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STF mantém condenação de Bolsonaro: Moraes rejeita último recurso e abre caminho para prisão do ex-presidente

por Gabriel Monteiro
07/11/2025 às 14h38
em Política
Stf Mantém Condenação De Bolsonaro: Moraes Rejeita Último Recurso E Abre Caminho Para Prisão Do Ex-Presidente - Gazeta Mercantil

STF: Alexandre de Moraes rejeita recurso e mantém condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira (7/11) pela rejeição do último recurso apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, mantendo a condenação de Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por crimes contra a democracia e tentativa de golpe de Estado.

A decisão marca uma nova etapa do processo e consolida o entendimento do STF de que não há contradições ou omissões no acórdão que justificassem a reavaliação da pena. O julgamento ocorre no plenário virtual da Primeira Turma do Supremo, e os demais ministros têm até o dia 14 de novembro para depositar seus votos.

Leia também: Nova prisão de Bolsonaro: Detalhes da cela de 64 m², visitas e rotina na Papudinha.

Além de Bolsonaro, outros seis condenados do chamado “núcleo crucial” da trama golpista, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), também tiveram seus recursos rejeitados. O grupo é formado por ex-ministros, militares e aliados do ex-presidente, acusados de conspirar contra a ordem democrática, incentivar atos antidemocráticos e tentar subverter o resultado das eleições de 2022.


STF rejeita o último recurso e confirma condenação de Bolsonaro

A condenação de Bolsonaro foi mantida após análise dos embargos de declaração, recurso destinado a esclarecer eventuais omissões, contradições ou obscuridades em decisões judiciais. Para o relator Alexandre de Moraes, o pedido da defesa não apresentou fundamentos consistentes e representou apenas “mero inconformismo com o desfecho do julgamento”.

Leia também: Papudinha: A prisão que reúne Bolsonaro, Torres e Vasques após condenações por golpe.

O ministro também afastou, mais uma vez, as alegações de suspeição e cerceamento de defesa, temas que já haviam sido amplamente discutidos nas fases anteriores do processo. Segundo Moraes, não há qualquer irregularidade que comprometa a validade da condenação.

Ao manter a condenação de Bolsonaro, o STF sinaliza que a decisão é definitiva, abrindo caminho para o cumprimento efetivo da pena assim que o julgamento dos embargos for finalizado. O caso representa um dos momentos mais emblemáticos da história recente do tribunal e reforça o papel da Corte como guardiã do Estado Democrático de Direito.

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Crimes atribuídos a Bolsonaro e ao “núcleo crucial”

A denúncia da PGR descreve um esquema articulado por militares e aliados de Bolsonaro para desacreditar o processo eleitoral, mobilizar forças armadas e civis e interferir nas instituições democráticas.

O grupo teria atuado em diversas frentes, desde a disseminação de notícias falsas sobre fraudes nas urnas eletrônicas até o incentivo a manifestações violentas em Brasília. O plano, segundo os investigadores, culminou nos atos de 8 de janeiro de 2023, quando sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas.

Além da condenação de Bolsonaro, o STF também confirmou as seguintes penas:

  • Walter Braga Netto, ex-ministro e candidato a vice-presidente em 2022 – 26 anos de prisão;

  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha – 24 anos;

  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF – 24 anos;

  • Augusto Heleno, ex-ministro do GSI – 21 anos;

  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa – 19 anos;

  • Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin – 16 anos e um mês.

Todos foram enquadrados por crimes contra o Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, abolição violenta da ordem constitucional, associação criminosa e obstrução de justiça.


Moraes rejeita tese da defesa e reafirma papel de Bolsonaro nos atos de 8 de janeiro

No voto que confirmou a condenação de Bolsonaro, Alexandre de Moraes afirmou que não há contradições no acórdão condenatório em relação à participação direta do ex-presidente nos eventos de 8 de janeiro.

A defesa havia solicitado o recalculo da pena, sustentando que Bolsonaro teria apenas planejado ações preparatórias e desistido antes da execução do golpe. O ministro, no entanto, rechaçou a tese da “desistência voluntária”, afirmando que as condutas imputadas foram amplamente comprovadas e demonstram continuidade delitiva até a consumação dos atos.

Para Moraes, o conjunto probatório apresentado pela PGR comprova que o ex-presidente instigou, orientou e deu suporte político e estratégico às ações que culminaram na tentativa de ruptura institucional. Assim, a manutenção da condenação de Bolsonaro seria “imperativa para a preservação da justiça e da democracia”.


Caminho para a prisão: o que pode acontecer a partir de agora

Com a condenação de Bolsonaro confirmada, o processo entra em sua fase final. Se todos os ministros da Primeira Turma acompanharem o voto de Alexandre de Moraes, a pena se tornará definitiva, e o ex-presidente poderá iniciar o cumprimento da sentença.

