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Mercado de correspondentes bancários cresce com tecnologia e inclusão financeira

por Maria Helena Costa
24/03/2026 às 13h29
em Negócios
Mercado De Correspondentes Bancários Cresce Com Tecnologia E Inclusão Financeira - Gazeta Mercantil

Mercado de correspondentes bancários se fortalece com digitalização e inclusão financeira

O mercado de correspondentes bancários no Brasil cresce de forma consistente, consolidando-se como um segmento estratégico para a inclusão financeira, principalmente em regiões onde a presença de agências bancárias é limitada. Com quase 200 mil profissionais certificados e 400 mil aptos a atuar, o setor desempenha papel essencial na distribuição de produtos financeiros para trabalhadores CLT, servidores públicos, aposentados e pensionistas. Segundo Lourival Rocha, CEO da Anec (Associação Nacional de Correspondentes Bancários), essa evolução não apenas facilita o acesso ao crédito, mas fortalece a modernização do sistema bancário e contribui para a democratização do acesso a serviços financeiros em todo o país.

O crescimento desse mercado acompanha uma transformação tecnológica que torna as operações mais seguras e eficientes. Produtos como Saque Aniversário, Crédito do Trabalhador, crédito pessoal e empréstimos consignados são processados digitalmente com uso de recursos de vídeo, foto, geolocalização e validação de identidade, garantindo proteção tanto para clientes quanto para instituições financeiras.

Leia também: Positivo Tecnologia (POSI3) reduz prejuízo no 1T26, mas juros e câmbio pressionam resultado.


Relevância social e econômica

A atuação dos correspondentes bancários vai muito além da simples intermediação de produtos financeiros. Eles atendem a uma população que frequentemente não possui acesso direto aos bancos tradicionais. “O correspondente bancário ganha ainda mais relevância com a redução do número de agências físicas”, afirma Rocha. Em muitas localidades, o serviço representa o principal canal de crédito e financiamento, permitindo que cidadãos tenham acesso a produtos financeiros vantajosos sem necessidade de deslocamento.

Além disso, o setor gera emprego direto e indireto para mais de 2 milhões de pessoas. Essa capilaridade contribui para a inclusão financeira e fortalece a economia local, demonstrando que o mercado de correspondentes bancários é um vetor significativo de desenvolvimento social e econômico.


Avanços tecnológicos e desafios regulatórios

Apesar do crescimento, o mercado enfrenta desafios regulatórios e burocráticos. Segundo Rocha, a evolução ocorre a passos cautelosos devido à complexidade das normas de segurança e à necessidade de garantir a integridade das operações. “Temos etapas rigorosas de segurança e certificação, mas precisamos avançar tecnologicamente para atender melhor o cliente”, explica.

A regulamentação do Banco Central, por meio da Resolução 4.935, define os critérios para atuação dos correspondentes bancários, exigindo certificação obrigatória, treinamento em LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e PLDFT (Prevenção à Lavagem de Dinheiro e Financiamento ao Terrorismo). A Anec atua como certificadora, garantindo que os profissionais cumpram normas rígidas de conduta e controle de qualidade.


Digitalização como motor de crescimento

Um dos pilares da expansão do mercado de correspondentes bancários é a digitalização das operações. Transações que antes exigiam presença física, como Saque Aniversário ou empréstimos consignados, agora são realizadas por aplicativos e plataformas digitais, com recursos de vídeo, foto e geolocalização. Esse modelo aumenta a segurança e permite que o cliente escolha o canal que melhor atende às suas necessidades.

No entanto, projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional tentam impor operações físicas obrigatórias, o que, segundo Rocha, desconsidera a segurança das operações digitais e restringe a liberdade de escolha do consumidor. “O cliente precisa ter a opção de escolher como deseja realizar a operação. O Estado não pode impor um modelo único”, afirma.


Certificação e autorregulação do setor

O controle do mercado de correspondentes bancários é rigoroso. Profissionais sem certificação podem captar operações, mas não estão autorizados a finalizá-las junto às instituições financeiras. A certificação da Anec abrange atendimento, proteção de dados e prevenção à lavagem de dinheiro. Além disso, a associação realiza análises detalhadas sobre empresas e profissionais que buscam associação, garantindo que apenas participantes confiáveis atuem no mercado.

A auto-regulação é complementada por órgãos como Febraban e ABBC (Associação Brasileira de Bancos), e o descumprimento das normas resulta em descredenciamento imediato. Segundo Rocha, essa fiscalização rigorosa ajuda a diferenciar correspondentes sérios de golpistas que se passam por profissionais do setor.


Superando a reputação negativa

O setor enfrenta desafios de percepção pública. Reclamações sobre operações não solicitadas ou valores incorretos são raras, representando apenas 0,02% da carteira de crédito consignado em 2024, mesmo com uma carteira total de R$ 63 bilhões. Escândalos envolvendo associações irregulares prejudicaram a imagem do setor, mas diferem completamente do trabalho regulamentado dos correspondentes bancários.

“A maior parte das críticas não se refere a correspondentes sérios, mas a operadores ilegais”, explica Rocha. A Anec trabalha para conscientizar legisladores e a sociedade sobre a importância do setor e as diferenças entre práticas regulamentadas e irregularidades, reforçando a necessidade de conhecimento especializado para decisões políticas mais acertadas.


Potencial de expansão

O mercado de correspondentes bancários ainda possui grande espaço para crescimento. Com 400 mil profissionais aptos a atuar e 200 mil ativos, há oportunidades de expansão em regiões remotas e no atendimento digital. A evolução tecnológica, aliada à regulamentação adequada e à conscientização da sociedade, permitirá ampliar a presença do setor e aumentar o acesso a crédito de forma segura e eficiente.

“Nosso objetivo é mostrar que somos uma ponte entre o cidadão e o sistema financeiro, com segurança, tecnologia e responsabilidade”, afirma Rocha. A atuação dos correspondentes garante que aposentados, trabalhadores e servidores públicos tenham acesso a produtos financeiros de forma rápida, segura e confiável.


Inovação e perspectivas futuras

O futuro do mercado de correspondentes bancários passa por inovação constante e maior eficiência. Digitalização completa, integração entre canais e personalização do atendimento são tendências que prometem transformar a experiência do cliente. A expansão para novas regiões e o aumento da capilaridade permitirão que mais brasileiros tenham acesso a crédito de forma segura.

A educação do público e a melhoria da percepção do setor são essenciais para que o mercado atinja seu potencial máximo, tornando-se referência em segurança, transparência e inclusão financeira em todo o Brasil.

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