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Fundos imobiliários descontados entram no radar com chance de ganho acima de 30%

por Daniel Wicker
30/04/2026 às 13h56
em Fundos Imobiliários
Fundos Imobiliários - Fiis - Gazeta Mercantil

Fundos imobiliários voltam ao radar com FOFs descontados e chance de ganho de capital

Os fundos imobiliários voltaram ao radar dos investidores em uma fase de maior seletividade no mercado, com gestores apontando os fundos de fundos, conhecidos como FOFs, como alternativa para quem busca diversificação, renda e potencial de valorização em meio à reprecificação das cotas na B3. A leitura ganha força em um cenário no qual parte dos FIIs ainda negocia com desconto em relação ao valor patrimonial, enquanto investidores avaliam os efeitos da Selic, da renda fixa e da recuperação gradual do apetite por risco.

Para Mauro Dahruj, sócio-diretor e gestor de FOFs da Hedge Investments, os fundos imobiliários de fundos podem assumir papel mais estratégico nas carteiras. Os FOFs são FIIs que investem pelo menos 95% dos recursos em cotas de outros fundos, em vez de comprar imóveis físicos diretamente ou aplicar majoritariamente em títulos de dívida imobiliária. Na prática, o investidor acessa uma carteira diversificada de FIIs por meio de uma única cota, com gestão profissional.

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A tese ganha relevância porque os FOFs podem reunir características de diferentes segmentos da indústria. Segundo Dahruj, esses fundos oferecem potencial de ganho de capital semelhante ou superior ao de fundos de tijolo, ao mesmo tempo em que partem de dividend yield elevado, próximo ao observado em fundos de papel. Essa combinação coloca os fundos imobiliários diversificados no centro da discussão sobre a próxima fase do mercado.

A Hedge Investments, asset com R$ 11 bilhões sob gestão em real estate, administra o Hedge Top FOF (HFOF11), um dos maiores fundos de fundos da indústria. Com patrimônio de R$ 1,78 bilhão, o HFOF11 possui carteira distribuída entre FIIs de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), lajes corporativas, logística, renda urbana, shoppings e pequena parcela em outros FOFs. O fundo negocia com desconto de 14% em relação ao valor patrimonial, enquanto a gestora vê potencial de valorização superior a 30% caso os ativos da carteira passem a negociar em níveis considerados justos.

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Fundos imobiliários entram em fase de reprecificação

A volta dos fundos imobiliários ao radar ocorre em um momento de reprecificação dos ativos. Depois de um período de pressão causado por juros elevados, concorrência da renda fixa e cautela com setores imobiliários específicos, parte da indústria passou a negociar com descontos relevantes. Para gestores, esse cenário pode abrir oportunidades, mas também exige maior rigor na seleção.

A queda das cotas de FIIs nem sempre significa oportunidade. Em alguns casos, o desconto reflete problemas estruturais, como vacância elevada, imóveis de baixa qualidade, contratos frágeis, endividamento, inadimplência ou deterioração dos fundamentos. Em outros, pode ser resultado de uma pressão conjuntural causada pelo ciclo de juros e pelo menor apetite por risco.

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É nesse ponto que os FOFs ganham espaço. Ao investir em uma cesta de fundos imobiliários, esse tipo de veículo permite que o gestor selecione ativos descontados com fundamentos considerados sólidos. A estratégia busca capturar o fechamento dos descontos quando o mercado melhora, ao mesmo tempo em que mantém fluxo de dividendos.

A nova fase da indústria, portanto, não favorece uma leitura generalizada. O mercado pode ter oportunidades, mas elas tendem a estar concentradas em fundos com bons ativos, liquidez adequada, gestão eficiente e preço atrativo. A combinação entre fundamento e desconto se torna o principal filtro.

FOFs permitem exposição diversificada com uma única cota

Os FOFs são fundos imobiliários que compram cotas de outros FIIs. Essa estrutura permite ao investidor acessar diferentes segmentos do mercado imobiliário sem precisar montar individualmente uma carteira com dezenas de ativos.

