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Cesta básica sobe em todas as capitais e Dieese calcula salário mínimo ideal de R$ 7,6 mil

Alta dos alimentos essenciais avança pelo segundo mês seguido e amplia pressão sobre inflação e custo de vida no Brasil.

por Maria Helena Costa
11/05/2026 às 14h46
em Economia
Cesta Básica Sobe Em Todas As Capitais E Dieese Calcula Salário Mínimo Ideal De R$ 7,6 Mil-Gazeta Mercantil

O custo da cesta básica aumentou nas 27 capitais brasileiras entre março e abril de 2026, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A alta generalizada dos alimentos essenciais ocorre pela segunda vez consecutiva e reforça o cenário de pressão inflacionária sobre o orçamento das famílias brasileiras.

De acordo com a pesquisa, as maiores elevações mensais foram registradas em Porto Velho (5,60%), Fortaleza (5,46%), Cuiabá (4,97%), Boa Vista (4,36%), Rio Branco (4,05%) e Teresina (4,02%).

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São Paulo permaneceu com a cesta básica mais cara do país, atingindo custo médio de R$ 906,14. Na sequência aparecem Cuiabá, com R$ 880,06, Rio de Janeiro, com R$ 879,03, e Florianópolis, com R$ 847,26.

A disparada dos preços dos alimentos essenciais amplia a pressão sobre a inflação e sobre o poder de compra da população, em um momento em que o mercado financeiro já revisa para cima as projeções para o IPCA e mantém expectativa de juros elevados por período prolongado.

O levantamento do Dieese também mostra que o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ter alcançado R$ 7.612,49 em abril, valor equivalente a 4,7 vezes o piso nacional vigente de R$ 1.621.

Alimentos pressionam orçamento das famílias brasileiras

O avanço da cesta básica ocorre em um cenário de persistente pressão sobre os preços de alimentos, considerada uma das principais preocupações para as famílias de renda média e baixa.

Produtos essenciais consumidos diariamente apresentaram elevações expressivas em diversas regiões do país, impactando diretamente o custo de vida nas capitais brasileiras.

Segundo o Dieese, o leite integral foi o único item que registrou aumento em todas as 27 capitais pesquisadas entre março e abril.

As altas variaram entre 1,63% em Macapá e 15,70% em Teresina. Em 12 meses, o produto acumulou aumento em 14 capitais.

A instituição atribuiu a elevação à redução da oferta no campo durante o período de entressafra, o que pressionou os preços dos derivados lácteos.

O feijão também apresentou forte avanço no período. O produto teve aumento em 26 capitais, tanto na variedade preta quanto no feijão carioca.

No caso do feijão preto, pesquisado principalmente na região Sul e em capitais como Rio de Janeiro e Vitória, as altas chegaram a 6,87% em Florianópolis.

Já o feijão carioca registrou aumentos ainda mais expressivos, alcançando 17,86% em Palmas.

O Dieese aponta que a demanda aquecida contribuiu para sustentar os preços do grão em praticamente todo o país.

Tomate, pão francês e carne bovina ampliam pressão inflacionária

Outro item com forte impacto sobre o custo da cesta básica foi o tomate.

O produto apresentou alta em 25 das 27 capitais analisadas, com elevação de até 25,58% em Fortaleza.

As únicas quedas foram observadas no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte.

Segundo o Dieese, a transição entre as safras de verão e inverno reduziu a oferta disponível, pressionando os preços no varejo.

O pão francês também registrou aumento em 22 capitais brasileiras.

As maiores elevações ocorreram em Palmas e Brasília, refletindo o encarecimento do trigo no mercado internacional e restrições de oferta do cereal.

O Dieese destacou que a demanda elevada e os custos mais altos das farinhas seguiram pressionando os preços ao consumidor.

Já a carne bovina subiu em 22 cidades pesquisadas, com destaque para Cuiabá, onde o avanço chegou a 4,78%.

A instituição atribui a alta à combinação entre demanda externa aquecida e oferta restrita de animais prontos para abate.

O movimento reforça a pressão estrutural sobre os alimentos no Brasil, especialmente em itens de grande peso no orçamento das famílias.

Café em pó registra queda na maioria das capitais

Na contramão da maioria dos alimentos pesquisados, o café em pó apresentou redução de preços em 22 capitais brasileiras.

As quedas mais intensas ocorreram em Cuiabá, com retração de 4,56%, e Rio Branco, com baixa de 3,80%.

A única alta mais relevante foi observada em Manaus, onde o produto avançou 2,36%.

De acordo com o Dieese, a proximidade da nova safra, a redução do volume exportado e o ambiente de incertezas internacionais contribuíram para aliviar parcialmente os preços do café no varejo.

Apesar disso, o comportamento do produto não foi suficiente para compensar a alta generalizada dos demais itens da cesta básica.

O levantamento evidencia que a inflação de alimentos segue disseminada entre diferentes categorias, mantendo pressão significativa sobre o custo de vida.

Salário mínimo ideal supera em 4,7 vezes o piso nacional

Com base no custo da cesta básica em São Paulo, considerada a mais cara do país, o Dieese calculou que o salário mínimo necessário para atender às despesas básicas de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.612,49 em abril.

O valor inclui gastos com alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência.

A cifra representa 4,7 vezes o salário mínimo oficial atualmente em vigor, fixado em R$ 1.621.

O indicador é frequentemente utilizado como termômetro da perda de poder de compra da população e do impacto da inflação sobre o consumo das famílias.

A diferença entre o piso oficial e o salário considerado necessário também reforça o desafio econômico enfrentado por famílias de menor renda, sobretudo em um ambiente de juros elevados e desaceleração da atividade econômica.

Alta da cesta básica amplia pressão sobre inflação e consumo

A nova alta da cesta básica ocorre em meio à deterioração das expectativas inflacionárias no mercado financeiro.

Nesta segunda-feira, o Boletim Focus elevou pela nona semana consecutiva a projeção para o IPCA de 2026, reforçando a percepção de inflação persistente no país.

O avanço disseminado dos alimentos essenciais tende a manter pressão sobre os índices de inflação nos próximos meses, especialmente nos segmentos mais sensíveis ao consumo das famílias.

Além do impacto social, o movimento também influencia a condução da política monetária do Banco Central do Brasil, que segue monitorando os efeitos da inflação de alimentos sobre expectativas econômicas e dinâmica de preços.

O cenário mantém investidores atentos aos próximos indicadores inflacionários e às futuras decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), em um ambiente de juros ainda elevados e atividade econômica moderada.

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