O dólar hoje iniciou esta terça-feira (24) em alta, refletindo a combinação de incertezas externas e indicadores domésticos que seguem no radar dos investidores. A moeda norte-americana avançava 0,06% pouco após a abertura, cotada a R$ 5,1720, em um ambiente marcado pela entrada em vigor de novas tarifas nos Estados Unidos e pela divulgação de dados relevantes do setor externo brasileiro.
O movimento do dólar hoje ocorre em meio à implementação de uma tarifa adicional de 10% sobre produtos importados que não estejam contemplados por isenções específicas, conforme comunicado da autoridade aduaneira norte-americana. A medida foi anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e passa a impactar o fluxo comercial global, inclusive o Brasil.
No mercado doméstico, o Ibovespa inicia as negociações às 10h, após encerrar a véspera pressionado pelo cenário internacional. O comportamento do dólar hoje tende a influenciar diretamente setores exportadores, empresas endividadas em moeda estrangeira e ativos sensíveis ao câmbio.
Tarifa dos EUA amplia volatilidade e mexe com o dólar hoje
A entrada em vigor da tarifa adicional de 10% nos Estados Unidos representa um novo capítulo na política comercial da Casa Branca. A medida atinge produtos que não estejam cobertos por exceções específicas, como determinados minerais críticos, itens agrícolas e componentes eletrônicos.
A nova rodada de tarifas se soma a um contexto já turbulento. Na última sexta-feira (20), a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que o presidente extrapolou sua autoridade ao impor um amplo aumento tarifário conhecido como “tarifaço”. Por 6 votos a 3, os magistrados entenderam que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional não autoriza a criação unilateral de tarifas sem autorização do Congresso.
Apesar da decisão judicial, o governo norte-americano anunciou, no sábado (21), que elevaria a alíquota de 10% para 15%, com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite a adoção de tarifas por até 150 dias antes de análise legislativa.
Para o Brasil, o impacto é direto. Especialistas em comércio exterior apontam que a maior parte dos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos passa a incorporar uma sobretaxa temporária de 15%, além das tarifas já vigentes. No caso de aço e alumínio, as alíquotas permanecem elevadas, somando 50% anteriores à nova taxa adicional.
Esse cenário reforça a pressão sobre o dólar hoje, uma vez que o aumento das barreiras comerciais tende a alterar fluxos de capital e expectativas sobre crescimento global.
Balanço de pagamentos traz alívio parcial
No plano doméstico, o Banco Central informou que as transações correntes do balanço de pagamentos registraram déficit de US$ 8,4 bilhões em janeiro de 2026. Embora ainda negativo, o resultado é melhor do que o rombo de US$ 9,8 bilhões observado no mesmo mês de 2025.
No acumulado de 12 meses até janeiro, o déficit em conta corrente caiu para US$ 67,6 bilhões, equivalente a 2,92% do Produto Interno Bruto (PIB). O dado é visto como moderadamente positivo para o câmbio, pois indica redução da vulnerabilidade externa.
Ainda assim, o dólar hoje mantém trajetória de leve alta, evidenciando que o mercado segue mais atento ao ambiente internacional do que aos fundamentos domésticos de curto prazo.
Agenda econômica e foco nos EUA
Os investidores acompanham nesta terça-feira discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano. Também está prevista a divulgação da pesquisa semanal da ADP sobre a criação de vagas no setor privado dos Estados Unidos. A leitura anterior apontou abertura de 10,25 mil postos de trabalho.
Indicadores de emprego e declarações de autoridades monetárias influenciam diretamente as apostas sobre juros nos Estados Unidos, o que impacta o fluxo de capitais para países emergentes como o Brasil. Juros mais altos por lá tendem a fortalecer o dólar globalmente, pressionando o dólar hoje no mercado doméstico.
Boletim Focus: inflação e juros em revisão
No cenário interno, o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, trouxe novas revisões nas expectativas para 2026. A projeção de inflação medida pelo IPCA caiu de 3,95% para 3,91%, marcando o sétimo recuo consecutivo.
Caso confirmada, a inflação ficará abaixo do patamar registrado em 2025, quando o índice atingiu 4,26%. Para 2027, a estimativa foi mantida em 3,80%.
Em relação à taxa Selic, o mercado passou a projetar juros de 12,13% ao ano ao fim de 2026, abaixo dos 12,25% estimados anteriormente. Para 2027, a previsão permanece em 10,50%.
O crescimento do PIB também foi levemente revisado para cima, passando de 1,80% para 1,82% em 2026. Já a estimativa para o dólar hoje e ao longo do próximo ano aponta recuo na taxa de câmbio média, de R$ 5,50 para R$ 5,45 em 2026.
Desempenho acumulado do dólar hoje e do Ibovespa
Mesmo com a alta pontual desta terça-feira, o dólar hoje acumula queda no período recente:
-
Acumulado da semana: -0,14%
-
Acumulado do mês: -1,51%
-
Acumulado do ano: -5,83%
O Ibovespa, por sua vez, apresenta desempenho positivo no ano:
-
Acumulado da semana: -0,88%
-
Acumulado do mês: +4,13%
-
Acumulado do ano: +17,21%
Os números indicam que, apesar da volatilidade diária, o fluxo para ativos brasileiros segue relativamente favorável em 2026, sustentado por expectativas de inflação mais controlada e possível ciclo de afrouxamento monetário.
Mercados globais operam sob tensão
Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street encerraram a segunda-feira em queda, refletindo incertezas quanto à política tarifária e seus impactos sobre o crescimento econômico. A combinação de decisões judiciais, anúncios presidenciais e expectativa por dados de emprego adiciona ruído ao ambiente financeiro.
Na Europa, o índice STOXX 600 recuou 0,45%, enquanto o DAX, da Alemanha, caiu 1,06%. O CAC 40, em Paris, registrou baixa de 0,22%, e o FTSE 100, no Reino Unido, fechou praticamente estável.
Na Ásia, parte das bolsas permaneceu fechada por feriados, reduzindo o volume de negociações. Ainda assim, o Hang Seng, em Hong Kong, subiu 2,5%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, avançou 0,7%.
A volatilidade global reforça o movimento cauteloso observado no dólar hoje, que responde tanto aos fatores externos quanto às expectativas internas.
Política e regulação entram no radar
No campo político, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado realiza audiência com o presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Accioly, no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master.
Embora o tema não tenha impacto imediato sobre o dólar hoje, questões regulatórias e de governança influenciam a percepção de risco institucional, fator relevante para investidores estrangeiros.
O que explica a alta do dólar hoje
A valorização do dólar hoje pode ser atribuída a três vetores principais:
-
Incerteza comercial internacional, com novas tarifas nos EUA;
-
Expectativa por dados de emprego e discursos do Fed, que podem alterar projeções de juros;
-
Ajustes técnicos e realização de lucros, após sequência recente de quedas.
Em um cenário global ainda instável, a moeda norte-americana tende a funcionar como ativo de proteção, o que sustenta sua demanda em momentos de tensão.
Câmbio reflete disputa entre fundamentos e risco externo
O comportamento do dólar hoje revela a disputa entre fundamentos domésticos relativamente mais sólidos e um ambiente internacional carregado de incertezas. Enquanto o Brasil apresenta inflação em desaceleração e melhora gradual nas contas externas, o cenário global segue dominado por disputas comerciais e dúvidas sobre o rumo da política monetária nos Estados Unidos.
Para analistas, a tendência de médio prazo dependerá da evolução das tarifas norte-americanas e da resposta do Congresso dos EUA às decisões da Suprema Corte. No curto prazo, a volatilidade deve permanecer elevada.









