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Greve da Avibras termina após 1.280 dias e empresa inicia reestruturação para pagar R$ 230 milhões em dívidas

por João Souza
12/03/2026 às 10h50
em Negócios
Avibras Sistema De Defesa

Avibras encerra greve de 1.280 dias após acordo com trabalhadores; entenda o que é a empresa de defesa brasileira

Após mais de três anos de paralisação, os trabalhadores da Avibras decidiram encerrar a greve que se tornou uma das mais longas da história recente do movimento sindical brasileiro. Em assembleia realizada na noite de quarta-feira (11), funcionários da empresa aprovaram a proposta de pagamento das dívidas trabalhistas acumuladas, abrindo caminho para a reestruturação da companhia.

A decisão marca o fim da greve da Avibras, iniciada em setembro de 2022, quando metalúrgicos da fábrica localizada em Jacareí, no interior de São Paulo, interromperam as atividades diante de atrasos salariais e dificuldades financeiras da empresa. O acordo prevê a quitação de aproximadamente R$ 230 milhões em débitos trabalhistas que atingem cerca de 1.400 trabalhadores.

Leia também: OpenAI conclui transição para empresa com fins lucrativos e Microsoft assume 27% da empresa criadora do ChatGPT.

O desfecho do impasse representa um passo decisivo para a retomada das operações da empresa, considerada estratégica para a indústria de defesa brasileira.

Assembleia aprova proposta e encerra greve histórica

A assembleia ocorreu na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, entidade que acompanhou as negociações durante todo o período de paralisação. Após debates entre os trabalhadores, a proposta apresentada pela empresa foi aprovada, encerrando oficialmente a greve da Avibras.

Leia também: Governo Federal institui o programa “Desenrola Pequenos Negócios” para renegociação de dívidas.

O acordo estabelece que cerca de 900 funcionários ainda registrados na empresa serão formalmente desligados até o dia 31 de março. Essa medida faz parte da estratégia de reorganização financeira prevista no plano de recuperação da companhia.

Apesar das demissões, a empresa já planeja iniciar um novo ciclo de contratações. A previsão é que aproximadamente 210 trabalhadores sejam recontratados ainda em abril, com possibilidade de expansão do quadro para até 450 empregados a partir de junho.

A expectativa é que a retomada das atividades ocorra gradualmente ao longo dos próximos meses.

Dívida trabalhista acumulada chega a R$ 230 milhões

A paralisação que deu origem à greve da Avibras teve como principal motivação os atrasos no pagamento de salários. Com o agravamento da crise financeira da empresa, os débitos trabalhistas cresceram ao longo dos anos.

Segundo estimativas apresentadas durante as negociações, o valor total da dívida trabalhista acumulada chega a aproximadamente R$ 230 milhões.

Esse montante inclui salários atrasados, multas contratuais e verbas rescisórias de cerca de 1.400 funcionários que mantinham vínculos com a empresa.

O acordo aprovado pelos trabalhadores prevê que esses valores sejam quitados em até 48 parcelas, com variações conforme a faixa salarial de cada funcionário.

A proposta foi considerada pelos trabalhadores como uma solução possível diante do longo impasse que marcou a greve da Avibras.

Decisão da Justiça abriu caminho para o acordo

Um elemento decisivo para o desfecho das negociações ocorreu um dia antes da assembleia. O Tribunal de Justiça de São Paulo rejeitou um pedido apresentado por credores do mercado financeiro que buscavam anular o plano alternativo de recuperação judicial da empresa.

Caso o recurso tivesse sido aceito, o processo de reestruturação poderia sofrer atrasos ou até mesmo ser interrompido.

A decisão judicial fortaleceu a estratégia da empresa para reorganizar suas finanças e facilitou a aprovação do acordo trabalhista que encerrou a greve da Avibras.

Em nota, a companhia informou que tanto a decisão da Justiça quanto a aprovação da proposta pelos trabalhadores eram condições consideradas essenciais para viabilizar a retomada das atividades.

Origem da crise que levou à greve da Avibras

A crise que culminou na greve da Avibras começou em março de 2022. Naquele momento, a empresa anunciou um plano de demissões que atingiria cerca de 420 trabalhadores.

A medida provocou forte reação sindical e acabou sendo revertida após negociações. No entanto, as dificuldades financeiras continuaram a se intensificar.

Ainda em 2022, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial, informando possuir dívidas estimadas em cerca de R$ 600 milhões.

