quarta-feira, 29 de julho de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
Sem resultados
Todos os resultados
GAZETA MERCANTIL
Sem resultados
Todos os resultados
GAZETA MERCANTIL
Home Economia

Governo usa dinheiro esquecido em bancos para bancar garantias do Desenrola 2.0

Instituições financeiras têm até esta terça-feira para transferir recursos não reclamados ao FGO; correntistas terão prazo para contestar e pedir devolução dos valores

por Álvaro Lima
12/05/2026 às 11h49 - Atualizado em 15/05/2026 às 17h21
em Economia,Destaque,Notícias
Governo Usa Dinheiro Esquecido Em Bancos Para Bancar Garantias Do Desenrola 2.0 - Gazeta Mercantil

As instituições financeiras têm até esta terça-feira (12) para transferir ao Fundo Garantidor de Operações (FGO) parte dos recursos esquecidos por correntistas em contas bancárias, conforme portaria publicada pelo governo para regulamentar o Desenrola 2.0. A medida faz parte da estratégia do Ministério da Fazenda para viabilizar garantias ao novo programa de renegociação de dívidas, que pretende usar de R$ 5 bilhões a R$ 8 bilhões desses valores para cobrir eventual inadimplência de consumidores que aderirem às operações.

O movimento envolve parte dos R$ 10,55 bilhões em recursos esquecidos ainda existentes no sistema financeiro, segundo balanço mais recente divulgado pelo Banco Central. Desse total, R$ 8,15 bilhões pertencem a 47 milhões de pessoas físicas, enquanto R$ 2,4 bilhões são valores vinculados a 5,06 milhões de empresas.

A transferência dos recursos para o fundo público não elimina de imediato o direito dos correntistas de reaver o dinheiro. De acordo com a portaria, o governo deverá publicar um edital de chamamento público após a transferência. A partir desse edital, os clientes terão prazo de 30 dias corridos para contestar o envio dos valores ao FGO e apresentar a documentação necessária.

Caso a contestação seja aceita, os valores serão revertidos pelo fundo aos bancos, que deverão devolver os recursos aos correntistas em até 15 dias úteis. A quantia será corrigida pelo IPCA-15. Se não houver contestação dentro do prazo previsto, os valores transferidos serão incorporados de forma definitiva ao patrimônio do FGO.

Recursos vão servir de garantia para renegociação de dívidas

O Ministério da Fazenda afirma que os recursos não reclamados serão usados para o FGO garantir operações do próprio sistema financeiro no âmbito do Desenrola 2.0. Na prática, parte do dinheiro servirá como colchão de proteção contra eventual calote dos tomadores de crédito que renegociarem dívidas pelo programa.

A lógica é semelhante à de outros fundos garantidores. O governo cria uma camada de garantia para reduzir o risco percebido pelas instituições financeiras, o que pode permitir condições melhores de renegociação, como descontos, prazos maiores ou taxas mais baixas.

Segundo a Fazenda, haverá segregação de 10% do saldo transferido, valor que ficará disponível para cobrir eventuais pedidos de resgate feitos pelos correntistas. A medida busca preservar uma reserva imediata para devoluções, caso clientes contestem a transferência e comprovem o direito aos recursos.

O governo sustenta que os valores, hoje parados nas tesourarias das instituições financeiras, passarão a gerar benefícios ao sistema financeiro e, especialmente, às famílias que renegociarem suas dívidas. A justificativa oficial é que o dinheiro esquecido, quando não reclamado, pode ser direcionado a uma política pública de redução do endividamento.

Banco Central aponta R$ 10,55 bilhões não resgatados

O estoque de dinheiro esquecido em bancos permanece elevado. Segundo o Banco Central, ainda há R$ 10,55 bilhões em recursos não resgatados por clientes de instituições financeiras. O montante está dividido entre pessoas físicas e empresas.

