A Guararapes Confecções, dona da marca Riachuelo e listada na B3 sob o código RIAA3, aprovou um novo crédito de juros sobre o capital próprio (JCP) no valor bruto de R$ 30 milhões. O benefício corresponde a R$ 0,05968867830 por ação ordinária e alcançará os acionistas registrados na companhia ao fim do pregão de 30 de setembro de 2026. A partir de 1º de outubro, os papéis passarão a ser negociados na condição “ex-JCP”.
A decisão, tomada pelo conselho de administração em 25 de setembro, amplia para R$ 120 milhões o total de JCP aprovado pela companhia ao longo de 2026. O valor soma o novo provento aos R$ 50 milhões deliberados em março e aos R$ 40 milhões aprovados em maio. Apesar da nova distribuição, o calendário de pagamento do JCP de R$ 30 milhões ainda não foi definido e ficará para deliberação da Assembleia Geral Ordinária prevista para 2027.
O montante será imputado ao dividendo mínimo obrigatório referente ao exercício social encerrado em 31 de dezembro de 2026. A companhia informou ainda que o pagamento será realizado sem atualização monetária e estará sujeito à retenção do Imposto de Renda conforme a legislação aplicável, ressalvadas as situações de imunidade ou isenção.
Para quem acompanha o papel na Bolsa, a data de corte concentra a principal referência de curto prazo. O investidor precisa estar posicionado ao final do pregão de quarta-feira, 30 de setembro, para ter direito ao provento. Na sessão seguinte, a ação será negociada sem o direito ao JCP recém-aprovado.
Novo JCP muda o calendário de remuneração da companhia
A distribuição anunciada em setembro é a terceira decisão relevante de remuneração aprovada pela Guararapes em 2026. Em 31 de março, a companhia havia aprovado R$ 50 milhões em JCP, posteriormente com ajuste do valor por ação para R$ 0,09964280525 após aumento de capital decorrente do exercício de opções. Em maio, o conselho autorizou mais R$ 40 milhões, equivalentes a R$ 0,07967127013 por ação, com pagamento programado para 28 de dezembro de 2026 e recursos provenientes da venda de terrenos remanescentes da antiga unidade fabril de Fortaleza, no Ceará.
Com a nova decisão, as três distribuições somam R$ 120 milhões brutos no ano. O valor representa uma parcela relevante da remuneração anunciada aos acionistas pela companhia em 2026, embora os calendários de pagamento sejam diferentes entre os eventos.
A sequência também mostra que o programa de distribuição não está concentrado em uma única decisão anual. Os R$ 90 milhões aprovados no primeiro semestre foram registrados pela companhia no contexto do desempenho do segundo trimestre, período em que o grupo destinou R$ 90 milhões em JCP aos acionistas. O novo crédito de R$ 30 milhões eleva essa soma para R$ 120 milhões em decisões de distribuição ao longo do ano.
O JCP de setembro, por sua vez, tem valor individual inferior ao dos dois créditos anteriores. Isso decorre, entre outros fatores, da quantidade de ações considerada para o cálculo do valor bruto por papel. O montante global permaneceu fixado em R$ 30 milhões, enquanto o valor individual foi definido em aproximadamente seis centavos por ação.
Resultado operacional sustenta distribuição de proventos
A nova deliberação ocorre após um segundo trimestre de crescimento de receita e rentabilidade da companhia. No 2T26, a Guararapes registrou receita líquida consolidada de R$ 2,69 bilhões, alta de 3,3% sobre o mesmo período de 2025, em comparação que exclui os resultados do shopping Midway Mall vendido pela empresa em dezembro de 2025.
O Ebitda consolidado chegou a R$ 460,6 milhões, crescimento de 12,7% na mesma base comparável. A margem Ebitda avançou de 15,7% para 17,1%, alta de 1,4 ponto percentual. O lucro líquido alcançou R$ 167,9 milhões, aumento de 36,2%, com margem líquida de 6,2%, ante 4,7% um ano antes.
No primeiro semestre, o lucro líquido somou R$ 173 milhões, alta de 123,5% na comparação anual. O Ebitda alcançou R$ 728,4 milhões, crescimento de 13,2%, enquanto a receita líquida consolidada chegou a R$ 5,01 bilhões, expansão de 4,9%.
O desempenho do negócio de moda teve papel importante na evolução dos resultados. A receita líquida de vestuário cresceu 8,9% no segundo trimestre, para R$ 1,75 bilhão. Nas lojas abertas há pelo menos 12 meses, o indicador de vendas mesmas lojas de vestuário avançou 7,8%, marcando o 12º trimestre consecutivo de expansão nessa métrica.
A companhia encerrou junho com 444 lojas, oito a mais do que no mesmo período do ano anterior. A área de vendas chegou a 717 mil metros quadrados. No trimestre, a receita líquida por metro quadrado aumentou 0,7%, para R$ 2.800.
O avanço operacional ocorreu mesmo com maior pressão sobre algumas linhas financeiras. O resultado financeiro líquido negativo chegou a R$ 100,9 milhões no trimestre, alta de 24,9% sobre o ano anterior. A despesa financeira equivalente a 3,7% da receita líquida ficou 0,6 ponto percentual acima da registrada no 2T25.
Remuneração avança enquanto investimentos seguem elevados
A política de distribuição precisa ser observada em conjunto com a alocação de recursos para expansão e transformação operacional. No segundo trimestre, a Guararapes investiu R$ 156,1 milhões, alta de 31,1% sobre o 2T25. No primeiro semestre, o Capex somou R$ 302,1 milhões, crescimento de 19,3%.
