terça-feira, 13 de outubro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Mercados

Fundos de investimento têm resgate líquido de R$ 18,1 bilhões em abril, diz Anbima

Saída foi puxada por fundos de renda fixa, que perderam R$ 19,3 bilhões no mês, enquanto FIDCs e ETFs lideraram as captações positivas.

por João Souza
12/05/2026 às 11h23
em Mercados
Fundos De Investimento Têm Resgate Líquido De R$ 18,1 Bilhões Em Abril, Diz Anbima - Gazeta Mercantil

A indústria brasileira de fundos de investimento encerrou abril com resgate líquido de R$ 18,1 bilhões, pressionada principalmente pela saída de recursos dos fundos de renda fixa, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). A classe registrou captação líquida negativa de R$ 19,3 bilhões no mês, em um movimento associado à cautela dos investidores com crédito privado e a ajustes após um primeiro trimestre de forte entrada de recursos.

O resultado negativo de abril também foi influenciado pelos fundos multimercados, que tiveram resgates líquidos de R$ 5,4 bilhões, e pelos fundos de previdência, que encerraram o mês com saída líquida de R$ 3,4 bilhões. Apesar disso, parte da indústria continuou atraindo capital, com destaque para FIDCs, ETFs, fundos cambiais, FIPs, Fiagros e fundos de ações.

Leia também: Vendas de veículos sobem 19% e têm melhor abril em 12 anos, diz Fenabrave.

A leitura da Anbima é que o comportamento dos investidores ainda exige acompanhamento. Segundo Pedro Rudge, diretor da associação, a cautela em relação ao crédito privado continuou em abril e pode ter se refletido na indústria de fundos. Ele afirmou que, como a renda fixa vinha de um trimestre forte, algum ajuste de curto prazo é natural, mas a entidade continuará monitorando se o movimento foi pontual ou se marca uma tendência mais persistente.

Renda fixa lidera resgates no mês

Os fundos de renda fixa foram o principal vetor do resultado negativo da indústria de fundos em abril. A saída líquida de R$ 19,3 bilhões reverte parte do desempenho positivo observado no início do ano e indica maior seletividade dos investidores diante do cenário de juros, crédito privado e percepção de risco.

Leia também: Bilhões em jogo: descubra quem manda na indústria da música ao vivo no Brasil.

A renda fixa segue como uma das classes mais relevantes do mercado brasileiro, especialmente em um ambiente de taxa Selic elevada. Ainda assim, a categoria reúne estratégias com diferentes graus de risco, liquidez e exposição a crédito privado, o que pode gerar movimentos distintos entre fundos.

A cautela mencionada pela Anbima está relacionada ao comportamento do investidor diante de ativos de crédito privado, segmento que ganhou peso nas carteiras nos últimos anos. Quando há maior percepção de risco ou dúvidas sobre liquidez, parte dos cotistas tende a migrar para produtos mais conservadores, como títulos públicos, CDBs de grandes bancos ou fundos com menor exposição a crédito corporativo.

Leia também: Camil (CAML3) dispara 43% em um mês; BTG e Itaú BBA veem espaço para subir?

Leia também: Haddad anuncia nova projeção com impacto fiscal de R$ 32 bilhões após derrubada da MP 1.202.

O resgate de abril, portanto, não significa necessariamente perda de atratividade estrutural da renda fixa. O movimento pode refletir ajuste tático após forte captação anterior, realocação entre produtos ou busca por alternativas consideradas mais seguras.

Crédito privado segue no centro da cautela

A cautela com crédito privado ganhou espaço na análise da indústria de fundos porque esse segmento depende diretamente da confiança dos investidores na qualidade dos emissores, na liquidez dos papéis e na capacidade de precificação dos ativos.

Fundos de renda fixa com maior exposição a debêntures, certificados de recebíveis e outros instrumentos corporativos podem sofrer mais em períodos de aversão a risco. Mesmo quando não há deterioração ampla dos fundamentos, o aumento da incerteza pode provocar resgates e pressionar gestores a ajustar carteiras.

Esse ponto é relevante porque a indústria de fundos brasileira passou por forte expansão em produtos de crédito privado nos últimos anos. A busca por retornos superiores ao CDI estimulou a alocação em ativos corporativos, mas também elevou a sensibilidade dos investidores a eventos de crédito, reprecificação de risco e discussões sobre liquidez.

Em abril, a renda fixa foi a classe mais afetada, mas a Anbima ainda não classifica o movimento como tendência consolidada. A associação indicou que acompanhará os dados dos próximos meses para avaliar se os resgates representam apenas acomodação depois de um trimestre forte ou mudança mais ampla no comportamento dos cotistas.

Multimercados e previdência também têm saídas

Além da renda fixa, os fundos multimercados e de previdência também encerraram abril no vermelho. Os multimercados tiveram resgates líquidos de R$ 5,4 bilhões, mantendo pressão sobre uma classe que vem enfrentando maior dificuldade para atrair recursos em meio à concorrência com ativos de renda fixa.

