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Pesquisa CNT/MDA mostra Flávio com 50,5% e Lula com 49,5%; disputa segue em empate técnico

Levantamento divulgado nesta sexta-feira (16) aponta vantagem numérica de um ponto para o senador; 92,9% dos eleitores com candidato definido afirmam que não pretendem mudar o voto.

por Júlia Campos
16/10/2026 às 14h12
em Política
Pesquisa Eleitoral - Gazeta Mercantil

A nova pesquisa CNT/MDA, divulgada nesta sexta-feira (16), mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 50,5% dos votos válidos para a Presidência da República, contra 49,5% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A diferença de um ponto percentual permanece dentro da margem de erro do levantamento, configurando empate técnico a nove dias do segundo turno das eleições de 2026, marcado para 25 de outubro. Os resultados confirmam a existência de uma disputa equilibrada, sem vantagem estatística conclusiva para qualquer um dos candidatos.

O levantamento, realizado pelo Instituto MDA para a Confederação Nacional do Transporte (CNT), ouviu 2.014 eleitores em 140 municípios brasileiros entre os dias 13 e 15 de outubro. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00652/2026 e constitui a primeira rodada da série CNT/MDA realizada após o primeiro turno presidencial.

Além da pequena diferença entre os candidatos, o estudo revela um eleitorado com elevado grau de definição. Entre os entrevistados que indicaram uma opção de voto, 92,9% afirmaram que sua decisão é definitiva, enquanto apenas 7,1% admitiram a possibilidade de mudar de candidato até a eleição. O indicador sugere uma disputa concentrada em um contingente relativamente reduzido de eleitores ainda disponíveis para mudanças de preferência.

Flávio Bolsonaro tem 46,8% e Lula registra 45,9% nos votos totais

Na pesquisa estimulada, modalidade em que os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Flávio Bolsonaro aparece com 46,8% das intenções de voto, enquanto Lula registra 45,9%. Outros 4,9% declaram intenção de votar em branco ou anular o voto, e 2,4% permanecem indecisos.

A vantagem numérica do senador nessa modalidade é de 0,9 ponto percentual. O cálculo dos votos válidos exclui os percentuais atribuídos a brancos, nulos e indecisos, considerando apenas as intenções de voto direcionadas aos dois candidatos.

Cenário Flávio Bolsonaro Lula
Votos totais 46,8% 45,9%
Votos válidos 50,5% 49,5%
Pesquisa espontânea 45,6% 44,1%

Na pesquisa espontânea, em que os entrevistados precisam indicar um candidato sem receber uma lista de nomes, Flávio aparece com 45,6% e Lula, com 44,1%. A diferença é de 1,5 ponto percentual. Nesse cenário, 5,2% mencionam voto branco ou nulo e 5% não apresentam uma preferência definida.

Os resultados mostram consistência na proximidade entre os candidatos nas diferentes formas de pergunta. Em nenhuma das modalidades, entretanto, os números autorizam afirmar que um dos concorrentes esteja estatisticamente à frente do outro no conjunto do eleitorado.

CNT/MDA registra inversão de posições em relação à pesquisa anterior

A comparação com a rodada anterior da CNT/MDA revela uma alteração importante na distribuição das intenções de voto. No levantamento realizado entre 30 de setembro e 2 de outubro, antes do primeiro turno, Lula aparecia com 52,3% dos votos válidos em uma simulação de confronto direto, enquanto Flávio Bolsonaro registrava 47,7%.

Na pesquisa atual, a ordem foi invertida. Flávio alcançou 50,5%, crescimento numérico de 2,8 pontos percentuais, enquanto Lula recuou para 49,5%, redução de 2,8 pontos.

A diferença entre os candidatos passou de uma vantagem de 4,6 pontos para Lula para uma vantagem de um ponto para Flávio. A alteração equivale a uma oscilação acumulada de 5,6 pontos percentuais na distância entre as duas candidaturas.

