Os Estados Unidos realizam nesta terça-feira, 3 de novembro de 2026, as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, que definirão a composição do Congresso durante os dois últimos anos do segundo mandato do presidente Donald Trump. O pleito colocará em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado, além de governos estaduais e outros cargos regionais.
A eleição ocorre em um cenário de insatisfação de parte do eleitorado com a economia e o custo de vida. Pesquisa Reuters/Ipsos realizada entre 16 e 19 de outubro apontou que 66% dos adultos americanos entrevistados desaprovavam a atuação de Trump na Presidência, enquanto 31% aprovavam sua gestão.
Embora o presidente não esteja diretamente nas urnas, o resultado poderá modificar a correlação de forças em Washington e afetar a tramitação de projetos legislativos, a aprovação do orçamento federal e a fiscalização das decisões do Executivo. Atualmente, o Partido Republicano controla as duas Casas do Congresso.
O que são as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos?
As eleições de meio de mandato são realizadas a cada quatro anos, dois anos depois da eleição presidencial americana.
O objetivo é renovar a Câmara dos Representantes e parte do Senado, permitindo que os eleitores redefinam sua representação no Congresso antes do encerramento do mandato presidencial.
Diferentemente do sistema brasileiro, no qual deputados federais e senadores são eleitos para mandatos de quatro e oito anos, respectivamente, os representantes americanos cumprem mandatos de dois anos e os senadores, de seis anos.
Por isso, todas as cadeiras da Câmara são submetidas a votação a cada dois anos, enquanto o Senado é renovado de maneira escalonada.
As eleições também podem envolver governadores, legislaturas estaduais, prefeitos, autoridades locais e consultas populares, dependendo do calendário de cada estado.
Em 2026, estão previstas eleições para governador em 36 estados americanos.
Quantas cadeiras do Congresso americano serão disputadas em 2026?
A eleição de 3 de novembro colocará em disputa 470 cadeiras com direito a voto no Congresso dos Estados Unidos.
Desse total, 435 pertencem à Câmara dos Representantes e 35 ao Senado.
Na Câmara, cada estado possui uma quantidade de representantes proporcional à sua população, conforme a distribuição estabelecida a partir do censo demográfico.
Os deputados são eleitos por distritos eleitorais, de modo que cada distrito escolhe seu representante.
O Senado segue uma lógica diferente. Cada um dos 50 estados americanos possui duas cadeiras, independentemente do número de habitantes.
Dos 35 mandatos senatoriais em disputa neste ano, 33 correspondem à renovação regular de uma das classes do Senado. Outros dois serão preenchidos por eleições especiais, realizadas na Flórida e em Ohio.
Os senadores eleitos para mandatos regulares ocuparão suas cadeiras por seis anos, enquanto os vencedores das eleições especiais completarão os períodos constitucionais correspondentes às vagas.
Qual partido controla a Câmara e o Senado atualmente?
O Partido Republicano, de Donald Trump, chega às eleições de novembro controlando as duas Casas do Congresso.
De acordo com a composição oficial do Senado, os republicanos ocupam 53 das 100 cadeiras. Os democratas possuem 45, enquanto outros dois senadores são independentes e integram o bloco político democrata para fins de organização parlamentar.
Na Câmara dos Representantes, o levantamento institucional mais recente consultado registra 218 republicanos, 214 democratas, um independente e duas cadeiras vagas.
A disputa pela maioria ocorre de maneira diferente em cada Casa.
Na Câmara, os 435 distritos elegem representantes simultaneamente. O controle institucional depende da composição resultante da eleição, e uma maioria de 218 cadeiras corresponde à metade mais um do total de vagas.
No Senado, a renovação parcial limita o número de cadeiras que podem mudar de partido em um único pleito.
Essas diferenças tornam os dois processos eleitorais independentes, mesmo quando realizados no mesmo dia.
Por que a eleição é importante para Donald Trump?
O resultado das eleições de meio de mandato determinará a relação entre a Presidência e o Congresso durante a segunda metade do mandato de Trump, previsto para terminar em janeiro de 2029.
O Congresso americano possui competências relacionadas à aprovação de leis, autorização de despesas federais, fiscalização do Executivo e investigação de atos da administração pública.
Uma mudança na maioria parlamentar poderá alterar as condições de negociação de projetos prioritários do governo, incluindo iniciativas relacionadas à política econômica, imigração, tributação e comércio exterior.
Na Câmara, o partido majoritário influencia a definição da agenda legislativa e a presidência das comissões.
No Senado, a composição partidária é especialmente relevante para a análise de indicações presidenciais a determinados cargos públicos e para a aprovação de medidas legislativas.
Mesmo com maioria nas duas Casas, o presidente não possui liberdade irrestrita para aprovar sua agenda. Diversas matérias dependem de procedimentos específicos e de maiorias qualificadas.
Por isso, as eleições de 2026 representam uma oportunidade para os eleitores influenciarem o funcionamento do governo federal sem escolher um novo presidente.
Pesquisa Reuters/Ipsos aponta desaprovação de 66% a Trump
O cenário eleitoral é acompanhado por pesquisas nacionais sobre a avaliação do presidente e as preocupações dos eleitores.
Levantamento Reuters/Ipsos realizado entre 16 e 19 de outubro de 2026 mostrou que 66% dos adultos entrevistados desaprovavam o desempenho de Donald Trump na Presidência.
Outros 31% aprovavam sua atuação.
A pesquisa ouviu 1.679 adultos americanos com 18 anos ou mais, utilizando o painel probabilístico KnowledgePanel, da Ipsos.
A margem de erro informada pelo instituto foi de aproximadamente 2,4 pontos percentuais, para mais ou para menos, considerando o conjunto da amostra e um nível de confiança de 95%.
Entre os temas investigados estavam as preocupações econômicas e os fatores considerados importantes na decisão de voto.
Os dados refletem opiniões coletadas no período da pesquisa. Não equivalem a resultados eleitorais nem permitem determinar antecipadamente a composição do próximo Congresso.
Além disso, pesquisas nacionais sobre preferências partidárias não captam integralmente as diferenças entre os distritos da Câmara e os estados que elegem senadores.
Como funciona a votação nos Estados Unidos?
O processo eleitoral americano é descentralizado.
Diferentemente do Brasil, onde o Tribunal Superior Eleitoral coordena nacionalmente a Justiça Eleitoral, nos Estados Unidos a administração das eleições é responsabilidade dos estados e das autoridades locais.
Segundo a Comissão de Assistência Eleitoral dos Estados Unidos, conhecida pela sigla EAC, o país possui mais de 10 mil jurisdições eleitorais.
Cada estado estabelece regras próprias sobre registro de eleitores, votação antecipada, votação pelo correio, documentação e procedimentos de apuração, observadas as exigências federais aplicáveis.
A eleição pode ocorrer por diferentes modalidades, incluindo votação presencial no dia oficial, comparecimento antecipado e envio de cédulas pelo correio.
Os requisitos e os prazos variam conforme a legislação de cada estado.
A votação não é obrigatória, e os cidadãos precisam observar as exigências de registro eleitoral da localidade onde estão habilitados a votar.
Quando sai o resultado das eleições americanas?
A apuração começa após o encerramento da votação em cada jurisdição eleitoral, respeitando os diferentes fusos horários dos Estados Unidos.
Entretanto, os resultados divulgados na noite de 3 de novembro são considerados preliminares.
As autoridades eleitorais precisam contabilizar os votos válidos, incluindo cédulas enviadas pelo correio, votos provisórios e votos de eleitores habilitados que se encontram fora do país.
Segundo a EAC, os resultados preliminares podem mudar após o dia da eleição, à medida que os votos pendentes são processados.
A oficialização ocorre depois da conferência, reconciliação e certificação dos resultados pelas autoridades competentes.
