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Petrobras (PETR4) tem lucro de R$ 32,6 bilhões no 1º trimestre, queda de 7,2%, e anuncia R$ 9 bilhões em dividendos

Resultado da estatal ficou acima das estimativas de analistas, em meio ao aumento da produção, avanço nas vendas de combustíveis e alta do petróleo no mercado internacional

por João Souza
12/05/2026 às 00h34
em Empresas
Petrobras (Petr4) Cai Mais De 3% Com Tombo Do Petróleo E Freia Alta Do Ibovespa - Gazeta Mercantil
A Petrobras (PETR4) registrou lucro líquido de R$ 32,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 7,2% em relação aos R$ 35,2 bilhões apurados no mesmo período de 2025. Os números foram apresentados nesta segunda‑feira (11), na sede da companhia, no Rio de Janeiro, e trazem uma leitura dupla que já domina a análise do mercado: por um lado, o resultado é menor que o do ano anterior; por outro, ficou 12,4% acima da expectativa média de analistas, que projetavam ganho próximo de R$ 29 bilhões, e representa um salto de 109,9% sobre os R$ 15,5 bilhões do quarto trimestre de 2025, mostrando forte recuperação operacional em relação ao fechamento do ano passado. Convertido em moeda americana, o lucro somou US$ 6,19 bilhões, alta de 3,8% sobre os US$ 5,97 bilhões do primeiro trimestre de 2025.
O desempenho foi sustentado por dois pilares centrais: o aumento de 16% na produção comercial total, que saltou de 2,442 milhões para 2,831 milhões de barris de óleo equivalente por dia, e a recuperação dos preços internacionais do petróleo, cuja média passou de US$ 75,66 para US$ 80,61 o barril no intervalo de um ano. A companhia também informou a aprovação de R$ 9,03 bilhões em dividendos referentes ao período, mantendo‑se entre as maiores pagadoras de proventos da B3. Como um dos maiores pesos do índice Ibovespa, o resultado da estatal deve influenciar diretamente o comportamento da bolsa nos próximos pregões, além de ter impacto relevante sobre as contas públicas, já que a União é acionista controladora e recebe a maior fatia das distribuições.

Produção salta 16% e compensa parte da base de comparação elevada de 2025

O principal fator operacional por trás da robustez do resultado foi a expansão da produção, que atingiu o maior volume trimestral dos últimos anos puxada, sobretudo, pelos campos do pré‑sal. A alta de quase um sexto no volume extraído permitiu à companhia ampliar receita mesmo em um ambiente em que a margem por barril ainda não retorna aos patamares excepcionais de 2022 e início de 2025. Além do maior volume tirado do subsolo, a Petrobras (PETR4) também registrou avanço real nas vendas domésticas de combustíveis, com recuperação da demanda por gasolina, diesel e GLP, o que ajudou a preservar o resultado da área de refino e distribuição.
Para analistas, esse é o ponto mais positivo do balanço: mostra que a empresa consegue crescer em volume com consistência, executando o plano de investimentos com disciplina e reduzindo sua dependência exclusiva da sorte dos preços internacionais. A escala maior também ajuda a diluir custos fixos e a dar mais previsibilidade ao caixa futuro, independentemente das oscilações da commodity. Ainda assim, a queda anual de 7,2% existe e tem explicação simples: o primeiro trimestre de 2025 ainda se beneficiava de uma base de preços mais elevada e de efeitos contábeis favoráveis que não se repetiram neste ano, o que torna a comparação desigual e não deve ser lida como sinal de deterioração estrutural.

Barril a US$ 80,61 captura apenas início da tensão geopolítica no Oriente Médio

A valorização do petróleo no mercado mundial foi o segundo grande pilar do resultado. Depois de fechar 2025 a US$ 63,69 o barril, a cotação iniciou trajetória de alta já em janeiro e chegou à média de US$ 80,61 nos três primeiros meses de 2026. O salto ganhou força a partir de 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos lançaram ataques militares contra alvos no Irã, reacendendo temores de interrupção na oferta global e elevando o prêmio de risco da commodity.
Importante notar, porém, que o balanço agora divulgado incorporou apenas a fase inicial dessa escalada. Os efeitos mais fortes da tensão geopolítica, que mantiveram o barril acima de US$ 82 durante quase todo o segundo trimestre, deverão aparecer com muito mais intensidade nos números de abril a junho. Para a Petrobras (PETR4), o ambiente de preços mais altos tem efeito ambíguo: por um lado, aumenta a receita da área de exploração e produção, que hoje corresponde à maior parte do lucro; por outro, cria pressão política interna para que a companhia segure os reajustes de combustíveis no mercado doméstico, comprimindo margens de refino para evitar impacto sobre a inflação oficial. Esse equilíbrio frágil continuará sendo o fator de maior atenção dos investidores pelo resto do ano.

