Governo exige eficiência energética mínima em novas construções no Brasil
O governo federal publicou uma norma que estabelece padrões obrigatórios de eficiência energética em construções para todos os novos empreendimentos da construção civil. A medida, assinada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e divulgada no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira (30), visa reduzir o consumo de energia, aumentar o conforto e promover práticas sustentáveis no setor.
O que muda com a nova norma
A implementação do índice mínimo de eficiência energética em construções torna obrigatória a adesão a critérios de desempenho energético em edifícios públicos e privados. A norma vale para todas as construções, incluindo empreendimentos residenciais, comerciais e públicos, e será aplicada de forma gradual conforme cronograma definido pelo MME.
Para edificações da administração pública, a exigência inicial é que os prédios atendam ao nível “A” da Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (Ence), que classifica o desempenho energético de “A” (mais eficiente) a “E” (menos eficiente). Já as construções privadas deverão apresentar, no mínimo, desempenho equivalente ao nível “C”, alinhando-se às normas técnicas vigentes.
Empreendimentos que alcançarem o nível “A” poderão receber o Selo Procel Edificações, que atesta alto padrão de eficiência energética, além de agregar valor ao imóvel e reduzir custos operacionais ao longo da vida útil da construção.
Cronograma de implementação
O MME estabeleceu um cronograma gradual para que os diferentes tipos de edificações se adequem às novas exigências de eficiência energética em construções:
-
2027: edificações públicas federais;
-
2030: construções comerciais, residenciais em cidades com mais de 100 mil habitantes e habitação de interesse social financiada com recursos públicos;
-
2032: edificações públicas estaduais;
-
2035: edificações públicas municipais em cidades com mais de 100 mil habitantes;
-
2040: todas as novas construções públicas, comerciais e residenciais em municípios com mais de 50 mil habitantes.
Esse planejamento garante tempo para adaptação do setor da construção civil, incluindo construtoras, fornecedores de materiais e profissionais da engenharia e arquitetura.
Impactos esperados no consumo de energia
Segundo estimativas do MME, a aplicação do índice mínimo de eficiência energética em construções pode gerar uma economia de aproximadamente 17 milhões de megawatt-hora (MWh) até 2040. Esse volume é suficiente para suprir o consumo de energia de uma cidade de 1 milhão de habitantes por sete anos ou de sete cidades pelo período de um ano.
Além da redução de consumo, a norma promove maior conforto térmico, melhor qualidade ambiental interna das edificações e maior segurança energética. A medida também incentiva a inovação tecnológica no setor, com uso de materiais eficientes, sistemas de iluminação e climatização mais econômicos e soluções construtivas sustentáveis.
Benefícios para programas habitacionais
A norma de eficiência energética em construções inclui empreendimentos de interesse social, abrangendo programas habitacionais públicos e financiados com recursos públicos. Isso significa que moradias populares também deverão atender aos padrões mínimos de desempenho energético, garantindo economia de energia e melhor qualidade de vida aos moradores.
A inclusão dessas medidas em programas sociais reflete uma estratégia de longo prazo para o setor habitacional, alinhando políticas públicas de construção à sustentabilidade e eficiência.
Repercussão para o setor da construção civil
O setor da construção civil é um dos maiores empregadores do país, e a exigência de eficiência energética em construções traz desafios e oportunidades. Embora haja necessidade de capacitação de profissionais e adaptação de projetos, a norma também impulsiona o mercado de soluções tecnológicas, materiais sustentáveis e serviços especializados.
Construtoras e arquitetos terão que incorporar critérios de desempenho energético desde a fase de projeto, adotando tecnologias que permitam atingir níveis mais altos da Ence. O aumento da eficiência energética pode gerar economia significativa de custos para proprietários e ocupantes de edifícios, além de contribuir para a redução da pegada ambiental do setor.
Estratégia de longo prazo do governo
O MME prevê que a exigência de eficiência energética em construções seja uma medida de transformação gradual, integrando sustentabilidade e inovação tecnológica à construção civil. A meta é reduzir o consumo de energia elétrica, melhorar a qualidade de vida e posicionar o Brasil como referência em edificações sustentáveis.
Ao longo do tempo, a norma deverá incentivar a adoção de práticas construtivas modernas, automação predial, sistemas de aquecimento e resfriamento eficientes e materiais de baixo impacto ambiental. Esses avanços contribuirão para a redução das emissões de gases de efeito estufa e para a sustentabilidade energética do país.
Vantagens econômicas e ambientais
A implementação do índice mínimo de eficiência energética em construções apresenta benefícios econômicos e ambientais:
-
Redução da conta de energia para moradores e empresas;
-
Incentivo à inovação tecnológica no setor;
-
Valorização de imóveis eficientes;
-
Redução de impactos ambientais, com menor emissão de poluentes;
-
Promoção de construções sustentáveis em programas habitacionais sociais.
O governo projeta que essas mudanças gerarão um setor mais competitivo, moderno e alinhado às demandas internacionais por eficiência e sustentabilidade.
A norma do MME sobre eficiência energética em construções representa um passo importante para o Brasil em direção a um setor da construção civil mais moderno, eficiente e sustentável. Ao impor padrões mínimos de desempenho energético, a medida fortalece políticas de economia de energia, promove inovação tecnológica e melhora a qualidade de vida de moradores e usuários de edificações públicas e privadas.
O cronograma gradual até 2040 permitirá que o setor se adapte sem comprometer a execução de projetos, enquanto o impacto esperado na economia de energia e sustentabilidade reforça o compromisso do país com práticas ambientais responsáveis.