Os multimercados costumam combinar posições em juros, moedas, ações, crédito, commodities e ativos internacionais. Em tese, essa flexibilidade permite ao gestor buscar retorno em diferentes cenários. Na prática, porém, o investidor tem exigido resultados mais consistentes para justificar taxas, volatilidade e complexidade das estratégias.

Com juros elevados, a comparação com produtos conservadores fica mais difícil. Fundos de menor risco conseguem entregar rentabilidade nominal relevante, reduzindo o apelo de estratégias mais sofisticadas quando o desempenho não se destaca.

Os fundos de previdência, por sua vez, tiveram saída líquida de R$ 3,4 bilhões em abril. Essa classe costuma ter horizonte de investimento mais longo, mas também pode sofrer resgates ou portabilidade em momentos de revisão de carteira, mudança de perfil do investidor ou busca por produtos com melhor relação entre custo e retorno.

FIDCs lideram captação positiva

Apesar do saldo negativo da indústria de fundos como um todo, algumas classes registraram entrada líquida de recursos em abril. O principal destaque foi o mercado de FIDCs, que liderou as captações positivas, com R$ 4,5 bilhões.

Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios têm ganhado espaço no mercado por oferecer exposição a recebíveis e estruturas de crédito com diferentes perfis de risco e retorno. O crescimento da classe reflete tanto a demanda de investidores qualificados por alternativas de renda quanto o uso crescente desses veículos por empresas para financiamento.

A captação positiva dos FIDCs contrasta com a cautela observada em parte da renda fixa tradicional. Esse comportamento sugere que investidores seguem dispostos a assumir risco de crédito, mas de forma mais seletiva, buscando estruturas específicas, garantias, subordinação ou remuneração compatível com o risco.

A expansão dos FIDCs também está ligada ao desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro. Empresas de diferentes setores utilizam esse instrumento para antecipar recebíveis, financiar cadeias produtivas e diversificar fontes de capital além do crédito bancário.

ETFs avançam com busca por produtos passivos

Os ETFs também tiveram desempenho relevante em abril, com captação líquida de R$ 4 bilhões. O resultado reforça o crescimento do interesse dos investidores por produtos passivos, que replicam índices e costumam ter custos mais baixos em comparação com fundos tradicionais de gestão ativa.

A expansão dos ETFs no Brasil acompanha uma tendência global. Esses produtos permitem acesso simples a carteiras diversificadas de ações, renda fixa, ativos internacionais, commodities e estratégias temáticas. Para investidores individuais, a facilidade de negociação em Bolsa e a transparência da composição são fatores de atração.

O movimento também sinaliza mudança no comportamento do investidor. Em vez de depender exclusivamente de gestores ativos para buscar retornos acima do mercado, parte dos cotistas tem preferido alocação indexada, com maior previsibilidade sobre o que compõe a carteira.

A captação de R$ 4 bilhões mostra que os ETFs vêm ocupando espaço relevante na indústria de fundos, inclusive em um mês de saída líquida no consolidado. Para gestoras, a tendência amplia a competição por eficiência, custo e distribuição.

Ações voltam ao positivo após três meses

Os fundos de ações registraram captação líquida positiva de R$ 187,3 milhões em abril, após três meses consecutivos no vermelho. Embora o valor seja modesto em relação ao tamanho da indústria, a entrada interrompe uma sequência de saídas e indica alguma recomposição de apetite por renda variável.

A retomada ocorre em um ambiente ainda desafiador para a Bolsa. Juros elevados continuam competindo com ações, enquanto investidores avaliam balanços corporativos, política monetária, fluxo estrangeiro e cenário externo.

Dentro da classe de ações, os fundos do tipo investimento no exterior, que possuem mais de 40% da carteira alocada em ativos internacionais, tiveram rentabilidade positiva de 3,37% no mês. O desempenho sugere contribuição relevante dos mercados globais para a classe.

A diversificação internacional tem ganhado importância nas carteiras brasileiras. Para investidores, a exposição a ativos externos pode reduzir dependência do mercado local e capturar movimentos de bolsas, moedas e setores não representados de forma ampla na B3.

Cambiais, FIPs e Fiagros também atraem recursos

Além de FIDCs, ETFs e ações, outras classes encerraram abril com captação líquida positiva. Os fundos cambiais registraram entrada de R$ 711,2 milhões, em um mês de maior atenção a variações do dólar e riscos externos.

Os FIPs, fundos de investimento em participações, tiveram captação líquida de R$ 377,2 milhões. Essa classe é voltada a investimentos em empresas, projetos e participações societárias, geralmente com horizonte de longo prazo e público mais qualificado.

Os Fiagros também ficaram no positivo, com entrada líquida de R$ 210,7 milhões. A classe, ligada ao agronegócio, tem atraído investidores interessados em renda, crédito agrícola, recebíveis do campo e exposição ao setor agropecuário.