As pessoas físicas concentram a maior parte do saldo, com R$ 8,15 bilhões pertencentes a 47 milhões de clientes. Já as empresas têm R$ 2,4 bilhões esquecidos, distribuídos entre 5,06 milhões de pessoas jurídicas.

Esses recursos podem ter origens diversas, como contas encerradas com saldo disponível, tarifas cobradas indevidamente e posteriormente devolvidas, cotas de consórcios finalizados, valores de cooperativas de crédito ou outros saldos reconhecidos pelas instituições financeiras.

O sistema de valores a receber foi criado para permitir que cidadãos e empresas consultem eventuais saldos esquecidos no sistema financeiro. Apesar da ferramenta, parte expressiva dos recursos ainda não foi resgatada, o que abriu espaço para o governo direcionar os valores não reclamados ao financiamento do Desenrola 2.0.

Correntistas terão 30 dias para contestar transferência

A portaria publicada pelo Ministério da Fazenda estabelece que, após a transferência dos recursos ao FGO, será aberto um edital de chamamento público. Esse edital deverá ser publicado no Diário Oficial da União e dará aos correntistas a possibilidade de contestar o envio dos valores ao fundo.

O prazo de contestação será de 30 dias corridos. Durante esse período, os clientes poderão acessar um sistema em ambiente restrito e individualizado, no qual será possível consultar informações sobre os montantes transferidos, a instituição responsável, a agência e o número da conta.

A contestação exigirá apresentação da documentação necessária. A portaria não elimina o direito de propriedade dos correntistas sobre valores reclamados dentro do prazo. O procedimento funciona como uma etapa administrativa para que o cliente peça a reversão da transferência.

Uma vez apresentada e aceita a contestação, o fundo devolverá o valor à instituição financeira, que ficará responsável por repassar o dinheiro ao correntista em até 15 dias úteis. A correção pelo IPCA-15 busca preservar o valor real do recurso no período entre a transferência e a devolução.

Valores não contestados serão incorporados ao FGO

A regra central da portaria é que os valores transferidos e não contestados dentro do prazo serão incorporados de forma definitiva ao patrimônio do FGO. Isso significa que, depois da janela de contestação, o dinheiro passará a integrar o fundo público usado como garantia no Desenrola 2.0.

O desenho da medida cria uma sequência de etapas. Primeiro, os bancos transferem os recursos ao FGO. Depois, o governo publica o edital de chamamento. Em seguida, os correntistas têm prazo para contestar. Por fim, o que não for reclamado passa a compor definitivamente o fundo.

A incorporação definitiva ao FGO é o ponto mais sensível da medida, porque envolve recursos originalmente pertencentes a correntistas que não fizeram o resgate. O governo argumenta que a possibilidade de contestação preserva o direito dos titulares, enquanto permite dar destinação econômica a saldos que seguem parados no sistema financeiro.

Do ponto de vista fiscal e financeiro, a medida reduz a necessidade de o governo aportar recursos novos no fundo garantidor. Ao usar dinheiro esquecido, a Fazenda busca estruturar o Desenrola 2.0 sem ampliar diretamente a pressão sobre o Orçamento.

Desenrola 2.0 mira famílias endividadas

O Desenrola 2.0 é a nova etapa do programa federal de renegociação de dívidas. A iniciativa busca facilitar a regularização de débitos de consumidores, especialmente famílias com dificuldade de acesso ao crédito e histórico de inadimplência.

A garantia do FGO é peça central para viabilizar a operação. Ao cobrir parte do risco de inadimplência, o fundo pode estimular bancos e demais instituições financeiras a oferecerem melhores condições de renegociação.

O governo espera que o programa ajude a reduzir o número de consumidores negativados, reabrindo espaço para acesso ao crédito e retomada do consumo. Em uma economia dependente da renda das famílias, a desalavancagem de consumidores pode ter efeito sobre comércio, serviços e atividade econômica.

Ao mesmo tempo, o programa precisa equilibrar incentivo à renegociação com responsabilidade financeira. Garantias públicas podem reduzir risco para bancos, mas também exigem critérios de governança, transparência e controle para evitar distorções ou uso inadequado dos recursos.

