O Morgan Stanley (MSBR34) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido atribuível de US$ 5,58 bilhões, crescimento de 58% em relação aos US$ 3,54 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. O banco norte-americano também alcançou receita líquida recorde de US$ 21,35 bilhões, impulsionado pela maior atividade nos mercados de capitais, pelo avanço das operações com ações e pela expansão da gestão de patrimônio.
O lucro diluído por ação chegou a US$ 3,46, maior valor trimestral já informado pela instituição e 62% superior aos US$ 2,13 apurados entre abril e junho de 2025. A receita aumentou 27% na mesma comparação, ante US$ 16,79 bilhões um ano antes.
O resultado refletiu uma aceleração ampla das principais linhas de negócio. A divisão de títulos institucionais, que concentra banco de investimento e operações de mercado, registrou receita de US$ 11,04 bilhões, alta de 44%. A unidade de gestão de patrimônio alcançou US$ 8,86 bilhões, avanço de 14%, enquanto a gestão de investimentos cresceu 6%, para US$ 1,65 bilhão.
Ted Pick, presidente do conselho e diretor-presidente do Morgan Stanley, atribuiu o desempenho ao maior nível de atividade dos mercados e à execução das operações nas três principais regiões geográficas do banco. A instituição informou receitas recordes nas áreas consolidadas, em títulos institucionais, ações e gestão de patrimônio.
Resultado do Morgan Stanley em números
Receita líquida: US$ 21,35 bilhões, alta de 27%
Lucro líquido atribuível: US$ 5,58 bilhões, alta de 58%
Lucro diluído por ação: US$ 3,46, avanço de 62%
Lucro antes dos impostos: US$ 7,35 bilhões, alta de 59%
Retorno sobre o patrimônio líquido: 20,7%
Retorno sobre o patrimônio tangível: 26,6%
Índice de eficiência: 65%, ante 71% um ano antes
Provisões para perdas de crédito: US$ 98 milhões, queda de 50%
Receita de títulos institucionais: US$ 11,04 bilhões
Receita da gestão de patrimônio: US$ 8,86 bilhões
Receita da gestão de investimentos: US$ 1,65 bilhão
Mesa de ações registra receita recorde
O principal motor do resultado foi a divisão de títulos institucionais. A receita do segmento avançou de US$ 7,64 bilhões para US$ 11,04 bilhões, enquanto o lucro antes dos impostos mais que dobrou, passando de US$ 2,11 bilhões para US$ 4,26 bilhões.
A área de ações apresentou receita recorde de US$ 6,3 bilhões, crescimento de 69% na comparação anual. Segundo o Morgan Stanley, o desempenho foi sustentado pela elevada atividade dos clientes, por condições favoráveis de mercado e pela expansão dos negócios em diferentes regiões.
A Ásia teve papel relevante no crescimento. A receita total do Morgan Stanley na região subiu 71%, para US$ 3,93 bilhões. Nas Américas, o avanço foi de 22%, para US$ 15,05 bilhões, enquanto Europa, Oriente Médio e África apresentaram alta de 11%, para US$ 2,37 bilhões.
A expansão da mesa de ações ocorreu em um trimestre marcado por maior volume de negociações, operações estruturadas e reposicionamento de investidores institucionais. O banco se beneficiou de sua presença em intermediação, derivativos, financiamento e execução de ordens para grandes clientes.
A receita de renda fixa cresceu em ritmo mais moderado, com alta de 13%, para US$ 2,46 bilhões. O resultado foi favorecido sobretudo pelas operações de crédito corporativo e pela expansão acumulada da carteira de empréstimos vinculada a produtos securitizados.
Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, porém, a receita de renda fixa caiu 27%. O recuo mostra que a expansão anual ocorreu sobre uma base mais fraca, enquanto o desempenho sequencial foi afetado pela normalização de algumas operações realizadas no início do ano.
