A Pague Menos (PGMN3) encerrou o primeiro trimestre de 2026 com forte expansão de lucro, melhora de rentabilidade e redução do nível de alavancagem financeira, em um balanço que reforça a trajetória de recuperação operacional da rede de farmácias. A companhia reportou lucro líquido ajustado de R$ 55,6 milhões no 1T26, alta de 325,6% em relação aos R$ 13,1 milhões registrados no mesmo período de 2025.
O resultado marca um avanço expressivo para a Pague Menos em um ambiente ainda competitivo no varejo farmacêutico, segmento caracterizado por margens pressionadas, disputa por ponto comercial, necessidade de escala e forte demanda por eficiência logística. O desempenho também mostra que a empresa conseguiu transformar crescimento de receita em ganho de rentabilidade, ponto observado pelo mercado com atenção em companhias de varejo.
A receita bruta da Pague Menos totalizou R$ 4,14 bilhões entre janeiro e março, crescimento de 14,4% na comparação anual. O número indica avanço consistente das vendas, sustentado principalmente pelo desempenho das lojas já existentes, em vez de uma expansão agressiva da base física no período.
No trimestre, a companhia realizou uma abertura e dois fechamentos de lojas, encerrando março com 1.688 pontos de venda. Embora o ritmo de expansão tenha sido reduzido no início do ano, a empresa informou contar com um pipeline relevante de unidades em diferentes estágios de implantação, o que pode sustentar uma aceleração gradual da expansão orgânica nos próximos períodos.
Lucro da Pague Menos cresce mais de quatro vezes no trimestre
O principal destaque do balanço da Pague Menos foi a evolução do lucro líquido ajustado, que saltou de R$ 13,1 milhões no 1T25 para R$ 55,6 milhões no 1T26. A alta de 325,6% mostra ganho de escala e maior eficiência na conversão das vendas em resultado final.
Esse crescimento é relevante porque o lucro líquido, especialmente em redes de varejo, costuma refletir não apenas o comportamento das receitas, mas também o controle de despesas, o custo da dívida, a gestão de estoques, a eficiência operacional e a capacidade de preservar margens em meio à concorrência.
No caso da Pague Menos, a combinação de avanço nas vendas mesmas lojas, aumento do Ebitda e queda da alavancagem financeira ajudou a explicar a melhora do resultado ajustado. O desempenho também sugere que a companhia conseguiu capturar ganhos operacionais em sua estrutura atual, mesmo sem acelerar significativamente o número de novas lojas no trimestre.
Para investidores, o lucro ajustado tende a ser acompanhado como uma medida importante para avaliar a evolução recorrente do negócio, pois busca reduzir efeitos extraordinários e oferecer uma leitura mais clara da performance operacional da empresa.
Ebitda ajustado avança 36,1% e margem sobe no 1T26
Além do lucro líquido, a Pague Menos apresentou crescimento relevante no Ebitda ajustado, indicador que mede o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização. O Ebitda ajustado somou R$ 204,7 milhões no 1T26, alta de 36,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A margem Ebitda ajustada ficou em 4,9%, avanço de 0,8 ponto percentual na comparação anual. A expansão da margem indica que a companhia conseguiu melhorar sua eficiência operacional, ampliando o resultado em ritmo superior ao crescimento da receita.
O vice-presidente financeiro, de relações com investidores e M&A da Pague Menos, Luiz Novais, destacou que este foi o sétimo trimestre consecutivo em que a companhia registrou crescimento de Ebitda superior a 30%. Segundo o executivo, o desempenho reforça a consistência da evolução operacional da empresa.
A sequência de trimestres com expansão relevante de Ebitda tende a ser observada como sinal de disciplina na execução do plano de negócios. Em um setor de margens apertadas, ganhos recorrentes de eficiência podem ter peso significativo na percepção dos investidores sobre a capacidade da companhia de sustentar crescimento com rentabilidade.
Receita bruta chega a R$ 4,14 bilhões
A receita bruta da Pague Menos alcançou R$ 4,14 bilhões no primeiro trimestre de 2026, avanço de 14,4% sobre igual intervalo de 2025. O resultado reflete a força das vendas no conceito mesmas lojas, que cresceram 13% no período.
O desempenho das mesmas lojas é um dos indicadores mais importantes para o varejo, pois mede a evolução das unidades que já estavam em operação há determinado período, excluindo o efeito de aberturas recentes. Dessa forma, o dado mostra a capacidade da empresa de vender mais dentro da base existente.
