segunda-feira, 2 de novembro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Agronegócio

Guerra no Irã pressiona petróleo e acende alerta para o agronegócio brasileiro

Alta do Brent, ameaça ao Estreito de Ormuz e risco de encarecimento de fertilizantes e diesel elevam cautela no campo e levam produtores a adiar investimentos.

por Daniel Wicker
10/05/2026 às 21h30
em Agronegócio
Fertilizantes No Agronegócio - Gzt - Gazeta Mercantil

A escalada da guerra no Irã voltou a pressionar os preços do petróleo neste domingo, 10 de maio, e ampliou o alerta sobre os impactos para o agronegócio brasileiro.

O Brent, referência internacional da commodity, subia mais de 3% no início da noite, negociado perto de US$ 104,50 por barril, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitar a resposta iraniana a uma proposta de paz de Washington e o Irã renovar ameaças envolvendo o Estreito de Ormuz. O avanço afeta diretamente custos de frete, diesel, fertilizantes, defensivos, máquinas agrícolas e decisões de investimento no campo.

Leia também: Perda de mandato de Ramagem: o que a Câmara precisa decidir e como o caso pressiona a relação com o STF.

O movimento ocorre em um momento de cautela entre produtores brasileiros. No Paraná, agricultores já vêm suspendendo investimentos e adiando a compra de máquinas diante da combinação entre incerteza externa, custos elevados e dúvidas sobre margens futuras. A alta do petróleo agrava esse quadro porque se espalha por diferentes elos da cadeia.

Estreito de Ormuz no centro do risco

O Estreito de Ormuz é uma das rotas mais sensíveis do comércio global de energia. Qualquer interrupção, bloqueio parcial ou aumento do risco de navegação tende a elevar o chamado prêmio de risco do petróleo.

Leia também: Tensões Internas no PL: Bolsonaro Alerta para Possível Implosão Após Elogios a Lula.

Neste domingo, o Brent para entrega em julho subia cerca de 3,14%, para US$ 104,50 por barril, enquanto o WTI avançava aproximadamente 3,07%, para US$ 98,35 por barril. A variação ocorreu após Trump afirmar que considerava “totalmente inaceitável” a resposta do Irã à proposta americana. A Reuters informou neste domingo que o Brent avançava mais de US$ 3 por barril após o fracasso nas negociações, em meio à manutenção da tensão sobre Ormuz.

Para o Brasil, a preocupação é indireta, mas relevante. Mesmo sendo grande produtor de petróleo, o agronegócio segue exposto ao custo internacional da energia. O simples risco de interrupção já é suficiente para elevar preços, com traders, refinarias e companhias de navegação precificando oferta menor, atraso de entregas e custos adicionais de segurança.

Esse encarecimento chega ao Brasil por meio dos combustíveis, do frete marítimo, do transporte interno e dos fertilizantes nitrogenados, especialmente a ureia, cujo mercado global tem forte ligação com o Oriente Médio.

Petróleo mais caro eleva custo no campo

A alta é uma preocupação imediata porque o setor depende intensamente de diesel, transporte rodoviário, logística portuária, máquinas e insumos derivados de energia. Mesmo quando o repasse aos combustíveis não ocorre de forma instantânea, a elevação persistente tende a aumentar a pressão sobre custos.

No campo, o diesel pesa no preparo do solo, plantio, pulverização, colheita e transporte. Em regiões distantes dos portos, o impacto é ainda maior, porque o custo logístico representa parcela relevante da formação de preço recebido pelo produtor.

A pressão também chega pela cadeia de máquinas agrícolas. Equipamentos, peças, pneus, lubrificantes e componentes importados ficam mais sensíveis a variações de câmbio, frete internacional e custos industriais. Em um cenário de incerteza, produtores tendem a postergar compras de tratores, colheitadeiras, plantadeiras e implementos.

Esse comportamento já aparece no Paraná, um dos principais polos de soja, milho, trigo, carnes e leite. Quando produtores locais reduzem compras, o efeito alcança concessionárias, fabricantes, cooperativas e fornecedores de tecnologia, atrasando renovação de frota e adoção de tecnologias.

Fertilizantes são o elo mais vulnerável

O efeito mais sensível pode estar nos fertilizantes. O Brasil é altamente dependente de importações. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de 80% da demanda brasileira é suprida por importações, o que deixa o país vulnerável a choques externos de oferta, preço e logística.

A vulnerabilidade é maior nos nitrogenados, como a ureia. O Oriente Médio tem papel relevante nesse mercado porque concentra produção baseada em gás natural e depende de rotas marítimas estratégicas para exportar. Levantamento citado pela Brasilagro aponta que cerca de 15% dos fertilizantes nitrogenados importados pelo Brasil vêm do Oriente Médio e que 45% das exportações globais de ureia transitam por rotas marítimas da região.

Quando há ameaça a Ormuz, o risco não se limita ao petróleo. Fretes sobem, seguradoras elevam prêmios e compradores passam a antecipar pedidos. Para o produtor brasileiro, isso significa aumento de custo antes mesmo do plantio, já que fertilizantes representam uma das principais despesas de soja, milho, algodão, café e cana.

Crédito e logística amplificam o choque

A guerra no Irã também afeta o agronegócio pelo canal financeiro. A alta do petróleo tende a pressionar inflação global, influenciar juros e reduzir o apetite por risco em mercados emergentes. Esse ambiente pode encarecer captações, afetar câmbio e tornar o crédito rural mais seletivo.

O produtor depende de financiamento para custeio, investimento, armazenagem e comercialização. Quando bancos e cooperativas percebem maior incerteza, podem exigir garantias adicionais. Empresas do agro que acessam o mercado de capitais também podem encontrar custo maior em emissões de dívida.

