GPA: Família Coelho Diniz apresenta nomes para novo conselho de administração em meio a disputa de poder
A família Coelho Diniz, hoje uma das principais acionistas do GPA, intensificou seu protagonismo dentro da companhia ao anunciar que apresentará, nos próximos dias, uma chapa de candidatos para disputar o Conselho de Administração. A medida marca um novo capítulo na disputa pelo comando do grupo varejista controlador de marcas tradicionais como Pão de Açúcar e Extra.
Segundo comunicado oficial da empresa, a lista de nomes será incluída nos documentos de convocação da Assembleia Geral Extraordinária (AGE), que deve ser realizada em breve. O movimento vem após a família ampliar sua participação acionária para quase 25% em agosto, consolidando-se como um dos blocos de maior influência dentro do GPA.
GPA: o avanço da família Coelho Diniz
A trajetória da família Coelho Diniz no GPA ganhou força nos últimos meses. Em 25 de agosto, o grupo mineiro elevou sua fatia acionária para 24,6%, pedindo imediatamente a convocação de uma AGE para deliberar sobre a destituição integral do atual Conselho de Administração e a eleição de novos representantes.
A carta enviada ao GPA foi assinada por André Luiz Coelho Diniz, Alex Sandro Coelho Diniz, Fábio Coelho Diniz, Henrique Mulford Coelho Diniz e Helton Coelho Diniz. O objetivo é consolidar um bloco coeso e capaz de liderar as decisões estratégicas da companhia, especialmente diante da fragmentação entre outros acionistas relevantes.
O “jeito mineiro” no GPA
O peso da família Coelho Diniz não se restringe apenas à sua posição acionária. O grupo controla uma rede de supermercados que leva seu nome e que é referência no leste de Minas Gerais. Com 22 lojas distribuídas por cidades como Governador Valadares, Teófilo Otoni, Ipatinga e Caratinga, além de um centro de distribuição próprio, a rede fatura anualmente entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões, segundo estimativas de mercado.
Esse histórico no varejo fortalece a legitimidade da família como candidata a redefinir os rumos do GPA, trazendo experiência de gestão e proximidade com a realidade do setor supermercadista brasileiro.
A disputa acionária dentro do GPA
O ambiente interno do GPA tem sido marcado por disputas intensas. O atual conselho foi eleito em maio, após um confronto direto entre chapas apoiadas por diferentes grupos de acionistas. De um lado, Nelson Tanure tentou consolidar sua influência, mas acabou derrotado pela aliança formada entre os Coelho Diniz e Rafael Ferri.
Mesmo após a eleição, a instabilidade persistiu. Renúncias de conselheiros e suplentes ligados a Ferri em agosto revelaram fissuras na governança corporativa. Críticas severas à gestão, apontada como “incompetente, irresponsável e conflitada”, trouxeram ainda mais turbulência para o ambiente decisório.
Além disso, dois integrantes — Sebastián Dario Los (ligado a Tanure) e Edison Ticle (do grupo de Ferri) — deixaram seus postos no comitê de auditoria, ampliando a percepção de fragilidade dentro da estrutura de governança do GPA.
Quem são os principais acionistas do GPA
Atualmente, a composição acionária do GPA é diversificada, mas concentrada em alguns grupos de peso:
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Família Coelho Diniz: 24,6% de participação e crescente influência.
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Ronaldo Iabrudi e grupo: cerca de 12%.
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Nuveen: aproximadamente 8%.
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Rafael Ferri e aliados: em torno de 5,5%.
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Nelson Tanure: participação reduzida, após já ter alcançado 10%.
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Demais investidores: capital pulverizado.
Esse mosaico de acionistas reforça a complexidade das negociações internas. A liderança da família mineira se mostra cada vez mais determinante para definir o futuro da companhia.
O futuro do GPA em jogo
Com forte presença no setor supermercadista nacional e dono de marcas icônicas, o GPA enfrenta o desafio de se reposicionar em um mercado altamente competitivo, que exige eficiência operacional, inovação tecnológica e proximidade com os consumidores.
A atuação da família Coelho Diniz como articuladora política e gestora experiente pode ser um diferencial na construção de um conselho mais alinhado aos interesses de longo prazo da companhia. Ainda assim, o clima de disputa acirrada entre os blocos aciona alertas sobre a governança e a capacidade do grupo em unificar as estratégias para garantir estabilidade e crescimento sustentável.
AGE do GPA: expectativas e próximos passos
A convocação da Assembleia Geral Extraordinária será um momento decisivo para o GPA. A eleição do novo conselho poderá redefinir a correlação de forças dentro da companhia, com impacto direto em sua estratégia e na percepção do mercado.
O desfecho da disputa deve atrair a atenção de analistas, investidores e consumidores, uma vez que a governança do grupo influencia não apenas o desempenho financeiro, mas também a confiança do público em relação às marcas que fazem parte do portfólio da companhia.
A entrada da família Coelho Diniz como protagonista na disputa pelo comando do GPA representa um marco no processo de transformação da companhia. Com experiência sólida no varejo e quase 25% de participação acionária, os mineiros se consolidam como peça central na redefinição do futuro do grupo.
A AGE que será convocada promete ser palco de mais um capítulo intenso dessa disputa de poder. O resultado poderá determinar não apenas os rumos do conselho de administração, mas também o caminho estratégico do GPA em um mercado cada vez mais competitivo e desafiador.