O deslocamento deve ser interpretado com cautela. Além das margens de erro, a rodada anterior foi realizada antes da votação de 4 de outubro, quando o comportamento dos eleitores ainda estava condicionado à disputa de primeiro turno. O resultado das urnas e a eliminação dos demais candidatos podem ter modificado as preferências expressas nas entrevistas posteriores.

A série histórica do instituto mostra que Lula aparecia com 57,2% dos votos válidos em junho, enquanto Flávio registrava 42,8%. Desde então, as diferenças numéricas diminuíram progressivamente, até a inversão observada em outubro.

Embora a sequência indique uma redução da vantagem anteriormente registrada pelo presidente, os dados não permitem identificar isoladamente quais acontecimentos provocaram as mudanças. A interpretação exige considerar a campanha eleitoral, as condições de coleta e a movimentação dos eleitores ao longo do período.

PoderData/Aya também aponta empate no segundo turno

Outro levantamento divulgado nesta sexta-feira reforça o cenário de equilíbrio, embora apresente resultados ligeiramente diferentes. A pesquisa PoderData/Aya, realizada entre 13 e 15 de outubro, registrou 50% dos votos válidos para Lula e 50% para Flávio Bolsonaro.

O estudo entrevistou 3.000 pessoas em 644 municípios, utilizando ligações telefônicas para números fixos e celulares. A margem de erro informada é de 1,8 ponto percentual, com nível de confiança de 95%. O registro eleitoral é BR-04258/2026.

As duas pesquisas foram realizadas no mesmo intervalo de três dias, mas utilizaram procedimentos distintos. Enquanto o MDA conduziu entrevistas presenciais, domiciliares e em pontos de fluxo, o PoderData adotou coleta por telefone. As diferenças metodológicas impedem tratar os resultados como medições diretamente intercambiáveis.

Ainda assim, ambos os levantamentos apresentam um resultado central semelhante: a disputa permanece dentro das respectivas margens de erro, sem definição estatística de liderança.

Na série PoderData/Aya, a distância numérica entre os candidatos diminuiu em relação às rodadas anteriores. A pesquisa de 8 de outubro havia mostrado diferença de seis pontos percentuais, posteriormente reduzida para dois pontos e, na medição mais recente, eliminada no arredondamento dos votos válidos.

A trajetória não é idêntica à apresentada pela CNT/MDA. Enquanto uma série registra redução da diferença favorável a Flávio, a outra mostra inversão de uma vantagem anteriormente atribuída a Lula. Isso reforça a necessidade de analisar a evolução dentro da metodologia de cada instituto, sem combinar pesquisas diferentes como se fossem uma única série estatística.

Mais de 92% dizem ter decisão definitiva de voto

Um dos indicadores mais relevantes do relatório CNT/MDA está relacionado à disposição dos eleitores de reconsiderar suas escolhas. Entre os entrevistados que declararam preferência por algum candidato, 92,9% afirmaram que a decisão é definitiva. Apenas 7,1% disseram que ainda poderiam mudar de opinião.

O percentual de eleitores com voto definido aumentou em comparação com as pesquisas anteriores do instituto. Em abril, 65% dos entrevistados afirmavam ter uma escolha definitiva. A proporção passou para 80% em setembro, alcançou 88% no levantamento de 30 de setembro a 2 de outubro e chegou aos atuais 92,9%.

A evolução representa crescimento de quase 28 pontos percentuais no grau declarado de definição desde abril. O avanço é compatível com a aproximação do dia da votação e com a concentração da disputa em apenas duas candidaturas.

A pesquisa também permite observar a estabilidade dos eleitores de cada candidato. Entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro, 94% afirmam que o voto é definitivo, enquanto 6% admitem mudar. Os mesmos percentuais aparecem entre os eleitores de Lula.

O resultado não significa que necessariamente 92,9% do eleitorado total votará nos nomes atualmente indicados. A pergunta se refere aos entrevistados que manifestaram preferência e mede uma disposição declarada, que pode ou não corresponder ao comportamento efetivo nas urnas.

