Como Funcionam as Turmas do STF e o Pedido de Transferência de Luiz Fux para a Segunda Turma
O Supremo Tribunal Federal (STF) volta ao centro das atenções após o pedido do ministro Luiz Fux para ser transferido da Primeira para a Segunda Turma da Corte. O movimento ocorre poucos dias após a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, que deixou vaga aberta no colegiado.
A decisão de Fux tem potencial para alterar a composição dos grupos responsáveis por julgamentos sensíveis, especialmente os que envolvem processos relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro. O pedido agora está nas mãos do presidente do STF, Edson Fachin, a quem cabe decidir sobre a transferência.
O que são as Turmas do STF e como funcionam
O Supremo Tribunal Federal divide seus trabalhos em três instâncias de julgamento: o Plenário e duas Turmas — a Primeira e a Segunda Turma.
O Plenário é composto pelos 11 ministros e é responsável por analisar temas constitucionais de maior repercussão e casos de grande relevância nacional. Já as Turmas do STF, formadas por cinco ministros cada, tratam de matérias específicas, conforme estabelecido no Regimento Interno da Corte.
Desde 2023, ambas as Turmas voltaram a julgar ações penais, o que ampliou o escopo de atuação dos colegiados. Essa decisão trouxe para as Turmas processos de grande impacto político, como os relacionados à tentativa de golpe de Estado de 2022 e aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.
A composição atual das Turmas do STF
A Primeira Turma do STF é presidida pelo ministro Flávio Dino e conta com os ministros Cristiano Zanin, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Alexandre de Moraes.
Já a Segunda Turma, atualmente com uma vaga em aberto, é formada pelos ministros Gilmar Mendes (presidente), Kássio Nunes Marques, André Mendonça e Dias Toffoli.
Com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, a Segunda Turma passou a operar com apenas quatro ministros. Essa lacuna motivou o pedido de transferência de Luiz Fux, o que pode gerar uma reconfiguração no equilíbrio de forças entre os colegiados.
O pedido de Luiz Fux e as regras do Regimento Interno
De acordo com o Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, um ministro pode solicitar transferência de Turma sempre que houver vaga disponível. A análise do pedido é feita pelo presidente do STF, que decide conforme critérios de antiguidade e conveniência administrativa.
No caso atual, a vaga aberta na Segunda Turma — deixada por Barroso — pode ser ocupada por Fux, caso Fachin aprove o pedido.
O novo ministro indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que sucederá Barroso no Supremo, deverá, nesse cenário, ocupar a cadeira deixada por Fux na Primeira Turma. Assim, a composição dos colegiados voltaria a ter cinco ministros em cada grupo.
Impactos da possível transferência de Fux para a Segunda Turma
A transferência de Luiz Fux para a Segunda Turma não é apenas uma questão administrativa. Ela pode ter impactos diretos na tramitação e julgamento de casos relevantes, especialmente os que envolvem investigações e ações penais sobre os atos antidemocráticos de 8 de janeiro e os processos da chamada trama golpista.
A Primeira Turma, atualmente presidida por Flávio Dino, concentra a maior parte dos processos ligados ao 8 de janeiro e à tentativa de golpe de 2022. Se Fux for transferido, o novo ministro indicado por Lula poderá vir a participar dessas decisões, alterando a dinâmica interna e o perfil dos julgamentos.
Além disso, a Segunda Turma, liderada por Gilmar Mendes, é historicamente conhecida por tratar de processos criminais de alta repercussão e ações envolvendo autoridades políticas e empresariais. A chegada de Fux pode equilibrar os perfis técnicos e jurídicos do colegiado, que costuma ter deliberações com maior divergência entre os ministros.
O papel das Turmas nas decisões do Supremo Tribunal Federal
As Turmas do STF desempenham papel essencial na agilidade e eficiência da Corte. Elas funcionam como divisões operacionais do tribunal, permitindo que um número maior de processos seja julgado simultaneamente.
Cada Turma delibera sobre temas específicos, como ações penais, mandados de segurança, habeas corpus, recursos extraordinários e questões administrativas internas.
As decisões tomadas nas Turmas têm o mesmo peso jurídico das que são proferidas pelo Plenário, mas podem ser revistas em casos excepcionais, quando houver repercussão geral ou contradição entre decisões.
Esse modelo de divisão colegiada garante celeridade e especialização no julgamento de matérias complexas, ao mesmo tempo em que preserva a unidade interpretativa da Constituição Federal.
A importância da antiguidade nas decisões de composição
No STF, o critério de antiguidade é determinante para diversas decisões administrativas e regimentais, inclusive para mudanças de Turma.
Atualmente, Luiz Fux é um dos ministros mais antigos em atividade, o que lhe confere prioridade no pedido de transferência. Caso o presidente Edson Fachin acate o requerimento, ele exercerá seu direito regimental e passará a integrar a Segunda Turma.
A eventual mudança também influenciará a distribuição de processos entre os colegiados, exigindo ajustes internos para equilibrar a carga de trabalho e garantir o cumprimento dos prazos processuais.
Mudanças recentes nas Turmas do STF
A movimentação de ministros entre as Turmas não é incomum. Um exemplo recente ocorreu em 2023, quando o ministro Dias Toffoli foi transferido para a Segunda Turma, em um rearranjo interno que também teve como objetivo otimizar a dinâmica dos julgamentos.
Essas reconfigurações fazem parte do funcionamento normal do STF, especialmente em momentos de aposentadorias, novas indicações presidenciais ou alterações na presidência da Corte.
Cada alteração, no entanto, pode gerar impactos políticos e jurídicos significativos, dada a natureza dos processos em tramitação e a relevância institucional do Supremo na estabilidade democrática do país.
Contexto político e simbólico da movimentação
O pedido de Luiz Fux ocorre em um momento delicado, no qual o Supremo Tribunal Federal desempenha papel central em julgamentos relacionados à defesa do Estado Democrático de Direito.
Como integrante da Primeira Turma, Fux tem participado de decisões que envolvem investigações sobre os atos golpistas e o financiamento de manifestações antidemocráticas. Sua possível mudança para a Segunda Turma pode ser interpretada como uma reconfiguração estratégica na composição dos colegiados.
Além disso, a transferência acontece no mesmo período em que o STF aguarda a posse do novo ministro indicado por Lula, o que reacende discussões sobre equilíbrio ideológico e técnico dentro da Corte.
O que esperar nos próximos dias
Com o pedido formalizado, a decisão final caberá ao presidente do STF, Edson Fachin, que deve avaliar o pleito considerando as normas regimentais e a conveniência administrativa.
Caso seja aprovada, a transferência de Luiz Fux para a Segunda Turma poderá ocorrer ainda em outubro de 2025, antes da posse do novo ministro.
Essa movimentação, embora técnica, pode redefinir o cenário dos julgamentos mais sensíveis em andamento no Supremo, reforçando a importância das Turmas do STF como instâncias decisórias fundamentais na estrutura do Judiciário brasileiro.






