Quem são os líderes mundiais convidados por Trump para o Conselho de Paz para Gaza
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu início à implementação de uma nova arquitetura política internacional ao anunciar a criação do Conselho de Paz para Gaza, um organismo que pretende conduzir o processo de governança, reconstrução econômica e estabilização institucional da Faixa de Gaza no período pós-guerra. A iniciativa, segundo a Casa Branca, reúne chefes de Estado, líderes políticos, autoridades multilaterais e representantes do setor financeiro global, ampliando o alcance geopolítico da proposta.
O Conselho de Paz para Gaza surge em um contexto de intensas disputas diplomáticas no Oriente Médio, com reflexos diretos nas relações entre Estados Unidos, Europa, países árabes e potências emergentes. A proposta americana vai além de um fórum político tradicional, incorporando elementos de governança econômica, atração de investimentos internacionais, mobilização de capital privado e reconstrução institucional.
Ao assumir pessoalmente a presidência do Conselho de Paz para Gaza, Trump sinaliza que a iniciativa ocupará posição central na política externa de seu governo, consolidando um modelo de liderança direta sobre temas estratégicos globais.
Estrutura institucional do Conselho de Paz para Gaza
Segundo informações divulgadas pela Casa Branca, o desenho institucional do Conselho de Paz para Gaza é composto por três núcleos distintos, porém interligados. O primeiro é o próprio Conselho de Paz, presidido por Donald Trump, responsável por decisões estratégicas e diretrizes políticas gerais. O segundo é um comitê tecnocrata palestino, encarregado da administração provisória do território. O terceiro é um conselho executivo, com funções consultivas e operacionais.
Essa estrutura reflete uma tentativa de combinar poder político, expertise técnica e capacidade financeira, algo pouco comum em iniciativas multilaterais anteriores voltadas ao Oriente Médio. O modelo proposto sugere uma centralização decisória inédita sob liderança americana, com forte participação de agentes privados e organismos internacionais.
Liderança americana à frente do projeto
Donald Trump assumirá pessoalmente a presidência do Conselho de Paz para Gaza, reforçando o caráter estratégico do projeto. Ao seu lado, estarão figuras-chave da política e da diplomacia dos Estados Unidos, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio e o enviado especial Steve Witkoff. A presença de Jared Kushner, genro de Trump e ex-assessor sênior da Casa Branca, reforça a continuidade da abordagem americana já adotada em iniciativas anteriores no Oriente Médio.
Outro nome de peso é Tony Blair, ex-primeiro-ministro do Reino Unido, cuja experiência em processos de transição política e reconstrução institucional confere legitimidade internacional ao Conselho de Paz para Gaza. O grupo também inclui Marc Rowan, magnata do setor financeiro, e Ajay Banga, presidente do Banco Mundial, sinalizando o protagonismo do capital internacional no processo de reconstrução.
Papel do Banco Mundial e do capital global
A presença do presidente do Banco Mundial no Conselho de Paz para Gaza revela a dimensão econômica do projeto. A Casa Branca afirma que um dos principais objetivos do conselho é estruturar mecanismos de financiamento em larga escala, atraindo recursos privados, fundos multilaterais e investimentos soberanos para Gaza.
A mobilização de capital será essencial para a reconstrução da infraestrutura básica, restauração de serviços públicos e retomada da atividade econômica local. Nesse contexto, o Conselho de Paz para Gaza passa a ser visto não apenas como um fórum político, mas como um catalisador financeiro com impacto direto no sistema econômico regional.
Comitê tecnocrata para administração de Gaza
Paralelamente ao conselho principal, foi criado um Comitê Nacional para a Administração de Gaza, formado por tecnocratas palestinos. Esse organismo terá a responsabilidade de supervisionar a restauração dos serviços públicos essenciais, reconstruir instituições civis e estabilizar a vida cotidiana da população.
Ali Shaath, ex-vice-ministro da Autoridade Palestina, foi indicado para presidir o comitê. A escolha de um perfil técnico reflete a tentativa de separar a administração cotidiana do território das disputas políticas mais amplas, ainda que sob supervisão indireta do Conselho de Paz para Gaza.
Conselho Executivo e governança ampliada
O Conselho Executivo de Gaza representa a camada operacional da estrutura. Segundo a Casa Branca, esse organismo auxiliará na promoção de uma governança eficaz, apoiando políticas públicas e projetos estruturantes. Entre seus integrantes estão Steve Witkoff, Jared Kushner, Tony Blair, Marc Rowan e diplomatas experientes como Nickolay Mladenov e Sigrid Kaag, atual coordenadora humanitária da ONU para Gaza.
Também participam representantes de países estratégicos da região, como Hakan Fidan, ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ali Al-Thawadi, diplomata do Catar, e o general Hasan Rashad, diretor da inteligência egípcia. A presença desses atores indica que o Conselho de Paz para Gaza busca articular interesses regionais diversos sob uma mesma mesa de negociação.
Líderes mundiais convidados por Trump
Além dos membros oficialmente confirmados, diversos chefes de Estado afirmaram ter recebido convite para integrar o Conselho de Paz para Gaza. Entre eles está o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, cuja participação ainda não foi confirmada oficialmente. O convite ao Brasil reforça o papel do país como interlocutor relevante em fóruns multilaterais e negociações internacionais.
Também figuram na lista de convidados líderes como Recep Tayyip Erdogan, presidente da Turquia, Javier Milei, presidente da Argentina, Abdel Fattah al-Sisi, presidente do Egito, e o rei Abdullah II da Jordânia. Da Europa, aparecem nomes como Giorgia Meloni, primeira-ministra da Itália, Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria, e Nicusor Dan, presidente da Romênia.
A inclusão de Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá, e de líderes de países do Leste Europeu amplia o escopo geopolítico do Conselho de Paz para Gaza, sinalizando uma tentativa de construir uma coalizão internacional ampla, ainda que sob liderança americana.
Implicações geopolíticas e econômicas
A criação do Conselho de Paz para Gaza representa uma inflexão relevante na política externa dos Estados Unidos. Ao concentrar decisões estratégicas e financeiras em um organismo liderado diretamente pela Casa Branca, Washington assume papel central na redefinição do futuro político e econômico da região.
Do ponto de vista dos mercados internacionais, a iniciativa é observada com atenção. A reconstrução de Gaza envolve contratos bilionários em infraestrutura, energia, saneamento, habitação e logística, abrindo espaço para grandes conglomerados globais. O Conselho de Paz para Gaza, portanto, também se torna um vetor de oportunidades econômicas, além de um instrumento diplomático.
Repercussão internacional e desafios
Apesar da amplitude da iniciativa, o Conselho de Paz para Gaza enfrenta desafios significativos. A legitimidade política do processo, a aceitação local, a coordenação entre interesses divergentes e a estabilidade regional são fatores críticos para o sucesso do projeto.
Ainda assim, o envolvimento direto de líderes globais, instituições financeiras multilaterais e potências regionais indica que o conselho poderá se tornar um dos principais fóruns internacionais de decisão sobre o futuro do Oriente Médio nos próximos anos.






