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União Pet (AUAU3) antecipa R$ 133,3 milhões em debêntures da Petz

Grupo Petz Cobasi elimina antes do vencimento saldo de emissão prevista para 2028 e busca reduzir despesas financeiras após fortalecer a posição de caixa.

por Alice Nascimento
31/08/2026 às 16h54
em Empresas
Petz E Cobasi Defendem Fusão No Cade

Fonte: divulgação

A União Pet Participações (AUAU3), controladora do Grupo Petz Cobasi, decidiu eliminar antecipadamente uma parcela relevante de seu endividamento financeiro. A companhia informou nesta segunda-feira, 31 de agosto, que a Pet Center Comércio e Participações realizará em 2 de setembro o resgate antecipado facultativo da totalidade das debêntures ainda em circulação de sua terceira emissão, em uma operação de R$ 133,33 milhões.

A decisão foi aprovada por debenturistas que representavam 100% dos títulos em circulação e encerra, quase dois anos antes do prazo originalmente previsto, uma dívida emitida pela Petz em maio de 2023. A operação ocorre em um momento no qual o grupo resultante da combinação entre Petz e Cobasi apresenta caixa superior ao endividamento financeiro e vem reduzindo o ritmo de investimentos em expansão física, ao mesmo tempo em que avança na integração das duas redes. Leia também: Cade aprova encerramento de parceria entre Vibra e Americanas em lojas de varejo.

Os números mostram que o resgate não é apenas uma substituição marginal de passivos. Considerado o endividamento de R$ 351,7 milhões registrado pelo Grupo Petz Cobasi em junho, os R$ 133,33 milhões correspondem a aproximadamente 37,9% da dívida bruta existente ao final do segundo trimestre. A comparação é indicativa, porque o balanço pode ter sofrido outras movimentações desde junho e o saldo contábil das debêntures inclui componentes diferentes do valor nominal a ser resgatado.

A companhia afirma que a antecipação permitirá reduzir despesas financeiras futuras e melhorar a alocação de capital. O efeito será especialmente relevante porque os títulos possuem remuneração vinculada ao DI acrescido de 1,65% ao ano, fazendo com que o custo da dívida permaneça elevado enquanto os juros brasileiros estiverem em patamares altos. Leia também: Cinema drive-in exibe filmes de graça em SP.

Emissão começou em R$ 200 milhões e venceria em 2028

A terceira emissão de debêntures da Petz foi realizada em 15 de maio de 2023, originalmente no valor de R$ 200 milhões. Foram emitidos títulos não conversíveis em ações com prazo de 60 meses e vencimento final previsto para maio de 2028.

As condições financeiras da emissão previam remuneração equivalente ao DI mais 1,65% ao ano e amortização do principal em seis parcelas semestrais consecutivas. A primeira amortização ocorreu em novembro de 2025. Leia também: OMS diz que medidas contra tabaco protegem 71% da população do mundo.

No segundo trimestre deste ano, o Grupo Petz Cobasi desembolsou mais R$ 33,33 milhões com amortização de debêntures. Com isso, duas parcelas equivalentes a aproximadamente um sexto do principal original já haviam sido pagas desde o início do cronograma.

Essa sequência permite dimensionar o movimento anunciado agora. Dos R$ 200 milhões captados originalmente, aproximadamente R$ 66,7 milhões já tinham sido amortizados. Restavam R$ 133,33 milhões de principal, exatamente o montante que será resgatado antecipadamente em setembro. Leia também: Tarcísio propõe anistia a R$ 72 milhões em multas aplicadas na pandemia de covid-19.

Na prática, a companhia deixa de carregar até 2028 os dois terços restantes da emissão.

As informações trimestrais registravam em 30 de junho um saldo contábil de aproximadamente R$ 135,5 milhões associado à terceira emissão. A diferença em relação aos R$ 133,33 milhões de principal decorre da contabilização de encargos, remuneração e custos vinculados à dívida.