Pela legislação, a pena de 27 anos e três meses deve começar em regime fechado, em unidade prisional de segurança máxima, como o Complexo da Papuda, em Brasília. No entanto, por ser ex-chefe de Estado, Bolsonaro poderia cumprir a pena em uma sala de Estado Maior, separada dos demais presos, conforme a previsão do Código de Processo Penal.

Outra possibilidade é o regime domiciliar, concedido em casos excepcionais de motivo humanitário, quando o condenado apresenta condições médicas graves ou idade avançada. O precedente mais recente é o do ex-presidente Fernando Collor, que obteve prisão domiciliar em razão do Mal de Parkinson e por ter mais de 75 anos.

Atualmente, Bolsonaro encontra-se em prisão domiciliar preventiva, decretada por Alexandre de Moraes em outro inquérito, que investiga coação e tentativa de interferência no STF. O ministro fundamentou a medida no risco de fuga do ex-presidente, apontando movimentações suspeitas e contatos com investigados no exterior.


Bolsonaro e os efeitos políticos da condenação

A condenação de Bolsonaro tem impacto direto sobre o cenário político brasileiro. Além de selar sua inelegibilidade, já definida pelo TSE, a decisão do STF consolida o isolamento jurídico e político do ex-presidente.

O núcleo bolsonarista, antes unificado em torno de sua figura, enfrenta agora um processo de fragmentação interna, agravado pelas condenações de antigos aliados e militares de alta patente. a imagem de Bolsonaro como líder de direita sofre desgaste contínuo, e a manutenção da sentença reforça a percepção de que a Justiça não cederá a pressões políticas.

Dentro do próprio campo conservador, surgem novas lideranças que tentam se distanciar da crise. Analistas políticos apontam que a condenação de Bolsonaro abre espaço para reconfigurações na direita brasileira, que passa a buscar nomes com menor passivo jurídico e maior potencial eleitoral para 2026.


A posição dos ministros e o papel de Alexandre de Moraes

Com a saída de Luiz Fux da Primeira Turma — agora integrante da Segunda Turma do Supremo —, o julgamento dos recursos ocorre com quatro ministros: Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia.

Fux havia sido o único a votar anteriormente pela absolvição de Bolsonaro, mas, com sua mudança de colegiado, não participa mais da etapa de recursos. O regimento interno do STF impede que ministros de uma turma julguem processos da outra, mesmo que tenham atuado em fases anteriores.

A tendência, segundo fontes jurídicas, é que Cristiano Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia acompanhem o voto do relator, consolidando a decisão que mantém a condenação de Bolsonaro.

O protagonismo de Alexandre de Moraes nesse julgamento reforça seu papel de figura central na defesa das instituições democráticas. O ministro tem conduzido os principais processos relacionados a atos antidemocráticos, fake news e tentativa de golpe, enfrentando resistências e ataques constantes de grupos ligados ao bolsonarismo.


Militares e ex-ministros também devem iniciar cumprimento de pena

Os outros seis réus do núcleo crucial terão o mesmo destino caso os recursos sejam rejeitados. A PGR solicitou que o STF determine o imediato início da execução das penas, com recolhimento dos condenados a unidades prisionais adequadas.

No caso dos militares, há previsão de que as penas sejam cumpridas em quartéis das Forças Armadas, sob regime especial. Já os ex-ministros civis poderão ser encaminhados à Papuda ou a alas separadas de segurança máxima.

O simbolismo do julgamento é histórico: pela primeira vez na história da República, um ex-presidente e parte de sua cúpula militar são condenados por tentativa de golpe contra as instituições democráticas.


Impactos internacionais e resposta diplomática

A condenação de Bolsonaro também repercute no cenário internacional. O governo dos <strong data-start=”9113″ data-end=”9131″>Estados Unidos já havia manifestado preocupação com a ameaça à democracia brasileira desde 2022. Após o julgamento, fontes diplomáticas indicam que Washington acompanha de perto a execução das penas e as reações políticas no Brasil.

O caso também tem reflexos nas relações bilaterais, especialmente no contexto do tarifaço imposto pelos EUA ao Brasil, tema que ainda gera atritos diplomáticos. A postura firme do STF reforça, contudo, a imagem do Judiciário brasileiro como independente e comprometido com o Estado de Direito, o que tende a fortalecer a confiança de investidores e parceiros internacionais.


Decisão que entra para a história

A rejeição do recurso e a manutenção da condenação de Bolsonaro consolidam um marco na história democrática do Brasil. A decisão de Alexandre de Moraes reafirma o compromisso do STF com a responsabilização de autoridades que atentam contra o Estado Democrático de Direito.

Mais do que um veredito judicial, o julgamento representa uma mensagem institucional de que nenhum cargo ou autoridade está acima da lei. Ao rejeitar o último recurso, Moraes reforça o entendimento de que a impunidade não pode ser tolerada em casos de ataque às instituições.

Com o processo próximo do fim, a expectativa se volta agora para os próximos passos: a execução da pena e o desdobramento político de uma condenação que redefiniu os limites entre poder, responsabilidade e democracia no Brasil.

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