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Globo impõe regras para debate entre Lula e Flávio Bolsonaro após tensão na Band

Último confronto presidencial antes do segundo turno terá quatro blocos, restrições à circulação dos candidatos e checagem de declarações pela internet, sem intervenção ao vivo na TV.

por Carlos Menezes
22/10/2026 às 20h19
em Política
Debate Band - Gazeta Mercantil

Reprodução

A TV Globo definiu nesta quinta-feira (22) as regras para o último debate presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), marcado para sexta-feira (23), às 21h20, dois dias antes do segundo turno das eleições de 2026. O confronto terá quatro blocos de perguntas e respostas, considerações finais e limitações à movimentação dos candidatos pelo estúdio. As medidas foram estabelecidas após os episódios de tensão registrados no encontro anterior, realizado pela Band.

O debate acontecerá nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com mediação do jornalista César Tralli, logo após o Jornal Nacional. A transmissão será simultânea pela TV Globo, GloboNews, g1 e Globoplay. As campanhas dos dois presidenciáveis confirmaram a participação e concordaram com as regras de organização do confronto.

A emissora pretende privilegiar a apresentação de propostas e o confronto direto de ideias, distribuindo o tempo de maneira equivalente entre os participantes. O formato combina discussões sobre problemas regionais, assuntos nacionais previamente definidos e uma etapa de tema livre. A expectativa é que os candidatos sejam confrontados sobre questões concretas de governo, além das acusações que marcaram os embates anteriores.

Como funcionarão os quatro blocos do debate

O primeiro bloco terá seis rodadas de perguntas relacionadas às diferentes regiões brasileiras e a um tema prioritário de alcance nacional. Cada candidato contará com três minutos por rodada, distribuídos entre pergunta e réplica ou resposta e tréplica. A ordem de participação será estabelecida por sorteios realizados ao vivo pelo mediador.

No segundo e no terceiro blocos, Lula e Flávio Bolsonaro poderão selecionar os assuntos que desejam discutir entre os temas apresentados em um telão pela produção. O tempo de três minutos por candidato será mantido, assim como a dinâmica de perguntas, respostas e intervenções. A estrutura permitirá que os presidenciáveis direcionem parte do confronto para áreas nas quais pretendem destacar diferenças entre seus programas de governo.

O quarto bloco será dedicado ao debate de tema livre, sem assuntos previamente determinados pela emissora. Cada candidato terá oito minutos de fala, sem limite de intervenções, podendo administrar o próprio tempo para perguntas, respostas e contestações. A etapa será seguida pelas considerações finais, quando ambos poderão apresentar suas últimas mensagens ao eleitorado antes da votação.

A combinação dos formatos cria oportunidades distintas de avaliação dos candidatos. Enquanto as rodadas regionais exigirão respostas sobre problemas específicos do território nacional, os blocos temáticos permitirão comparar prioridades administrativas e propostas de políticas públicas. Já a discussão livre poderá concentrar os momentos mais intensos do confronto político.

Globo restringe circulação após comportamento de Flávio Bolsonaro na Band

Uma das principais mudanças está relacionada à circulação dos candidatos pelo cenário. Nos três primeiros blocos, apenas o participante que estiver com a palavra poderá caminhar livremente pelo estúdio. O adversário deverá permanecer em seu púlpito até receber autorização para falar.

A restrição ocorre após a repercussão do debate promovido pela Band no domingo (18), quando Flávio Bolsonaro se posicionou atrás de Lula enquanto o presidente respondia a perguntas e se dirigia aos telespectadores. A movimentação provocou reclamações da campanha petista, gerou confusão na plateia e contribuiu para a interrupção momentânea do encontro. O episódio levou a organização do novo debate a estabelecer limites mais claros para o deslocamento dos participantes.

No quarto bloco, os candidatos poderão deixar os púlpitos e circular pelo cenário, mas deverão permanecer em lados separados do estúdio. A medida mantém a possibilidade de uma interação mais dinâmica sem permitir aproximações físicas capazes de interferir na apresentação do adversário. A regra também reduz o espaço para estratégias de comunicação baseadas em gestos ou movimentos durante o tempo de fala do oponente.

A mudança tem relevância porque debates televisionados não são avaliados apenas pelo conteúdo verbal. Expressões faciais, posicionamento diante das câmeras e reações às respostas podem influenciar a percepção do público sobre segurança, preparo e capacidade de liderança. Ao delimitar a movimentação, a Globo procura concentrar a atenção dos telespectadores nos argumentos apresentados.

Checagem de fatos será feita pelo g1, mas não aparecerá ao vivo na TV

Outra decisão envolve o tratamento das declarações dos candidatos. A Globo confirmou que haverá verificação das informações apresentadas durante o debate, com publicações na página Fato ou Fake, do g1. O trabalho começará durante a transmissão e continuará ao longo da madrugada, com participação de equipes de veículos do Grupo Globo.

A checagem, entretanto, não será incorporada à transmissão televisiva por meio de intervenções imediatas do mediador ou de alertas na tela. Isso significa que eventuais informações incorretas poderão circular durante o confronto sem uma correção simultânea para todos os telespectadores. A verificação ficará disponível principalmente nos canais digitais, permitindo que o público consulte posteriormente as conclusões das equipes responsáveis.

A diferença entre verificar uma declaração e corrigi-la durante sua apresentação é importante para compreender o alcance da medida. A publicação de informações checadas oferece instrumentos para o eleitor avaliar o conteúdo do debate, mas depende de que ele procure ou receba essas verificações. Em uma disputa marcada pela circulação acelerada de vídeos e recortes nas redes sociais, a velocidade da checagem pode influenciar a repercussão de cada afirmação.

Debate ocorre no limite do calendário eleitoral

A realização do encontro na sexta-feira atende ao calendário estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Resolução nº 23.610/2019 determina que debates transmitidos por emissoras de rádio e televisão no segundo turno não ultrapassem a meia-noite da sexta-feira imediatamente anterior à votação. O regulamento também prevê que as regras sejam estabelecidas por acordo entre as emissoras e os partidos, com comunicação à Justiça Eleitoral.

O segundo turno presidencial ocorrerá no domingo (25), com votação das 8h às 17h, pelo horário de Brasília. Dessa maneira, o debate da Globo será a última oportunidade programada para os dois candidatos se enfrentarem diretamente em rede nacional antes da abertura das urnas. A proximidade da eleição aumenta a importância política do encontro, especialmente para eleitores que ainda avaliam as propostas dos concorrentes.

A organização por temas regionais e nacionais também oferece uma oportunidade para que questões econômicas ganhem espaço no confronto. Política fiscal, inflação, emprego, investimentos públicos, infraestrutura e financiamento de serviços essenciais são assuntos que podem ajudar a diferenciar os projetos de governo. A presença efetiva desses temas, contudo, dependerá das perguntas formuladas e das escolhas feitas pelos próprios candidatos.

Para o eleitor, um dos principais critérios de avaliação será a capacidade de cada presidenciável apresentar medidas específicas, explicar sua viabilidade e responder a questionamentos sobre custos e resultados. Promessas de ampliação de despesas ou redução de tributos, por exemplo, exigem esclarecimentos sobre fontes de financiamento e consequências para as contas públicas. O debate poderá revelar até que ponto Lula e Flávio Bolsonaro estão dispostos a detalhar compromissos que terão impacto direto sobre a economia brasileira.

Candidatos terão entrevistas coletivas após o confronto

A Globo também reservou espaço para entrevistas coletivas depois do encerramento do debate. Cada presidenciável poderá conversar com jornalistas durante dez minutos na sala de imprensa. A ordem foi estabelecida por sorteio realizado na presença de representantes das campanhas, com Lula falando primeiro e Flávio Bolsonaro na sequência.

As entrevistas poderão servir para esclarecer declarações feitas durante o programa e aprofundar assuntos que não tenham recebido respostas conclusivas. Também oferecerão aos candidatos uma oportunidade adicional de comentar o desempenho no confronto. A participação será facultativa, respeitando o tempo previsto pela organização.

O debate desta sexta-feira encerra uma etapa decisiva da campanha presidencial de 2026. Entre as restrições de circulação, a divisão temática e o sistema de checagem de fatos, a Globo procurou estabelecer condições para um confronto mais organizado. O resultado dependerá da disposição dos candidatos de transformar o espaço televisivo em uma discussão substantiva sobre os rumos do país.

Fontes

TV Globo — Regras divulgadas para o debate presidencial do segundo turno de 23 de outubro de 2026.

Tribunal Superior Eleitoral — Resolução nº 23.610/2019, artigos 44 a 46, sobre debates eleitorais.

Tribunal Superior Eleitoral — Calendário Eleitoral de 2026 e Resolução nº 23.760/2026.

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