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BlackRock (BLK; BLAK34) supera projeções e ativos atingem recorde de US$ 15,3 trilhões

Maior gestora do mundo captou US$ 191,7 bilhões, ampliou o lucro em 20% e elevou a margem operacional ajustada ao maior nível em quase cinco anos.

por João Souza - Repórter de Negócios
15/07/2026 às 12h07
em Empresas,Destaque,Notícias
Blackrock L - Gazeta Mercantil

BlackRock / Divulgação

A BlackRock (BLK), que possui BDR negociado na B3 sob o código BLAK34, registrou lucro líquido de US$ 1,914 bilhão no segundo trimestre de 2026, crescimento de 20% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado foi impulsionado pela valorização dos mercados, pela entrada recorde de recursos em fundos negociados em Bolsa, pela expansão dos investimentos alternativos e pelo aumento das receitas da plataforma tecnológica Aladdin.

Em bases ajustadas, que excluem despesas relacionadas a aquisições, amortizações e outros efeitos extraordinários, o lucro alcançou US$ 2,291 bilhões, alta anual de 22%. O lucro por ação ajustado avançou 15%, de US$ 12,05 para US$ 13,91, superando as projeções de analistas, que se concentravam entre US$ 12,59 e US$ 12,69.

A receita total da BlackRock cresceu 31% e chegou a US$ 7,084 bilhões entre abril e junho. A expansão refletiu o aumento das taxas cobradas sobre os ativos administrados, as receitas incorporadas após a aquisição da HPS Investment Partners, o avanço das taxas de desempenho e a demanda por serviços de tecnologia e assinaturas.

Os ativos sob gestão encerraram junho em US$ 15,345 trilhões, maior volume da história da companhia e 22% acima dos US$ 12,528 trilhões registrados um ano antes. O resultado consolida a BlackRock como a maior gestora de recursos do mundo e mostra a escala alcançada após a incorporação de plataformas de infraestrutura, crédito privado e dados financeiros.

Lucro ajustado supera projeções de Wall Street

O lucro por ação divulgado pelas regras contábeis norte-americanas ficou em US$ 12,19, alta de 20% sobre os US$ 10,19 do segundo trimestre de 2025.

A diferença em relação aos US$ 13,91 ajustados decorre principalmente da exclusão de amortizações de ativos intangíveis e de despesas associadas às aquisições realizadas pela BlackRock.

O mercado acompanha com maior atenção o resultado ajustado porque ele procura representar o desempenho recorrente da operação, sem itens extraordinários que podem variar significativamente entre os trimestres.

O lucro operacional ajustado avançou 39%, para US$ 2,916 bilhões. Pela contabilidade oficial, o resultado operacional foi de US$ 2,461 bilhões, crescimento de 42%.

A expansão do lucro foi superior à alta da receita, demonstrando ganho de eficiência e diluição dos custos fixos sobre uma base maior de ativos e faturamento.

A margem operacional ajustada chegou a 45,9%, ante 43,3% um ano antes. Foi o maior nível registrado pela companhia em quase cinco anos.

A margem contábil, que inclui despesas excluídas dos indicadores ajustados, passou de 31,9% para 34,7%.

Ativos crescem US$ 1,45 trilhão em apenas três meses

A BlackRock encerrou março com US$ 13,895 trilhões sob gestão. Ao fim de junho, o volume havia aumentado em aproximadamente US$ 1,45 trilhão.

A maior parcela desse crescimento veio da valorização dos ativos. A recuperação das Bolsas acrescentou cerca de US$ 1,284 trilhão ao patrimônio administrado durante o trimestre.

As captações líquidas contribuíram com outros US$ 191,7 bilhões. Houve ainda impacto negativo de aproximadamente US$ 18,1 bilhões provocado pela conversão cambial de ativos denominados em outras moedas e saídas associadas a devoluções de capital em investimentos privados.

O crescimento mostra por que as gestoras possuem elevada sensibilidade ao comportamento dos mercados. Quando ações e títulos valorizam, a base sobre a qual são calculadas as taxas de administração aumenta, mesmo sem novas captações.

Essa característica produz uma combinação favorável em períodos de alta: os clientes acrescentam recursos, enquanto o patrimônio existente cresce por efeito da valorização.

O movimento também funciona na direção contrária. Uma queda acentuada dos mercados pode reduzir os ativos administrados, as taxas cobradas e a receita, ainda que os clientes não realizem resgates.

Captação de US$ 191,7 bilhões acelera crescimento

A BlackRock recebeu US$ 191,7 bilhões líquidos de clientes no segundo trimestre, quase três vezes os US$ 67,7 bilhões captados no mesmo período de 2025.

No primeiro semestre, as entradas líquidas chegaram ao recorde de US$ 321 bilhões. O volume mais que dobrou em relação à primeira metade do ano anterior.

Nos últimos 12 meses, a gestora recebeu US$ 868 bilhões líquidos, resultado que produziu crescimento orgânico de 10% nas taxas básicas de administração.

A captação de longo prazo, que exclui fundos de caixa, somou US$ 199,1 bilhões no trimestre. O valor foi parcialmente reduzido pela saída líquida de US$ 7,4 bilhões nos produtos de gestão de liquidez.

As Américas responderam por US$ 152 bilhões das entradas líquidas de longo prazo. Europa, Oriente Médio e África contribuíram com US$ 55 bilhões, enquanto a região da Ásia-Pacífico registrou saídas de US$ 8 bilhões.

O dado regional mostra que o crescimento permanece concentrado nos mercados americano e europeu. A Ásia continua estratégica para a expansão de longo prazo, mas apresentou desempenho negativo no trimestre.

ETFs captam US$ 178 bilhões e iShares supera US$ 6 trilhões

Os ETFs foram o principal motor das captações. Os fundos negociados em Bolsa da BlackRock receberam US$ 177,9 bilhões líquidos no trimestre e encerraram junho com US$ 6,246 trilhões sob gestão.

O patrimônio da plataforma iShares praticamente dobrou em três anos e ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 6 trilhões.

Os ETFs representam 41% dos ativos totais administrados pela BlackRock, mas geram 45% das receitas provenientes de taxas básicas e empréstimos de valores mobiliários.

A diferença mostra que esses produtos continuam economicamente relevantes mesmo com taxas de administração geralmente inferiores às dos fundos ativos.

A escala permite que a BlackRock cobre tarifas reduzidas e ainda preserve rentabilidade. O crescimento também fortalece a liquidez dos fundos e aumenta a dificuldade de concorrentes menores replicarem a mesma estrutura.

Os ETFs de ações receberam US$ 110 bilhões no trimestre. Os produtos de renda fixa captaram US$ 66,4 bilhões, enquanto ETFs diversificados receberam US$ 5,6 bilhões.

Os produtos ligados a ativos digitais registraram saída líquida de US$ 3,1 bilhões, em contraste com o desempenho positivo das demais categorias. O patrimônio dos produtos digitais terminou o trimestre em US$ 48,8 bilhões.

Renda fixa lidera entradas por classe de ativos

Quando as captações são analisadas por classe de ativos, a renda fixa aparece na liderança, com entrada líquida de US$ 92,1 bilhões.

O patrimônio administrado em títulos públicos, crédito corporativo e demais estratégias de renda fixa alcançou US$ 3,390 trilhões.

As ações receberam US$ 71,6 bilhões e encerraram junho com US$ 8,888 trilhões sob gestão, equivalentes a 58% do patrimônio total da BlackRock.

A diferença entre ativos e receitas mostra a composição econômica da plataforma. Embora as ações representem 58% do patrimônio, respondem por 50% das taxas básicas de administração e receitas de empréstimo de ativos.

As estratégias multiativos captaram US$ 16,8 bilhões e chegaram a US$ 1,347 trilhão sob gestão.

A busca por renda fixa reflete a demanda de investidores por juros ainda elevados, previsibilidade de retorno e diversificação diante da volatilidade geopolítica e econômica.

