quinta-feira, 17 de setembro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Agronegócio

Guerra no Irã pressiona petróleo e acende alerta para o agronegócio brasileiro

Alta do Brent, ameaça ao Estreito de Ormuz e risco de encarecimento de fertilizantes e diesel elevam cautela no campo e levam produtores a adiar investimentos.

por Daniel Wicker
10/05/2026 às 21h30
em Agronegócio
Fertilizantes No Agronegócio - Gzt - Gazeta Mercantil

A escalada da guerra no Irã voltou a pressionar os preços do petróleo neste domingo, 10 de maio, e ampliou o alerta sobre os impactos para o agronegócio brasileiro.

O Brent, referência internacional da commodity, subia mais de 3% no início da noite, negociado perto de US$ 104,50 por barril, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitar a resposta iraniana a uma proposta de paz de Washington e o Irã renovar ameaças envolvendo o Estreito de Ormuz. O avanço afeta diretamente custos de frete, diesel, fertilizantes, defensivos, máquinas agrícolas e decisões de investimento no campo.

O movimento ocorre em um momento de cautela entre produtores brasileiros. No Paraná, agricultores já vêm suspendendo investimentos e adiando a compra de máquinas diante da combinação entre incerteza externa, custos elevados e dúvidas sobre margens futuras. A alta do petróleo agrava esse quadro porque se espalha por diferentes elos da cadeia.

Estreito de Ormuz no centro do risco

O Estreito de Ormuz é uma das rotas mais sensíveis do comércio global de energia. Qualquer interrupção, bloqueio parcial ou aumento do risco de navegação tende a elevar o chamado prêmio de risco do petróleo.

Neste domingo, o Brent para entrega em julho subia cerca de 3,14%, para US$ 104,50 por barril, enquanto o WTI avançava aproximadamente 3,07%, para US$ 98,35 por barril. A variação ocorreu após Trump afirmar que considerava “totalmente inaceitável” a resposta do Irã à proposta americana. A Reuters informou neste domingo que o Brent avançava mais de US$ 3 por barril após o fracasso nas negociações, em meio à manutenção da tensão sobre Ormuz.

Para o Brasil, a preocupação é indireta, mas relevante. Mesmo sendo grande produtor de petróleo, o agronegócio segue exposto ao custo internacional da energia. O simples risco de interrupção já é suficiente para elevar preços, com traders, refinarias e companhias de navegação precificando oferta menor, atraso de entregas e custos adicionais de segurança.

Esse encarecimento chega ao Brasil por meio dos combustíveis, do frete marítimo, do transporte interno e dos fertilizantes nitrogenados, especialmente a ureia, cujo mercado global tem forte ligação com o Oriente Médio.

Petróleo mais caro eleva custo no campo

A alta é uma preocupação imediata porque o setor depende intensamente de diesel, transporte rodoviário, logística portuária, máquinas e insumos derivados de energia. Mesmo quando o repasse aos combustíveis não ocorre de forma instantânea, a elevação persistente tende a aumentar a pressão sobre custos.

No campo, o diesel pesa no preparo do solo, plantio, pulverização, colheita e transporte. Em regiões distantes dos portos, o impacto é ainda maior, porque o custo logístico representa parcela relevante da formação de preço recebido pelo produtor.

A pressão também chega pela cadeia de máquinas agrícolas. Equipamentos, peças, pneus, lubrificantes e componentes importados ficam mais sensíveis a variações de câmbio, frete internacional e custos industriais. Em um cenário de incerteza, produtores tendem a postergar compras de tratores, colheitadeiras, plantadeiras e implementos.

Esse comportamento já aparece no Paraná, um dos principais polos de soja, milho, trigo, carnes e leite. Quando produtores locais reduzem compras, o efeito alcança concessionárias, fabricantes, cooperativas e fornecedores de tecnologia, atrasando renovação de frota e adoção de tecnologias.

Fertilizantes são o elo mais vulnerável

O efeito mais sensível pode estar nos fertilizantes. O Brasil é altamente dependente de importações. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de 80% da demanda brasileira é suprida por importações, o que deixa o país vulnerável a choques externos de oferta, preço e logística.

A vulnerabilidade é maior nos nitrogenados, como a ureia. O Oriente Médio tem papel relevante nesse mercado porque concentra produção baseada em gás natural e depende de rotas marítimas estratégicas para exportar. Levantamento citado pela Brasilagro aponta que cerca de 15% dos fertilizantes nitrogenados importados pelo Brasil vêm do Oriente Médio e que 45% das exportações globais de ureia transitam por rotas marítimas da região.

Quando há ameaça a Ormuz, o risco não se limita ao petróleo. Fretes sobem, seguradoras elevam prêmios e compradores passam a antecipar pedidos. Para o produtor brasileiro, isso significa aumento de custo antes mesmo do plantio, já que fertilizantes representam uma das principais despesas de soja, milho, algodão, café e cana.

Crédito e logística amplificam o choque

A guerra no Irã também afeta o agronegócio pelo canal financeiro. A alta do petróleo tende a pressionar inflação global, influenciar juros e reduzir o apetite por risco em mercados emergentes. Esse ambiente pode encarecer captações, afetar câmbio e tornar o crédito rural mais seletivo.

