terça-feira, 13 de outubro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Economia

Governo usa dinheiro esquecido em bancos para bancar garantias do Desenrola 2.0

Instituições financeiras têm até esta terça-feira para transferir recursos não reclamados ao FGO; correntistas terão prazo para contestar e pedir devolução dos valores

por Álvaro Lima
12/05/2026 às 11h49
em Economia
Dinheiro Esquecido - Gazeta Mercantil

As instituições financeiras têm até esta terça-feira (12) para transferir ao Fundo Garantidor de Operações (FGO) parte dos recursos esquecidos por correntistas em contas bancárias, conforme portaria publicada pelo governo para regulamentar o Desenrola 2.0. A medida faz parte da estratégia do Ministério da Fazenda para viabilizar garantias ao novo programa de renegociação de dívidas, que pretende usar de R$ 5 bilhões a R$ 8 bilhões desses valores para cobrir eventual inadimplência de consumidores que aderirem às operações.

O movimento envolve parte dos R$ 10,55 bilhões em recursos esquecidos ainda existentes no sistema financeiro, segundo balanço mais recente divulgado pelo Banco Central. Desse total, R$ 8,15 bilhões pertencem a 47 milhões de pessoas físicas, enquanto R$ 2,4 bilhões são valores vinculados a 5,06 milhões de empresas.

Leia também: Governo de 2024 Estabelece Metas Estratégicas para Enfrentar Desafios Econômicos.

A transferência dos recursos para o fundo público não elimina de imediato o direito dos correntistas de reaver o dinheiro. De acordo com a portaria, o governo deverá publicar um edital de chamamento público após a transferência. A partir desse edital, os clientes terão prazo de 30 dias corridos para contestar o envio dos valores ao FGO e apresentar a documentação necessária.

Caso a contestação seja aceita, os valores serão revertidos pelo fundo aos bancos, que deverão devolver os recursos aos correntistas em até 15 dias úteis. A quantia será corrigida pelo IPCA-15. Se não houver contestação dentro do prazo previsto, os valores transferidos serão incorporados de forma definitiva ao patrimônio do FGO.

Recursos vão servir de garantia para renegociação de dívidas

O Ministério da Fazenda afirma que os recursos não reclamados serão usados para o FGO garantir operações do próprio sistema financeiro no âmbito do Desenrola 2.0. Na prática, parte do dinheiro servirá como colchão de proteção contra eventual calote dos tomadores de crédito que renegociarem dívidas pelo programa.

A lógica é semelhante à de outros fundos garantidores. O governo cria uma camada de garantia para reduzir o risco percebido pelas instituições financeiras, o que pode permitir condições melhores de renegociação, como descontos, prazos maiores ou taxas mais baixas.

Segundo a Fazenda, haverá segregação de 10% do saldo transferido, valor que ficará disponível para cobrir eventuais pedidos de resgate feitos pelos correntistas. A medida busca preservar uma reserva imediata para devoluções, caso clientes contestem a transferência e comprovem o direito aos recursos.

O governo sustenta que os valores, hoje parados nas tesourarias das instituições financeiras, passarão a gerar benefícios ao sistema financeiro e, especialmente, às famílias que renegociarem suas dívidas. A justificativa oficial é que o dinheiro esquecido, quando não reclamado, pode ser direcionado a uma política pública de redução do endividamento.

Banco Central aponta R$ 10,55 bilhões não resgatados

O estoque de dinheiro esquecido em bancos permanece elevado. Segundo o Banco Central, ainda há R$ 10,55 bilhões em recursos não resgatados por clientes de instituições financeiras. O montante está dividido entre pessoas físicas e empresas.

As pessoas físicas concentram a maior parte do saldo, com R$ 8,15 bilhões pertencentes a 47 milhões de clientes. Já as empresas têm R$ 2,4 bilhões esquecidos, distribuídos entre 5,06 milhões de pessoas jurídicas.

Esses recursos podem ter origens diversas, como contas encerradas com saldo disponível, tarifas cobradas indevidamente e posteriormente devolvidas, cotas de consórcios finalizados, valores de cooperativas de crédito ou outros saldos reconhecidos pelas instituições financeiras.

O sistema de valores a receber foi criado para permitir que cidadãos e empresas consultem eventuais saldos esquecidos no sistema financeiro. Apesar da ferramenta, parte expressiva dos recursos ainda não foi resgatada, o que abriu espaço para o governo direcionar os valores não reclamados ao financiamento do Desenrola 2.0.

Correntistas terão 30 dias para contestar transferência

A portaria publicada pelo Ministério da Fazenda estabelece que, após a transferência dos recursos ao FGO, será aberto um edital de chamamento público. Esse edital deverá ser publicado no Diário Oficial da União e dará aos correntistas a possibilidade de contestar o envio dos valores ao fundo.