A captação positiva dessas categorias mostra que o investidor não deixou a indústria de fundos de forma homogênea. O que ocorreu em abril foi uma realocação seletiva, com retirada de recursos de algumas classes e entrada em produtos considerados mais alinhados ao cenário de risco, retorno e liquidez.

Rentabilidade mostra dispersão entre classes

A rentabilidade de abril também variou de forma relevante entre as diferentes categorias. Na renda variável, fundos de ações com investimento no exterior avançaram 3,37% no mês, beneficiados por ativos fora do Brasil.

Nos multimercados, os fundos com investimento no exterior tiveram ganho de 0,85%. O desempenho positivo mostra que estratégias globais contribuíram para parte da indústria, embora a classe como um todo tenha registrado resgates líquidos.

Na renda fixa, o tipo duração baixa grau de investimento, que aplica no mínimo 80% da carteira em títulos públicos de curto prazo, rendeu 1,07% em abril. Esse desempenho reforça a atratividade de estratégias conservadoras em ambiente de juros elevados.

A dispersão entre rentabilidades ajuda a explicar o comportamento dos investidores. Produtos com retorno consistente, baixa volatilidade e exposição mais clara tendem a ser favorecidos, enquanto estratégias com maior complexidade ou sensibilidade ao crédito enfrentam maior escrutínio.

Indústria monitora se saída foi pontual ou tendência

O saldo negativo de R$ 18,1 bilhões em abril coloca a indústria de fundos em fase de observação. A Anbima avalia se o movimento representa um ajuste pontual após captações fortes no início do ano ou se indica mudança mais estrutural na alocação dos investidores.

A resposta dependerá dos próximos meses. Caso os resgates em renda fixa persistam, especialmente em fundos com crédito privado, o mercado poderá interpretar o movimento como sinal de maior aversão a risco. Se houver recomposição de entradas, a leitura tende a ser de acomodação temporária.

Para gestores, o cenário exige comunicação clara sobre liquidez, composição das carteiras, riscos de crédito e estratégia de alocação. Para investidores, a seletividade aumenta a importância de avaliar não apenas a rentabilidade passada, mas também a qualidade dos ativos, prazos, taxas e perfil de risco.

Abril mostrou uma indústria heterogênea: enquanto renda fixa, multimercados e previdência sofreram resgates, FIDCs, ETFs, cambiais, FIPs, Fiagros e ações atraíram recursos. O movimento reforça que o investidor brasileiro segue alocando capital em fundos, mas com maior atenção à combinação entre segurança, retorno e liquidez.

LEIA MAIS

Petróleo Hoje - Gazeta Mercantil
Mercados

Petróleo hoje: Brent cai a US$ 105,69 e WTI sobe com tensão no Oriente Médio

A commodity oscilou no pregão após ter subido nas três sessões anteriores

Leia MaisDetails
Taxa De Juros - Gazeta Mercantil
Mercados

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Nova pesquisa BTG/Nexus mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 48% das intenções de voto no segundo turno, contra 45% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Leia MaisDetails
Dolar Hoje - Gazeta Mercantil
Dólar

Dólar hoje (13/10): moeda fecha a R$ 5,02, sobe 0,74% e contraria queda no exterior após pesquisas eleitorais

O dólar encerrou o pregão desta terça-feira (13) em alta de 0,74%, cotado a R$ 5,0227 no mercado à vista, recuperando parte das perdas acumuladas na semana anterior,...

Leia MaisDetails
Mercado Livre
Mercados

Mercado Livre (MELI): Citi corta preço-alvo para US$ 2.100 antes do balanço do 3T26

O Citi elevou a recomendação do Mercado Livre (MELI34) de Neutra/Alto Risco para Neutra e cortou o preço-alvo das ações. Saiba mais.

Leia MaisDetails
Ibovespa Hoje - B3 - Gazeta Mercantil
Ibovespa

Ibovespa hoje (13/10): Bolsa recua dos 209 mil pontos com eleições e inflação no radar

O Ibovespa opera em queda nesta terça-feira (13), no primeiro pregão após o feriado nacional, interrompendo o movimento de valorização que levou a Bolsa brasileira a renovar seus...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

21:23:32
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Petróleo Hoje - Gazeta Mercantil
Mercados

Petróleo hoje: Brent cai a US$ 105,69 e WTI sobe com tensão no Oriente Médio

Leia MaisDetails
Agronegocio - Gazeta Mercantil
Empresas

Bimbo expande agricultura regenerativa no Brasil e supera 500 mil hectares no mundo

Leia MaisDetails
Taxa De Juros - Gazeta Mercantil
Mercados

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Leia MaisDetails
Nunes Marques - Gazeta Mercantil
Política

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Petróleo hoje: Brent cai a US$ 105,69 e WTI sobe com tensão no Oriente Médio

Bimbo expande agricultura regenerativa no Brasil e supera 500 mil hectares no mundo

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,8 bilhões; veja como sacar

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP