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Moraes nega pedido de Braga Netto para TV a cabo na prisão e mantém visitas autorizadas

por Júlia Campos
13/02/2026 às 07h34
em Política
Moraes Nega Pedido De Braga Netto Para Tv A Cabo Na Prisão E Mantém Visitas Autorizadas - Gazeta Mercantil

Braga Netto = Foto: Reprodução

Moraes nega pedido de Braga Netto para TV a cabo na prisão e confirma visitas autorizadas

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, rejeitou o pedido da defesa do general Walter Braga Netto para instalar TV a cabo na cela em que cumpre pena no Comando da 1ª Divisão de Exército, em Brasília. A decisão, publicada na terça-feira (10), reforça os limites dos direitos dos presos previstos na Lei de Execução Penal, destacando que a privação de liberdade não garante acesso a equipamentos eletrônicos.

Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro (PL), cumpre pena de 26 anos por sua participação no plano de golpe de Estado após as eleições de 2022. O ex-ministro havia solicitado, além da instalação de TV a cabo, a autorização para receber visitas e se matricular em curso superior a distância, visando remição de pena.

Leia também: Prisão de Bolsonaro: como a PPF atua na custódia do ex-presidente.

Moraes reforça limites da Lei de Execução Penal

Ao analisar o pedido, Moraes enfatizou que a Lei de Execução Penal assegura direitos aos presos, mas esses direitos são compatíveis com a privação de liberdade e não incluem “qualquer previsão legal que assegure ao preso o direito à posse ou instalação de equipamentos eletrônicos, como no caso de TV a cabo”.

A decisão do ministro reafirma que benefícios como matrícula em cursos ou visitas podem ser concedidos, desde que dentro das normas legais, mas privilégios de conforto ou entretenimento não são obrigatórios na custódia de presos condenados por crimes graves.

Leia também: Prisão de Bolsonaro domina redes e acirra polarização, diz Quaest.

Remição de pena pelo estudo

Moraes determinou ainda que a defesa de Braga Netto informe, em cinco dias, qual curso superior ele pretende cursar na modalidade a distância para fins de remição de pena. “O apenado manifestou interesse na remição da pena pelo estudo, requerendo autorização para matrícula em curso a ser realizado na Faculdade Estácio, na modalidade a distância. No entanto, em que pese a defesa ter apresentado a relação de cursos disponíveis, deixou de indicar qual o curso escolhido pelo apenado entre aqueles elencados, sendo a indicação do curso necessária à análise do pedido”, registrou o relator.

A Lei de Execução Penal prevê que um preso pode remir um dia de pena a cada 12 horas de estudo, um benefício que pode reduzir a duração da detenção quando há dedicação acadêmica comprovada.

Leia também: Justiça nega pedido de destituição de conselho da Petrobras.

Autorizações de visitas

Na mesma decisão, Moraes autorizou visitas previamente indicadas pela defesa do general, todas no período das 14h às 16h, conforme cronograma estabelecido:

  • Domingo, 15: Alexandre Chaves Faria e Ione Souza Braga Chaves Faria

  • Terça-feira, 17: Sergio Borges Medeiros da Silva e Flávio Murillo Barbosa do Nascimento

  • Quinta-feira, 19: Eduardo José Barbosa e João Batista Souza dos Santos

  • Domingo, 22: Eduardo Scalzilli Pantoja

O cumprimento dessas visitas segue protocolos de segurança do Comando da 1ª Divisão de Exército, garantindo contato com familiares e representantes legais do condenado sem comprometer a custódia.

Contexto da condenação de Braga Netto

Walter Braga Netto foi condenado a 26 anos de prisão em regime fechado pelos crimes de:

  • Organização criminosa armada

  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito

  • Golpe de Estado

  • Dano qualificado pela violência e grave ameaça

  • Deterioração de patrimônio tombado

Desde dezembro de 2024, Braga Netto cumpre pena por obstruir a investigação sobre a tentativa de golpe que visava impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A gravidade dos crimes pesa na análise do STF sobre direitos e privilégios durante a execução penal, justificando a negativa quanto à TV a cabo na cela.

Limites dos direitos de presos de alta periculosidade

A decisão de Moraes evidencia como a legislação penal brasileira diferencia direitos e benefícios de acordo com a gravidade do crime e o perfil do condenado. Presos condenados por crimes contra a ordem democrática, como o caso de Braga Netto, têm restrições maiores quanto a conforto ou facilidades de entretenimento, mas continuam assegurados a visitas e à possibilidade de remição de pena por estudo.

O STF mantém, assim, um equilíbrio entre assegurar direitos fundamentais e preservar a segurança institucional e a integridade do sistema prisional, especialmente em casos de grande repercussão política e social.

Implicações jurídicas e políticas

A negativa do pedido de Braga Netto para TV a cabo reforça a interpretação rigorosa de Moraes sobre a execução penal de condenados por crimes graves contra o Estado. Ao mesmo tempo, a autorização de visitas e o acompanhamento da matrícula em curso superior demonstram que direitos básicos e oportunidades de ressocialização continuam sendo garantidos.

O caso também levanta discussões políticas sobre o tratamento de militares de alta patente envolvidos em crimes contra a democracia. Especialistas apontam que a decisão de Moraes é um marco no enfrentamento de privilégios desproporcionais, reforçando que condenados por atentados à ordem democrática não podem usufruir de regalias que extrapolem o que é previsto em lei.

A execução penal e a fiscalização do STF

O acompanhamento de Braga Netto pelo STF inclui a supervisão de direitos e benefícios previstos na Lei de Execução Penal, garantindo que medidas como remição de pena, visitas e matrícula em cursos sejam concedidas de forma controlada e documentada. Esse monitoramento é essencial para manter a transparência, a segurança e a legitimidade do sistema prisional, especialmente em casos que envolvem condenados por crimes contra o Estado democrático.

A decisão também reforça que pedidos que busquem benefícios não previstos em lei, como instalação de TV a cabo, não serão aceitos, mesmo que apresentados por defensores de réus de alta relevância política.

Impacto na percepção pública e institucional

O caso Braga Netto tem repercussão nacional e internacional, pois envolve um general de alta patente e ex-ministro do governo federal condenado por crimes graves contra a democracia. A negativa quanto à TV a cabo reforça a percepção de imparcialidade e rigor do STF, enquanto a autorização de visitas mantém canais de contato e dignidade dentro do ambiente prisional.

Especialistas destacam que decisões como essa fortalecem a confiança da sociedade na Justiça, mostrando que privilégios pessoais não se sobrepõem à lei, mesmo quando se trata de figuras com histórico político ou militar expressivo.

A supervisão rigorosa do cumprimento da pena, a análise detalhada de pedidos de remição de pena e visitas, e o controle sobre benefícios não previstos legalmente demonstram o compromisso do STF com a aplicação equilibrada da Lei de Execução Penal e a proteção da ordem democrática.

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