No balanço da Pague Menos, as lojas maduras cresceram 12,8%, desempenho equivalente a mais de três vezes a inflação do período, conforme a companhia. Esse avanço reforça a leitura de ganho real de vendas, e não apenas recomposição nominal de preços.
A empresa também informou que a desaceleração em relação ao trimestre anterior decorre, principalmente, de bases de comparação progressivamente mais fortes. A Pague Menos destacou que o crescimento mesmas lojas acumulado em três anos chegou a 45%, patamar próximo aos 47% observados no quarto trimestre de 2025.
Esse ponto é relevante porque, à medida que a base de comparação se torna mais elevada, manter taxas muito altas de crescimento se torna naturalmente mais difícil. Ainda assim, o avanço de dois dígitos nas mesmas lojas mostra resiliência na demanda e capacidade de execução comercial.
Expansão de lojas foi moderada, mas pipeline segue relevante
A Pague Menos encerrou o 1T26 com 1.688 lojas, após uma abertura e dois fechamentos no período. O saldo líquido negativo mostra que a empresa adotou postura mais seletiva na expansão física durante os três primeiros meses do ano.
Essa estratégia pode ser interpretada como parte de uma fase de maior disciplina na alocação de capital, especialmente em um ambiente de juros ainda elevados no Brasil. Para redes varejistas, a abertura de lojas exige investimento em ponto comercial, estoque, equipe, tecnologia, logística e maturação gradual da unidade.
A companhia, porém, afirmou que possui um pipeline relevante de lojas em diferentes estágios de implantação. Isso indica que o ritmo de expansão pode acelerar de forma gradual ao longo dos próximos trimestres, desde que as condições operacionais e financeiras permaneçam favoráveis.
No setor farmacêutico, a presença física ainda é um ativo importante, mesmo com o crescimento dos canais digitais. A proximidade com o consumidor, a capilaridade regional, a recorrência de compras e a oferta de medicamentos e itens de conveniência sustentam a relevância das lojas.
Para a Pague Menos, o desafio é equilibrar expansão com rentabilidade. Crescer em número de unidades pode ampliar receita e participação de mercado, mas também pode pressionar despesas se a maturação das lojas for lenta ou se a expansão ocorrer em regiões muito competitivas.
Alavancagem financeira cai para 1,9 vez
Outro ponto positivo do balanço foi a redução da alavancagem financeira. A relação entre dívida líquida e Ebitda da Pague Menos caiu para 1,9 vez no 1T26, recuo de 0,9 vez em relação ao mesmo período do ano anterior.
A queda da alavancagem indica melhora na estrutura financeira da empresa. Em termos práticos, significa que a dívida líquida passou a representar uma proporção menor do Ebitda, reduzindo a pressão financeira sobre a companhia.
A Pague Menos atribuiu essa evolução à combinação de crescimento operacional e disciplina financeira, com melhora contínua no perfil da dívida. Esse movimento é relevante em um cenário de custo de capital ainda sensível às taxas de juros.
Empresas varejistas com alta alavancagem tendem a ser mais vulneráveis a ciclos de juros elevados, pois parte maior do resultado operacional pode ser consumida por despesas financeiras. Ao reduzir a alavancagem, a companhia ganha mais flexibilidade para investir, refinanciar passivos e atravessar períodos de maior volatilidade econômica.
A melhora no endividamento também pode contribuir para uma avaliação mais favorável do mercado, especialmente se vier acompanhada de crescimento de receita, expansão de margens e geração de caixa consistente.
Crescimento mesmas lojas sustenta desempenho da rede
O avanço de 13% nas vendas mesmas lojas foi um dos motores do resultado da Pague Menos no primeiro trimestre. O indicador mostra que a companhia conseguiu extrair mais receita da estrutura existente, sem depender apenas de novas aberturas.
Esse desempenho pode refletir fatores como maior fluxo de clientes, aumento do tíquete médio, melhor sortimento de produtos, ganho de participação em categorias estratégicas e maior eficiência comercial. No varejo farmacêutico, a combinação entre medicamentos, produtos de higiene, beleza, conveniência e serviços pode ampliar a recorrência de compras.