O prazo de contestação será de 30 dias corridos. Durante esse período, os clientes poderão acessar um sistema em ambiente restrito e individualizado, no qual será possível consultar informações sobre os montantes transferidos, a instituição responsável, a agência e o número da conta.

A contestação exigirá apresentação da documentação necessária. A portaria não elimina o direito de propriedade dos correntistas sobre valores reclamados dentro do prazo. O procedimento funciona como uma etapa administrativa para que o cliente peça a reversão da transferência.

Uma vez apresentada e aceita a contestação, o fundo devolverá o valor à instituição financeira, que ficará responsável por repassar o dinheiro ao correntista em até 15 dias úteis. A correção pelo IPCA-15 busca preservar o valor real do recurso no período entre a transferência e a devolução.

Valores não contestados serão incorporados ao FGO

A regra central da portaria é que os valores transferidos e não contestados dentro do prazo serão incorporados de forma definitiva ao patrimônio do FGO. Isso significa que, depois da janela de contestação, o dinheiro passará a integrar o fundo público usado como garantia no Desenrola 2.0.

O desenho da medida cria uma sequência de etapas. Primeiro, os bancos transferem os recursos ao FGO. Depois, o governo publica o edital de chamamento. Em seguida, os correntistas têm prazo para contestar. Por fim, o que não for reclamado passa a compor definitivamente o fundo.

A incorporação definitiva ao FGO é o ponto mais sensível da medida, porque envolve recursos originalmente pertencentes a correntistas que não fizeram o resgate. O governo argumenta que a possibilidade de contestação preserva o direito dos titulares, enquanto permite dar destinação econômica a saldos que seguem parados no sistema financeiro.

Do ponto de vista fiscal e financeiro, a medida reduz a necessidade de o governo aportar recursos novos no fundo garantidor. Ao usar dinheiro esquecido, a Fazenda busca estruturar o Desenrola 2.0 sem ampliar diretamente a pressão sobre o Orçamento.

Desenrola 2.0 mira famílias endividadas

O Desenrola 2.0 é a nova etapa do programa federal de renegociação de dívidas. A iniciativa busca facilitar a regularização de débitos de consumidores, especialmente famílias com dificuldade de acesso ao crédito e histórico de inadimplência.

A garantia do FGO é peça central para viabilizar a operação. Ao cobrir parte do risco de inadimplência, o fundo pode estimular bancos e demais instituições financeiras a oferecerem melhores condições de renegociação.

O governo espera que o programa ajude a reduzir o número de consumidores negativados, reabrindo espaço para acesso ao crédito e retomada do consumo. Em uma economia dependente da renda das famílias, a desalavancagem de consumidores pode ter efeito sobre comércio, serviços e atividade econômica.

Ao mesmo tempo, o programa precisa equilibrar incentivo à renegociação com responsabilidade financeira. Garantias públicas podem reduzir risco para bancos, mas também exigem critérios de governança, transparência e controle para evitar distorções ou uso inadequado dos recursos.

Medida busca aliviar inadimplência sem novo gasto direto

A opção por usar dinheiro esquecido nos bancos tem motivação econômica e fiscal. Com restrições orçamentárias e necessidade de cumprir metas fiscais, o governo procura fontes alternativas para financiar políticas públicas sem ampliar diretamente despesas primárias.

Ao direcionar recursos não reclamados ao FGO, a Fazenda tenta criar uma estrutura de garantia sem depender integralmente de aportes do Tesouro Nacional. Essa solução pode facilitar a implementação do Desenrola 2.0 em um ambiente de maior vigilância sobre contas públicas.

A medida também atende a um objetivo macroeconômico. A inadimplência elevada reduz a capacidade de consumo das famílias, limita o acesso ao crédito e pode afetar o ritmo da atividade econômica. Programas de renegociação buscam destravar parte desse canal.

No entanto, o uso de recursos esquecidos exige comunicação clara ao público. Muitos correntistas podem desconhecer que têm valores disponíveis ou não acompanhar os prazos previstos pelo governo. Por isso, o edital de chamamento será etapa relevante para dar publicidade ao procedimento.

Bancos terão papel operacional na devolução

As instituições financeiras terão papel duplo na operação. Primeiro, devem transferir os recursos esquecidos ao FGO dentro do prazo estabelecido pela portaria. Depois, caso haja contestação aceita, serão responsáveis por devolver os valores aos correntistas.

A devolução deverá ocorrer em até 15 dias úteis após a reversão do dinheiro pelo fundo. Esse prazo será acompanhado de correção pelo IPCA-15, índice que mede a prévia da inflação oficial.

O envolvimento dos bancos é necessário porque são eles que mantêm os registros originais das contas, agências, titulares e valores. O sistema de consulta previsto no edital deverá informar a instituição responsável e os dados básicos da origem do recurso.

