de conversão relacionados a debêntures conversíveis, itens da reestruturação, ativos fiscais diferidos reconhecidos no trimestre, resultados não realizados de derivativos e variação cambial.

Leia também: Aumento na tarifa da Zona Azul em São Paulo: motoristas enfrentarão reajuste a partir de 20 de janeiro.

O Ebitda, indicador que mede o desempenho operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 1,7 bilhão no trimestre, alta de 22,6% em relação ao primeiro trimestre de 2025. A margem Ebitda subiu 5,4 pontos percentuais, para 31,1%, em um período marcado por controle de custos, melhora de eficiência e recuperação do balanço.

Prejuízo ajustado menor reforça virada após Chapter 11

A forte redução do prejuízo ajustado da Azul (AZUL3) é o principal destaque do balanço. A companhia saiu de uma perda ajustada de R$ 1,8 bilhão no 1T25 para R$ 44,4 milhões no 1T26, aproximando-se do equilíbrio operacional ajustado em um trimestre sazonalmente mais fraco para o setor aéreo.

A melhora ocorre após a conclusão do processo de reestruturação financeira nos Estados Unidos. Em 20 de fevereiro, a Azul (AZUL3) anunciou a saída do Chapter 11 após cumprir as condições previstas no plano de reorganização.

Com o encerramento do processo, a companhia reduziu sua dívida de empréstimos e financiamentos em cerca de US$ 1,1 bilhão, cortou aproximadamente 40% do endividamento relacionado a arrendamentos de aeronaves e diminuiu em mais de 50% os pagamentos anuais de juros em comparação com o período anterior ao Chapter 11.

A reestruturação era uma etapa central para a tese de recuperação da aérea. Nos últimos anos, a empresa enfrentou pressão de custos, alta do dólar, combustível caro, despesas financeiras elevadas e uma estrutura de capital considerada pesada pelo mercado. A conclusão do processo permite que a administração volte a concentrar esforços em operação, geração de caixa e redução de alavancagem.

Receita cresce em ambiente de demanda saudável

A receita operacional da Azul (AZUL3) atingiu R$ 5,5 bilhões no primeiro trimestre, crescimento de 1,4% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo a companhia, o desempenho foi impulsionado por demanda saudável, receitas auxiliares robustas e resultado positivo das unidades de negócio chamadas de “beyond-the-metal”, que vão além da operação tradicional de transporte aéreo.

O crescimento de receita ocorreu mesmo com redução de capacidade. A capacidade total da aérea diminuiu 2,7% em relação ao ano anterior, principalmente devido a uma queda de 8,9% nas operações internacionais.

Apesar da menor oferta de assentos, o tráfego de passageiros medido em RPKs ficou estável. A taxa de ocupação atingiu 83,8%, recorde para primeiros trimestres, com alta de 2,3 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2025.

Esse conjunto mostra que a Azul (AZUL3) conseguiu preservar demanda e elevar eficiência no uso da capacidade disponível. Para empresas aéreas, a taxa de ocupação é um indicador relevante porque mede o aproveitamento dos assentos ofertados e impacta diretamente a diluição de custos.

Ebitda de R$ 1,7 bilhão mostra melhora operacional

O Ebitda de R$ 1,7 bilhão no 1T26 reforça a melhora operacional da Azul (AZUL3). A alta de 22,6% em relação ao primeiro trimestre do ano anterior veio acompanhada de expansão da margem, que alcançou 31,1%.

A melhora da margem indica que a companhia conseguiu converter uma parcela maior da receita em resultado operacional. Esse movimento foi favorecido por iniciativas estruturais de redução de custos, valorização do real frente ao dólar e queda dos preços de combustível.

Segundo a empresa, os custos e despesas operacionais recuaram 8,2% na comparação anual, para R$ 4,42 bilhões. O CASK, custo operacional por assento-quilômetro oferecido, caiu 5,7%, para R$ 35,55 centavos.

A companhia atribuiu a redução do CASK às iniciativas implementadas durante o processo de reestruturação, à valorização de 10,0% do real frente ao dólar e à queda de 10,7% nos preços de combustível. Esses fatores são especialmente relevantes para o setor aéreo brasileiro, que tem grande parte dos custos exposta a dólar e querosene de aviação.

RASK sobe e indica melhora de receita unitária

O RASK, receita por assento-quilômetro disponível, alcançou R$ 43,94 centavos no primeiro trimestre de 2026, alta de 4,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Esse indicador mostra a capacidade da aérea de gerar receita por unidade de oferta. Em um ambiente de capacidade menor e ocupação mais alta, o avanço do RASK sugere melhor eficiência comercial, seja por tarifas, receitas auxiliares ou composição de rotas.

Para investidores, a combinação entre RASK em alta e CASK em queda é positiva. Ela indica melhora no spread operacional da companhia, isto é, diferença entre receita unitária e custo unitário.

No caso da Azul (AZUL3), esse ponto é importante porque a aérea precisa demonstrar que a recuperação não depende apenas de efeitos contábeis ou financeiros da reestruturação, mas também de uma operação mais eficiente e sustentável.

Caixa cresce e dívida total cai R$ 14 bilhões

A Azul (AZUL3) encerrou o trimestre com R$ 4,7 bilhões em caixa mais recebíveis, alta de 98,6% sobre os R$ 2,3 bilhões registrados no primeiro trimestre de 2025. O montante representa 21,2% da receita dos últimos doze meses.

