Dólar abre em queda com paralisação nos EUA e incertezas fiscais no Brasil
O dólar hoje abriu em queda de 0,25%, cotado a R$ 5,304, pressionado por uma combinação de fatores internacionais e internos. Nos Estados Unidos, a paralisação parcial da máquina pública, conhecida como shutdown, gerou incertezas econômicas, enquanto no Brasil, questões fiscais e decisões do Tribunal de Contas da União (TCU) aumentam a volatilidade da moeda.
Nos EUA, uma proposta para estender o financiamento do governo por sete semanas foi rejeitada pelo Senado, com 55 votos a favor e 45 contrários, abaixo dos 60 necessários para aprovação. Com isso, milhares de servidores federais devem entrar em licença não remunerada ou ser demitidos temporariamente nas próximas horas, impactando diretamente o mercado financeiro e as expectativas sobre a economia americana.
Impasse político nos Estados Unidos influencia o dólar
O impasse entre democratas e republicanos bloqueou a apreciação do orçamento federal e de propostas alternativas. Os democratas defendem a extensão de subsídios e a reversão de cortes na assistência de saúde, enquanto os conservadores resistem a aprovar o financiamento do governo até 21 de novembro.
Historicamente, a última paralisação significativa ocorreu entre dezembro de 2018 e janeiro de 2019, durante o primeiro mandato de Donald Trump, quando exigia-se aprovação do financiamento para a construção do muro na fronteira com o México. Na ocasião, a paralisação durou 35 dias, tornando-se a mais longa da história americana.
Desta vez, Trump sinalizou que o shutdown poderia trazer “resultados positivos” para o governo e ameaçou eliminar políticas defendidas pelos democratas durante o período sem financiamento.
O Escritório de Orçamento do Congresso dos Estados Unidos (CBO) alertou que cerca de 750 mil funcionários públicos podem ter suas atividades interrompidas, a menos que desempenhem funções essenciais para proteção de vidas e serviços estratégicos. O diretor do CBO destacou que uma paralisação curta teria impacto limitado, já que os servidores recebem salários retroativos, mas um prolongamento geraria incertezas sobre o papel do governo e o impacto financeiro nos programas públicos.
Indicadores econômicos dos EUA afetados
O shutdown também suspendeu a divulgação de dados econômicos importantes, como o relatório de empregos (payroll) de setembro. O Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS) confirmou a interrupção na divulgação de indicadores, o que deve impactar a avaliação da política monetária do Federal Reserve (Fed).
O presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, destacou que a ausência de dados relevantes pode afetar decisões sobre taxas de juros e direcionamento da política econômica americana. Com isso, o dólar hoje acompanha de perto os desdobramentos do impasse, reagindo à expectativa de menor fluxo de informações econômicas e maior volatilidade no mercado internacional.
Cenário fiscal no Brasil mantém pressão sobre o dólar
No Brasil, o dólar hoje também sofre influência das incertezas fiscais. O governo avalia judicializar decisão do TCU que exige que o Executivo mire o centro da meta fiscal, enquanto negocia com o relator da LDO, deputado Gervásio Maia (PSB), a inclusão de mecanismos de contingenciamento flexível.
O presidente Lula dialoga com os líderes do Congresso para reverter a decisão do TCU, considerada pelo governo como ilegal. A ministra Gleisi Hoffmann destacou que a lei do arcabouço fiscal permite execução de metas com flexibilidade, enquanto o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, criticou a interpretação do tribunal.
O Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) segue monitorando a execução orçamentária e mantém bloqueios de gastos para alinhar despesas à receita prevista, sem recorrer a contingenciamentos. Até o momento, o déficit de R$ 30,2 bilhões permanece dentro dos limites legais, com decreto bloqueando R$ 12,1 bilhões em gastos, reforçando a responsabilidade fiscal do governo.
Impactos combinados no mercado de câmbio
A combinação de paralisação nos EUA e incertezas fiscais no Brasil cria volatilidade para o dólar hoje. Investidores avaliam risco político, atrasos na divulgação de indicadores econômicos e decisões do TCU, refletindo diretamente nas cotações da moeda.
Especialistas indicam que movimentos de curto prazo podem ser intensos, mas a expectativa é de que uma resolução política nos EUA ou ajustes fiscais no Brasil tendam a estabilizar o mercado. Até lá, o dólar permanece sensível a notícias e decisões governamentais, exigindo atenção redobrada de investidores e empresas com exposição cambial.
Previsões e estratégias de mercado
Analistas destacam que, caso o impasse nos EUA se prolongue, o dólar pode sofrer flutuações maiores, afetando comércio internacional, investimentos estrangeiros e importações no Brasil. Por outro lado, medidas de contingenciamento fiscal no país podem reduzir a pressão sobre a moeda, sinalizando comprometimento do governo com estabilidade econômica.
Investidores seguem monitorando:
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Evolução do shutdown americano e aprovações no Senado;
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Reações do mercado cambial ao cenário fiscal brasileiro;
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Divulgação futura de indicadores econômicos suspensos pelo BLS;
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Ações do Banco Central e políticas monetárias nos EUA e Brasil.
A atenção ao dólar hoje é fundamental para decisões de investimento, importação e planejamento financeiro.