Parte relevante desse desembolso foi direcionada à tecnologia e transformação digital, aos centros de distribuição e às remodelações de lojas. No primeiro semestre, os investimentos em tecnologia e transformação digital chegaram a R$ 195,7 milhões, enquanto os aportes em centros de distribuição alcançaram R$ 55,1 milhões.
A companhia também registrou aumento expressivo nos investimentos em remodelações. Foram R$ 18,4 milhões no semestre, contra R$ 352 mil no mesmo período de 2025. A estratégia inclui a modernização do parque de lojas e iniciativas ligadas ao conceito “Incrivelmente Brasil”.
Ao mesmo tempo, o fluxo de caixa livre ficou negativo em R$ 431,5 milhões no primeiro semestre, refletindo o volume de investimentos e as necessidades de capital de giro. No segundo trimestre isoladamente, o fluxo de caixa operacional foi positivo em R$ 134,5 milhões, mas os investimentos consumiram R$ 266,5 milhões, levando a um fluxo de caixa livre negativo em R$ 132 milhões.
Esse quadro ajuda a dimensionar o contexto financeiro no qual a administração aprovou os novos proventos. A remuneração aos acionistas convive com um ciclo de investimentos voltado a crescimento, eficiência logística e modernização das lojas, enquanto a companhia mantém operações financeiras por meio da Midway.
Endividamento permanece dentro dos indicadores apresentados no semestre
Ao final de junho, a companhia apresentava disponibilidades de R$ 1,14 bilhão e empréstimos e financiamentos de R$ 2,43 bilhões. O endividamento líquido era de R$ 1,30 bilhão, equivalente a uma alavancagem de aproximadamente 1 vez o Ebitda.
Na comparação ajustada apresentada pela própria companhia, que considera uma posição de caixa pro forma e desconsidera o efeito de determinados movimentos de caixa relacionados à distribuição de JCP, a dívida líquida ficaria em R$ 942,8 milhões, com alavancagem de 0,8 vez.
O dado mostra que a distribuição anunciada em setembro não deve ser analisada isoladamente do balanço patrimonial. A empresa mantém geração operacional, mas também registra investimentos elevados, despesas financeiras relevantes e necessidades de capital de giro associadas ao crescimento da carteira da Midway.
O próprio release do segundo trimestre aponta que a geração de caixa foi afetada principalmente pela necessidade de capital de giro e pela expansão da carteira de empréstimos da operação financeira, além da dinâmica dos estoques.
Valor do JCP e efeito tributário para o acionista
O novo JCP de R$ 0,05968867830 por ação foi anunciado como valor bruto. Com base na cotação de fechamento de R$ 6,87 da RIAA3 em 25 de setembro, o valor corresponde a aproximadamente 0,87% do preço do papel naquele encerramento de pregão.
Para os beneficiários sujeitos à alíquota vigente de 17,5% de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre JCP, o valor líquido aproximado seria de R$ 0,04924 por ação. Nessa mesma referência de preço, isso equivale a cerca de 0,72% do valor da ação. O cálculo é apenas uma relação matemática entre o provento e a cotação de fechamento e não representa projeção de retorno.
A alíquota utilizada no cálculo segue a legislação atualmente vigente. A Lei nº 9.249, com a alteração posterior, estabeleceu alíquota de 17,5% para o imposto de renda retido na fonte incidente sobre juros sobre capital próprio. O tratamento pode variar conforme a natureza tributária do beneficiário.
A companhia também estabeleceu procedimentos específicos para acionistas não residentes que pretendam comprovar direito a tratamento tributário diferenciado previsto em acordos internacionais. A documentação deve observar o prazo informado no aviso aos acionistas.
Próximo marco é a data de corte de 30 de setembro
Para o novo JCP, o ponto decisivo no calendário é o encerramento do pregão de 30 de setembro. Os acionistas registrados nessa data terão direito ao crédito, enquanto as negociações de RIAA3 ocorrerão ex-JCP a partir de 1º de outubro.
A diferença entre data de corte e data de pagamento também merece atenção. Embora o direito ao provento já esteja definido pelo conselho, o desembolso ainda não tem uma data determinada. Nesse caso, a própria companhia informa que a decisão será tomada na Assembleia Geral Ordinária de 2027.
O desenho é diferente do JCP de R$ 40 milhões aprovado em maio, cujo pagamento está programado para 28 de dezembro de 2026. Já o crédito de R$ 50 milhões aprovado no primeiro semestre também tem sua data de pagamento vinculada à deliberação da assembleia de 2027.
Com isso, os R$ 120 milhões aprovados em JCP pela Guararapes em 2026 não correspondem a um único pagamento aos investidores, mas a diferentes eventos societários. A nova decisão de setembro adiciona R$ 30 milhões a esse conjunto e estabelece mais um marco de remuneração para quem estiver na base acionária na virada do mês.
Fontes:
Guararapes Confecções – aviso aos acionistas sobre o creditamento de JCP de R$ 30 milhões, com data-base em 30 de setembro de 2026 e negociação ex-JCP a partir de 1º de outubro
Guararapes Confecções – release de resultados do segundo trimestre de 2026, com dados de receita, Ebitda, lucro líquido, investimentos, endividamento e desempenho operacional
Guararapes Confecções – aviso aos acionistas e documentos societários sobre os JCP de R$ 50 milhões e R$ 40 milhões aprovados em 2026
Comissão de Valores Mobiliários – comunicado sobre a mudança do código de negociação da Guararapes para RIAA3 e alteração do nome de pregão para Riachuelo
Planalto – Lei nº 9.249 e legislação vigente sobre a tributação de juros sobre capital próprio