A posição de liquidez é um dos dados mais relevantes do balanço, porque companhias aéreas precisam de caixa robusto para enfrentar sazonalidade, volatilidade de combustível, câmbio, manutenção, arrendamentos e ciclos de demanda.

A dívida total caiu R$ 14 bilhões na comparação anual, para R$ 20,6 bilhões. A redução foi atribuída pela companhia à conclusão bem-sucedida da reestruturação financeira.

Como resultado, a alavancagem da Azul (AZUL3), medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda e considerando a liquidez disponível, caiu para 2,4 vezes. A queda foi de 3,1 vezes em relação ao mesmo período do ano anterior.

A desalavancagem é um ponto central para a companhia. Depois da saída do Chapter 11, a administração vem indicando que a prioridade será reduzir alavancagem e fortalecer geração de caixa.

Geração de caixa volta ao centro da estratégia

O release da companhia destacou que a Azul (AZUL3) gerou R$ 216,9 milhões em fluxo de caixa livre recorrente no trimestre, após pagamento de capex e aluguel, mesmo em um período sazonalmente mais fraco.

Esse dado reforça a tentativa da empresa de mostrar ao mercado que a recuperação do balanço pode vir acompanhada de geração efetiva de caixa. Para uma companhia aérea, esse é um ponto decisivo, porque o setor exige investimentos constantes em frota, manutenção, tecnologia, slots, atendimento e expansão de malha.

A saída do Chapter 11 reduziu parte da pressão financeira, mas não elimina os desafios operacionais. A Azul (AZUL3) continuará exposta ao preço do combustível, ao câmbio, à competição no mercado doméstico, à demanda por viagens e à capacidade de repassar custos para tarifas.

Mesmo assim, o balanço indica uma companhia com estrutura financeira menos pressionada do que um ano antes. A melhora do caixa, a queda da dívida e a redução da alavancagem criam condições para que a administração concentre esforços em eficiência operacional.

Operação internacional menor ajuda ajuste de capacidade

A capacidade da Azul (AZUL3) caiu 2,7% no primeiro trimestre, puxada principalmente pela retração de 8,9% nas operações internacionais. A redução da oferta pode refletir ajuste de malha, foco em rotas mais rentáveis e maior disciplina após a reestruturação.

O mercado aéreo internacional tende a ser mais sensível a câmbio, combustível, demanda corporativa e competição com companhias estrangeiras. Em um momento de reorganização financeira, reduzir exposição a rotas menos rentáveis pode ajudar a preservar margens e caixa.

No mercado doméstico, a Azul (AZUL3) mantém uma posição diferenciada por operar uma malha ampla em cidades médias e rotas regionais, com menor competição direta em parte dos mercados atendidos. Esse modelo permite capilaridade, mas também exige alta eficiência para sustentar rentabilidade.

A taxa de ocupação recorde para primeiros trimestres indica que a empresa conseguiu ajustar oferta sem perder tráfego. Esse equilíbrio será relevante nos próximos trimestres, especialmente se a demanda continuar saudável e os custos permanecerem sob controle.

Resultado melhora percepção, mas setor segue volátil

O balanço da Azul (AZUL3) representa uma melhora relevante em relação ao quadro do ano anterior, mas o setor aéreo continua altamente volátil. Companhias aéreas operam com margens sensíveis a combustível, câmbio, juros, manutenção, arrendamentos e demanda.

A valorização do real e a queda do combustível ajudaram o resultado do trimestre. Caso esses fatores se revertam, a pressão sobre custos pode voltar. Por outro lado, a nova estrutura de dívida e a redução dos pagamentos de juros reduzem a vulnerabilidade financeira da companhia.

Para investidores, o ponto central será acompanhar se a Azul (AZUL3) conseguirá manter geração de caixa, reduzir alavancagem e preservar margens em trimestres de maior movimento. A melhora do primeiro trimestre é relevante, mas ainda precisa ser confirmada em uma sequência de resultados.

A companhia também será observada quanto à estratégia competitiva no mercado brasileiro, incluindo eventuais movimentos de consolidação, alianças, expansão de malha e disciplina de capacidade.

Azul entra em nova fase sob cobrança por desalavancagem

A Azul (AZUL3) encerrou o primeiro trimestre de 2026 em posição financeira mais confortável do que um ano antes. O prejuízo ajustado quase desapareceu, o Ebitda cresceu, a margem avançou, a dívida caiu e o caixa praticamente dobrou.

O fim do Chapter 11 muda a leitura sobre a companhia. O mercado deixa de acompanhar apenas a sobrevivência financeira e passa a cobrar execução operacional, geração de caixa recorrente e redução consistente da alavancagem.

O resultado do 1T26 mostra avanço importante nessa direção. A empresa reduziu custos, preservou demanda, melhorou ocupação e fortaleceu liquidez. A partir de agora, o desafio será transformar o alívio financeiro em rentabilidade sustentável.

Para os acionistas da Azul (AZUL3), o balanço abre uma nova etapa de avaliação. A reestruturação reduziu o risco imediato, mas a tese de investimento dependerá da capacidade da aérea de manter disciplina de custos, ampliar caixa e reduzir endividamento em um setor historicamente sujeito a choques externos.

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