Banco de investimento cresce com fusões e ofertas
As receitas de banco de investimento aumentaram 58%, para US$ 2,44 bilhões. O crescimento ocorreu nas três principais áreas do segmento: assessoria financeira, emissões de ações e operações de dívida.
A receita de assessoria alcançou US$ 798 milhões, alta de 57%, apoiada pelo aumento das fusões e aquisições concluídas, principalmente nas Américas.
As operações de emissão de ações geraram US$ 851 milhões, avanço de 70%. O banco informou maior atividade em ofertas públicas iniciais, ofertas subsequentes e emissões de títulos conversíveis.
A receita com subscrição de instrumentos de renda fixa chegou a US$ 788 milhões, crescimento de 48%. O resultado acompanhou a retomada das emissões realizadas por empresas para financiar investimentos, refinanciar passivos e executar operações estratégicas.
Somadas, as receitas de subscrição de ações e dívida atingiram US$ 1,64 bilhão, avanço de 59%. O desempenho reforçou a recuperação do mercado global de capitais e elevou a contribuição do banco de investimento para o resultado consolidado.
Gestão de patrimônio recebe US$ 148 bilhões
A unidade de gestão de patrimônio registrou receita recorde de US$ 8,86 bilhões, alta de 14% na comparação anual. O lucro antes dos impostos cresceu 23%, para US$ 2,7 bilhões, com margem antes dos impostos de 30,5%.
As receitas com administração de ativos avançaram 19%, para US$ 5,26 bilhões. O crescimento refletiu a valorização dos mercados e a entrada acumulada de recursos em contas remuneradas por taxas de gestão.
A receita líquida de juros aumentou 18%, para US$ 2,25 bilhões, favorecida pelo maior volume médio de depósitos automáticos de clientes e pela expansão dos empréstimos. A carteira de crédito da divisão chegou a US$ 195,7 bilhões, ante US$ 168,9 bilhões no segundo trimestre de 2025.
A área recebeu US$ 148,1 bilhões em novos ativos líquidos durante o trimestre, mais que o dobro dos US$ 59,2 bilhões registrados um ano antes. O número, entretanto, deve ser analisado com uma ressalva: pouco mais da metade das entradas esteve relacionada a ofertas públicas de empresas atendidas pelo canal corporativo do Morgan Stanley.
Esse canal administra planos de ações, benefícios e participações acionárias de funcionários. Quando uma empresa cliente realiza uma oferta pública, parte dos ativos vinculados aos empregados pode migrar para contas administradas pelo banco, elevando as entradas líquidas do período.
Mesmo descontando o componente extraordinário, o Morgan Stanley registrou expansão relevante da base de recursos. Os ativos remunerados por taxas chegaram a US$ 3,02 trilhões, crescimento de 22% em relação ao ano anterior.
A soma dos ativos de clientes das divisões de gestão de patrimônio e gestão de investimentos alcançou US$ 10 trilhões pela primeira vez, marco que reforça a transformação do Morgan Stanley em uma instituição menos dependente exclusivamente das receitas mais voláteis dos mercados de capitais.
Gestão de investimentos supera US$ 2 trilhões
A divisão de gestão de investimentos registrou receita de US$ 1,65 bilhão, crescimento de 6%. O lucro antes dos impostos avançou 25%, para US$ 404 milhões.
Os ativos sob administração ou supervisão chegaram a US$ 2 trilhões, ante US$ 1,71 trilhão no segundo trimestre do ano passado. O crescimento refletiu a valorização dos mercados e o efeito acumulado das captações.
A receita com administração e serviços relacionados aumentou para US$ 1,52 bilhão. As receitas baseadas em desempenho e outras linhas somaram US$ 130 milhões, praticamente estáveis em relação ao ano anterior.
Os fluxos líquidos de longo prazo foram positivos em US$ 7,5 bilhões, mas ficaram abaixo dos US$ 12,2 bilhões registrados no segundo trimestre de 2025. O dado exclui produtos de liquidez e alguns serviços de sobreposição de carteiras.