Com o agravamento da situação econômica e atrasos recorrentes no pagamento de salários, os trabalhadores decidiram iniciar uma paralisação em setembro daquele ano. O movimento se estenderia por mais de três anos, transformando a greve da Avibras em um episódio histórico do movimento sindical brasileiro.

Durante esse período, diversas tentativas de negociação foram realizadas entre empresa, trabalhadores e credores.

O que é a Avibras

A Avibras Indústria Aeroespacial é uma das empresas mais tradicionais da indústria de defesa brasileira. Fundada em 1961 por engenheiros formados no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a companhia se especializou no desenvolvimento de sistemas militares de alta tecnologia.

A sede da empresa está localizada em Jacareí, no interior de São Paulo, região conhecida por concentrar um importante polo aeroespacial do país.

Ao longo de décadas de atuação, a empresa se destacou no desenvolvimento de foguetes, mísseis, sistemas de artilharia e veículos militares.

Um dos produtos mais conhecidos da companhia é o sistema de artilharia ASTROS II, um dos equipamentos militares mais sofisticados produzidos no Brasil. O sistema é utilizado pelo Exército Brasileiro e exportado para diversos países.

Além da produção militar, a empresa também desenvolveu tecnologias relacionadas à indústria aeroespacial, contribuindo para a expansão da base tecnológica brasileira nesse setor estratégico.

Por essa razão, a greve da Avibras despertou atenção não apenas do movimento sindical, mas também de especialistas em defesa e política industrial.

Empresa tem importância estratégica para o Brasil

A relevância da empresa para o setor de defesa vai além da fabricação de armamentos. A companhia também representa um importante centro de desenvolvimento tecnológico.

Ao longo de sua história, a empresa participou de projetos de pesquisa e desenvolvimento que ajudaram a consolidar a capacidade industrial brasileira na área de sistemas militares e aeroespaciais.

Especialistas apontam que a recuperação da companhia pode ter impacto direto na preservação de conhecimento tecnológico acumulado ao longo de décadas.

Nesse contexto, o fim da greve da Avibras é visto como um passo importante para evitar a perda de capacidades estratégicas do setor de defesa nacional.

Mudança no controle da empresa e plano de reestruturação

Em agosto de 2025, a empresa passou por uma mudança significativa em sua estrutura de gestão. Um novo grupo assumiu o controle da companhia e iniciou um plano de reestruturação financeira.

Esse plano foi aprovado por ampla maioria dos credores durante assembleia realizada no processo de recuperação judicial.

Segundo informações divulgadas pela empresa, o plano recebeu apoio de 99,2% dos credores, o que abriu caminho para a reorganização das finanças e para a retomada das operações industriais.

O encerramento da greve da Avibras era considerado uma etapa fundamental para a implementação desse plano.

Impactos econômicos e regionais da paralisação

A paralisação prolongada teve efeitos significativos na economia regional do Vale do Paraíba, região industrial que abriga diversas empresas do setor aeroespacial e de defesa.

Durante o período da greve da Avibras, centenas de trabalhadores ficaram sem renda regular, afetando diretamente a economia local.

Com o acordo aprovado e a perspectiva de retomada gradual das atividades, há expectativa de que parte desses impactos seja revertida.

A recontratação prevista para os próximos meses pode ajudar a reativar a cadeia produtiva associada à empresa, incluindo fornecedores e prestadores de serviços.

Retomada das atividades deve ocorrer de forma gradual

O cronograma apresentado pela empresa prevê uma série de etapas para a retomada das atividades industriais.

Após as demissões previstas no acordo, serão realizados procedimentos como exames médicos, homologações e assinatura de novos contratos de trabalho.

A expectativa é que os primeiros trabalhadores retornem às instalações da fábrica até o final de abril.

A partir desse momento, a empresa pretende reativar progressivamente suas linhas de produção, priorizando projetos considerados estratégicos.

O encerramento da greve da Avibras representa, portanto, o início de um processo de reconstrução da empresa após anos de crise financeira.

Futuro da Avibras será acompanhado pelo setor de defesa

O desfecho da paralisação histórica marca um momento decisivo para o futuro da companhia.

Analistas do setor industrial avaliam que a capacidade de cumprir o plano de pagamento das dívidas e retomar contratos será determinante para o sucesso da reestruturação.

A empresa possui tradição e tecnologia reconhecidas internacionalmente, o que pode facilitar a retomada de projetos e parcerias comerciais.

Após o fim da greve da Avibras, o desafio da nova gestão será transformar a reestruturação financeira em uma recuperação industrial efetiva, garantindo a continuidade de uma empresa considerada estratégica para a indústria de defesa brasileira.

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