Além disso, o levantamento identifica 7,3% dos entrevistados que declararam voto branco, nulo ou indecisão na modalidade estimulada. Esse grupo não pode ser automaticamente incorporado ao contingente de eleitores que admite trocar de candidato, pois as categorias medem comportamentos diferentes.

Flávio lidera entre homens e Lula tem vantagem entre mulheres

A análise por perfil demográfico revela diferenças significativas na distribuição das intenções de voto. Nos votos válidos, Flávio Bolsonaro registra 56% entre os homens, diante de 44% para Lula. Entre as mulheres, a situação se inverte: o presidente aparece com 54%, enquanto o senador alcança 46%.

O contraste também aparece na pesquisa estimulada com todos os entrevistados. Flávio registra 52% entre homens e 42% entre mulheres. Lula alcança 42% no eleitorado masculino e 50% no feminino.

A divisão por idade indica vantagem numérica de Lula entre os eleitores de 16 a 24 anos, segmento no qual o presidente recebe 59% dos votos válidos, contra 41% de Flávio. O senador apresenta seus melhores resultados nas faixas de 25 a 34 anos e de 35 a 44 anos, com 53% e 58%, respectivamente.

Entre os entrevistados com 45 a 59 anos, Lula aparece com 51% e Flávio, com 49%. No grupo com 60 anos ou mais, o presidente registra 52%, diante de 48% do senador.

Os percentuais refletem a distribuição das preferências dentro de cada segmento, mas precisam ser analisados considerando margens de erro específicas, superiores à margem geral em determinados grupos.

Nordeste dá 70% dos votos válidos a Lula; Flávio alcança 69% no Norte e Centro-Oeste

O recorte regional mostra diferenças expressivas. Lula registra 70% dos votos válidos no Nordeste, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 30%. O resultado confirma a importância da região para a candidatura petista.

Em sentido oposto, o senador alcança 69% dos votos válidos no agrupamento formado pelas regiões Norte e Centro-Oeste, diante de 31% para Lula. No Sul, Flávio registra 62%, contra 38% do presidente.

No Sudeste, região com o maior contingente eleitoral do país, a diferença é menor: Flávio aparece com 54% dos votos válidos, enquanto Lula registra 46%.

Essas diferenças regionais ajudam a explicar como uma disputa nacional pode apresentar equilíbrio apesar da existência de vantagens expressivas em determinados territórios.

O levantamento também evidencia contrastes entre grupos religiosos. Flávio alcança 71% dos votos válidos entre evangélicos, enquanto Lula registra 29%. Entre católicos, o presidente aparece com 55%, diante de 45% para o senador.

As comparações por renda seguem padrão semelhante. Lula registra 60% dos votos válidos entre entrevistados com renda familiar inferior a dois salários mínimos, enquanto Flávio alcança 64% entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos.

Maioria acredita em vitória de Flávio, apesar do empate técnico

A CNT/MDA também perguntou aos entrevistados quem acreditam que vencerá a eleição, independentemente de sua preferência pessoal. Nesse indicador, 54% apontaram Flávio Bolsonaro como provável vencedor, enquanto 37,4% mencionaram Lula.

Outros 8,5% não souberam ou preferiram não responder.

A diferença de 16,6 pontos percentuais entre as expectativas de vitória é consideravelmente superior à distância observada nas intenções de voto. O contraste mostra que a percepção sobre o provável resultado eleitoral não acompanha necessariamente a divisão das preferências declaradas.

A expectativa de vitória mede o julgamento dos entrevistados sobre o que poderá acontecer, não a intenção pessoal de votar em um candidato. Por isso, não pode ser utilizada como substituta das estimativas de voto ou como previsão definitiva do resultado.

O levantamento indica que Flávio apresenta vantagem nesse indicador de percepção, mesmo diante de uma disputa estatisticamente equilibrada.

Avaliação negativa do governo Lula supera a positiva

O estudo também investigou a percepção da população sobre o governo federal. Segundo o relatório, 37,8% dos entrevistados classificam a administração Lula como ótima ou boa, enquanto 39,5% a avaliam como ruim ou péssima.

Outros 21,8% consideram o governo regular, e 1% não soube responder.

A diferença entre avaliação negativa e positiva é de 1,7 ponto percentual. A proximidade dos resultados impede concluir que exista uma vantagem estatística definitiva de uma dessas percepções, considerada a margem geral da pesquisa.

Em uma pergunta separada sobre o desempenho pessoal do presidente, 47,7% afirmaram aprovar Lula, enquanto 49,3% declararam desaprovação. Outros 3% não souberam ou não responderam.

A desaprovação supera numericamente a aprovação em 1,6 ponto percentual, novamente dentro da margem de erro informada.

Os dois indicadores medem aspectos diferentes da opinião pública. A avaliação do governo reúne categorias como ótimo, bom, regular, ruim e péssimo, enquanto a aprovação presidencial solicita um posicionamento direto sobre o desempenho de Lula.

Pesquisa foi realizada em 140 municípios e tem registro no TSE

A 172ª rodada da Pesquisa CNT de Opinião foi conduzida pelo Instituto MDA entre 13 e 15 de outubro, com 2.014 entrevistas presenciais em 140 municípios brasileiros.

A amostra foi distribuída proporcionalmente ao eleitorado por região, unidade da Federação e porte dos municípios. O instituto também utilizou controles por gênero, idade, renda familiar e escolaridade.

De acordo com o relatório metodológico, os resultados receberam ponderação socioeconômica e ajuste pelo voto declarado no primeiro turno das eleições de 2026, considerando os entrevistados que afirmaram ter comparecido à votação.

O levantamento apresenta margem de erro geral de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, conforme informado pelo instituto. Para determinados recortes demográficos, as margens são maiores, o que exige cautela adicional na interpretação de diferenças entre segmentos.

A pesquisa foi contratada e financiada pela Confederação Nacional do Transporte, ao custo declarado de R$ 222.453, e está identificada no sistema da Justiça Eleitoral sob o registro BR-00652/2026.

O registro é uma exigência legal para divulgação de pesquisas eleitorais, mas não representa certificação prévia dos resultados pelo Tribunal Superior Eleitoral. A responsabilidade pela metodologia, pela coleta e pelos números divulgados permanece com o instituto responsável.

Disputa presidencial chega à última semana sem favorito estatisticamente definido

A divulgação da CNT/MDA ocorre em um momento decisivo para as duas campanhas. O segundo turno será realizado em 25 de outubro, quando os eleitores escolherão entre Lula e Flávio Bolsonaro para comandar a Presidência da República a partir de 2027.

O resultado do levantamento apresenta três elementos relevantes para a reta final: equilíbrio estatístico entre as candidaturas, elevado grau declarado de definição de voto e diferenças expressivas na composição regional e socioeconômica dos respectivos eleitorados.

A comparação com o PoderData/Aya reforça o cenário de indefinição, embora as séries dos institutos apresentem trajetórias distintas nas últimas semanas.

Com 50,5% dos votos válidos para Flávio e 49,5% para Lula na CNT/MDA, a distância numérica permanece insuficiente para identificar um líder estatisticamente consolidado. A decisão efetiva dependerá dos votos depositados nas urnas em 25 de outubro, da participação eleitoral e do comportamento dos eleitores que ainda admitem modificar suas escolhas.

Fontes:

Confederação Nacional do Transporte e Instituto MDA — 172ª Pesquisa CNT de Opinião, relatório integral de outubro de 2026, com resultados de intenção de voto, séries históricas, perfis demográficos, expectativa de vitória e avaliação do governo.

PoderData/Aya — Pesquisa nacional realizada entre 13 e 15 de outubro de 2026, com 3.000 entrevistas e resultados do segundo turno presidencial.

Tribunal Superior Eleitoral — Resolução nº 23.600/2019 e alterações posteriores, com normas sobre registro, divulgação e informações metodológicas obrigatórias de pesquisas eleitorais.

Tribunal Superior Eleitoral — Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais, identificação BR-00652/2026 da pesquisa CNT/MDA e BR-04258/2026 do levantamento PoderData/Aya.

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