Resultado supera consenso de mercado em 12,4% e avança mais de 100% sobre o trimestre anterior

A surpresa positiva em relação às projeções foi o elemento que mais chamou a atenção logo após a divulgação. Os R$ 32,6 bilhões ficaram R$ 3,6 bilhões acima do que o mercado esperava, um desvio positivo expressivo para uma empresa do tamanho da Petrobras (PETR4). A explicação está na combinação de produção maior que o previsto, custos operacionais mais bem controlados e um resultado financeiro menos oneroso do que antecipavam os modelos dos bancos de investimento.
Ainda mais expressiva é a virada na comparação sequencial: o lucro mais do que dobrou em relação aos R$ 15,5 bilhões do quarto trimestre de 2025. Esse salto mostra que a companhia deixou para trás um período de desempenho mais fraco, marcado por ajustes contábeis e menor realização de preços, e voltou a operar em patamar de geração de caixa compatível com sua história recente. Em moeda forte, aliás, não houve queda alguma: o lucro em dólar subiu quase 4%, o que significa que a retração em reais se deve em grande parte à valorização cambial registrada no período, e não a piora real da performance corporativa.

Dividendos de R$ 9,03 bilhões mantêm fluxo de caixa no centro da tese de investimento

Juntamente com o balanço, o conselho de administração aprovou a distribuição de R$ 9,03 bilhões em dividendos ordinários referentes ao primeiro trimestre. O valor mantém a Petrobras (PETR4) no centro do radar de qualquer investidor que constrói carteira com foco em renda variável e geração recorrente de proventos. A política vigente prevê a distribuição de 60% do fluxo de caixa livre, e o valor anunciado fica alinhado a essa regra, sinalizando que a diretoria não pretende alterar a fórmula no curto prazo.
A decisão tem duplo impacto. Para o acionista minoritário, confirma que a tese de remuneração continua intacta, mesmo com as mudanças de comando e as pressões políticas. Para o governo federal, representa entrada de recursos importantes em um ano de forte aperto fiscal: cerca de R$ 5 bilhões dos R$ 9 bilhões voltarão diretamente para o caixa da União, ajudando a cumprir metas de resultado primário sem necessidade de medidas adicionais de arrecadação. O ponto de atenção, sempre lembrado pelos analistas, é a necessidade de equilibrar essas distribuições com o plano de investimentos de mais de R$ 300 bilhões até 2030, que inclui expansão no pré‑sal, renovação de refinarias e projetos de transição energética.

Risco político e política de preços seguem como principal freio a múltiplos mais altos

Por mais forte que seja o resultado operacional, as ações da Petrobras (PETR4) ainda negociam com deságio em relação a suas pares globais, e o balanço desta segunda‑feira ajuda a explicar por quê. A companhia continua sendo, antes de tudo, uma empresa de capital misto, cujas decisões nem sempre são tomadas por critérios estritamente econômicos. Sempre que o preço internacional do petróleo sobe, cresce a expectativa em Brasília de que a estatal absorva parte do choque para não repassar integralmente o aumento ao consumidor final — medida que acalma índices de preços, mas reduz diretamente o lucro dos acionistas.
Outro ponto observado de perto é a própria evolução da tensão no Oriente Médio. Se o conflito se alastrar e levar o barril acima de US$ 90 por período prolongado, a pressão por controle artificial de preços dentro do Brasil se tornará quase inevitável, com efeito imediato sobre a rentabilidade do negócio de refino. Nesse sentido, o resultado excelente do primeiro trimestre traz em si mesmo a semente do seu próprio risco: quanto mais forte for a geração de caixa, mais argumentos terão os setores do governo que defendem o uso da empresa como instrumento de política macroeconômica.

Balanço confirma peso da estatal como vetor central do Ibovespa e da arrecadação pública

Não é exagero dizer que o resultado da Petrobras (PETR4) é, por si só, um evento de mercado. Com peso próximo de 10% na composição do Ibovespa, a estatal tem capacidade de puxar o índice para cima ou para baixo sozinha, dependendo da reação dos investidores aos números. Além disso, sua performance influencia a avaliação de todo o setor de óleo e gás, além de toda uma cadeia de fornecedores — estaleiros, empresas de engenharia, serviços de perfuração, logística e transporte — que vivem basicamente em função do seu ciclo de investimentos.
Para 2026, a mensagem que sai deste primeiro balanço é clara: a máquina operacional funciona bem, o pré‑sal entrega cada vez mais volume, a geração de caixa permanece robusta e a remuneração ao acionista segue no ritmo esperado. A queda de 7,2% sobre o ano passado não passa, na prática, de uma ilusão estatística causada por uma base de comparação excepcionalmente alta. O que realmente importa — a capacidade de extrair óleo a baixo custo, vender com margem razoável e transformar isso em dinheiro para o acionista — não só se manteve como melhorou em relação aos meses finais de 2025.
Ainda assim, o caminho até o final do ano não será tranquilo. Os próximos trimestres dependerão muito menos da competência técnica dos engenheiros da Petrobras (PETR4) e muito mais de decisões que serão tomadas em Washington, Teerã e, principalmente, em Brasília. Enquanto essa equação não se definir, o mercado continuará a pagar um preço mais baixo por cada real de lucro da estatal, por mais que os números contábeis continuem a chegar acima do esperado.

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