A principal vantagem é a diversificação. Um único FOF pode ter exposição a lajes corporativas, galpões logísticos, shoppings, renda urbana, fundos de papel, CRIs, fundos híbridos e outros veículos do setor. Essa pulverização reduz a dependência de um único imóvel, locatário, contrato, gestor ou classe de ativo.

Para investidores pessoa física, a estrutura pode ser útil porque o mercado de fundos imobiliários exige acompanhamento constante. É preciso analisar relatórios gerenciais, vacância, inadimplência, revisões de aluguel, contratos, indexadores, concentração de receita, valor patrimonial, cap rates, qualidade dos imóveis e estratégia de cada gestão.

Ao comprar um FOF, o investidor delega essa seleção a uma equipe profissional. O gestor pode ajustar a carteira conforme mudanças no ciclo econômico, no preço dos ativos e na atratividade relativa entre setores. Essa flexibilidade é um dos principais argumentos em favor dos fundos de fundos.

Hedge vê combinação de renda e valorização em FOFs

Segundo Mauro Dahruj, os FOFs podem reunir “o melhor dos dois mundos” dentro da indústria de fundos imobiliários. A avaliação parte da ideia de que as carteiras desses fundos podem oferecer potencial de valorização parecido ou superior ao dos fundos de tijolo, mas com dividend yield elevado, mais próximo ao de fundos de papel.

Essa combinação é relevante porque fundos de tijolo costumam ser associados a ganho de capital em ciclos de queda de juros e melhora do mercado imobiliário. Já fundos de papel, principalmente aqueles com carteira de CRIs indexados a CDI ou inflação, costumam atrair investidores pelo rendimento mensal. Os FOFs podem combinar essas duas frentes quando montam carteiras diversificadas.

O ganho de capital pode ocorrer quando as cotas dos fundos imobiliários investidos passam a negociar em patamares mais próximos ao valor patrimonial ou aos níveis considerados justos pelo mercado. Já a renda vem dos dividendos pagos pelos fundos dentro da carteira e, em alguns casos, de ganhos realizados com compra e venda de cotas.

A estratégia, porém, depende da qualidade da seleção. Comprar fundos descontados sem avaliar fundamentos pode resultar em perda de capital. O desconto precisa vir acompanhado de ativos sólidos, boa gestão e perspectiva de recuperação. Por isso, Dahruj afirma que a Hedge prioriza duas frentes: bons fundamentos e preços atrativos.

HFOF11 negocia com desconto de 14% sobre valor patrimonial

O HFOF11, fundo de fundos da Hedge Investments, negocia com desconto de 14% em relação ao valor patrimonial. Esse indicador mostra que a cota é negociada no mercado abaixo do valor contábil dos ativos que compõem sua carteira.

Em fundos imobiliários, o desconto patrimonial pode sinalizar oportunidade ou risco. O investidor precisa identificar se o mercado está penalizando temporariamente ativos de boa qualidade ou se o desconto reflete problemas permanentes. Essa análise é ainda mais importante nos FOFs, porque o desconto pode existir em duas camadas: no próprio FOF e nos fundos que compõem a carteira.

Quando um FOF negocia abaixo do valor patrimonial e também possui fundos investidos descontados, o potencial de reprecificação pode ser ampliado em um cenário de melhora do mercado. A Hedge estima que o HFOF11 pode ter valorização superior a 30% se os ativos da carteira voltarem a negociar em níveis considerados justos.

Essa estimativa depende de fatores externos e internos. A trajetória da Selic, o apetite por risco, a liquidez da indústria, a percepção sobre os segmentos imobiliários e a qualidade dos fundos investidos serão determinantes para que o desconto diminua.

Carteira do HFOF11 tem CRIs, lajes, logística, renda urbana e shoppings

A carteira do HFOF11 é distribuída entre diferentes segmentos de fundos imobiliários. O fundo investe em FIIs de CRIs, lajes corporativas, logística, renda urbana, shoppings e mantém uma pequena parcela em outros FOFs. Essa diversificação busca reduzir riscos específicos e capturar oportunidades em diferentes ciclos do mercado.

