terça-feira, 18 de agosto de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Empresas

Raízen (RAIZ4) escolhe veterano da Shell para vice do conselho em meio à reestruturação

Felix Faber substitui Anna Mascolo no colegiado enquanto a companhia negocia uma reestruturação bilionária, vende ativos e prepara mudanças em sua governança.

por João Souza
24/07/2026 às 12h11
em Empresas
Raizen (Raiz4) - Gazeta Mercantil

A Raízen (RAIZ4) nomeou Felix Faber, executivo com mais de 26 anos de experiência no setor de energia e longa trajetória na Shell, para a vice-presidência de seu conselho de administração. A decisão foi aprovada na quinta-feira (23), em São Paulo, por indicação da Shell Brazil Holding, uma das controladoras da companhia, e entra em vigor imediatamente, em um momento marcado pela recuperação extrajudicial, pela venda de ativos e pela necessidade de recompor a estrutura financeira do grupo.

Faber substitui Anna Mascolo e permanecerá no cargo até a realização da próxima assembleia geral da Raízen (RAIZ4). Na ocasião, sua eleição deverá ser submetida à ratificação dos acionistas para que o executivo complete o mandato em andamento.

A companhia não informou uma razão específica para a substituição. O movimento, no entanto, ganha relevância por ocorrer durante uma das fases mais complexas desde a formação da Raízen, criada em 2011 a partir da associação entre a Shell e a Cosan (CSAN3).

A chegada de um executivo indicado pela Shell ao segundo posto mais importante do conselho reforça a presença da multinacional na supervisão das decisões estratégicas da Raízen (RAIZ4). O colegiado terá papel central na execução da recuperação extrajudicial, na reorganização societária prevista pela empresa e na definição dos ativos considerados essenciais para o futuro da operação.

Felix Faber assume posto estratégico no conselho

Felix Faber é formado em administração e construiu sua carreira em diferentes áreas do setor energético. Em mais de duas décadas na Shell, atuou nos negócios de downstream, mobilidade, comercialização, suprimentos, lubrificantes, combustíveis marítimos, estratégia e energias renováveis.

O executivo acumulou experiência em mercados da Europa, do Oriente Médio e da África. Também participou de conselhos de administração de empresas e associações ligadas ao Grupo Shell.

Entre as posições ocupadas estão assentos nos conselhos da Shell Panolin, na Suíça; da JOSLOC, joint venture da Shell na Arábia Saudita; e da Shell Vivo Lubricants, companhia com atuação em diferentes países africanos.

Faber também exerceu funções de liderança na Alemanha e na área de lubrificantes da Shell para Europa, Oriente Médio e África. Sua experiência combina operações industriais, distribuição de combustíveis, transformação de refinarias e desenvolvimento de negócios relacionados à transição energética.

Esse histórico aproxima o novo vice-presidente de áreas diretamente ligadas ao portfólio da Raízen (RAIZ4), que reúne produção de açúcar e etanol, geração de bioenergia, comercialização de combustíveis, logística, distribuição e projetos de combustíveis renováveis.

Na prática, porém, a principal cobrança sobre o conselho não estará restrita às oportunidades de crescimento. O colegiado precisará acompanhar a execução de uma profunda reestruturação financeira, concebida para reduzir a pressão dos compromissos assumidos pela companhia e preservar a continuidade dos negócios.

Shell reforça influência sobre a Raízen

A indicação de Felix Faber também evidencia o peso da Shell na estrutura de controle. A multinacional e a Cosan (CSAN3) possuem, cada uma, 50% das ações ordinárias da Raízen (RAIZ4), que concentram os direitos de voto.

Cada controladora detém ainda aproximadamente 4,5% das ações preferenciais. Considerando todas as classes de papéis, Shell e Cosan (CSAN3) possuem participações equivalentes a cerca de 44% do capital total da companhia.

O bloco de controle reúne aproximadamente 88% do capital total. A parcela restante está distribuída entre investidores que possuem ações preferenciais negociadas na B3, além dos papéis mantidos em tesouraria.

A composição faz com que as decisões estratégicas dependam do alinhamento entre os dois grupos controladores. Em períodos de estabilidade, esse modelo permite compartilhar investimentos e riscos. Em uma reestruturação, entretanto, exige coordenação sobre aportes de capital, venda de ativos, gestão da dívida e mudanças de governança.

A escolha de Faber não modifica formalmente a participação da Shell, mas coloca um executivo com trajetória internacional dentro do núcleo encarregado de supervisionar a recuperação da companhia.

Também sinaliza que a controladora pretende acompanhar de perto a execução do plano negociado com credores. A proposta de recuperação prevê aportes dos acionistas, conversão de parte dos créditos em participação acionária e emissão de novos instrumentos financeiros.

Recuperação extrajudicial redefine prioridades

A Raízen (RAIZ4) entrou em recuperação extrajudicial para renegociar aproximadamente R$ 64,7 bilhões em dívidas financeiras sem garantia real. O processo foi apresentado à Justiça de São Paulo e recebeu a adesão de credores que representam mais de 75% dos créditos abrangidos.

O plano foi protocolado depois de negociações com detentores de títulos internacionais, investidores de títulos locais e instituições financeiras. A etapa seguinte é a homologação judicial, necessária para confirmar formalmente os termos aprovados e vincular os credores alcançados pela recuperação.

Diferentemente de uma recuperação judicial tradicional, o procedimento não abrange todas as obrigações da empresa. Dívidas e contratos com fornecedores, clientes, revendedores e parceiros operacionais permanecem fora do escopo informado pela companhia e devem continuar sendo cumpridos conforme as condições originalmente pactuadas.

O plano prevê uma combinação de capitalização, conversão de dívida e reperfilamento dos valores remanescentes. Parte dos créditos deverá ser transformada em participação acionária, enquanto o restante poderá ser substituído ou refinanciado por novos títulos com outros prazos e condições.

A proposta também estabelece uma nova estrutura de governança para acompanhar a execução da recuperação. Entre as medidas apresentadas estão a atuação de um executivo dedicado à reestruturação e a criação de uma instância de acompanhamento formada por representantes dos credores.

A composição definitiva do conselho deverá passar por nova transformação depois da conclusão formal do processo. A proposta divulgada pela Raízen prevê um colegiado com sete integrantes e regras de aprovação qualificada para determinadas decisões.

A nomeação de Faber, portanto, ocorre antes da implementação desse novo desenho. O mandato poderá atravessar uma fase de transição em que a governança atual conviverá com compromissos definidos no plano negociado com os credores.

Venda de ativos busca preservar liquidez

A recuperação extrajudicial é acompanhada por um programa de desinvestimentos. A Raízen (RAIZ4) vem vendendo ativos considerados menos estratégicos para reforçar o caixa, reduzir necessidades de investimento e concentrar recursos nas operações avaliadas como prioritárias.

Entre os movimentos mais relevantes está o desinvestimento das operações na Argentina. A saída reduz a exposição internacional da companhia e libera capital que poderá ser direcionado à reestruturação financeira.

A empresa também anunciou a venda da Usina Caarapó, localizada em Mato Grosso do Sul. A alienação integra a revisão do portfólio agroindustrial e reforça a estratégia de selecionar unidades com maior capacidade de geração de retorno.

A venda de ativos oferece liquidez no curto prazo, mas precisa ser analisada em conjunto com a redução de receitas futuras. Quando uma companhia aliena unidades operacionais, recebe recursos imediatos, porém deixa de contar com o resultado que esses ativos poderiam produzir.

O equilíbrio depende do preço obtido, da rentabilidade da operação vendida, do custo da dívida a ser reduzida e da capacidade da empresa de aumentar a eficiência dos negócios remanescentes.

Na Raízen (RAIZ4), a administração também reduziu investimentos e passou a priorizar projetos com retorno mais previsível. O ajuste busca conter a necessidade de caixa em uma estrutura que combina produção agrícola, indústria, logística, distribuição e desenvolvimento de tecnologias renováveis.

Etanol de segunda geração entra em revisão

Um dos pontos mais sensíveis da estratégia é o etanol de segunda geração, produzido a partir do bagaço e da palha da cana-de-açúcar. A tecnologia permite ampliar a produção sem exigir, na mesma proporção, novas áreas cultivadas.

A Raízen (RAIZ4) se posicionou como uma das principais investidoras globais nessa frente. Os projetos, contudo, exigem capital elevado, construção de unidades industriais complexas e uma curva de aprendizado operacional mais longa do que a observada no etanol convencional.

Com a pressão financeira, a companhia passou a revisar cronogramas, investimentos e prioridades. Projetos em desenvolvimento precisam demonstrar capacidade de atingir escala, custo competitivo e contratos capazes de remunerar o capital empregado.

O histórico de Faber em transformação industrial, lubrificantes e energia renovável pode contribuir para essa avaliação. A decisão final, entretanto, dependerá do conselho como um todo e das limitações impostas pelo plano de recuperação.

O avanço da transição energética continua criando demanda por combustíveis de menor intensidade de carbono. Para a Raízen (RAIZ4), a oportunidade permanece relevante, mas a companhia já não dispõe da mesma liberdade para financiar simultaneamente múltiplas frentes de expansão.

Ações abaixo de R$ 1 ampliam pressão

As ações preferenciais da Raízen (RAIZ4) passaram a ser negociadas abaixo de R$ 1 e entraram no procedimento de reenquadramento previsto pela B3 para companhias com papéis mantidos abaixo desse valor por período prolongado.

A empresa solicitou extensão do prazo para regularizar a cotação. Entre as alternativas normalmente utilizadas estão o grupamento de ações ou uma recuperação consistente do preço no mercado.

O grupamento reduz a quantidade de papéis em circulação e aumenta proporcionalmente o preço unitário, sem alterar o valor financeiro total da participação de cada acionista no momento da operação.

A medida, contudo, não resolve os fundamentos econômicos que levaram à queda. O comportamento de RAIZ4 continuará vinculado à dívida, ao resultado operacional, à geração de caixa, às condições da recuperação extrajudicial e ao eventual nível de diluição provocado pela conversão de créditos em ações.

Os investidores também acompanham a forma como os aportes dos controladores serão realizados. Dependendo da estrutura escolhida, uma capitalização poderá alterar a distribuição do capital e a participação dos atuais detentores de ações preferenciais.

A baixa cotação funciona, assim, como um indicador da percepção de risco atribuída pelo mercado. A normalização dependerá menos de medidas técnicas e mais da capacidade da Raízen (RAIZ4) de executar a recuperação e reconstruir a confiança dos investidores.

Conselho terá de conciliar credores, acionistas e operação

A troca na vice-presidência ocorre em um ponto no qual a governança assume importância financeira direta. O conselho precisará avaliar propostas que afetam simultaneamente controladores, credores, acionistas minoritários, empregados e parceiros comerciais.

O colegiado deverá supervisionar aportes, conversão de dívida, venda de ativos e reorganizações societárias. Também precisará assegurar que o corte de investimentos não prejudique a manutenção das unidades ou a capacidade produtiva dos ativos considerados essenciais.

Outro desafio será preservar a operação durante a reestruturação. A Raízen ocupa posição relevante no mercado brasileiro de combustíveis, na produção de açúcar e etanol e na geração de energia a partir da biomassa.

Uma recuperação financeira mal executada pode comprometer fornecedores, produção agrícola, contratos comerciais e participação de mercado. Por isso, as decisões não poderão se limitar à redução imediata do endividamento.

O conselho precisará encontrar um equilíbrio entre liquidez de curto prazo e competitividade futura. A venda indiscriminada de ativos poderia aliviar o caixa, mas reduzir a capacidade de geração de receita necessária para sustentar a empresa depois da recuperação.

A chegada de Felix Faber amplia a presença da Shell nesse processo. O teste para o novo vice-presidente será contribuir para que experiência industrial, disciplina financeira e transição energética sejam incorporadas a um plano capaz de manter a Raízen (RAIZ4) operacionalmente relevante depois da renegociação de sua dívida.

Tags: BiocombustíveisConselho de AdministraçãoCosanCSAN3dívidaEmpresasetanolFelix FaberRAIZ4Raízenrecuperação extrajudicialreestruturação financeiraShell

LEIA MAIS

Fidcs - Gazeta Mercantil
Mercados

FIDCs já respondem por 37% das operações do mercado de capitais em 2026

Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) deixaram de ocupar uma posição periférica no mercado financeiro brasileiro. No primeiro semestre de 2026, esses veículos movimentaram R$ 53,1...

Leia MaisDetails
Apex Partners Revela Passivo De R$ 985,6 Milhões E Busca Proteção Judicial - Gazeta Mercantil
Empresas

Apex Partners: Justiça bloqueia bens de Fernando Cinelli e quebra sigilo bancário

A Justiça do Espírito Santo determinou o bloqueio dos bens de Fernando Antonio Kulnig Cinelli, fundador e ex-presidente da Apex Partners, e a quebra de seu sigilo bancário...

Leia MaisDetails
Casas Bahia Lança Debêntures De R$ 3,95 Bilhões Para Reestruturar Dívida - Gazeta Mercantil
Empresas

BHIA3 perde 99,9% desde pico de 2020; entenda a derrocada das ações da Casas Bahia

A trajetória das ações do Grupo Casas Bahia (BHIA3) nos últimos seis anos resume em números a deterioração financeira de uma das empresas mais conhecidas do varejo brasileiro....

Leia MaisDetails
Braskem (Brkm5) -Gazeta Mercantil
Empresas

Braskem (BRKM5) sofre rebaixamento da Fitch para ‘RD’ após calote em juros

A crise financeira da Braskem (BRKM5) entrou em uma nova fase depois que a Fitch Ratings rebaixou a classificação de crédito da petroquímica de “C” para “RD” —...

Leia MaisDetails
Nestlé - Gazeta Mercantil
Empresas

Nestlé mira usuários de Ozempic e Mounjaro e transforma GLP-1 em novo mercado

A Nestlé está transformando uma das maiores ameaças recentes à indústria de alimentos processados em uma nova frente de negócios. O avanço dos medicamentos da classe GLP-1, associados...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

21:46:58
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DOLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado

Veja Também

3 Funções Do Celular Que Você Deve Desligar Quando Não Estiver Usando - Gazeta Mercantil - Tecnologia
Tecnologia

3 funções do celular que você deve desligar quando não estiver usando

Leia MaisDetails
Renan Santos - Gazeta Mercantil
Política

Renan Santos defende fim da Justiça do Trabalho e diz que CLT ‘já era’

Leia MaisDetails
Valuation: O Que É, Como Calcular E Quais Métodos Definem O Valor De Uma Empresa - Gazeta Mercantil
Negócios

Valuation: o que é, como calcular e quais métodos definem o valor de uma empresa

Leia MaisDetails
Dólar Hoje Fecha A R$ 5,22 Com Tensão No Oriente Médio E Ata Do Fed No Radar - Gazeta Mercantil - Tecnologia
Dólar

Dólar hoje fecha a R$ 5,22 com tensão no Oriente Médio e ata do Fed no radar

Leia MaisDetails
Deputado Gilvan Da Federal - Gazeta Mercantil
Política

STF torna Gilvan da Federal réu por injúria contra Lula

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

3 funções do celular que você deve desligar quando não estiver usando

Renan Santos defende fim da Justiça do Trabalho e diz que CLT ‘já era’

Valuation: o que é, como calcular e quais métodos definem o valor de uma empresa

Dólar hoje fecha a R$ 5,22 com tensão no Oriente Médio e ata do Fed no radar

STF torna Gilvan da Federal réu por injúria contra Lula

Ibovespa hoje cai pela 11ª sessão seguida e fecha aos 166 mil pontos; dólar sobe a R$ 5,22

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP