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Receita Federal alerta para golpe com CPF que simula cobrança via Pix

por Camila Braga
20/02/2026 às 19h44
em Economia
Golpe De Internet - Gazeta Mercantil

Golpistas usam nome e CPF para simular cobranças da Receita Federal e ampliam risco de fraudes via Pix

Criminosos têm intensificado um esquema de fraude que utiliza nome e CPF reais de contribuintes para simular cobranças indevidas da Receita Federal. A prática, que envolve a criação de páginas falsas semelhantes ao portal gov.br, tem levado vítimas a realizar pagamentos via Pix ou QR Code acreditando estar regularizando pendências tributárias inexistentes.

O alerta foi reforçado pelo próprio órgão, após o aumento de relatos de cidadãos que receberam mensagens informando supostos débitos fiscais vencidos. Segundo a Receita, todas as cobranças relatadas nesses casos são fraudulentas.

Leia também: PIB do Japão cai 1,8% após tarifas dos EUA e liga alerta.

O golpe se apoia na reprodução quase fiel da identidade visual do governo federal, incluindo cores, brasões e estrutura gráfica semelhante à dos portais oficiais. A diferença, muitas vezes sutil, está no endereço eletrônico, que não pertence ao domínio “gov.br”.

Como funciona o esquema

O mecanismo é relativamente simples, mas sofisticado na execução. A vítima recebe uma mensagem — por e-mail, aplicativo de conversa ou até ligação telefônica — informando sobre uma pendência junto à Receita Federal. O texto costuma mencionar nome completo e CPF corretos, o que aumenta a sensação de legitimidade.

Ao clicar no link ou acessar a página indicada, o contribuinte é direcionado a um site falso que simula o ambiente oficial do governo. Lá, encontra um suposto Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) ou Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS), com valor atualizado e prazo para pagamento.

O diferencial do golpe está na etapa final: a disponibilização de um QR Code ou chave Pix para quitação imediata. Ao realizar a transferência, o dinheiro é direcionado para contas controladas por terceiros.

Em alguns casos, o QR Code corresponde a um documento legítimo, porém vinculado a outro contribuinte. A vítima acredita ter quitado seu débito, mas o pagamento não possui qualquer vínculo com seu CPF, resultando em prejuízo financeiro direto.

Receita Federal não envia cobrança por mensagem

A Receita Federal reforça que não envia boletos, cobranças ou solicitações de pagamento por aplicativos de mensagem, e-mail com links externos ou telefone. Todos os documentos oficiais de arrecadação devem ser gerados exclusivamente no ambiente oficial, acessado por meio de digitação direta do endereço no navegador.

O órgão orienta que o contribuinte jamais clique em links recebidos por terceiros para verificar supostas pendências fiscais. A checagem deve ser feita apenas pelo portal oficial.

A recomendação ganha relevância diante do aumento do uso de serviços digitais e da popularização do Pix, que tornou as transferências instantâneas. A rapidez da operação reduz o tempo de reação das vítimas e dificulta a reversão do prejuízo.

Uso de dados reais amplia credibilidade do golpe

O uso de informações autênticas é um dos fatores que mais preocupam especialistas em segurança digital. Ao mencionar nome e CPF corretos, os golpistas conferem legitimidade à comunicação e reduzem a desconfiança inicial.

A obtenção desses dados pode estar associada a vazamentos anteriores ou à circulação indevida de bases de dados na internet. O cenário evidencia desafios estruturais na proteção de informações pessoais e reforça a necessidade de atenção redobrada por parte dos cidadãos.

Esse tipo de fraude se enquadra na chamada engenharia social, técnica que explora vulnerabilidades emocionais — como medo de sanções fiscais — para induzir decisões rápidas.

Pix e urgência como gatilhos psicológicos

A combinação de cobrança supostamente oficial e prazo curto para pagamento cria um ambiente de pressão. A vítima é levada a acreditar que o não pagamento imediato pode resultar em bloqueio do CPF, multa ou outras penalidades.

Com o Pix, a transferência ocorre em segundos. Uma vez concluída, a recuperação do valor depende de processos administrativos e investigação, que nem sempre resultam em ressarcimento.

O aumento desse tipo de ocorrência acompanha a expansão das fraudes digitais no país. Dados recentes do setor financeiro indicam crescimento nas tentativas de golpes envolvendo identidade falsa de órgãos públicos.

Orientações para evitar prejuízo

A Receita Federal divulgou recomendações claras para prevenir novas vítimas:

  • Desconfiar de pedidos de pagamento via Pix ou QR Code recebidos por mensagem;

  • Não realizar transferências com base em ligações telefônicas;

  • Digitar manualmente o endereço oficial no navegador;

  • Conferir se o site acessado termina em “gov.br”;

  • Buscar orientação nos canais oficiais em caso de dúvida.

Além disso, é recomendável manter antivírus atualizado e ativar mecanismos de proteção contra phishing no navegador.

O Banco Central do Brasil também tem reforçado iniciativas de proteção ao CPF e aprimorado mecanismos de devolução em casos de fraude envolvendo Pix. Ainda assim, a prevenção continua sendo a principal barreira contra prejuízos.

Períodos de maior risco

Especialistas alertam que golpes tendem a se intensificar em momentos de maior movimentação tributária, como durante o período de declaração do Imposto de Renda ou abertura de consultas a lotes residuais.

Nessas fases, o aumento do volume de comunicações legítimas cria um ambiente propício para inserção de mensagens fraudulentas. O contribuinte, acostumado a receber notificações reais, pode ter a atenção reduzida diante de comunicações aparentemente oficiais.

Confiança institucional em jogo

O uso indevido do nome da Receita Federal não gera apenas perdas financeiras individuais. Também impacta a confiança do cidadão nas instituições públicas e na digitalização dos serviços governamentais.

Nos últimos anos, o Brasil avançou na oferta de serviços online, ampliando eficiência e reduzindo burocracia. No entanto, a expansão digital também aumentou a superfície de ataque para criminosos especializados.

O combate às fraudes depende de cooperação entre órgãos públicos, instituições financeiras e forças de segurança. Investigações têm sido conduzidas para identificar responsáveis e desarticular quadrilhas envolvidas.

Vigilância permanente do contribuinte

Diante do cenário, a principal recomendação é cautela. A Receita Federal não realiza cobrança por canais informais e não solicita pagamentos urgentes fora do ambiente oficial.

Qualquer comunicação que envolva pressão para transferência imediata deve ser encarada como suspeita. A verificação direta no portal oficial continua sendo a medida mais segura.

O avanço das fraudes digitais exige atenção constante do contribuinte brasileiro. Informação qualificada e verificação rigorosa de canais são ferramentas essenciais para impedir que golpes se convertam em prejuízo financeiro.

A orientação é clara: antes de qualquer pagamento relacionado a tributos federais, confirme a autenticidade da informação exclusivamente pelos canais oficiais. Em ambiente digital cada vez mais sofisticado, a prudência é a melhor defesa.

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