Medida busca aliviar inadimplência sem novo gasto direto

A opção por usar dinheiro esquecido nos bancos tem motivação econômica e fiscal. Com restrições orçamentárias e necessidade de cumprir metas fiscais, o governo procura fontes alternativas para financiar políticas públicas sem ampliar diretamente despesas primárias.

Ao direcionar recursos não reclamados ao FGO, a Fazenda tenta criar uma estrutura de garantia sem depender integralmente de aportes do Tesouro Nacional. Essa solução pode facilitar a implementação do Desenrola 2.0 em um ambiente de maior vigilância sobre contas públicas.

A medida também atende a um objetivo macroeconômico. A inadimplência elevada reduz a capacidade de consumo das famílias, limita o acesso ao crédito e pode afetar o ritmo da atividade econômica. Programas de renegociação buscam destravar parte desse canal.

No entanto, o uso de recursos esquecidos exige comunicação clara ao público. Muitos correntistas podem desconhecer que têm valores disponíveis ou não acompanhar os prazos previstos pelo governo. Por isso, o edital de chamamento será etapa relevante para dar publicidade ao procedimento.

Bancos terão papel operacional na devolução

As instituições financeiras terão papel duplo na operação. Primeiro, devem transferir os recursos esquecidos ao FGO dentro do prazo estabelecido pela portaria. Depois, caso haja contestação aceita, serão responsáveis por devolver os valores aos correntistas.

A devolução deverá ocorrer em até 15 dias úteis após a reversão do dinheiro pelo fundo. Esse prazo será acompanhado de correção pelo IPCA-15, índice que mede a prévia da inflação oficial.

O envolvimento dos bancos é necessário porque são eles que mantêm os registros originais das contas, agências, titulares e valores. O sistema de consulta previsto no edital deverá informar a instituição responsável e os dados básicos da origem do recurso.

Para o setor financeiro, a medida tem impacto operacional e reputacional. As instituições precisarão cumprir prazos, organizar informações e responder a eventuais demandas de clientes que busquem recuperar valores transferidos.

Uso do dinheiro esquecido amplia debate sobre políticas de crédito

A transferência de recursos esquecidos para o FGO amplia o debate sobre o papel do Estado em políticas de crédito. De um lado, o governo defende que o dinheiro parado nas instituições financeiras pode ser convertido em instrumento de renegociação e inclusão financeira. De outro, a medida envolve valores originalmente pertencentes a correntistas, o que exige salvaguardas claras.

O ponto de equilíbrio está na transparência do chamamento público, na facilidade de consulta, na efetividade da contestação e na devolução tempestiva dos recursos a quem comprovar direito. Quanto mais simples for o acesso à informação, menor tende a ser o risco de contestação política e jurídica da medida.

Também será relevante acompanhar a governança do FGO. Como o fundo passará a receber recursos de origem privada não reclamada, sua utilização em garantias para o Desenrola 2.0 deverá ser monitorada com rigor.

Para famílias endividadas, o impacto concreto dependerá das condições oferecidas na renegociação. Descontos, prazos, taxas e critérios de elegibilidade serão determinantes para medir a efetividade do programa.

Dinheiro esquecido coloca Desenrola 2.0 no centro da agenda econômica

A decisão de usar parte dos R$ 10,55 bilhões em dinheiro esquecido para financiar garantias do Desenrola 2.0 coloca o programa no centro da agenda econômica desta semana. O prazo para transferência pelos bancos, a publicação do edital e a abertura do período de contestação serão acompanhados por correntistas, instituições financeiras e pelo mercado.

A medida combina três temas sensíveis: direito dos clientes sobre valores não resgatados, necessidade de reduzir a inadimplência das famílias e busca do governo por instrumentos de política pública com menor impacto fiscal direto.