O produtor depende de financiamento para custeio, investimento, armazenagem e comercialização. Quando bancos e cooperativas percebem maior incerteza, podem exigir garantias adicionais. Empresas do agro que acessam o mercado de capitais também podem encontrar custo maior em emissões de dívida.

A estrutura logística brasileira amplifica parte dos efeitos. A produção percorre longas distâncias entre fazendas, armazéns e portos como Santos, Paranaguá, Rio Grande e os do Arco Norte. Em muitas regiões, o rodoviário ainda domina a etapa mais cara. Com petróleo em alta, o custo do frete tende a subir, reduzindo o preço líquido recebido pelo produtor.

Margem da próxima safra em risco

A principal consequência é o risco de compressão de margens. Se fertilizantes, diesel e frete sobem, mas os preços de venda das commodities agrícolas não acompanham na mesma proporção, a rentabilidade diminui.

O impacto varia por cultura. Grãos como soja e milho têm forte exposição a fertilizantes, logística e câmbio. Café, cana e algodão também sentem efeitos em insumos e transporte. Na pecuária, o custo pode aparecer em ração, energia e fertilização de pastagens.

A alta do petróleo pode ainda influenciar o mercado de biocombustíveis. Etanol, biodiesel e diesel renovável passam a ser acompanhados com mais atenção, gerando efeitos cruzados para açúcar, milho, soja e óleos vegetais.

A guerra no Irã tende a recolocar na pauta a dependência de fertilizantes importados, tema que ganhou força após a guerra na Ucrânia. No curto prazo, a resposta mais comum é diversificar origens, antecipar compras e reforçar estoques. No médio prazo, o desafio é reduzir vulnerabilidade estrutural.

Enquanto a incerteza persiste, o produtor brasileiro tende a agir com prudência. O adiamento de compras no Paraná é um indicativo de que a crise já influencia decisões no campo. A próxima etapa será observar se a alta do petróleo se mantém ou se haverá descompressão com algum avanço diplomático, além do comportamento dos preços dos fertilizantes, do frete marítimo, do diesel e do câmbio nas próximas semanas.

LEIA MAIS

Jpmorgan Corta Preço-Alvo Do Banco Do Brasil Para R$ 22 E Mantém Recomendação Neutra-Gazeta Mercantil
Empresas

Banco do Brasil (BBAS3): JPMorgan corta preço-alvo para R$ 22 e reduz projeções de lucro

O JPMorgan reduziu de R$ 24 para R$ 22 o preço-alvo das ações do Banco do Brasil (BBAS3) para dezembro de 2027 e manteve recomendação neutra para os...

Leia MaisDetails
Ibovespa Hoje - Gazeta Mercantil
Ibovespa

Ibovespa hoje recua na Super Quarta antes de decisões do Fed e do Copom

O Ibovespa opera em queda nesta quarta-feira, 16 de setembro de 2026, em uma sessão marcada pela combinação de decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos,...

Leia MaisDetails
Exportações Brasileiras - Gazeta Mercantil
Economia

Exportações de café crescem 51,6% e petróleo avança 75,6% em setembro

As exportações brasileiras começaram setembro com avanço expressivo em duas das principais cadeias de produtos básicos do país. Os embarques de café verde cresceram 51,6% na média diária...

Leia MaisDetails
África Do Sul Perde Us$ 4,7 Bilhões Após Redução Da Capacidade De Refino-Gazeta Mercantil
Mundo

Fechamento de refinarias elevou em 76 bilhões de rands as importações de combustíveis da África do Sul

Fechamento de refinarias elevou em R$ 76 bilhões a conta de combustíveis da África do Sul Estudo do banco central calcula custo adicional entre 2021 e 2024; importações...

Leia MaisDetails
Basf Prepara Ipo De Divisão Agrícola Com Quatro Bancos E Mira Bolsa De Frankfurt-Gazeta Mercantil
Agronegócio

BASF prepara IPO de divisão agrícola com quatro bancos e mira Bolsa de Frankfurt

A BASF iniciou uma nova etapa para separar e preparar sua divisão de soluções agrícolas para uma eventual abertura de capital ao contratar Citi, Deutsche Bank, Goldman Sachs...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

06:04:11
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Flávio Bolsonaro Usou Recentemente Apartamento Que Pertenceu A Cunhado De Vorcaro
Política

Flávio Bolsonaro usou recentemente apartamento que pertenceu a cunhado de Vorcaro

Leia MaisDetails
Copom Corta Selic Para 13,75% No Quinto Recuo Seguido Dos Juros - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

Leia MaisDetails
Lvmh Perde Mais De €250 Bilhões Em Valor De Mercado Desde 2023-Gazeta Mercantil
Empresas

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

Leia MaisDetails
Brb Recebe R$ 376 Milhões Da Xp Por Créditos Ligados Ao Banco Master-Gazeta Mercantil
Empresas

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

Lula diz que Flávio Bolsonaro participou da aprovação de Kassio e Mendonça no STF

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Flávio Bolsonaro usou recentemente apartamento que pertenceu a cunhado de Vorcaro

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

Lula diz que Flávio Bolsonaro participou da aprovação de Kassio e Mendonça no STF

Banco do Brasil (BBAS3): JPMorgan corta preço-alvo para R$ 22 e reduz projeções de lucro

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP