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BTG Pactual (BPAC11) recebe licença para operar como banco no Peru e investirá US$ 100 milhões

Nova instituição terá capital inicial de US$ 100 milhões e atenderá grandes empresas e investidores institucionais, ampliando a presença do grupo no mercado peruano após mais de 14 anos.

por João Souza
29/09/2026 às 10h16
em Empresas
Btg (Bpac11) - Gazeta Mercantil

O BTG Pactual (BPAC11) obteve autorização da Superintendência de Banca, Seguros e AFP (SBS), autoridade responsável pela supervisão do sistema financeiro peruano, para operar como banco no Peru. A licença de funcionamento permite avançar na implantação do Banco BTG Pactual Perú S.A., instituição que terá capital inicial de US$ 100 milhões e concentrará suas atividades em clientes corporativos, grandes empresas e investidores institucionais.

A decisão representa uma nova etapa da estratégia de internacionalização do grupo brasileiro, que já mantém presença no mercado peruano há mais de 14 anos por meio de operações de banco de investimento, corretagem e administração de recursos. Com a constituição da instituição bancária, o BTG amplia sua capacidade de oferecer produtos financeiros diretamente no país, incorporando soluções de crédito corporativo e tesouraria às atividades já desenvolvidas localmente.

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A autorização conclui um processo regulatório iniciado em julho de 2025, quando o grupo formalizou sua intenção de constituir uma instituição financeira no Peru. A iniciativa recebeu aprovação preliminar em janeiro deste ano e avançou para a etapa de licenciamento operacional após a apresentação de documentação complementar e o cumprimento dos requisitos estabelecidos pelo regulador.

Segundo o banco, a nova estrutura permitirá integrar sua experiência no mercado financeiro peruano à plataforma regional de produtos e serviços desenvolvida na América Latina. A estratégia também busca ampliar o relacionamento com empresas que possuem operações em diferentes países, especialmente aquelas que demandam financiamento, gestão de liquidez e soluções financeiras transfronteiriças.

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O CEO do BTG Pactual, Roberto Sallouti, afirmou, em comunicado sobre a autorização, que a licença representa mais um passo no aprofundamento da presença do grupo na região. Segundo o executivo, a iniciativa reforça o compromisso de longo prazo da instituição com o mercado peruano e integra seu processo de expansão internacional.

Embora tenha recebido a licença bancária, o grupo ainda não informou uma data específica para o início das atividades comerciais da nova instituição.

Autorização encerra processo iniciado em julho de 2025

A trajetória regulatória do Banco BTG Pactual Perú começou formalmente em 30 de julho de 2025, quando o conselho de administração do Banco BTG Pactual Chile aprovou a constituição de uma subsidiária bancária no território peruano. O projeto foi estruturado para estabelecer uma instituição com personalidade jurídica própria e submetida à supervisão financeira local.

A documentação apresentada à SBS prevê participação de 99,99% do Banco BTG Pactual Chile no capital da nova instituição, enquanto os 0,01% restantes pertencem à BTG Pactual Chile SpA. A composição demonstra que a expansão peruana está sendo conduzida por meio da estrutura societária chilena do grupo brasileiro, e não diretamente pelas empresas que já desenvolvem atividades de investimento no Peru.

Em agosto de 2025, o pedido de organização foi submetido aos procedimentos públicos previstos na regulamentação peruana. A primeira aprovação ocorreu por meio da Resolução SBS nº 00129-2026, de 15 de janeiro de 2026, publicada no Diário Oficial El Peruano em 22 de janeiro.

Naquela etapa, a autoridade reguladora autorizou a organização da instituição, após avaliar a documentação societária e receber manifestação favorável do Banco Central de Reserva do Peru. A aprovação, contudo, ainda não representava autorização para iniciar efetivamente as atividades bancárias.

Essa distinção é importante porque o sistema peruano estabelece etapas diferentes para a organização de uma empresa financeira e para seu funcionamento. Após a primeira autorização, os responsáveis devem demonstrar o cumprimento de requisitos relacionados à estrutura administrativa, governança, controles internos, infraestrutura operacional e demais condições exigidas pelo supervisor.

Em 13 de abril, o Banco BTG Pactual Chile apresentou formalmente o pedido de autorização de funcionamento. A solicitação foi comunicada ao mercado por meio de fato relevante divulgado pela subsidiária peruana de gestão de recursos.

