Disputa milionária por Maycon expõe bastidores financeiros e pressiona Corinthians e Atlético-MG
A disputa por Maycon se transformou em um dos capítulos mais emblemáticos da atual janela de transferências do futebol brasileiro. Corinthians e Atlético-MG protagonizam uma batalha silenciosa, porém intensa, nos bastidores, envolvendo cifras milionárias, exigências contratuais rígidas e obstáculos regulatórios que podem definir o futuro do meio-campista. No centro das negociações está o Shakhtar Donetsk, clube detentor dos direitos do atleta, que mantém postura firme e estratégica diante do assédio dos dois gigantes nacionais.
O caso de Maycon vai além de uma simples transferência. Ele escancara os desafios financeiros enfrentados pelos clubes brasileiros, a importância do planejamento contratual e o peso das decisões administrativas em um mercado cada vez mais competitivo.
Corinthians volta à mesa e iguala proposta do Atlético
Após semanas de indefinição, o Corinthians decidiu retomar as negociações por Maycon e apresentou uma proposta considerada decisiva: contrato de três anos, exatamente nos moldes oferecidos pelo Atlético-MG. Com isso, o clube paulista igualou tecnicamente a oferta do rival mineiro e recolocou o jogador no centro do projeto esportivo para as próximas temporadas.
A mudança de postura ocorreu após avaliações internas que indicaram que a redução do tempo contratual poderia inviabilizar qualquer acordo com o Shakhtar. Inicialmente, a diretoria corintiana havia tentado diminuir o vínculo para dois anos, numa tentativa de aliviar compromissos financeiros futuros. A estratégia, no entanto, não encontrou respaldo do clube ucraniano.
Com a nova proposta, o Corinthians sinaliza que está disposto a fazer concessões para assegurar a permanência de Maycon, considerado peça importante no meio-campo pela experiência, identificação com o clube e capacidade de liderança em campo.
Shakhtar impõe condições e mantém controle sobre Maycon
O Shakhtar Donetsk adota uma postura pragmática e clara nas negociações envolvendo Maycon. O clube ucraniano aceita liberar o jogador sem custo de transferência imediata, mas exige manter 50% dos direitos econômicos do atleta, condição vista como inegociável.
Além disso, o Shakhtar condiciona qualquer acordo à assinatura de um contrato de três anos. A exigência não é apenas esportiva, mas financeira. Quanto maior o tempo de vínculo, maior a possibilidade de retorno econômico em uma futura negociação, seja com clubes brasileiros ou do exterior.
O contrato atual de Maycon com o clube ucraniano é válido até dezembro de 2027, o que garante ao Shakhtar uma posição confortável na mesa de negociação. Não há urgência em vender, tampouco necessidade de aceitar propostas que não atendam plenamente aos seus interesses estratégicos.
Atlético-MG entra forte e pressiona o Timão
Foi justamente diante dessa exigência contratual que o Atlético-MG entrou com força na disputa por Maycon. O clube mineiro apresentou de imediato uma proposta alinhada às condições impostas pelo Shakhtar: três anos de contrato e aceitação da divisão dos direitos econômicos.
A investida do Atlético-MG elevou a pressão sobre o Corinthians, que passou a correr o risco real de perder o jogador. O Galo vê em Maycon uma oportunidade de reforçar o meio-campo com um atleta experiente, habituado a jogos decisivos e com perfil competitivo.
Com as duas propostas tecnicamente empatadas, a decisão final passa a envolver fatores que extrapolam valores e prazos contratuais, como histórico do atleta, ambiente esportivo, planejamento de carreira e relação institucional entre os clubes.
Dívida milionária do Corinthians entra no radar
Um dos pontos mais sensíveis da negociação envolve a dívida do Corinthians com o Shakhtar, estimada em aproximadamente 1 milhão de euros, o equivalente a cerca de R$ 6,5 milhões. O valor refere-se a empréstimos anteriores de Maycon, realizados desde 2022.
Embora a dívida seja tratada formalmente como um assunto separado, ela inevitavelmente entra no radar do clube ucraniano. A pendência financeira não impede tecnicamente a concretização do negócio, mas pode pesar na decisão final, especialmente em um cenário de ofertas equivalentes.
Para o Corinthians, resolver essa pendência é visto como um passo importante para demonstrar boa-fé, fortalecer a relação institucional e aumentar as chances de manter Maycon no elenco.
Mudanças internas impactaram negociação
A condução das negociações por Maycon também reflete mudanças internas no Corinthians. Em 2025, o então executivo de futebol, Fabinho Soldado, havia encaminhado um acordo de três anos, alinhado às exigências do Shakhtar.
Já em 2026, com Marcelo Paz assumindo papel central na gestão do futebol, a estratégia foi revista. A tentativa de reduzir o contrato para dois anos tinha como objetivo adequar o acordo à realidade financeira do clube. No entanto, a mudança acabou esfriando as tratativas e abriu espaço para a entrada do Atlético-MG.
O retorno à proposta inicial evidencia que, no caso de Maycon, a margem para ajustes era limitada diante das condições impostas pelo clube detentor dos direitos.
Transfer ban adiciona complexidade ao cenário
Outro fator que complica o cenário corintiano é a existência de dois transfer bans ativos. O clube está impedido de registrar novos jogadores por punições impostas tanto pela Fifa quanto pela CBF.
A sanção da Fifa decorre de uma dívida de aproximadamente R$ 40 milhões com o Santos Laguna, relacionada à contratação do zagueiro Félix Torres. Já o bloqueio da CBF envolve questões administrativas analisadas pela CNRD.
apesar disso, a diretoria do Corinthians trabalha com a expectativa de resolver essas pendências nos próximos dias. O planejamento inclui a quitação ou renegociação dos débitos para liberar o clube a registrar reforços, incluindo Maycon, caso o acordo seja fechado.
Atlético observa cenário com cautela estratégica
Enquanto o Corinthians corre para resolver entraves financeiros e jurídicos, o Atlético-MG observa o cenário com cautela. O clube mineiro entende que cumpriu todas as exigências do Shakhtar e aguarda a decisão final sem a necessidade de ajustes adicionais.
Internamente, o Galo avalia que a negociação por Maycon representa uma oportunidade de mercado, mas sem comprometer o planejamento financeiro de médio prazo. A postura mais conservadora pode se tornar um diferencial caso o Shakhtar priorize segurança contratual e institucional.
Decisão final nas mãos do Shakhtar
Com as propostas equiparadas em termos contratuais, o Shakhtar Donetsk se vê diante de uma escolha estratégica. A decisão sobre o futuro de Maycon passa pela análise do histórico recente dos clubes, da capacidade de cumprir compromissos financeiros e da perspectiva de valorização do atleta.
O desfecho da negociação deve ocorrer nos próximos dias, uma vez que os clubes brasileiros precisam definir seus elencos para a sequência da temporada. Até lá, a disputa por Maycon segue como um dos principais assuntos do mercado da bola.