Se executado com transparência, o mecanismo pode dar sustentação financeira ao programa de renegociação e ampliar a capacidade de bancos oferecerem condições mais favoráveis a devedores. Se houver falhas de comunicação ou dificuldade de acesso pelos correntistas, o uso dos recursos esquecidos pode gerar desgaste institucional.

O desfecho dependerá da implementação da portaria, da clareza do edital de chamamento e da capacidade do governo de assegurar que quem tiver direito ao dinheiro consiga consultar, contestar e reaver os valores dentro dos prazos previstos.

Tags: Banco CentralbancoscréditoDesenrola 2.0dinheiro esquecidoEconomiaendividadosFGOFundo Garantidor de OperaçõesInadimplênciaMinistério da Fazendarecursos esquecidosrenegociação de dívidas

LEIA MAIS

Pix Virou Símbolo De Ameaça Ao Domínio Financeiro Dos Eua, Diz The Economist - Gazeta Mercantil
Economia

Pix deixa dinheiro vivo para trás e alcança 42% do e-commerce no Brasil

O Pix respondeu por 42% do valor movimentado pelo comércio eletrônico brasileiro em 2025 e consolidou-se como o método de pagamento individual mais utilizado nas compras online do...

Leia MaisDetails
Governo Amplia Desenrola 2.0 Até 31 De Agosto E Mira 10 Milhões De Beneficiados - Gazeta Mercantil
Economia

Governo amplia Desenrola 2.0 até 31 de agosto e mira 10 milhões de beneficiados

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu ampliar até 31 de agosto o prazo para adesão ao Novo Desenrola Brasil, programa de renegociação de dívidas...

Leia MaisDetails
Tesouro Direto Volta A Pagar Mais De 8% Acima Da Inflação; Veja As Taxas Desta Quarta - Gazeta Mercantil
Economia

Tesouro Direto volta a pagar mais de 8% acima da inflação; veja as taxas desta quarta

As taxas do Tesouro Direto voltaram a subir nesta quarta-feira, 29 de julho, devolvendo parte do recuo registrado após a divulgação de uma prévia da inflação abaixo das...