A Pague Menos também se beneficia de um mercado com demanda relativamente resiliente. Medicamentos e produtos de saúde estão entre os itens de consumo recorrente das famílias, o que tende a reduzir a volatilidade das vendas em comparação com outros segmentos do varejo.
Ainda assim, o setor exige forte controle de custos. Margens podem ser impactadas por descontos, competição com grandes redes, pressão de fornecedores, despesas logísticas e dinâmica regional de preços. Por isso, a melhora do Ebitda e da margem ajustada tem peso relevante na leitura do balanço.
Pague Menos combina escala, eficiência e disciplina financeira
O balanço do 1T26 mostra uma Pague Menos em fase de consolidação de ganhos operacionais. A empresa cresceu receita, expandiu lucro, aumentou Ebitda, elevou margem e reduziu alavancagem. Em conjunto, esses fatores reforçam a percepção de melhora na qualidade do resultado.
A alta de 325,6% no lucro líquido ajustado chama atenção pelo tamanho da variação, mas a leitura mais completa do balanço passa por observar a consistência dos demais indicadores. O crescimento de 36,1% no Ebitda ajustado e a margem de 4,9% sugerem que a expansão do lucro não foi um evento isolado.
A redução da alavancagem para 1,9 vez também contribui para reforçar a tese de uma companhia mais equilibrada financeiramente. Esse ponto tende a ser especialmente relevante para investidores que acompanham o setor de varejo, no qual o endividamento pode limitar a capacidade de expansão e pressionar o lucro líquido.
O desempenho das lojas maduras, com crescimento de 12,8%, indica que a rede ainda encontra espaço para ampliar vendas na base instalada. Esse é um sinal importante porque reduz a dependência de crescimento puramente por abertura de novas unidades.
Setor farmacêutico segue competitivo e exige execução precisa
Apesar dos avanços, a Pague Menos opera em um setor altamente competitivo. O varejo farmacêutico brasileiro reúne grandes redes nacionais, players regionais fortes, farmácias independentes e canais digitais em expansão. A disputa ocorre em preço, localização, atendimento, disponibilidade de produtos e conveniência.
Nesse contexto, a empresa precisa manter equilíbrio entre crescimento de vendas e preservação de margens. Promoções agressivas podem impulsionar receita no curto prazo, mas comprometer rentabilidade. Por outro lado, eficiência logística, gestão de estoque e escala de compras podem ajudar a proteger o resultado operacional.
A Pague Menos também precisa administrar a maturação de novas lojas. Unidades recém-abertas normalmente levam tempo para alcançar níveis ideais de venda e rentabilidade. Por isso, a sinalização de um pipeline relevante deve ser acompanhada pela capacidade de manter disciplina na escolha dos pontos e no ritmo de investimento.
O desempenho do 1T26 sugere que a companhia entrou no ano com indicadores operacionais mais fortes. No entanto, a continuidade da trajetória dependerá da capacidade de preservar crescimento em mesmas lojas, avançar com expansão seletiva e manter a redução gradual da alavancagem.
O que o balanço sinaliza para os próximos trimestres
O resultado do primeiro trimestre de 2026 coloca a Pague Menos em posição de maior destaque no acompanhamento do varejo farmacêutico na Bolsa. A alta expressiva do lucro ajustado, combinada à expansão do Ebitda e à queda da alavancagem, sinaliza uma empresa mais eficiente e financeiramente mais disciplinada.
Para os próximos trimestres, os investidores devem acompanhar três pontos centrais: a manutenção do crescimento em mesmas lojas, a velocidade de retomada da expansão orgânica e a continuidade da melhora no perfil da dívida. Esses fatores serão determinantes para avaliar se o desempenho do 1T26 representa uma nova base de rentabilidade para a companhia.
A Pague Menos chega ao restante de 2026 com indicadores operacionais favoráveis, mas ainda diante dos desafios típicos de um setor de escala, concorrência intensa e margens reduzidas. O balanço, porém, mostra que a companhia conseguiu avançar em frentes relevantes ao mesmo tempo: vendeu mais, lucrou mais, melhorou margem e reduziu alavancagem.
Em um mercado que busca empresas com crescimento sustentável e maior previsibilidade operacional, a evolução da Pague Menos no 1T26 reforça a importância da disciplina financeira e da eficiência na gestão da rede. O desempenho não elimina os desafios do setor, mas amplia a atenção sobre a capacidade da companhia de sustentar resultados mais robustos ao longo do ano.