A licença anunciada agora corresponde à conclusão dessa segunda etapa do processo regulatório. A aprovação amplia o alcance institucional do grupo no país e permite avançar na implantação de uma operação bancária própria, sem depender exclusivamente das estruturas de corretagem e administração de investimentos anteriormente existentes.

Nova operação terá foco em crédito corporativo e tesouraria

O Banco BTG Pactual Perú terá como público prioritário empresas de grande porte, clientes corporativos e investidores institucionais. O posicionamento acompanha o modelo adotado pelo grupo em outros mercados latino-americanos, combinando atividades de banco de investimento com serviços financeiros recorrentes e soluções de gestão de recursos.

Entre as frentes previstas estão produtos de banco corporativo, operações de tesouraria e serviços de banco de investimento. A nova estrutura permitirá ampliar o atendimento a companhias que necessitam de financiamento para suas atividades, administração de caixa, gestão de riscos financeiros e operações vinculadas ao mercado de capitais.

A diferença em relação à presença anterior do BTG está na possibilidade de desenvolver essas atividades dentro de uma instituição bancária licenciada e supervisionada pela SBS. Até então, a atuação local estava concentrada em serviços de investimento, intermediação de valores mobiliários e gestão patrimonial, submetidos às regras correspondentes a cada atividade.

O capital inicial anunciado, de US$ 100 milhões, representa os recursos destinados à constituição da nova operação. Esse valor não deve ser confundido com uma estimativa da carteira de crédito futura, do volume de depósitos ou dos ativos que a instituição poderá administrar após o início de suas atividades.

A expansão também não significa, necessariamente, a abertura imediata de uma rede de agências ou a entrada no segmento bancário de varejo. O posicionamento divulgado pela companhia indica concentração inicial em grandes clientes, sem anúncio de produtos destinados ao público em geral.

Ao incorporar serviços bancários à plataforma existente, o BTG poderá desenvolver relacionamentos mais abrangentes com companhias que anteriormente utilizavam apenas seus serviços de assessoria financeira, estruturação de operações ou investimentos. Essa integração constitui uma das principais características do modelo de negócios que o grupo vem implementando em sua expansão regional.

Estrutura peruana já possui histórico no mercado de capitais

A decisão de estabelecer um banco próprio aproveita uma presença empresarial construída ao longo de mais de uma década. No Peru, o BTG mantém atividades relacionadas à intermediação de valores mobiliários, gestão de investimentos e atendimento a clientes institucionais.

O grupo já opera no país por meio de empresas especializadas, incluindo a BTG Pactual Perú S.A. Sociedad Agente de Bolsa e a BTG Pactual Perú S.A. Sociedad Administradora de Fondos. Essas estruturas desempenham funções distintas da nova instituição bancária e estão inseridas no ambiente regulatório do mercado de valores mobiliários.

Em abril de 2026, a Superintendência do Mercado de Valores (SMV) autorizou a ampliação das atividades da administradora peruana para atuar também como gestora de fundos de investimento. A decisão foi formalizada pela Resolução nº 050-2026-SMV/02, publicada em maio, e permitiu que a companhia ampliasse seu escopo de atuação no segmento de administração de recursos.

A expansão da gestora e a constituição do banco representam movimentos complementares, mas juridicamente separados. A documentação societária encaminhada ao regulador informa que as empresas já estabelecidas pelo BTG no Peru não participam como acionistas da nova instituição bancária.

Essa organização permite ao grupo preservar estruturas especializadas em suas respectivas atividades, ao mesmo tempo em que adiciona uma plataforma voltada à prestação de serviços bancários corporativos.

Para clientes empresariais com atuação internacional, a ampliação da estrutura pode facilitar o acesso a diferentes soluções financeiras dentro do mesmo conglomerado. Entretanto, as condições comerciais e a efetiva integração operacional dependerão dos produtos que forem disponibilizados após o início das atividades.

Expansão no Peru acompanha avanço no Uruguai e em outros mercados

A obtenção da licença peruana ocorre em meio a uma estratégia mais ampla de fortalecimento das operações internacionais do BTG Pactual. O grupo já possui presença relevante em mercados como Chile e Colômbia e vem ampliando suas atividades no Uruguai e nos Estados Unidos.

Um dos movimentos recentes mais importantes ocorreu no mercado uruguaio. Em julho de 2026, o BTG concluiu a aquisição das operações locais do HSBC, após receber as autorizações regulatórias necessárias. A transação havia sido anunciada em 2025 e representou a entrada do grupo na operação bancária adquirida no país.

Documentos do Banco Central do Uruguai registram que a transferência da totalidade das ações do HSBC Bank Uruguay para a BTG Pactual Holding Internacional foi autorizada em junho, com a conclusão comunicada em 10 de julho.

A aquisição permitiu ao conglomerado incorporar uma estrutura bancária já estabelecida, diferentemente do modelo escolhido para o Peru, onde a instituição está sendo constituída por meio de um processo próprio de licenciamento.

Os dois movimentos ilustram estratégias distintas de expansão internacional. No Uruguai, o crescimento ocorreu pela aquisição de uma operação existente. No Peru, o BTG optou pela formação de uma subsidiária bancária, aproveitando sua presença anterior no mercado de capitais e a experiência acumulada no relacionamento com clientes locais.

A ampliação regional também acompanha o interesse de instituições financeiras em atender empresas que operam em diferentes jurisdições. Grupos empresariais com atividades no Brasil, Chile, Peru, Colômbia e Uruguai frequentemente demandam financiamento, câmbio, instrumentos de proteção financeira e serviços relacionados à movimentação internacional de recursos.

Para o BTG, uma estrutura regional mais abrangente permite oferecer soluções adaptadas às regras de cada mercado, mantendo o relacionamento institucional entre as diferentes empresas do conglomerado.

A expansão, entretanto, também envolve desafios de integração, conformidade regulatória e administração de riscos. Cada subsidiária precisa observar as exigências prudenciais de seu respectivo supervisor, incluindo regras de capital, governança e prevenção à lavagem de dinheiro.

Licença representa nova etapa da internacionalização do BTG Pactual

O avanço peruano acontece após um período de crescimento das operações do grupo brasileiro. No segundo trimestre de 2026, o BTG Pactual registrou lucro líquido contábil de R$ 4,9 bilhões, crescimento de 22,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O patrimônio líquido alcançou R$ 79,6 bilhões, enquanto o Índice de Basileia encerrou junho em 16%.

Esses indicadores pertencem às demonstrações consolidadas do grupo e não representam resultados da nova instituição peruana, que ainda não iniciou suas atividades comerciais. Eles ajudam, contudo, a contextualizar o momento financeiro em que o conglomerado vem executando seu programa de expansão.

A constituição do Banco BTG Pactual Perú amplia a presença do grupo no sistema financeiro latino-americano e acrescenta uma nova frente de negócios à estrutura mantida no exterior. O investimento inicial de US$ 100 milhões deverá sustentar a implantação da operação, cujo ritmo de crescimento dependerá da formação da carteira de clientes, da oferta de produtos e das condições do mercado local.

Do ponto de vista regulatório, a nova instituição passa a integrar um ambiente supervisionado pela SBS, responsável por fiscalizar bancos, seguradoras e administradoras privadas de fundos de pensão no Peru. O regulador vem conduzindo iniciativas para modernizar os procedimentos de licenciamento de novas empresas financeiras, mantendo exigências relacionadas à segurança operacional e à proteção dos participantes do sistema.

Para a companhia brasileira, a autorização representa a passagem de uma presença concentrada em investimentos para uma atuação bancária mais abrangente. O movimento permite ampliar o relacionamento com clientes corporativos e institucionais, sem abandonar as atividades já desenvolvidas pelas demais subsidiárias peruanas.

A próxima etapa será a efetiva entrada em operação do Banco BTG Pactual Perú S.A., acompanhada da definição de seu portfólio de produtos e das condições comerciais de atendimento. Até o momento, a instituição não divulgou um cronograma público para o início de suas atividades.

Fontes:

Superintendência de Banca, Seguros e AFP do Peru — Resolução SBS nº 00129-2026 e registros de autorização de novas instituições financeiras.

BTG Pactual Perú — Comunicados societários de janeiro e abril de 2026.

Superintendência do Mercado de Valores do Peru — Resolução nº 050-2026-SMV/02.

BTG Pactual — Demonstrações financeiras e apresentação de resultados do segundo trimestre de 2026.

Banco Central do Uruguai — Registros regulatórios da transferência acionária do HSBC Bank Uruguay.

 

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