Para o setor financeiro, a medida tem impacto operacional e reputacional. As instituições precisarão cumprir prazos, organizar informações e responder a eventuais demandas de clientes que busquem recuperar valores transferidos.

Uso do dinheiro esquecido amplia debate sobre políticas de crédito

A transferência de recursos esquecidos para o FGO amplia o debate sobre o papel do Estado em políticas de crédito. De um lado, o governo defende que o dinheiro parado nas instituições financeiras pode ser convertido em instrumento de renegociação e inclusão financeira. De outro, a medida envolve valores originalmente pertencentes a correntistas, o que exige salvaguardas claras.

O ponto de equilíbrio está na transparência do chamamento público, na facilidade de consulta, na efetividade da contestação e na devolução tempestiva dos recursos a quem comprovar direito. Quanto mais simples for o acesso à informação, menor tende a ser o risco de contestação política e jurídica da medida.

Também será relevante acompanhar a governança do FGO. Como o fundo passará a receber recursos de origem privada não reclamada, sua utilização em garantias para o Desenrola 2.0 deverá ser monitorada com rigor.

Para famílias endividadas, o impacto concreto dependerá das condições oferecidas na renegociação. Descontos, prazos, taxas e critérios de elegibilidade serão determinantes para medir a efetividade do programa.

Dinheiro esquecido coloca Desenrola 2.0 no centro da agenda econômica

A decisão de usar parte dos R$ 10,55 bilhões em dinheiro esquecido para financiar garantias do Desenrola 2.0 coloca o programa no centro da agenda econômica desta semana. O prazo para transferência pelos bancos, a publicação do edital e a abertura do período de contestação serão acompanhados por correntistas, instituições financeiras e pelo mercado.

A medida combina três temas sensíveis: direito dos clientes sobre valores não resgatados, necessidade de reduzir a inadimplência das famílias e busca do governo por instrumentos de política pública com menor impacto fiscal direto.

Se executado com transparência, o mecanismo pode dar sustentação financeira ao programa de renegociação e ampliar a capacidade de bancos oferecerem condições mais favoráveis a devedores. Se houver falhas de comunicação ou dificuldade de acesso pelos correntistas, o uso dos recursos esquecidos pode gerar desgaste institucional.

O desfecho dependerá da implementação da portaria, da clareza do edital de chamamento e da capacidade do governo de assegurar que quem tiver direito ao dinheiro consiga consultar, contestar e reaver os valores dentro dos prazos previstos.

LEIA MAIS

Taxa De Juros - Gazeta Mercantil
Mercados

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Nova pesquisa BTG/Nexus mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 48% das intenções de voto no segundo turno, contra 45% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Leia MaisDetails
Dinheiro Esquecido - Gazeta Mercantil
Economia

Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,8 bilhões; veja como sacar

O Banco Central (BC) informou nesta terça-feira (13) que ainda há R$ 5,79 bilhões em dinheiro esquecido em bancos e outras

Leia MaisDetails
Dolar Hoje - Gazeta Mercantil
Dólar

Dólar hoje (13/10): moeda fecha a R$ 5,02, sobe 0,74% e contraria queda no exterior após pesquisas eleitorais

O dólar encerrou o pregão desta terça-feira (13) em alta de 0,74%, cotado a R$ 5,0227 no mercado à vista, recuperando parte das perdas acumuladas na semana anterior,...

Leia MaisDetails
Motos (Foto De Paulo Pinto, Abr)
Economia

Produção de motos tem melhor setembro desde 2011 e cresce 10,4%, diz Abraciclo

No mês de setembro, a indústria brasileira de motocicletas cresceu 10,4% em relação ao ano anterior, com 186.758 unidades produzidas

Leia MaisDetails
Ibovespa Hoje - B3 - Gazeta Mercantil
Ibovespa

Ibovespa hoje (13/10): Bolsa recua dos 209 mil pontos com eleições e inflação no radar

O Ibovespa opera em queda nesta terça-feira (13), no primeiro pregão após o feriado nacional, interrompendo o movimento de valorização que levou a Bolsa brasileira a renovar seus...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

21:25:40
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Petróleo Hoje - Gazeta Mercantil
Mercados

Petróleo hoje: Brent cai a US$ 105,69 e WTI sobe com tensão no Oriente Médio

Leia MaisDetails
Agronegocio - Gazeta Mercantil
Empresas

Bimbo expande agricultura regenerativa no Brasil e supera 500 mil hectares no mundo

Leia MaisDetails
Taxa De Juros - Gazeta Mercantil
Mercados

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Leia MaisDetails
Nunes Marques - Gazeta Mercantil
Política

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Petróleo hoje: Brent cai a US$ 105,69 e WTI sobe com tensão no Oriente Médio

Bimbo expande agricultura regenerativa no Brasil e supera 500 mil hectares no mundo

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,8 bilhões; veja como sacar

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP