Nelson Tanure quebra o silêncio após Operação da PF e nega ser sócio oculto do Banco Master
Em comunicado oficial, o empresário refuta acusações de controle indireto da instituição financeira, classifica relação como “estritamente comercial” e afirma que exposição ao banco gera “prejuízos suportáveis”.
O empresário e investidor Nelson Tanure, figura central em grandes reestruturações corporativas no Brasil, manifestou-se pela primeira vez nesta quinta-feira após ser alvo da Operação Compliance Zero. A ação da Polícia Federal, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, investiga uma complexa teia de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro do ano passado. Em nota contundente, Nelson Tanure negou veementemente qualquer vínculo societário ou de controle sobre o banco de Daniel Vorcaro, rechaçando a tese dos investigadores de que atuaria como “sócio oculto” da instituição.
A manifestação de Nelson Tanure ocorre em um momento de tensão no mercado financeiro, após o cumprimento de mandados de busca e apreensão que atingiram não apenas o empresário, mas também a alta cúpula do Banco Master e da gestora Reag Investimentos. Abordado por agentes da PF no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, Nelson Tanure teve seu celular apreendido, um episódio que ele classificou como uma “cena inusitada” em seus mais de 50 anos de trajetória empresarial.
A Defesa de Nelson Tanure: “Relações estritamente comerciais”
No centro da defesa apresentada por Nelson Tanure está a afirmação categórica de que sua relação com o Banco Master limitava-se à condição de cliente e investidor. Não fui nem sou controlador do extinto Banco Master, tampouco seu sócio, ainda que minoritário, direta ou indiretamente”, declarou o empresário.
O comunicado detalha que as interações com a instituição financeira envolviam operações de crédito, aplicações financeiras, gestão de fundos e aquisição de participações societárias — atividades corriqueiras para um investidor de seu porte. Nelson Tanure sustenta que todas essas operações foram realizadas em conformidade com a legislação vigente e sem qualquer ingerência na gestão interna do banco.
Para o mercado, a declaração visa isolar os ativos do empresário do “risco sistêmico” apontado pela PF no Caso Master. Nelson Tanure é conhecido por investir em setores estratégicos como telecomunicações, petróleo (PRIO), energia (Light) e construção civil (Gafisa). Ao afirmar que os recursos investidos têm origem exclusiva em seus negócios lícitos, ele tenta blindar seu portfólio contra a contaminação reputacional das fraudes investigadas.
As Suspeitas da PF: Sócio Oculto e Estruturas Complexas
A versão apresentada por Nelson Tanure colide frontalmente com a linha de investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Segundo a representação enviada ao STF, há indícios de que o empresário atuaria como “sócio oculto do Banco Master”, exercendo influência através de fundos de investimento e estruturas societárias complexas.
Os investigadores apontam que a relação entre Nelson Tanure e Daniel Vorcaro, controlador do Master, transcendia a esfera comercial. Relatórios técnicos, inclusive da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), identificaram atuações “coordenadas” e “interdependentes” entre as partes. Um exemplo citado é a suposta manobra para inflar o preço das ações da Ambipar, empresa de serviços ambientais, através de operações cruzadas que teriam distorcido a formação de preços no mercado de capitais.
A Operação Compliance Zero busca comprovar que essas estruturas serviam para maquiar o balanço do Banco Master, permitindo a concessão de empréstimos que geravam receitas apenas no papel, ocultando a insolvência real da instituição.
O Afastamento Gradual e os Prejuízos Assumidos
Um ponto estratégico no comunicado de Nelson Tanure é a revelação de que ele vinha reduzindo sua exposição ao Banco Master “há bastante tempo”. O empresário admite que ainda possui valores aplicados na instituição liquidada, mas classifica o montante como “perdas suportáveis, próprias de operações de tomadores de risco.
Essa admissão de prejuízo serve a dois propósitos: primeiro, reforça a narrativa de que ele é uma vítima da má gestão do banco, e não seu artífice; segundo, tenta tranquilizar credores e parceiros de seus outros negócios, sinalizando que a quebra do Master não compromete a solvência de seu grupo empresarial. Nelson Tanure enfatiza que jamais teve conhecimento de relações do banco com terceiros investigados, como a gestora Reag, o BRB (Banco de Brasília) ou a Fictor.
Reag e Banco Master: O Colapso de uma Teia
A manifestação de Nelson Tanure ocorre no mesmo dia em que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Reag Investimentos. A gestora é suspeita de ser um dos braços operacionais das fraudes do Banco Master e de possuir ligações com facções criminosas, como o PCC.
A investigação da PF sugere que a Reag administrava fundos utilizados para triangular recursos entre Nelson Tanure e o Banco Master, criando um circuito financeiro fechado que dificultava o rastreamento de capitais. Ao negar qualquer relação com a Reag, Nelson Tanure tenta se distanciar do epicentro criminal da operação, focando sua defesa na licitude da origem de seus recursos.
O Futuro das Investigações
O ministro Dias Toffoli já indicou peritos da Polícia Federal que analisarão o material apreendido, incluindo o celular de Nelson Tanure. A quebra do sigilo telemático e bancário será crucial para confirmar ou refutar a tese do “sócio oculto.
Enquanto isso, a defesa de Daniel Vorcaro mantém a postura de negar irregularidades, afirmando que o banqueiro realizou aportes sucessivos para tentar salvar a instituição. O confronto de versões entre o controlador formal (Vorcaro) e o suposto controlador oculto (Nelson Tanure) deve pautar os próximos capítulos desta crise bancária.
Nelson Tanure encerra sua nota reafirmando confiança na Justiça e disposição para colaborar. Sigo resiliente, com a serenidade de quem sempre conduziu seus negócios com responsabilidade”, declarou. O mercado, agora, aguarda para ver se as provas corroboram a serenidade do investidor ou a gravidade das acusações policiais.