Leia MaisDetails
Santander Brasil (Sanb11) Cai 21% No Ano E Desconto Para Matriz Reacende Debate Sobre Opa Units Do Banco Têm O Pior Desempenho Entre Os Grandes Bancos Listados Na B3 Em 2026; Diferença Recorde De Valuation Para O Grupo Santander Recoloca No Radar A Hipótese De Fechamento De Capital, Mas Operação Ainda Não Foi Anunciada As Units Do Santander Brasil (Sanb11) Voltaram Ao Centro Das Discussões Do Mercado Financeiro Após Acumularem Queda De Cerca De 21% Em 2026, Desempenho Inferior Ao Dos Principais Bancos Listados Na B3. No Mesmo Período, As Ações Do Grupo Santander Na Espanha Avançam Aproximadamente 24%, Ampliando A Diferença De Valuation Entre A Matriz E A Subsidiária Brasileira Para Um Nível Considerado Recorde Desde A Listagem Do Banco No Brasil, Em 2009. A Distância Entre Os Múltiplos Reacendeu Uma Tese Recorrente Entre Analistas: A Possibilidade De O Controlador Espanhol Lançar Uma Oferta Pública De Aquisição (Opa) Para Comprar A Fatia Restante Do Santander Brasil Em Circulação No Mercado. A Hipótese Ganhou Força Porque Apenas Cerca De 10% Das Ações Permanecem Em Free Float, O Que Reduziria O Custo Financeiro De Uma Eventual Operação Para A Matriz. Apesar Disso, Não Há Anúncio Formal De Opa. O Tema Segue No Campo Da Especulação De Mercado, Alimentado Pelo Desconto Das Units, Pela Baixa Liquidez Relativa E Pelo Histórico Do Próprio Santander Em Operações De Simplificação Societária. Em Fevereiro, O Então Presidente Do Santander Brasil, Mario Leão, Afirmou Que O Fechamento De Capital Não Estava No Foco Da Gestão. Por Que Sanb11 Ficou Para Trás Na Bolsa O Mau Desempenho De Santander Brasil (Sanb11) Não Reflete Apenas A Diferença Entre O Mercado Brasileiro E O Europeu. O Banco Também Enfrenta Pressão Operacional Em Um Ambiente De Crédito Mais Difícil, Competição Crescente Com Fintechs E Rentabilidade Abaixo Da Meta De Médio Prazo. No Primeiro Trimestre De 2026, O Santander Brasil Registrou Lucro Líquido Gerencial De R$ 3,788 Bilhões, Queda De 7,3% Ante O Quarto Trimestre De 2025 E Baixa De 1,9% Em Relação Ao Mesmo Período Do Ano Anterior. O Retorno Sobre O Patrimônio Médio, Medido Pelo Roae, Ficou Em 16%, Abaixo Do Objetivo De Médio Prazo De 20% Citado Pela Administração E Acompanhado De Perto Por Analistas. A Qualidade Da Carteira Também Pesa Sobre A Leitura Dos Investidores. O Índice De Inadimplência Acima De 90 Dias Subiu De 2,8% Em Março De 2025 Para 3,3% Em Março De 2026, Segundo A Apresentação De Resultados Do Banco. No Segmento De Pessoa Física, A Inadimplência Acima De 90 Dias Chegou A 4,9% No Fim Do Primeiro Trimestre. Desconto Para A Matriz Alimenta Tese De Opa A Principal Razão Para A Tese De Fechamento De Capital É A Combinação Entre Valuation Descontado E Baixa Fatia Em Circulação. Segundo Análise Da Genial Investimentos, O Free Float De Aproximadamente 10% Representaria Um Custo Relativamente Baixo Para O Grupo Santander Diante De Sua Geração De Capital E De Seu Histórico De Reorganização De Subsidiárias. O Próprio Histórico Brasileiro Reforça A Leitura. Em 2014, O Santander Espanha Realizou Uma Oferta Pública Voluntária De Permuta De Ações E Units Do Santander Brasil Por Bdrs Representativos De Ações Da Matriz. A Operação Elevou A Participação Do Grupo No Capital Da Subsidiária Brasileira Para 88,3%, Mas Não Retirou Integralmente O Banco Da Bolsa Brasileira. Desde Então, O Controlador Avançou Em Outros Movimentos De Simplificação. A Bloomberg Línea Informou Que A Matriz Também Fechou O Capital De Negócios Como A Operação De Financiamento Ao Consumidor Nos Estados Unidos, Em 2021, E A Unidade Mexicana, Em 2023, Além Da Getnet No Brasil. O Que Pesa Contra Uma Operação Agora Embora O Desconto De Sanb11 Torne A Discussão Mais Relevante, O Momento Do Grupo Santander Pode Reduzir A Probabilidade De Uma Opa No Curto Prazo. A Matriz Está Envolvida Em Uma Agenda Internacional Intensa, Com Aquisições Relevantes No Reino Unido E Nos Estados Unidos. Em 2025, O Santander Anunciou A Compra De 100% Do Tsb Banking Group, Do Banco Sabadell, Por 2,65 Bilhões De Libras. A Operação Fortalece A Posição Do Grupo No Reino Unido E Deve Tornar O Santander Uk O Terceiro Maior Banco Do País Em Saldos De Contas Correntes Pessoais. Em Fevereiro De 2026, O Grupo Também Anunciou A Aquisição Do Webster Financial, Nos Estados Unidos, Por Us$ 12,2 Bilhões. Segundo O Comunicado Oficial, A Transação Deve Criar Um Banco Entre Os Dez Maiores Do Varejo E Banco Comercial Americano Por Ativos, Além De Ampliar A Base De Depósitos No Nordeste Dos Eua. Essas Operações Exigem Integração, Capital E Atenção Da Administração. Por Isso, Parte Dos Analistas Avalia Que Uma Eventual Opa No Brasil Pode Fazer Sentido Estratégico, Mas Não Necessariamente Agora. Santander Brasil Tenta Recuperar Rentabilidade A Nova Fase Do Santander Brasil Envolve Uma Combinação De Controle De Custos, Seletividade No Crédito E Busca Por Clientes De Maior Renda. A Apresentação Do Primeiro Trimestre Mostrou Receita Total De R$ 21,248 Bilhões, Avanço De 0,9% Em Relação Ao Primeiro Trimestre De 2025, Enquanto As Despesas Gerais Ficaram Praticamente Estáveis Na Comparação Anual. O Banco Também Vem Tentando Melhorar A Eficiência Operacional. No Primeiro Trimestre, O Índice De Eficiência Ficou Em 37,7%, Melhora De 1,1 Ponto Percentual Ante O Trimestre Anterior, Embora Ainda 0,5 Ponto Acima Do Registrado Um Ano Antes. A Estratégia Passa Por Reduzir Exposição A Carteiras De Maior Risco, Priorizar Originação Mais Rentável E Ampliar A Participação De Segmentos Como Alta Renda, Pequenas E Médias Empresas E Atacado. Em Relatório, A Genial Apontou Que A Administração Segue Buscando Um Roe Sustentável De 20%, Mas Que Esse Patamar Pode Ficar Mais Factível Apenas Em 2027. Troca No Comando Aumenta Atenção Sobre O Banco A Mudança Na Liderança Também Entrou No Radar. Em Março, O Santander Brasil Anunciou A Saída De Mario Leão Da Presidência, Com Transição Prevista Até Julho De 2026. Para O Cargo, O Conselho Escolheu Gilson Finkelsztain, Então Presidente Da B3, Ainda Sujeito Às Aprovações Regulatórias Necessárias. A Chegada De Finkelsztain Ocorre Em Um Momento Sensível. O Banco Precisa Recuperar Confiança Do Mercado, Provar Que A Deterioração Da Inadimplência Está Sob Controle E Mostrar Que A Reestruturação Operacional Pode Gerar Rentabilidade Mais Próxima Da Meta. Para Investidores, A Troca De Comando Pode Ser Positiva Se Acelerar A Disciplina De Capital E A Simplificação Do Banco. Mas Também Adiciona Um Período De Transição Em Uma Fase Em Que Sanb11 Já Sofre Com Pressão De Resultados E Comparação Desfavorável Com Pares Locais. Fintechs Pressionam Bancos Tradicionais Outro Ponto Estrutural É A Competição Com Fintechs. O Avanço De Bancos Digitais, Especialmente Em Cartões, Conta Corrente E Crédito De Varejo, Reduziu Vantagens Históricas De Bancos Tradicionais E Pressionou Margens No Segmento Massificado. O Santander Brasil Tem Exposição Relevante Ao Financiamento Ao Consumo, O Que Torna Seus Resultados Mais Sensíveis Ao Ciclo De Juros, À Inflação E À Inadimplência. Em Períodos De Selic Elevada, O Custo De Funding E O Risco De Crédito Tendem A Pesar Mais Sobre Instituições Com Carteiras Voltadas Ao Consumo. Esse Cenário Ajuda A Explicar Por Que A Matriz Espanhola Valorizou Fortemente Enquanto A Operação Brasileira Perdeu Valor. O Grupo Global Se Beneficiou De Resultados Recordes E Expansão Internacional, Enquanto O Brasil Ainda Tenta Recompor Retorno Em Um Mercado Bancário Mais Competitivo. O Que Observar Em Sanb11 Daqui Para Frente A Tese De Investimento Em Santander Brasil (Sanb11) Passa Por Quatro Pontos Principais: Evolução Da Inadimplência, Recuperação Do Roe, Disciplina De Custos E Sinais Da Matriz Sobre Alocação De Capital. Se Os Indicadores De Crédito Estabilizarem E A Rentabilidade Caminhar Para A Meta De 20%, O Desconto Pode Diminuir Sem Necessidade De Opa. Por Outro Lado, Se Sanb11 Continuar Negociando Com Múltiplos Pressionados, A Discussão Sobre Fechamento De Capital Tende A Permanecer No Radar. Por Enquanto, A Conclusão Mais Prudente É Que Uma Opa É Uma Possibilidade Financeira E Estratégica, Mas Não Um Fato. O Desconto Recorde Para A Matriz Torna O Tema Inevitável, Mas A Agenda Global Do Santander E A Ausência De Manifestação Formal Impedem Tratar A Operação Como Iminente. Para O Investidor, O Ponto Central Não É Apenas Se O Santander Brasil Pode Sair Da Bolsa. É Se O Banco Conseguirá Recuperar Rentabilidade Em Um Ambiente No Qual Fintechs, Juros Altos E Inadimplência Ainda Limitam O Potencial De Valorização De Sanb11. - Gazeta Mercantil
Empresas

Santander Brasil (SANB11) lucra R$ 3,01 bi no 2T26, queda de 17,6%, abaixo do esperado

O Santander Brasil (SANB11) registrou lucro líquido gerencial recorrente de R$ 3,014 bilhões no segundo trimestre de 2026, queda de 17,6% em relação ao mesmo período do ano...

Leia MaisDetails
Bancos Brasileiros Lucraram Us$ 45,8 Bilhões E Concentraram 51% Do Ganho Regional - Gazeta Mercantil - Negócios
Negócios

Bancos brasileiros lucraram US$ 45,8 bilhões e concentraram 51% do ganho regional

Os bancos brasileiros lucraram US$ 45,841 bilhões em 2025, crescimento de 34,2% sobre o ano anterior, e responderam por 51% de todo o resultado bancário da América Latina....

Leia MaisDetails

Veja Também

Privatização Da Telebrás - Gazeta Mercantil
Empresas

O leilão do século: como a privatização da Telebrás colocou o celular no bolso do brasileiro e redesenhou o país

Leia MaisDetails
Elon Musk Prevê Fim Do Trabalho E Do Dinheiro Em Dez Anos; Economia Impõe Obstáculos À Tese - Gazeta Mercantil
Tecnologia

Elon Musk prevê fim do trabalho e do dinheiro em dez anos; economia impõe obstáculos à tese

Leia MaisDetails
Visa (Visa34) Lucra Us$ 5,6 Bilhões, Mas Ações Recuam Após Balanço Do 3º Trimestre - Gazeta Mercantil
Empresas

Visa (VISA34) lucra US$ 5,6 bilhões, mas ações recuam após balanço do 3º trimestre

Leia MaisDetails
Mrv (Mrve3) - Gazeta Mercantil
Empresas

MRV (MRVE3) vende ativos nos EUA por US$ 139 milhões e corta dívida em 7,5%

Leia MaisDetails
Tarcísio Abre 15 Pontos Sobre Haddad Em São Paulo; Flávio E Lula Ficam Em Empate Técnico - Gazeta Mercantil
Política

Tarcísio abre 15 pontos sobre Haddad em São Paulo; Flávio e Lula ficam em empate técnico

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

O leilão do século: como a privatização da Telebrás colocou o celular no bolso do brasileiro e redesenhou o país

Elon Musk prevê fim do trabalho e do dinheiro em dez anos; economia impõe obstáculos à tese

Visa (VISA34) lucra US$ 5,6 bilhões, mas ações recuam após balanço do 3º trimestre

MRV (MRVE3) vende ativos nos EUA por US$ 139 milhões e corta dívida em 7,5%

Tarcísio abre 15 pontos sobre Haddad em São Paulo; Flávio e Lula ficam em empate técnico

Moraes dá 48 horas para Bolsonaro explicar vídeo de IA e admite retorno ao regime fechado

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

Sem resultados
Todos os resultados
  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP