Vereador afirma ter provas de tentativa de contrato milionário para atacar o Banco Central no caso Banco Master
A denúncia feita pelo vereador Rony Gabriel, do PL de Erechim, no Rio Grande do Sul, adiciona um novo e sensível capítulo ao caso Banco Master, que desde a decretação de liquidação da instituição financeira vem produzindo repercussões políticas, econômicas e jurídicas em escala nacional. Em entrevista, o parlamentar afirmou ter recusado uma proposta milionária para atuar em uma estratégia de comunicação destinada a defender o Banco Master e, ao mesmo tempo, descredibilizar o Banco Central, órgão responsável pela decisão que resultou no encerramento das atividades da instituição controlada por Daniel Vorcaro.
Segundo o vereador, todas as tratativas foram devidamente registradas, incluindo conversas, contratos e modelos de conteúdos que lhe teriam sido enviados como referência. A revelação levou a Polícia Federal a anunciar a abertura de um inquérito para apurar a eventual contratação de influenciadores digitais com o objetivo de interferir na percepção pública sobre a atuação do Banco Central no caso Banco Master.
Proposta de reposicionamento de imagem e cláusulas milionárias
De acordo com o relato de Rony Gabriel, o contato inicial ocorreu por meio das redes sociais, seguido de conversas pelo WhatsApp com um assessor ligado a uma agência de marketing digital. A empresa teria apresentado o trabalho como um “reposicionamento de imagem” de um grande executivo, posteriormente identificado como Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O objetivo central, segundo o parlamentar, seria construir uma narrativa pública que colocasse em dúvida a condução do processo de liquidação pelo Banco Central.
O vereador afirmou que o contrato previa valores elevados e incluía cláusulas de confidencialidade severas, com multa estipulada em R$ 800 mil em caso de quebra do acordo. Ainda segundo ele, o pacote de comunicação incluía roteiros prontos e exemplos de vídeos já produzidos por outros influenciadores, todos com discurso alinhado à defesa do banco e à crítica à atuação da autoridade monetária.
Conteúdos roteirizados e tentativa de descredibilização institucional
Um dos pontos mais sensíveis do depoimento envolve a alegação de que os vídeos deveriam seguir um roteiro específico, cujo foco seria questionar a rapidez do processo de liquidação do Banco Master. Para o vereador, a estratégia buscava induzir o público a acreditar que o Banco Central teria agido de forma precipitada ou injustificada no caso Banco Master, colocando em xeque a credibilidade de uma das principais instituições do sistema financeiro nacional.
Rony Gabriel afirmou que recebeu modelos de vídeos que já haviam sido gravados por outros criadores de conteúdo, o que reforçaria a existência de uma ação coordenada. A padronização do discurso, segundo ele, deixava claro que não se tratava de uma opinião espontânea, mas de uma campanha estruturada de comunicação com objetivos políticos e econômicos bem definidos.
Registro em cartório e ata notarial
Ao recusar a proposta, o vereador optou por formalizar toda a documentação relacionada às negociações. Ele afirmou ter registrado conversas e documentos em cartório por meio de ata notarial, além de manter cópia do contrato assinado digitalmente. A iniciativa, segundo o parlamentar, teve como objetivo garantir que todas as suas declarações pudessem ser comprovadas, evitando questionamentos futuros sobre a veracidade das acusações.
A existência de registros formais confere maior peso institucional às denúncias no caso Banco Master, ampliando a pressão sobre as autoridades responsáveis pela investigação. Do ponto de vista jurídico, a documentação pode ser decisiva para a apuração de eventuais crimes relacionados à manipulação de informação, difamação institucional ou tentativa de interferência em decisões regulatórias.
Influência digital e alcance político
Rony Gabriel possui cerca de 1,7 milhão de seguidores em redes sociais e se apresenta como pré-candidato a deputado federal. Esse alcance foi apontado como um dos motivos que teriam levado a agência de marketing a procurá-lo. No contexto do caso Banco Master, a utilização de influenciadores com grande audiência amplia significativamente o potencial de impacto da campanha, sobretudo em um ambiente digital marcado pela rápida disseminação de informações e pela polarização do debate público.
O uso de figuras públicas com mandato eletivo para influenciar a opinião pública sobre decisões técnicas do Banco Central levanta preocupações adicionais. Especialistas avaliam que esse tipo de estratégia, se comprovada, pode comprometer a confiança da sociedade no sistema financeiro e nas instituições reguladoras.
Polícia Federal abre investigação
Após a divulgação das denúncias, a Polícia Federal informou que abrirá um inquérito para investigar se influenciadores digitais foram contratados para produzir conteúdos contra o Banco Central e a favor do Banco Master. A apuração busca identificar os responsáveis pela suposta campanha, o fluxo de recursos financeiros envolvidos e a eventual prática de crimes contra a ordem econômica ou a administração pública.
O avanço das investigações pode ampliar ainda mais o alcance do caso Banco Master, atingindo não apenas agentes do setor privado, mas também profissionais de comunicação e figuras públicas envolvidas na disseminação dos conteúdos. A abertura do inquérito sinaliza que as autoridades tratam o tema com elevado grau de seriedade institucional.
O pano de fundo da liquidação do Banco Master
O Banco Master teve sua liquidação decretada pelo Banco Central no fim do ano passado, em decisão fundamentada em critérios técnicos relacionados à solvência e à segurança do sistema financeiro. Casos dessa natureza costumam gerar controvérsia, especialmente quando envolvem grandes volumes de recursos e impactos sobre investidores e clientes.
No caso Banco Master, a decisão provocou reações públicas do controlador da instituição e de setores interessados, alimentando disputas narrativas sobre as responsabilidades e a condução do processo. A denúncia envolvendo a tentativa de contratação de influenciadores surge, portanto, em um contexto de forte tensão entre interesses privados e a atuação regulatória do Estado.
Comunicação estratégica e limites éticos
A revelação de uma possível campanha estruturada para atacar o Banco Central reacende o debate sobre os limites éticos da comunicação estratégica em crises corporativas. Embora seja legítimo que empresas busquem preservar sua imagem, especialistas destacam que a difamação de instituições públicas e a disseminação de informações enganosas ultrapassam o campo da comunicação e entram na esfera da ilegalidade.
No caso Banco Master, a suposta tentativa de influenciar a opinião pública por meio de conteúdos roteirizados coloca em xeque a transparência do debate e a integridade do ambiente informacional. A utilização de contratos com cláusulas de confidencialidade elevadas reforça a percepção de que se trataria de uma ação deliberadamente opaca.
Repercussões políticas e institucionais
O envolvimento de um vereador e pré-candidato a deputado federal confere dimensão política adicional ao caso Banco Master. Parlamentares e analistas avaliam que o episódio pode desencadear discussões mais amplas sobre a relação entre política, mercado financeiro e redes sociais. A eventual comprovação das denúncias pode levar a pedidos de esclarecimento no Congresso Nacional e a debates sobre a regulamentação da atuação de influenciadores em temas sensíveis à estabilidade econômica.
Além disso, o episódio tende a reforçar a importância da autonomia do Banco Central e da proteção institucional contra tentativas de pressão externa. Em um cenário de crescente desinformação, a preservação da credibilidade das autoridades monetárias é vista como elemento central para a confiança no sistema financeiro.
Um caso em evolução com impactos duradouros
O caso Banco Master permanece em desenvolvimento, com novas informações sendo incorporadas à investigação. A denúncia do vereador Rony Gabriel adiciona complexidade ao episódio, ao apontar para uma possível estratégia organizada de manipulação da narrativa pública. Independentemente do desfecho, o caso já se consolida como um marco no debate sobre comunicação política, ética digital e proteção das instituições reguladoras.
À medida que as investigações avançam, o episódio tende a produzir reflexões profundas sobre o uso das redes sociais como instrumento de pressão econômica e política, bem como sobre a necessidade de mecanismos mais robustos de transparência e responsabilização.






