A aprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a 48% e superou numericamente a desaprovação, de 47%, pela primeira vez desde dezembro de 2024, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (15). Outros 5% dos entrevistados não souberam ou preferiram não responder.
A diferença de um ponto percentual está dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. Tecnicamente, portanto, aprovação e desaprovação permanecem empatadas. O resultado, contudo, consolida uma trajetória de recuperação iniciada depois do pior momento registrado pelo governo no primeiro semestre de 2026.
Em junho, 47% aprovavam a administração federal e 48% desaprovavam. A nova rodada mostra oscilação de um ponto positivo na aprovação e de um ponto negativo na desaprovação, suficiente para inverter numericamente as posições.
A pesquisa ouviu presencialmente 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 120 municípios, entre os dias 10 e 13 de julho. O nível de confiança é de 95%, e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07181/2026.
O resultado representa uma mudança relevante no ambiente político às vésperas do período eleitoral. Embora a vantagem seja estreita e não permita concluir estatisticamente que a maioria aprova o governo, o Planalto deixa para trás o saldo negativo observado durante os primeiros meses do ano.
Aprovação recupera cinco pontos desde abril
A melhora da aprovação de Lula ocorreu de maneira gradual nos últimos três meses.
Em março, 44% dos entrevistados aprovavam o governo, enquanto 51% desaprovavam. O saldo negativo era de sete pontos percentuais.
A situação piorou em abril. A aprovação caiu para 43%, e a desaprovação atingiu 52%, abrindo uma diferença de nove pontos — o pior resultado da série da Quaest em 2026.
Em maio, o quadro começou a mudar. A aprovação subiu três pontos, para 46%, e a desaprovação recuou para 49%. A diferença negativa caiu para três pontos.
No levantamento de junho, a aprovação alcançou 47%, enquanto a desaprovação baixou para 48%. O saldo negativo passou a apenas um ponto.
Agora, em julho, os dois movimentos se completaram: aprovação em 48% e desaprovação em 47%.
Entre abril e julho, o governo recuperou cinco pontos na aprovação e reduziu em cinco pontos a desaprovação. O saldo, que era negativo em nove pontos, tornou-se positivo em um.
A variação mensal deve ser interpretada com cautela, porque parte das mudanças ocorre dentro da margem de erro. A sequência de três levantamentos, entretanto, indica uma tendência de redução da distância entre os dois grupos.
Governo positivo e negativo empatam em 36%
A avaliação qualitativa da administração federal também apresentou melhora.
O percentual dos que consideram o governo positivo chegou a 36%, alta de dois pontos em relação a junho. A avaliação negativa recuou e também ficou em 36%.
Outros 26% classificam a gestão como regular, enquanto 2% não souberam responder.
É a primeira vez em aproximadamente um ano que as avaliações positiva e negativa aparecem no mesmo patamar. Em julho de 2025, 40% classificavam o governo como negativo, enquanto 28% o consideravam positivo.
A diferença entre as duas avaliações era, portanto, de 12 pontos percentuais contra o Planalto. No levantamento atual, essa distância desapareceu.
A pergunta sobre aprovação não é idêntica à avaliação qualitativa. Um entrevistado pode considerar a administração regular e ainda assim aprovar ou desaprovar o trabalho de Lula.
Os dois indicadores, porém, apontam na mesma direção: redução da avaliação negativa e recomposição parcial da imagem do governo.
Independentes registram empate de 45%
Um dos movimentos mais relevantes ocorreu entre os eleitores classificados como independentes, grupo que não se identifica diretamente com o lulismo nem com o bolsonarismo.
Nesse segmento, a aprovação do governo subiu de 41% para 45%. A desaprovação ficou no mesmo nível, também em 45%.
O resultado é importante porque os eleitores politicamente alinhados apresentam comportamento mais estável. Lulistas tendem a aprovar o governo em proporções elevadas, enquanto bolsonaristas concentram a desaprovação.
As mudanças nacionais dependem, em grande medida, dos independentes. Esse grupo costuma reagir com maior intensidade à percepção sobre economia, serviços públicos, notícias políticas e comportamento dos candidatos.
Em abril, o saldo do governo entre os independentes era negativo em 16 pontos. A diferença caiu para cinco pontos em maio e agora desapareceu numericamente.
O empate não significa que o Planalto tenha consolidado apoio nesse segmento. Indica, porém, que o governo conseguiu interromper o processo de afastamento observado no início do ano.
Para a disputa presidencial, a capacidade de manter ou ampliar a aprovação entre os independentes poderá ser tão importante quanto a mobilização das bases partidárias.
Sul apresenta melhora, mas desaprovação segue elevada
A maior oscilação regional ocorreu no Sul.
A aprovação de Lula passou de 33% em junho para 37% em julho. A desaprovação recuou cinco pontos, de 63% para 58%.
Apesar da melhora, a região continua apresentando um dos ambientes mais desfavoráveis ao governo. A distância entre desaprovação e aprovação ainda é de 21 pontos percentuais.
O resultado mostra que a recuperação nacional não eliminou as diferenças geográficas. O governo continua mais forte no Nordeste e encontra maior resistência no Sul e em partes do Sudeste.
O desempenho regional possui relevância eleitoral. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul deram ampla vantagem a Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022 e permanecem como áreas estratégicas para a oposição.
Uma redução da diferença nessas regiões pode ajudar Lula mesmo sem produzir maioria de aprovação. Em eleições polarizadas, diminuir derrotas em territórios adversários pode ter efeito semelhante ao de ampliar vantagens em áreas favoráveis.
A oscilação de julho, no entanto, precisará aparecer em levantamentos posteriores para ser caracterizada como tendência consolidada.
Percepção econômica ainda limita avanço do governo
Embora a aprovação tenha melhorado, a percepção dos brasileiros sobre a economia permanece predominantemente negativa.
Para 43% dos entrevistados, a situação econômica do país piorou nos últimos 12 meses. Outros 33% consideram que permaneceu igual, enquanto 20% identificaram melhora.
Os números mostram que a recuperação da avaliação presidencial não foi acompanhada por uma mudança completa na percepção material das famílias.
A avaliação econômica costuma depender menos dos indicadores agregados e mais da experiência cotidiana. Preços de alimentos, renda disponível, endividamento, emprego e custo do crédito influenciam diretamente a maneira como os eleitores julgam o governo.
Mesmo quando inflação, desemprego ou atividade apresentam melhora nas estatísticas oficiais, pode haver demora até que o efeito seja percebido nos supermercados, nas contas domésticas e no orçamento familiar.
Esse descompasso representa um limite para o Planalto. A aprovação pode avançar com medidas populares, melhora do ambiente político ou noticiário favorável, mas uma recuperação mais consistente tende a depender da percepção econômica.
A pesquisa indica que apenas um em cada cinco entrevistados considera que a economia melhorou. Esse percentual ainda é inferior ao grupo que identifica deterioração.
Programas econômicos ajudam na recomposição
A pesquisa também mediu o conhecimento e a avaliação de iniciativas adotadas pelo governo.
Segundo a Genial/Quaest, 35% dos entrevistados afirmaram que o Desenrola 2.0 aumentou significativamente sua renda disponível. O programa foi criado para renegociar dívidas e reduzir o comprometimento financeiro das famílias.
Medidas com impacto direto sobre renda, crédito e tributação possuem potencial para alterar a avaliação do governo porque seus efeitos são percebidos de maneira individual.
A aprovação da isenção do Imposto de Renda para determinadas faixas salariais, a renegociação de dívidas e políticas de transferência de renda integram a estratégia do Planalto para aproximar os indicadores macroeconômicos da experiência cotidiana.
O efeito político, contudo, depende de conhecimento. Uma política pública pode produzir resultado econômico sem ser associada ao governo responsável por sua implementação.
A administração federal passou a investir em comunicação sobre os programas, buscando estabelecer uma conexão entre benefício recebido e ação governamental.
A recuperação observada desde abril sugere que parte dessa estratégia pode estar produzindo resultado, embora a pesquisa isoladamente não permita atribuir a melhora a uma única medida.
Resultado coincide com avanço eleitoral de Lula
A melhora da aprovação ocorre paralelamente ao avanço de Lula nas simulações para a eleição presidencial de 2026.
Na rodada de julho da Genial/Quaest, o presidente lidera os cenários de primeiro turno testados. Em uma eventual disputa direta com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Lula aparece com 45%, contra 37% do senador.
A vantagem de oito pontos é superior à observada em levantamentos anteriores. Em março, os dois apareciam numericamente empatados, com 41% cada.
Aprovação de governo e intenção de voto são indicadores diferentes. Um eleitor pode desaprovar a administração, mas votar no presidente diante das alternativas apresentadas. Também pode aprovar o governo e preferir outro candidato.
Os dois dados, no entanto, costumam estar relacionados. Presidentes que disputam a reeleição precisam transformar aprovação administrativa em intenção de voto e reduzir a rejeição pessoal.
A pesquisa mostra que Lula recuperou espaço durante o período em que também ampliou sua vantagem sobre o principal nome testado da oposição.
Isso não significa que o cenário esteja definido. A campanha formal, os debates, a situação econômica e eventuais crises políticas podem modificar a disputa até outubro.
Vantagem numérica não representa maioria consolidada
O dado de 48% de aprovação precisa ser interpretado dentro dos limites estatísticos do levantamento.
Com margem de erro de dois pontos, a aprovação pode variar entre 46% e 50%. A desaprovação, registrada em 47%, pode estar entre 45% e 49%.
Os intervalos se sobrepõem. Por isso, não é possível afirmar tecnicamente que a aprovação seja maior na população brasileira apenas com base nessa rodada.
A expressão mais precisa é que a aprovação superou numericamente a desaprovação, mas os dois indicadores permanecem empatados dentro da margem de erro.
Também não há maioria absoluta de aprovação. Para ultrapassar a metade dos entrevistados sem depender da margem, o governo precisaria alcançar patamar superior a 50%.
O resultado tem relevância política porque encerra uma sequência de levantamentos em que a desaprovação aparecia numericamente à frente. Não representa, porém, uma mudança definitiva ou irreversível.
A próxima pesquisa será importante para mostrar se a inversão se mantém, aumenta ou volta ao cenário anterior.
Recuperação começou após pior momento de 2026
A trajetória do ano mostra duas fases distintas.
Entre janeiro e abril, o governo perdeu apoio. A aprovação, que estava em 47% no início do ano, caiu para 43%. A desaprovação subiu de 49% para 52%.
O período foi marcado por percepção desfavorável sobre economia, aumento do endividamento e predominância de notícias negativas relacionadas à administração federal.
A partir de maio, os indicadores mudaram de direção. A aprovação avançou para 46%, chegou a 47% em junho e atingiu 48% em julho.
A desaprovação percorreu o caminho inverso: 49% em maio, 48% em junho e 47% em julho.
Essa simetria produziu uma recuperação rápida do saldo, mas ainda não devolveu ao governo uma vantagem ampla.
A administração continua dividindo o eleitorado em proporções próximas. Aproximadamente metade aprova, e a outra metade desaprova.
Eleição amplia peso da aprovação presidencial
A divulgação ocorre a menos de três meses do primeiro turno das eleições de 2026.
A partir de agora, avaliação administrativa, intenção de voto e rejeição passarão a ser observadas de maneira cada vez mais integrada.
Para Lula, o avanço reduz a distância entre sua posição como presidente e seu desempenho como candidato. Uma aprovação próxima de 50% cria uma base competitiva para buscar a reeleição, mas não garante transferência automática de votos.
Para a oposição, o desafio é interromper a recuperação do governo e converter insatisfação econômica em apoio eleitoral a um candidato específico.
A pesquisa mostra que a polarização permanece dominante. Lula e Flávio Bolsonaro concentram a maior parte das intenções de voto, enquanto os demais candidatos ainda enfrentam dificuldade para ampliar conhecimento e preferência.
Nesse cenário, pequenas variações entre os independentes e nas regiões mais disputadas podem alterar o equilíbrio nacional.
Quaest confirma empate técnico com mudança de tendência
O principal resultado da pesquisa não é uma vantagem estatisticamente comprovada da aprovação, mas a mudança acumulada desde abril.
Em três meses, o saldo do governo avançou dez pontos: saiu de nove pontos negativos para um ponto positivo.
A recuperação alcançou a avaliação qualitativa, os eleitores independentes e regiões nas quais o governo enfrentava resistência maior.
Ao mesmo tempo, os dados econômicos mostram que o Planalto ainda não conseguiu convencer a maioria de que a situação material do país melhorou.
A pesquisa de julho entrega, portanto, dois sinais simultâneos. O primeiro é político: Lula recuperou apoio e deixou de apresentar saldo negativo de aprovação. O segundo é de cautela: a população continua dividida, e os indicadores permanecem dentro da margem de erro.
A evolução das próximas rodadas dependerá da capacidade do governo de sustentar a melhora, ampliar a percepção de recuperação econômica e evitar novas crises durante a campanha.
Por enquanto, a aprovação de 48% representa o melhor resultado de Lula em 2026 e a primeira vantagem numérica sobre a desaprovação desde dezembro de 2024. Não é uma maioria consolidada, mas altera o ponto de partida da disputa presidencial.