Juros elevados aumentam benefício do resgate

O custo da emissão ajuda a explicar economicamente a decisão.

Como a remuneração corresponde ao DI acrescido de 1,65% ao ano, a dívida acompanha diretamente o nível dos juros brasileiros. Isso significa que, enquanto o CDI permanece elevado, conservar caixa ao mesmo tempo em que a companhia paga uma taxa significativa sobre o passivo pode representar uma alocação pouco eficiente de recursos.

Uma forma de dimensionar o efeito é separar o spread contratado do indexador. Somente os 1,65 ponto percentual adicionais sobre R$ 133,33 milhões representam aproximadamente R$ 2,2 milhões por ano em custo financeiro anualizado, antes mesmo da incidência do DI.

Além disso, para cada ponto percentual de taxa DI aplicado ao atual saldo de principal, o custo financeiro anualizado corresponde a cerca de R$ 1,33 milhão. Portanto, em um ambiente de juros de dois dígitos, a maior parcela da remuneração dessas debêntures vem justamente do indexador.

O valor efetivamente economizado dependerá do comportamento futuro do DI, das datas em que as amortizações originalmente ocorreriam e de eventuais valores previstos na documentação do resgate. Ainda assim, eliminar antecipadamente o passivo remove uma despesa financeira relevante para os próximos exercícios.

Caixa líquido chegou a R$ 286,1 milhões

A capacidade de executar a operação está diretamente relacionada à melhora do balanço observada no segundo trimestre.

O Grupo Petz Cobasi terminou junho com R$ 637,8 milhões entre caixa, equivalentes de caixa e aplicações financeiras, enquanto a dívida bruta totalizava R$ 351,7 milhões. A diferença resultava em caixa líquido de R$ 286,1 milhões, equivalente a 0,4 vez o Ebitda ajustado dos 12 meses anteriores.

Três meses antes, o caixa líquido era de R$ 158,5 milhões. Houve, portanto, crescimento de R$ 127,6 milhões entre março e junho, uma expansão de 80,5%.

A melhora ocorreu mesmo após desembolsos extraordinários no período. A companhia pagou R$ 26 milhões em dividendos em maio, R$ 19,2 milhões relacionados ao earn-out da aquisição da Cansei de Ser Gato e R$ 33,3 milhões referentes à própria amortização de debêntures.

O principal fator para a expansão foi a geração operacional de caixa. No segundo trimestre, o fluxo de caixa operacional alcançou R$ 213,4 milhões, crescimento de 26,7% na comparação com os números pro forma do mesmo período de 2025.

Depois dos investimentos e das atividades de financiamento, o fluxo de caixa líquido do trimestre ficou positivo em R$ 92,9 milhões.

Segundo a administração, desconsiderados os desembolsos extraordinários, o fluxo de caixa livre teria alcançado R$ 171,1 milhões.

Pagamento reduz dívida, mas não altera caixa líquido na mesma proporção

O efeito contábil do resgate merece uma distinção importante.

Se uma empresa utiliza R$ 133,33 milhões de seu caixa para eliminar exatamente R$ 133,33 milhões de dívida, caixa e dívida diminuem simultaneamente. Por isso, desconsiderando juros, prêmios, despesas e outras movimentações, a posição de caixa líquido não sofre redução equivalente ao valor pago.

Tomando apenas como referência os números de junho, uma redução de R$ 133,33 milhões sobre a dívida bruta de R$ 351,7 milhões levaria o passivo financeiro para aproximadamente R$ 218,4 milhões. Caso o pagamento saísse integralmente dos R$ 637,8 milhões disponíveis, o caixa seria reduzido, em uma conta simplificada, para cerca de R$ 504,5 milhões.

A diferença entre os dois continuaria próxima dos R$ 286 milhões observados antes da operação.

O ganho econômico aparece principalmente no futuro: a companhia deixa de remunerar os credores da emissão e reduz sua exposição às taxas de juros.