Os FIIs de CRIs tendem a contribuir com renda, especialmente quando carregam operações indexadas a CDI ou inflação. Os fundos de lajes corporativas podem se beneficiar da recuperação de escritórios de qualidade, redução de vacância e reajustes de aluguel. O segmento logístico é associado à demanda por galpões, distribuição, varejo online e cadeias de suprimento.

Os shoppings dependem de fluxo de consumidores, vendas dos lojistas e qualidade dos ativos. Já a renda urbana pode envolver imóveis alugados para varejo, serviços, educação, saúde ou operações mais pulverizadas. Cada segmento tem riscos e ciclos próprios.

A lógica do FOF é combinar essas exposições em uma carteira única. Em vez de apostar em apenas um setor, o fundo tenta capturar renda e reprecificação em diferentes frentes da indústria de fundos imobiliários.

Juros ainda definem o ritmo dos fundos imobiliários

A trajetória da Selic segue como fator central para os fundos imobiliários. Quando os juros estão elevados, a renda fixa oferece retornos competitivos com menor volatilidade, o que reduz a atratividade relativa dos FIIs. Esse movimento tende a pressionar cotas e ampliar descontos.

Quando o mercado começa a antecipar queda de juros, os FIIs podem voltar a ganhar força. Juros menores reduzem a taxa de desconto usada na avaliação dos ativos imobiliários e tornam os dividendos dos fundos mais competitivos frente à renda fixa. Esse ambiente pode favorecer tanto fundos de tijolo quanto FOFs descontados.

A relação, porém, não é automática. Fundos de papel indexados ao CDI podem ter dividendos menores em um ciclo de queda da Selic. Fundos de tijolo podem ganhar com valorização das cotas, mas dependem de ocupação, reajustes e qualidade dos imóveis. Os FOFs precisam navegar essas diferenças para ajustar a carteira ao momento de mercado.

Para os investidores em fundos imobiliários, o cenário de juros exige atenção. A queda da Selic pode melhorar o ambiente para FIIs, mas os fundamentos de cada fundo continuam determinantes. O mercado tende a diferenciar carteiras sólidas de fundos apenas aparentemente baratos.

Dividend yield elevado precisa ser avaliado com cautela

O dividend yield segue como um dos principais atrativos dos fundos imobiliários, mas também pode ser uma fonte de erro na análise. Um rendimento elevado pode indicar boa geração de caixa, mas também pode refletir queda da cota, risco de crédito, vacância, distribuição não recorrente ou percepção negativa do mercado.

No caso dos FOFs, o dividend yield depende dos rendimentos recebidos dos fundos investidos, de ganhos de capital realizados e da política de distribuição do próprio fundo. Por isso, é importante avaliar se o rendimento vem de fontes recorrentes ou se depende de eventos pontuais.

A tese defendida por Dahruj é que os FOFs podem oferecer dividend yield elevado combinado com potencial de ganho de capital. Essa combinação pode ser atraente, mas exige gestão ativa e seleção criteriosa. Não basta comprar ativos descontados; é preciso entender a razão do desconto e a capacidade de recuperação.

Investidores em fundos imobiliários devem observar histórico de distribuição, composição da receita, qualidade dos ativos investidos, liquidez, taxa de administração, nível de desconto e estratégia da gestão. O rendimento mensal é importante, mas a preservação de capital também precisa estar no centro da análise.

Fundos de papel e tijolo têm respostas diferentes ao ciclo

A indústria de fundos imobiliários é formada por segmentos com comportamentos distintos. Fundos de papel, que investem em títulos de dívida imobiliária como CRIs, costumam ser mais sensíveis a indexadores como CDI e inflação. Fundos de tijolo, que investem em imóveis físicos, dependem de ocupação, qualidade dos ativos, localização, contratos e valorização imobiliária.

Em períodos de juros altos, fundos de papel podem pagar rendimentos maiores, especialmente quando suas carteiras são indexadas ao CDI. Já fundos de tijolo podem sofrer com cotas descontadas, mas oferecem potencial de valorização se o ciclo de juros virar e o mercado passar a precificar melhor os imóveis.

Os FOFs podem ajustar exposição entre papel e tijolo conforme o cenário. Essa flexibilidade é uma das vantagens da estrutura. Um gestor pode aumentar posição em fundos de papel quando a renda está mais atrativa ou comprar fundos de tijolo descontados quando vê potencial de reprecificação.

Essa capacidade de rotação é particularmente importante em uma fase de transição. Os fundos imobiliários não se movem em bloco. Enquanto alguns segmentos podem estar caros, outros podem seguir descontados. O desafio do FOF é capturar essas assimetrias.

Fundos diversificados reduzem concentração, mas não eliminam riscos

A diversificação é um dos principais argumentos em favor dos FOFs. Ao investir em diversos fundos imobiliários, o veículo reduz a dependência de um único ativo ou segmento. Isso pode proteger a carteira contra eventos específicos, como inadimplência de um locatário, vacância em um imóvel ou deterioração de um emissor de crédito.

No entanto, diversificação não significa ausência de risco. FOFs continuam sujeitos à variação das cotas dos fundos investidos, à liquidez do mercado, à taxa de juros, ao risco de crédito, à vacância e à qualidade das decisões da gestão. Além disso, pode haver sobreposição de ativos quando diferentes fundos da carteira investem nos mesmos imóveis, regiões ou emissores.

Outro ponto é o custo. FOFs têm suas próprias taxas, além das taxas dos fundos investidos. O investidor precisa avaliar se a gestão agrega valor suficiente para compensar essa estrutura. Um FOF eficiente precisa entregar seleção, rotação e diversificação que justifiquem o custo adicional.

Mesmo com esses riscos, os fundos imobiliários de fundos podem ser úteis para investidores que buscam exposição ampla ao setor sem montar uma carteira individual. A decisão deve considerar perfil de risco, horizonte de investimento e compreensão da estratégia do fundo.

Mercado procura ativos com bons fundamentos e preço descontado

A frase de Dahruj sobre buscar “bons fundamentos e preços atrativos” resume a lógica da atual fase dos fundos imobiliários. O mercado não parece disposto a pagar qualquer preço por qualquer ativo. A seletividade aumentou, e os investidores passaram a exigir mais qualidade.

Bons fundamentos envolvem gestão consistente, imóveis bem localizados, contratos sólidos, baixa vacância, bons locatários, dívida controlada, liquidez adequada e distribuição sustentável. Preço atrativo significa comprar esses ativos com desconto suficiente para oferecer margem de segurança e potencial de valorização.

A combinação é difícil, mas pode aparecer em momentos de estresse ou desinteresse temporário pelo setor. Quando a renda fixa domina a alocação dos investidores, muitos FIIs de qualidade podem negociar abaixo de seu valor considerado justo. É nesse ambiente que gestores ativos buscam oportunidades.

Para quem acompanha fundos imobiliários, a mensagem é clara: o desconto sozinho não basta. O investidor precisa entender se há valor real por trás da cota ou se o preço baixo reflete deterioração estrutural.

FOFs entram no centro da nova tese para fundos imobiliários

Os fundos imobiliários atravessam uma fase em que diversificação, gestão ativa e preço de entrada ganharam importância. Nesse contexto, os FOFs voltam a ser analisados como alternativa para investidores que buscam exposição ampla ao setor, sem concentrar risco em uma única classe de ativo.

A visão da Hedge Investments sobre o HFOF11 mostra como gestores enxergam oportunidade em fundos descontados. O desconto de 14% em relação ao valor patrimonial e o potencial de valorização superior a 30%, caso os ativos da carteira sejam reprecificados, ilustram a tese de fechamento de descontos na indústria.

A concretização desse potencial, porém, dependerá de fatores que ainda estão em aberto. A trajetória da Selic, a competição com a renda fixa, a melhora do apetite por risco e a recuperação dos segmentos imobiliários serão determinantes para o desempenho dos FIIs.

Para o investidor, a nova fase dos fundos imobiliários exige mais análise e menos busca automática por dividend yield. FOFs podem oferecer diversificação e gestão profissional, mas precisam ser avaliados pela qualidade da carteira, histórico da gestão, liquidez, custo e capacidade de capturar oportunidades. O mercado volta ao radar, mas a seleção será decisiva para separar desconto real de armadilha de valor.

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