A Fitch Ratings elevou os ratings de crédito da Brava Energia (BRAV3) após a conclusão da aquisição do controle da companhia pela colombiana Ecopetrol. Os ratings de inadimplência do emissor de longo prazo em moedas estrangeira e local passaram de “BB-” para “BB”, enquanto o rating nacional de longo prazo avançou de “AA-(bra)” para “AA+(bra)”. A perspectiva atribuída pela agência é estável.
A ação também alcançou a dívida emitida pela 3R Lux, veículo integralmente controlado pela Brava. O rating das notas seniores garantidas de US$ 500 milhões, com vencimento em 2031, passou de “BB-” para “BB”. A revisão ocorre pouco mais de uma semana depois de a Ecopetrol concluir formalmente a compra de 51% do capital votante da produtora brasileira de petróleo e gás.
A mudança representa uma alteração relevante na estrutura de crédito da Brava porque passa a incorporar, na análise da Fitch, a presença de uma controladora de maior porte e com atuação integrada no setor de energia. A Ecopetrol é a maior companhia da Colômbia e possui operações de exploração e produção, refino, transporte e infraestrutura em diferentes países do continente americano.
A aquisição também modificou de forma definitiva a estrutura acionária da companhia brasileira. Dados atualizados pela própria Brava mostram a Ecopetrol Investimentos do Brasil com 236.924.207 ações ordinárias, equivalentes a 51% do capital. O Banco Bradesco aparece com 12,2%, enquanto outros acionistas concentram 36,8%. Administração e comitês detêm aproximadamente 0,1%.
Compra do controle movimentou cerca de US$ 1,2 bilhão
A entrada da Ecopetrol no controle da Brava foi concluída em 17 de agosto por meio de duas operações complementares. A primeira envolveu a liquidação de uma oferta pública voluntária realizada na B3, pela qual a subsidiária brasileira da Ecopetrol adquiriu 116.110.717 ações ordinárias, correspondentes a aproximadamente 25% do capital da Brava.
A segunda etapa consistiu na conclusão do contrato de compra e venda assinado em abril com acionistas relevantes da companhia. Por esse acordo, a Ecopetrol adquiriu outras 120.813.490 ações, representativas de aproximadamente 26% do capital. Somadas, as duas operações levaram a participação da companhia colombiana aos atuais 51%.
Segundo a Ecopetrol, o valor total desembolsado na transação ficou em aproximadamente US$ 1,2 bilhão. O financiamento foi realizado por meio de um empréstimo entre empresas do próprio grupo, concedido pela Ecopetrol Capital AG à Ecopetrol Investimentos do Brasil.
A estrutura utilizada permitiu à colombiana obter o controle da companhia sem adquirir a totalidade das ações em circulação. A Brava permanece com parcela relevante de seu capital distribuída entre outros investidores e continua listada na B3 sob o código BRAV3.
Para a análise de crédito, a mudança de controlador tem importância adicional porque altera a avaliação sobre a capacidade potencial de suporte à companhia em situações de pressão financeira. O rating corporativo, no entanto, não significa que exista garantia automática da Ecopetrol sobre todas as obrigações da Brava. Agências de classificação consideram fatores como relevância estratégica, integração operacional, incentivos econômicos e disposição do controlador para prestar suporte.
Brava amplia presença da Ecopetrol no petróleo brasileiro
A dimensão operacional adquirida pela Ecopetrol ajuda a explicar o peso estratégico atribuído à Brava. No documento oficial de conclusão da transação, a colombiana informou que a companhia brasileira possuía aproximadamente 459 milhões de barris de óleo equivalente em reservas provadas, ou 1P, em 31 de dezembro de 2025.
As reservas provadas mais prováveis, classificadas como 2P, foram estimadas em aproximadamente 605 milhões de barris de óleo equivalente. Os números da Brava seguem o padrão Petroleum Resources Management System, conhecido como PRMS.
A diferença metodológica é importante. As reservas consolidadas da Ecopetrol são calculadas segundo os padrões da Securities and Exchange Commission dos Estados Unidos. A própria companhia colombiana já havia ressaltado, em apresentações a investidores, que os números da Brava baseados no PRMS precisariam ser harmonizados antes de uma comparação direta com suas reservas calculadas pelo padrão da SEC.
Ao final de 2025, a Ecopetrol registrava 1,944 bilhão de barris de óleo equivalente em reservas provadas, crescimento de 2,7% em relação ao ano anterior. A vida média dessas reservas era estimada em 7,8 anos. A incorporação da Brava, portanto, adiciona uma plataforma relevante de produção e desenvolvimento ao portfólio do grupo, ainda que os números das duas empresas exijam padronização metodológica para serem consolidados.
A aquisição também elevou imediatamente a exposição da Ecopetrol à produção brasileira. Entre janeiro e junho de 2026, a Brava produziu, em média, aproximadamente 78,8 mil barris de óleo equivalente por dia. Somente em junho, a produção atingiu aproximadamente 84,4 mil barris diários.