Provisões caem, mas despesas avançam 16%
As provisões para perdas com crédito foram reduzidas pela metade, de US$ 196 milhões para US$ 98 milhões. A queda contribuiu para a expansão do lucro, embora o banco tenha continuado constituindo reservas relacionadas ao crescimento dos empréstimos corporativos e garantidos.
Na divisão de títulos institucionais, as provisões caíram de US$ 168 milhões para US$ 71 milhões. Na gestão de patrimônio, ficaram praticamente estáveis, em US$ 27 milhões.
As despesas totais do Morgan Stanley aumentaram 16%, para US$ 13,9 bilhões. Os gastos com remuneração e benefícios avançaram 14%, para US$ 8,19 bilhões, acompanhando o crescimento das receitas e das parcelas variáveis pagas aos funcionários.
As despesas não relacionadas à remuneração cresceram 19%, para US$ 5,72 bilhões. O aumento foi provocado por custos de execução de operações, tecnologia, corretagem, compensação de negócios e desenvolvimento comercial.
Apesar da elevação nominal dos gastos, o crescimento da receita foi mais rápido. Com isso, o índice de eficiência, que mede as despesas como proporção da receita, caiu de 71% para 65%. Quanto menor o indicador, maior a parcela das receitas que permanece disponível antes de impostos e provisões.
A margem consolidada antes dos impostos passou de 28% para 34%. O retorno sobre o patrimônio líquido avançou de 13,9% para 20,7%, enquanto o retorno sobre o patrimônio tangível subiu de 18,2% para 26,6%.
Banco amplia dividendos e autoriza recompra de US$ 20 bilhões
O conselho de administração autorizou um novo programa plurianual de recompra de ações de até US$ 20 bilhões. O plano começará no terceiro trimestre de 2026 e não possui prazo determinado para terminar.
Durante o segundo trimestre, o Morgan Stanley já havia recomprado US$ 1,5 bilhão em ações, ante US$ 1 bilhão no mesmo período do ano anterior. Foram adquiridos aproximadamente 8 milhões de papéis, ao preço médio de US$ 197,64.
O banco também elevou o dividendo trimestral em US$ 0,15, para US$ 1,15 por ação. O pagamento está previsto para 14 de agosto de 2026, destinado aos acionistas registrados em 31 de julho.
A capacidade de devolver capital aos investidores foi apoiada por uma posição regulatória ainda considerada robusta. O índice de capital principal de nível 1, pelo método padronizado, ficou em 14,8%, ante 15% no segundo trimestre do ano passado.
O índice caiu em relação aos 15,1% registrados no trimestre anterior, em meio ao crescimento dos ativos ponderados pelo risco. Ainda assim, o nível permaneceu acima dos requisitos regulatórios aplicáveis ao banco.
Lucro do primeiro semestre cresce 42%
No acumulado dos seis primeiros meses de 2026, o Morgan Stanley registrou receita líquida de US$ 41,93 bilhões, crescimento de 21% sobre o mesmo período do ano passado.
O lucro atribuível à instituição alcançou US$ 11,15 bilhões, alta de 42%, enquanto o lucro diluído por ação avançou 46%, para US$ 6,90.
A divisão de títulos institucionais acumulou receita de US$ 21,76 bilhões, crescimento de 31%. A gestão de patrimônio avançou 15%, para US$ 17,38 bilhões, e a gestão de investimentos permaneceu praticamente estável, com receita de US$ 3,18 bilhões.
Os números mostram que o banco combinou a recuperação das operações mais sensíveis aos mercados de capitais com o crescimento das receitas recorrentes geradas pela administração de patrimônio.
O desempenho dos próximos trimestres dependerá da continuidade da atividade em fusões e aquisições, ofertas de ações e emissões de dívida, além do comportamento dos mercados financeiros e dos fluxos direcionados às divisões de gestão de recursos.