Essa é a razão pela qual o resgate pode ser racional mesmo sem produzir aumento imediato de caixa líquido.

Geração operacional dá espaço para desalavancagem

O anúncio ocorre apenas duas semanas depois da divulgação dos resultados do segundo trimestre, período em que o grupo mostrou expansão das principais métricas operacionais.

A receita bruta total atingiu R$ 2,11 bilhões, crescimento de 7,8% em relação à base pro forma do segundo trimestre de 2025. A receita líquida avançou 7,9%, para R$ 1,77 bilhão.

O Ebitda ajustado chegou a R$ 186,7 milhões, alta de 11%, enquanto a margem Ebitda avançou de 10,3% para 10,6%.

O lucro líquido foi de R$ 100,4 milhões, crescimento de 43,5%. Considerados os ajustes adotados pela companhia, o lucro líquido ajustado ficou em R$ 70,3 milhões, avanço de 8,4%.

Também houve melhora operacional nas lojas existentes. As vendas mesmas lojas, conhecidas como SSS, cresceram 7,1% no segundo trimestre, com avanço de 7,4% na bandeira Petz e de 6,6% na Cobasi.

Esses indicadores ajudam a explicar por que a administração considera possível reduzir dívida sem comprometer a estrutura financeira necessária ao funcionamento do grupo.

Capex caiu 31,5% enquanto investimento digital cresceu

Outra mudança relevante está na destinação do capital.

Os investimentos totais ficaram em R$ 34 milhões no segundo trimestre, redução de 31,5% frente ao mesmo período do ano anterior. O movimento foi especialmente intenso em novas lojas e hospitais, segmento no qual o investimento caiu 81,9%, para apenas R$ 2,5 milhões.

Em reformas, manutenção, logística e outras frentes, foram investidos R$ 9,6 milhões, queda de 45,8%.

A exceção foi tecnologia e digital, onde os aportes cresceram 22,5%, para R$ 21,9 milhões.

Isso mostra uma mudança de prioridade após a combinação entre Petz e Cobasi. Em vez de acelerar indiscriminadamente a expansão da rede, a empresa concentra recursos na integração das operações, tecnologia, eficiência das lojas existentes e racionalização de unidades menos rentáveis.

O grupo terminou junho com 520 lojas, das quais 265 da Petz e 255 da Cobasi. Até o fim de julho, quatro unidades de menor rentabilidade já haviam sido encerradas no processo de racionalização da rede.

Resgate ocorre durante integração de Petz e Cobasi

A estrutura financeira atual precisa ser analisada dentro da combinação de negócios concluída no início deste ano.

A incorporação que reuniu Petz e Cobasi foi concluída em janeiro e deu origem à União Pet Participações, cujas ações passaram a ser negociadas na B3 sob o ticker AUAU3.

A integração envolve fornecedores, marcas próprias, despesas administrativas, logística, lojas e sistemas tecnológicos. A administração informou no balanço do segundo trimestre que parte relevante dos efeitos financeiros das sinergias deverá começar a aparecer com maior intensidade no segundo semestre.

A companhia também ressaltou que os resultados dos primeiros seis meses foram obtidos antes da captura completa dessas sinergias.

Nesse contexto, reduzir o custo financeiro aumenta a quantidade de geração operacional que poderá ser direcionada à integração, investimentos, distribuição aos acionistas ou novas decisões de alocação de capital.

O próximo marco será o pagamento programado para 2 de setembro. Depois do resgate, os investidores deverão observar nas próximas demonstrações financeiras quanto a redução da dívida efetivamente diminuiu as despesas com juros e como a União Pet pretende utilizar a posição de caixa restante. O balanço do terceiro trimestre, previsto para novembro, será o primeiro a mostrar de forma mais completa os efeitos da eliminação antecipada das debêntures sobre a estrutura de capital do Grupo Petz Cobasi.

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