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Gasolina sobe 1,86% e lidera pressão individual sobre o IPCA de abril

Combustível teve impacto de 0,10 ponto percentual na inflação oficial, enquanto queda nas passagens aéreas ajudou a conter o grupo Transportes

por Maria Helena Costa
12/05/2026 às 19h37
em Economia
Gasolina Sobe 1,86% E Lidera Pressão Individual Sobre O Ipca De Abril - Gazeta Mercantil

A gasolina subiu 1,86% em abril e foi o item de maior impacto individual sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (12). O combustível respondeu sozinho por 0,10 ponto percentual da inflação oficial do mês, que ficou em 0,67%, abaixo da taxa de 0,88% registrada em março.

A alta da gasolina manteve os combustíveis entre os principais vetores de pressão sobre o orçamento das famílias, mesmo com a desaceleração do grupo Transportes no mês. Em abril, o grupo avançou apenas 0,06%, após alta de 1,64% em março, com contribuição de 0,01 ponto percentual para o IPCA.

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Além da gasolina, outros combustíveis também ficaram mais caros. O óleo diesel avançou 4,46%, enquanto o etanol subiu 0,62%. O gás veicular, por outro lado, recuou 1,24%. Na média, os combustíveis tiveram alta de 1,80% no período, reforçando o peso dos preços administrados e monitorados na composição da inflação.

O resultado de abril mostra um quadro misto. A gasolina pressionou o índice, mas a queda expressiva nas passagens aéreas e recuos em tarifas de transporte público ajudaram a compensar parte do impacto. Essa combinação explica por que Transportes desacelerou mesmo com combustíveis em alta.

Gasolina teve maior impacto individual no mês

O avanço de 1,86% da gasolina representou a maior contribuição individual para o IPCA de abril. O impacto de 0,10 ponto percentual equivale a uma fatia relevante da inflação total de 0,67% registrada no mês.

O movimento mostra que o preço dos combustíveis continua exercendo influência direta sobre o custo de vida. A gasolina afeta não apenas consumidores que usam carro próprio, mas também cadeias de transporte, serviços e logística, ainda que parte desses efeitos apareça de forma indireta e gradual.

A alta de abril foi menor do que a registrada em março, quando a gasolina havia subido 4,59%. Ainda assim, o item permaneceu no centro da pressão inflacionária por causa de seu peso na cesta de consumo das famílias.

No acumulado do ano, a evolução dos combustíveis segue sendo observada pelo mercado porque pode alterar expectativas para inflação, renda disponível e política monetária. Quando gasolina, diesel e etanol avançam, cresce o risco de repasse para outros preços, especialmente em setores dependentes de transporte.

Para o Banco Central, combustíveis são componentes sensíveis da inflação. Embora parte das variações esteja ligada a preços internacionais, câmbio, tributos e decisões de distribuição, o impacto sobre o consumidor é imediato e pode afetar expectativas.

Transportes desaceleram com queda nas passagens aéreas

Apesar da pressão dos combustíveis, o grupo Transportes desacelerou fortemente em abril. A variação passou de 1,64% em março para 0,06% no mês, contribuindo com apenas 0,01 ponto percentual para o IPCA.

O principal fator de alívio veio das passagens aéreas, que recuaram 14,45% em abril. O item teve contribuição negativa de 0,11 ponto percentual, ajudando a neutralizar a alta da gasolina e dos demais combustíveis.

A queda nas tarifas aéreas ocorre após um período de maior pressão no início do ano. Passagens aéreas costumam apresentar forte volatilidade, influenciadas por sazonalidade, demanda, custos de combustível, câmbio e estratégias comerciais das companhias.

No IPCA, essa volatilidade pode alterar a leitura mensal do grupo Transportes. Em abril, o recuo das passagens teve peso suficiente para reduzir o impacto do grupo, ainda que o consumidor tenha sentido aumento nos postos de combustíveis.

O contraste entre gasolina e passagens aéreas explica a leitura mista do indicador. Para famílias que dependem de carro ou transporte rodoviário, a inflação percebida pode ter sido maior. Para consumidores expostos a viagens aéreas, houve alívio pontual.

Diesel sobe 4,46% e amplia atenção sobre fretes

Entre os combustíveis, o óleo diesel teve a maior variação percentual em abril, com alta de 4,46%. O diesel é especialmente relevante porque afeta o transporte de cargas, ônibus, máquinas e parte da cadeia logística.