A estrutura logística brasileira amplifica parte dos efeitos. A produção percorre longas distâncias entre fazendas, armazéns e portos como Santos, Paranaguá, Rio Grande e os do Arco Norte. Em muitas regiões, o rodoviário ainda domina a etapa mais cara. Com petróleo em alta, o custo do frete tende a subir, reduzindo o preço líquido recebido pelo produtor.

Margem da próxima safra em risco

A principal consequência é o risco de compressão de margens. Se fertilizantes, diesel e frete sobem, mas os preços de venda das commodities agrícolas não acompanham na mesma proporção, a rentabilidade diminui.

O impacto varia por cultura. Grãos como soja e milho têm forte exposição a fertilizantes, logística e câmbio. Café, cana e algodão também sentem efeitos em insumos e transporte. Na pecuária, o custo pode aparecer em ração, energia e fertilização de pastagens.

A alta do petróleo pode ainda influenciar o mercado de biocombustíveis. Etanol, biodiesel e diesel renovável passam a ser acompanhados com mais atenção, gerando efeitos cruzados para açúcar, milho, soja e óleos vegetais.

A guerra no Irã tende a recolocar na pauta a dependência de fertilizantes importados, tema que ganhou força após a guerra na Ucrânia. No curto prazo, a resposta mais comum é diversificar origens, antecipar compras e reforçar estoques. No médio prazo, o desafio é reduzir vulnerabilidade estrutural.

Enquanto a incerteza persiste, o produtor brasileiro tende a agir com prudência. O adiamento de compras no Paraná é um indicativo de que a crise já influencia decisões no campo. A próxima etapa será observar se a alta do petróleo se mantém ou se haverá descompressão com algum avanço diplomático, além do comportamento dos preços dos fertilizantes, do frete marítimo, do diesel e do câmbio nas próximas semanas.

Leia também

  • Preço do Barril de Petróleo Brent Supera US$ 100 com Tensões no Ormuz
  • Falta de armazéns força produtor a vender soja na colheita, alerta Faesp

LEIA MAIS

Ouro Hoje - Gzt - Gazeta Mercantil
Mercados

Ouro sobe quase 2% com queda do petróleo e fecha a US$ 3.969,60

Ouro sobe 1,81% e fecha a US$ 3.969,60 com queda do petróleo. Mercado acompanha negociações entre Irã e EUA e próximos passos do Federal Reserve.

Leia MaisDetails
Imposto De 12% Sobre Exportação De Petróleo É Estendido Por 60 Dias
Mercados

Petróleo despenca mais de 8% com negociações entre Irã e EUA; Brent se aproxima de US$ 100

Petróleo despenca mais de 8% com negociações entre Irã e EUA. Brent cai a US$ 104,09 e mercado acompanha possível reabertura do Estreito de Ormuz.

Leia MaisDetails
Petróleo Hoje - Gazeta Mercantil
Empresas

Petrobras (PETR4) confirma terceira descoberta de petróleo na Foz do Amazonas

Petrobras (PETR4) confirma terceira descoberta de petróleo na Foz do Amazonas, no poço Morpho, na costa do Amapá. Entenda os resultados e próximos passos.

Leia MaisDetails
Acordo Mercosul-União Europeia Abre 543 Oportunidades Para Exportações Brasileiras Em Mercado De Us$ 43,9 Bilhões-Gazeta Mercantil
Economia

Acordo Mercosul-UE: exportações de bens beneficiados crescem 21% em cinco meses

Exportações brasileiras beneficiadas pelo acordo Mercosul-UE cresceram 21% entre maio e setembro de 2026. Abacate, mel e óleo de milho lideram.

Leia MaisDetails
Icms Sobre Gasolina, Diesel E Gás De Cozinha Vai Subir Em 2027; Veja Os Novos Valores - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

ICMS sobre gasolina, diesel e gás de cozinha vai subir em 2027; veja os novos valores

ICMS sobre gasolina, diesel e gás de cozinha sobe em fevereiro de 2027. Veja os novos valores do imposto e os possíveis impactos nos preços dos combustíveis.

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

22:05:13
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Admin Ajax 2025 12 11T094346.625 (1)
Economia

Nota fiscal do Simples Nacional mudou: veja 4 passos para emitir NFS-e no novo sistema

Leia MaisDetails
Telemarketing - Gazeta Mercantil
Economia

SAC terá atendimento humano obrigatório a partir de hoje; veja as novas regras

Leia MaisDetails
Bitcoin (Btc) E Criptomoedas (Imagem: Canva Pro)
Criptomoedas

Binance registra saída de US$ 4,72 bilhões após ataque hacker de US$ 6,3 bilhões

Leia MaisDetails
Embraer (Embj3) Salta Quase 8% E Lidera Ibovespa Com Expectativa De Novos Contratos-Gazeta Mercantil
Empresas

Embraer (EMBJ3) fecha acordo para até seis aviões KC-390 à Grécia; contrato inicial soma € 590 milhões

Leia MaisDetails
Ouro Hoje - Gzt - Gazeta Mercantil
Mercados

Ouro sobe quase 2% com queda do petróleo e fecha a US$ 3.969,60

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Nota fiscal do Simples Nacional mudou: veja 4 passos para emitir NFS-e no novo sistema

SAC terá atendimento humano obrigatório a partir de hoje; veja as novas regras

Binance registra saída de US$ 4,72 bilhões após ataque hacker de US$ 6,3 bilhões

Embraer (EMBJ3) fecha acordo para até seis aviões KC-390 à Grécia; contrato inicial soma € 590 milhões

Ouro sobe quase 2% com queda do petróleo e fecha a US$ 3.969,60

Hackers atacam supermercados na Europa e elevam temperatura de freezers a 50°C

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

Últimas notícias da Gazeta Mercantil