Ativos offshore ganham importância na nova estrutura
A Brava reúne ativos terrestres e marítimos e surgiu da combinação entre os negócios da antiga 3R Petroleum e da Enauta. Sua carteira inclui operações de exploração e produção, além de infraestrutura associada ao escoamento, processamento e comercialização de hidrocarbonetos.
A presença offshore ocupa posição relevante dentro do portfólio. Entre os principais ativos está Atlanta, campo localizado na Bacia de Santos, além de operações em Papa-Terra e outros projetos que compõem a estratégia de aumento da produção da companhia.
A escala operacional da Brava também aparece nos números financeiros utilizados pela Ecopetrol para avaliar a aquisição. No período de 12 meses encerrado em junho de 2026, os dados divulgados pela colombiana apontavam receita aproximada de US$ 2,341 bilhões e Ebitda de cerca de US$ 1,05 bilhão para a Brava.
O lucro líquido acumulado no mesmo período foi estimado em aproximadamente US$ 122,2 milhões. A Ecopetrol ressalvou que as informações foram derivadas de dados públicos da companhia brasileira e apresentadas em base não auditada no documento da transação.
Esses números ajudam a dimensionar por que a operação foi tratada pela controladora como uma plataforma de crescimento no Brasil, e não apenas como investimento financeiro. A Ecopetrol passa a consolidar uma companhia operacional com produção relevante, reservas próprias e ativos distribuídos por diferentes bacias brasileiras.
Fitch e S&P incorporam nova controladora às análises
A revisão da Fitch ocorre em paralelo à reavaliação feita por outra grande agência internacional. Em 26 de agosto, a S&P Global Ratings manteve o rating de emissor da Brava em “B+”, com perspectiva estável, mas passou a considerar a companhia uma subsidiária estrategicamente importante da Ecopetrol.
Segundo a avaliação da S&P, a Brava ganha relevância dentro da estratégia da controladora por ampliar a diversificação geográfica do grupo e reduzir a dependência de ativos colombianos. A agência também destacou a expectativa de expansão da produção e da geração de caixa da companhia brasileira.
As classificações da Fitch e da S&P não são diretamente comparáveis apenas pela letra atribuída, porque cada agência utiliza metodologia e escalas próprias. O movimento conjunto, porém, mostra que a mudança de controle passou a integrar formalmente a análise de risco de crédito da Brava.
A S&P manteve em “BB-” o rating das notas seniores garantidas da companhia e atribuiu perspectiva estável ao emissor. A Fitch, por sua vez, elevou essas mesmas notas para “BB”. A diferença demonstra como as metodologias podem produzir avaliações distintas mesmo quando partem dos mesmos acontecimentos corporativos.
Estrutura financeira continuará no centro das avaliações
A presença de uma controladora maior não elimina os fatores operacionais e financeiros próprios da Brava. Produção, reposição de reservas, geração de caixa, endividamento, investimentos e execução dos projetos offshore continuarão sendo determinantes para a evolução dos ratings.
O histórico recente mostra justamente essa combinação. Antes da mudança de controle, a Fitch classificava a Brava em “BB-” na escala global e “AA-(bra)” na escala nacional, com perspectiva positiva. A conclusão da aquisição pela Ecopetrol criou as condições para que a agência transformasse essa expectativa de melhora em uma elevação efetiva da nota.
Há ainda uma diferença temporal entre as decisões das agências e algumas páginas corporativas. Na manhã desta quinta-feira, 27 de agosto, a página de ratings do relacionamento com investidores da Brava ainda apresentava como última atualização da Fitch os ratings de janeiro de 2026 — “BB-” global e “AA-(bra)” nacional, ambos com perspectiva positiva —, enquanto a nova classificação já havia sido divulgada pela agência.
A próxima etapa será observar como a Brava será incorporada ao planejamento financeiro e operacional da Ecopetrol e de que maneira a nova controladora administrará investimentos, liquidez e estrutura de capital. Com 51% das ações e controle efetivo da companhia, as decisões estratégicas da petroleira brasileira passam a fazer parte de uma estrutura regional significativamente maior.
Fontes:
- Fitch Ratings — Fitch Upgrades Brava’s Ratings to ‘BB’; Outlook Stable
- Ecopetrol — Ecopetrol Completes Acquisition of a Controlling 51% Stake in Brava Energia S.A. and Strengthens Its Growth Platform in Brazil — 17 de agosto de 2026
- Brava Energia — Composição Acionária e Estrutura Societária — atualização de agosto de 2026
- S&P Global Ratings — Brava Energia S.A. ‘B+’ Rating Affirmed Following Acquisition By Ecopetrol S.A.; Outlook Remains Stable — 26 de agosto de 2026
- Ecopetrol — Proven reserves at the close of 2025 — 19 de fevereiro de 2026