Para a BlackRock, a capacidade de oferecer desde ETFs de baixo custo até estratégias ativas e crédito privado permite capturar diferentes movimentos de alocação sem depender exclusivamente do mercado acionário.

Gestão ativa recebe US$ 53 bilhões

As estratégias ativas registraram entrada líquida de US$ 53,3 bilhões no trimestre e encerraram junho com US$ 3,665 trilhões sob gestão.

Os fundos ativos possuem importância desproporcional para a receita. Embora representem 24% dos ativos totais, respondem por 42% das taxas básicas e receitas de empréstimo de títulos.

Isso ocorre porque fundos ativos normalmente cobram taxas superiores às estratégias indexadas.

As captações incluíram US$ 43,8 bilhões provenientes de clientes institucionais e US$ 9,5 bilhões de investidores de varejo em diferentes categorias.

As estratégias sistemáticas de ações tiveram papel relevante, assim como os produtos de renda fixa ativa e alternativas líquidas.

O desempenho dos fundos também sustenta a captação. No fim de junho, 86% dos ativos administrados em estratégias sistemáticas de ações superavam seus índices de referência ou a mediana dos concorrentes no período de um ano.

Na renda fixa tributável, 85% do patrimônio ativo estava acima do respectivo índice ou da mediana dos pares em 12 meses.

Mercados privados captam US$ 15,4 bilhões

A BlackRock recebeu US$ 15,4 bilhões líquidos em estratégias de mercados privados durante o trimestre.

O patrimônio administrado em infraestrutura, crédito privado, private equity e outros ativos não negociados em Bolsa chegou a US$ 329,1 bilhões.

Somadas as alternativas líquidas, a área de investimentos alternativos encerrou o período com US$ 449,4 bilhões.

Apesar de representar apenas 3% do patrimônio total da gestora, a categoria gera 15% das taxas básicas e receitas de empréstimo de ativos.

A relação evidencia a atratividade econômica dos mercados privados. Esses produtos cobram taxas superiores às dos ETFs tradicionais e podem incluir remuneração variável vinculada ao desempenho.

A aquisição da HPS Investment Partners ampliou a presença da BlackRock no crédito privado. A compra da Global Infrastructure Partners fortaleceu a atuação em infraestrutura, enquanto a Preqin adicionou dados e ferramentas para análise de ativos alternativos.

A estratégia pretende transformar a empresa, tradicionalmente associada a ações e títulos públicos, em uma plataforma que reúne mercados públicos, privados e tecnologia.

Aladdin sustenta crescimento da receita tecnológica

A receita de serviços de tecnologia e assinaturas aumentou 13%, para US$ 566 milhões.

O crescimento foi impulsionado pela adoção do Aladdin, plataforma utilizada por bancos, seguradoras, fundos de pensão e gestores para administrar carteiras, analisar riscos e integrar dados financeiros.

A receita contratada anualizada dos serviços tecnológicos cresceu 15%, refletindo a venda de diferentes produtos para os mesmos clientes.

O Aladdin oferece à BlackRock uma fonte de receita menos diretamente dependente do nível dos mercados. Os contratos são cobrados por licenciamento e serviços, em vez de apenas por percentual sobre o patrimônio administrado.

A combinação entre gestão de recursos e infraestrutura tecnológica também fortalece a relação com grandes clientes. Uma instituição que utiliza o Aladdin para controlar riscos pode contratar produtos de investimento, dados ou serviços adicionais da própria BlackRock.

A receita tecnológica ainda representa uma parcela menor do faturamento total, mas possui caráter recorrente e contribui para a diversificação do grupo.

Taxas de desempenho mais que triplicam

As taxas de desempenho chegaram a US$ 305 milhões no trimestre, ante US$ 94 milhões um ano antes.

Esse tipo de receita é cobrado quando determinados fundos superam metas, índices ou níveis de retorno previstos em contrato.

O crescimento de 224% mostra que parte dos fundos entregou resultados suficientes para gerar remuneração adicional à gestora.

As taxas de administração e receitas de empréstimo de valores mobiliários somaram US$ 5,726 bilhões, crescimento de 29%.

Desse total, US$ 5,487 bilhões vieram diretamente de serviços de gestão e administração, enquanto US$ 239 milhões foram gerados pelo empréstimo de ações e títulos.

A BlackRock também registrou US$ 395 milhões em taxas de distribuição e US$ 92 milhões em receitas de consultoria e outras atividades.

A diversificação ajuda a reduzir a dependência de uma única fonte de faturamento, embora a administração de ativos continue sendo o núcleo econômico da companhia.

Recompras de ações serão elevadas para US$ 2 bilhões

A BlackRock recomprou US$ 450 milhões em ações durante o segundo trimestre.

Após o resultado, a companhia aumentou para US$ 550 milhões o valor planejado de recompras trimestrais. Com isso, o programa previsto para 2026 chegará a aproximadamente US$ 2 bilhões.

A recompra reduz o número de ações em circulação e pode elevar o lucro por ação, desde que o resultado permaneça estável ou crescente.

No segundo trimestre, entretanto, a quantidade média de ações diluídas aumentou 5%, para 164,6 milhões. O crescimento está relacionado principalmente às unidades emitidas em operações de aquisição.

Esse aumento limitou parte da expansão do lucro por ação. O lucro ajustado cresceu 22%, enquanto o ganho ajustado por papel avançou 15%.

A companhia também pagou dividendos de US$ 5,73 por ação no trimestre, ante US$ 5,21 um ano antes.

O aumento das recompras demonstra confiança da administração na geração de caixa e na capacidade de financiar simultaneamente investimentos, aquisições e retorno aos acionistas.

O que o resultado significa para BLK e BLAK34

Para o investidor, o balanço reforça quatro pilares da tese da BlackRock.

O primeiro é a escala dos ETFs. Com mais de US$ 6 trilhões no iShares, a companhia mantém uma posição difícil de replicar em produtos indexados globais.

O segundo é a expansão dos mercados privados, segmento com taxas maiores e contratos de duração mais longa.

O terceiro é o crescimento do Aladdin, que aproxima a BlackRock de uma empresa de tecnologia financeira e acrescenta receita recorrente.

O quarto é a expansão da margem. O aumento da receita acima das despesas operacionais mostra capacidade de transformar escala em rentabilidade.

Existem, contudo, riscos relevantes. Parte do crescimento dos ativos veio da valorização dos mercados e pode ser revertida em períodos de queda.

A integração das aquisições aumenta despesas, complexidade e necessidade de retenção de profissionais especializados. Os mercados privados também possuem menor liquidez e avaliações menos frequentes que os ativos negociados em Bolsa.

A saída dos produtos digitais e o desempenho negativo da região da Ásia-Pacífico indicam que o crescimento não foi uniforme.

No Brasil, o BDR BLAK34 acompanha o desempenho da ação BLK em Nova York e a variação do dólar. Dessa forma, o retorno para o investidor brasileiro depende tanto da avaliação da BlackRock no mercado americano quanto do comportamento cambial.

BlackRock amplia distância como maior gestora mundial

O segundo trimestre mostra uma BlackRock maior, mais diversificada e mais lucrativa.

O grupo encerrou junho com US$ 15,345 trilhões sob gestão, US$ 191,7 bilhões em captações trimestrais e margem operacional ajustada próxima de 46%.

Os ETFs continuam sendo a principal fonte de escala, enquanto gestão ativa, mercados privados e tecnologia oferecem receitas mais elevadas por dólar administrado.

A expansão do lucro acima das projeções confirma que a integração das aquisições e o crescimento orgânico começaram a aparecer simultaneamente nos resultados.

Para sustentar o desempenho, a BlackRock precisará continuar atraindo recursos mesmo em períodos menos favoráveis aos mercados, integrar suas plataformas privadas e preservar margens diante da competição por preços entre gestoras.

O resultado do segundo trimestre indica que a companhia entra nessa fase com uma base recorde de ativos, captação acelerada e maior capacidade de remunerar os acionistas.

Tags: Aladdinativos sob gestãoBlackRockBLAK34BLKEmpresasETFsiShareslucro da BlackRockmercados privadosWall Street

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