Embora o peso direto do diesel no consumo das famílias seja menor que o da gasolina, seu impacto indireto pode ser significativo. A alta do combustível pode pressionar fretes e custos de distribuição, com potencial de repasse para alimentos, produtos industrializados e serviços.

Esse efeito, porém, não ocorre de forma automática nem uniforme. Depende de contratos, estoques, margens das empresas, concorrência e capacidade de repasse ao consumidor final.

O etanol também subiu em abril, com avanço de 0,62%. Já o gás veicular caiu 1,24%, funcionando como contraponto dentro do grupo de combustíveis.

Na média, a alta de 1,80% dos combustíveis reforça a necessidade de monitoramento sobre preços administrados e energia. Esses itens costumam ter grande capacidade de influenciar expectativas de inflação, especialmente quando se repetem por vários meses.

Ônibus urbano e metrô ajudam a conter o índice

Além das passagens aéreas, tarifas de transporte público também ajudaram a conter o IPCA de abril. O ônibus urbano teve queda de 1,13%, refletindo a incorporação de gratuidades ou reduções tarifárias aos domingos em São Paulo e Salvador. Também houve impacto de gratuidades em feriados em capitais como Fortaleza, Vitória, Curitiba, Brasília, Belém e Belo Horizonte.

O metrô registrou recuo de 0,38%, influenciado pela incorporação de gratuidades aos domingos e feriados em Brasília. Esses movimentos contribuíram para reduzir a pressão do grupo Transportes.

Tarifas públicas têm efeito relevante na inflação porque afetam grande número de consumidores. Quando há gratuidades, reduções pontuais ou mudanças de política tarifária, o impacto aparece diretamente no índice.

O efeito, entretanto, pode ser temporário. Dependendo da permanência das medidas, da forma de compensação às concessionárias e da política de transporte local, o impacto pode se dissipar nos meses seguintes.

Por isso, analistas costumam separar pressões recorrentes de efeitos pontuais. A queda em passagens aéreas e tarifas públicas ajudou o IPCA de abril, mas não elimina a preocupação com combustíveis.

IPCA acumula alta de 4,39% em 12 meses

O IPCA de abril ficou em 0,67%, abaixo dos 0,88% de março. No acumulado do ano, a inflação chegou a 2,60%. Em 12 meses, o índice avançou 4,39%, segundo o IBGE.

A leitura mostra desaceleração mensal, mas ainda mantém atenção sobre núcleos de inflação e preços mais sensíveis ao consumidor. O grupo Alimentação e bebidas subiu 1,34% e respondeu por 0,29 ponto percentual do IPCA, enquanto Saúde e cuidados pessoais avançou 1,16%, com impacto de 0,16 ponto percentual.

Nesse contexto, a gasolina aparece como o principal item isolado de pressão, mas não atua sozinha. Alimentos, remédios e serviços continuam compondo um quadro de inflação disseminada em itens importantes do orçamento familiar.

O resultado também reforça o desafio para a política monetária. O Banco Central acompanha a composição do índice para avaliar se a inflação está concentrada em choques pontuais ou se há pressão mais persistente.

Para consumidores, o efeito prático é a continuidade da pressão sobre despesas essenciais. Combustíveis, alimentação e saúde são componentes de alta frequência no orçamento e têm grande impacto sobre a percepção de inflação.

Alta da gasolina mantém pressão sobre custo de vida

A alta da gasolina em abril reforça a importância dos combustíveis na trajetória da inflação brasileira. Mesmo em um mês de desaceleração do IPCA, o item foi o maior impacto individual do índice e evitou uma leitura mais baixa.

Para o mercado, o comportamento dos combustíveis seguirá no radar dos próximos meses. Preços internacionais do petróleo, câmbio, tributação, política comercial de distribuidoras e dinâmica de biocombustíveis podem alterar rapidamente o custo nos postos.

Para o consumidor, o avanço da gasolina reduz renda disponível e encarece deslocamentos. Para empresas, pode elevar despesas operacionais e custos logísticos. Para o Banco Central, adiciona ruído à leitura da inflação e pode influenciar expectativas.

O alívio vindo das passagens aéreas e do transporte público ajudou a conter o IPCA de abril, mas a pressão dos combustíveis indica que a inflação ainda depende de componentes voláteis. A gasolina, mais uma vez, ficou no centro desse equilíbrio.

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