Em disputas apertadas, a conclusão pode levar dias ou semanas, dependendo das regras estaduais e da necessidade de recontagens ou procedimentos adicionais.
O novo Congresso, correspondente à 120ª legislatura americana, iniciará seus trabalhos em janeiro de 2027.
Socialistas democráticos também participam das eleições
Além da disputa entre os partidos Republicano e Democrata, as eleições de 2026 incluem candidatos apoiados por organizações políticas de diferentes correntes ideológicas.
Entre elas está a Democratic Socialists of America (DSA), organização que reúne ativistas e políticos identificados com o socialismo democrático.
A entidade apoia candidatos em eleições federais, estaduais e municipais. Parte dessas candidaturas disputa eleições vinculada ao Partido Democrata, enquanto outras concorrem por legendas independentes ou socialistas, conforme as regras locais.
Entre os nomes associados à organização estão as deputadas Alexandria Ocasio-Cortez, de Nova York, e Rashida Tlaib, de Michigan.
Em publicação de 28 de outubro, a própria organização destacou candidaturas apoiadas em distritos eleitorais de diferentes estados, incluindo disputas internas entre correntes políticas democratas.
A participação desses grupos evidencia que as eleições americanas também envolvem divergências dentro dos próprios partidos, além da competição nacional entre democratas e republicanos.
Quais podem ser os efeitos das eleições dos EUA para o Brasil?
A composição do Congresso americano também é acompanhada por governos e empresas estrangeiras, incluindo o Brasil.
Os Estados Unidos são um dos principais parceiros comerciais brasileiros e exercem influência sobre mercados financeiros, fluxos internacionais de investimentos e decisões relacionadas ao comércio exterior.
Mudanças no equilíbrio político do Congresso podem afetar a discussão de medidas tributárias, despesas federais, sanções econômicas e aspectos da política comercial americana.
O Legislativo também desempenha funções de fiscalização sobre a política externa e pode influenciar a condução de determinadas iniciativas internacionais do Executivo.
Entretanto, o resultado da eleição não produzirá necessariamente mudanças imediatas nas relações bilaterais.
A política externa americana permanece sujeita às competências constitucionais da Presidência, à legislação vigente e às negociações com o Congresso.
Os efeitos concretos dependerão da composição das duas Casas e das propostas apresentadas durante a próxima legislatura.
O que acontece depois das eleições de 3 de novembro?
Depois da votação, os estados concluirão seus respectivos processos de apuração, conferência e certificação dos resultados.
Os representantes eleitos ocuparão as cadeiras da Câmara por um período regular de dois anos.
No Senado, os eleitos para os mandatos regulares terão um período de seis anos, mantendo o sistema de renovação escalonada da Casa.
A nova composição parlamentar passará a exercer suas funções em janeiro de 2027.
Donald Trump continuará na Presidência, independentemente do resultado das eleições legislativas.
O pleito de 3 de novembro, portanto, não escolherá um novo presidente, mas definirá o equilíbrio de forças políticas responsável por deliberar sobre uma parte relevante da agenda federal americana até 2029.
Fontes:
Comissão Eleitoral Federal dos Estados Unidos (FEC) — Calendário oficial das eleições federais de 3 de novembro de 2026.
USAGov — Congressional Elections and Midterm Elections, regras oficiais de renovação da Câmara e do Senado.
Senado dos Estados Unidos — Party Division, composição partidária do 119º Congresso.
Câmara dos Representantes dos Estados Unidos — House Radio-Television Gallery, composição partidária oficial.
United States Postal Service — Postal Bulletin, calendário das eleições federais e estaduais de novembro de 2026.
U.S. Election Assistance Commission — Voter FAQs e orientações sobre administração eleitoral, votação e apuração.
Ipsos — Reuters/Ipsos Mid-October Survey, pesquisa realizada entre 16 e 19 de outubro de 2026.
Democratic Socialists of America — Democratic Left, publicação institucional sobre candidaturas apoiadas nas eleições de novembro de 2026.










