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Quaest: 5% dos Brasileiros Temem Guerra em Meio ao Tarifaço Brasil-EUA

por Gabriel Monteiro
21/08/2025 às 11h49
em Brasil
Quaest: 5% Dos Brasileiros Temem Guerra Em Meio Ao Tarifaço Brasil-Eua - Gazeta Mercantil

Quaest: Pesquisa Revela que 5% dos Brasileiros Temem que o País Entre em Guerra

A mais recente pesquisa da Quaest trouxe à tona um dado inédito e preocupante: pela primeira vez, 5% dos brasileiros afirmam temer que o país entre em guerra. O levantamento, divulgado em 20 de agosto de 2025, reflete a crescente instabilidade internacional e os efeitos diretos da disputa tarifária entre Brasil e Estados Unidos, que se intensificou nos últimos meses.

Embora a violência continue sendo a maior preocupação dos brasileiros (26%), seguida por problemas sociais (19%) e economia (17%), a menção espontânea à guerra como temor nacional demonstra uma mudança significativa no humor da população. O cenário atual, marcado pelo tarifaço norte-americano contra produtos brasileiros e pela elevação de tensões comerciais, acendeu um alerta inédito no imaginário popular.

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Ao mesmo tempo, o governo brasileiro, representado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, tem intensificado as negociações para minimizar os impactos da medida, enquanto fatores como o aumento do preço da carne bovina nos EUA, as mudanças climáticas e a queda na produção agropecuária reforçam a complexidade do quadro.


Quaest e a Nova Preocupação dos Brasileiros

Desde agosto de 2023, a Quaest acompanha a evolução das principais preocupações nacionais. Até então, temas como violência, economia e problemas sociais lideravam a lista, enquanto questões ligadas a conflitos internacionais não apareciam de forma significativa.

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Em maio e julho de 2025, a menção espontânea ao risco de guerra surgiu pela primeira vez, com 2% dos entrevistados. Agora, em agosto, o número saltou para 5%. Esse crescimento coincide com o agravamento da crise comercial entre Brasil e EUA, que elevou tarifas e colocou a diplomacia brasileira em alerta.

A série histórica mostra uma mudança clara de prioridades: enquanto em agosto de 2023 apenas 10% mencionavam a violência como principal preocupação, hoje esse número mais que dobrou, atingindo 26%. Já a economia, que antes era citada por 31%, caiu para 17%, revelando uma redistribuição das angústias sociais.

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O Tarifaço e Seus Reflexos

A disputa tarifária imposta pelos Estados Unidos ao Brasil é considerada um dos fatores centrais para explicar por que a Quaest detectou o aumento da preocupação com guerra.

O governo norte-americano aplicou tarifas que chegam a 50% em produtos brasileiros, em contraste com a tarifa média de 2,7% que o Brasil mantém para importações dos EUA. Esse desequilíbrio foi criticado por Geraldo Alckmin, que destacou o esforço brasileiro em negociar exclusões e reduzir o impacto das medidas.

Segundo o vice-presidente, o governo tem atuado com diplomacia para defender a indústria nacional e garantir que o tarifaço não comprometa setores estratégicos da economia. Para especialistas, embora a palavra “guerra” mencionada pelos brasileiros não se refira a um conflito armado iminente, ela simboliza o sentimento de hostilidade e incerteza gerado pelas tensões internacionais.


Violência Continua Sendo a Principal Preocupação

Apesar do crescimento da percepção de risco de guerra, a pesquisa Quaest aponta que a violência ainda é o principal medo da população brasileira, sendo citada por 26% dos entrevistados. Esse dado mostra que, mesmo diante da turbulência internacional, os problemas internos seguem dominando o cenário social.

Na sequência, aparecem os problemas sociais (19%) e a economia (17%). Corrupção (13%), saúde (10%) e educação (6%) completam a lista. Esses percentuais evidenciam um mosaico de preocupações, no qual temas domésticos ainda prevalecem, mas a conjuntura global começa a ganhar espaço.


A Carne Bovina e os Efeitos da Crise nos EUA

Outro ponto que dialoga diretamente com a percepção captada pela Quaest é a crise no mercado de alimentos nos Estados Unidos. O preço da carne bovina atingiu patamares históricos, chegando a quase R$ 150 por quilo. Em seis meses, o aumento acumulado foi de 9%, e a carne moída, popular entre os norte-americanos, disparou 15,3% no mesmo período.

A redução da oferta no mercado interno norte-americano, considerada a menor em pelo menos uma década, está diretamente ligada às tarifas impostas ao Brasil, às restrições ao México e aos efeitos das mudanças climáticas sobre a pecuária. O Departamento de Agricultura dos EUA estima queda de 4% na produção de carne em relação ao início do ano.

Esse cenário reforça como disputas comerciais podem se transformar em crises de abastecimento, gerando impactos sociais, econômicos e até psicológicos — o que ajuda a explicar por que a ideia de “guerra” foi assimilada por parte da população brasileira.


O Papel do Governo Brasileiro

Diante do cenário, o governo brasileiro intensificou negociações para ampliar a lista de exclusões ao tarifaço. Em declarações recentes, Geraldo Alckmin ressaltou que o diálogo é a principal ferramenta para reduzir tensões.

O esforço diplomático, segundo analistas, é fundamental para evitar que a crise comercial se transforme em algo ainda maior. O Brasil, ao longo de sua história, sempre buscou resolver disputas pela via multilateral e pela mediação em organismos internacionais. Esse perfil pode ser decisivo para evitar uma escalada de tensões que amplifique ainda mais o temor detectado pela Quaest.


Mudança no Humor da População

O fato de a Quaest ter identificado, pela primeira vez, a guerra como preocupação expressiva dos brasileiros mostra como os efeitos da política externa podem chegar ao cotidiano do cidadão comum.

A percepção de instabilidade cresce quando notícias sobre tarifas, embargos, escassez de alimentos e inflação internacional se multiplicam. Isso cria um ambiente de insegurança, no qual a palavra “guerra” ganha espaço, ainda que simbolicamente.

Especialistas apontam que esse movimento é sintomático de uma era em que a globalização interliga crises: disputas comerciais em Washington reverberam diretamente em Brasília e na mesa das famílias brasileiras.


O Que Esperar a Partir de Agora

Com a divulgação da pesquisa Quaest, a tendência é que o governo brasileiro busque intensificar a comunicação com a população, explicando medidas adotadas para proteger a economia nacional.

No curto prazo, a expectativa é de novas rodadas de negociação entre Brasil e Estados Unidos para flexibilizar tarifas e equilibrar o comércio bilateral. Paralelamente, questões como mudanças climáticas e segurança alimentar continuarão influenciando a percepção de risco.

A longo prazo, a presença da “guerra” no radar da população pode se consolidar como indicador de insegurança internacional. Isso exige não apenas medidas econômicas, mas também políticas de comunicação que fortaleçam a confiança do cidadão na capacidade do país de lidar com crises globais.

A pesquisa Quaest de agosto de 2025 mostra um Brasil atento a seus problemas internos, mas também cada vez mais conectado às turbulências internacionais. O surgimento da guerra como preocupação espontânea de 5% dos entrevistados é simbólico e reflete o peso da disputa tarifária com os Estados Unidos, somado a fatores globais como a inflação de alimentos e os efeitos das mudanças climáticas.

Embora a violência siga como principal temor nacional, o novo dado da Quaest revela que o brasileiro percebe que instabilidades externas podem ter reflexo direto em sua vida cotidiana. A política comercial, a diplomacia e as medidas governamentais ganham, assim, uma importância ainda maior para conter crises e preservar a estabilidade interna.

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