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Petróleo sobe com negociações EUA-Irã e tarifas de 15%

por Maria Helena Costa - Repórter de Economia
23/02/2026
em Economia, Destaque, News
Petróleo Sobe Com Negociações Eua-Irã E Tarifas De 15% - Gazeta Mercantil

Petróleo sobe com negociações entre EUA e Irã e tarifas de Trump; Brent testa US$ 72

O petróleo opera em alta moderada nesta segunda-feira (23), com o Brent para março cotado a US$ 71,91 (+0,21%) e o WTI a US$ 66,70 (+0,33%), em meio à confirmação de negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã marcadas para quinta-feira (26) e à imposição de novas tarifas globais de 15% pelo presidente Donald Trump após decisão da Suprema Corte. O movimento do petróleo combina prêmio geopolítico e incerteza comercial, em um ambiente de cautela que mantém os contratos próximos das máximas recentes.

Após uma semana de ganhos expressivos, o petróleo entra em fase de consolidação técnica. O mercado calibra a probabilidade de avanço nas tratativas entre Washington e Teerã — que podem alterar a oferta global — contra o risco de desaceleração da demanda diante da escalada tarifária nos EUA.


Negociações EUA-Irã recolocam oferta no centro da precificação

O principal vetor de sustentação do petróleo é a expectativa em torno da rodada diplomática prevista para quinta-feira (26). O Irã, ator relevante na OPEP, tem sua capacidade de exportação condicionada por sanções. Qualquer sinal de distensão pode reabrir espaço para aumento gradual da oferta, limitando altas adicionais do petróleo.

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Na outra ponta, fracasso nas negociações tende a recompor prêmios de risco. A experiência recente mostra que o petróleo reage menos a declarações políticas isoladas e mais a mudanças concretas na logística e nos fluxos físicos. Ainda assim, a proximidade da reunião adiciona volatilidade intradiária aos contratos.

Do ponto de vista probabilístico, o mercado trabalha com três cenários: (i) avanço incremental e manutenção do petróleo em faixa lateral; (ii) ruptura diplomática com alta do petróleo acima de US$ 72 no Brent; (iii) anúncio de flexibilização de sanções, com correção técnica dos preços.


Tarifas de 15% elevam risco de demanda e pressionam projeções globais

O segundo eixo que influencia o petróleo é a política comercial americana. Após a Suprema Corte decidir contra tarifas aplicadas em abril do ano passado, Donald Trump anunciou novas alíquotas globais de 15%, válidas por 150 dias. O período abre margem para reestruturação jurídica da política tarifária.

Para o petróleo, o canal de transmissão é a demanda. Tarifas amplas tendem a reduzir comércio internacional e atividade industrial, afetando o consumo energético. Se a guerra comercial se intensificar, o petróleo pode enfrentar pressão baixista por revisões nas estimativas de crescimento, sobretudo na Ásia.

O equilíbrio entre risco de oferta (Oriente Médio) e risco de demanda (tarifas) explica a alta contida do petróleo nesta sessão. Não há rompimento técnico relevante, mas os preços permanecem sustentados por incerteza geopolítica.


Brent próximo de resistência técnica; WTI acompanha

No campo técnico, o petróleo tipo Brent encontra resistência próxima aos US$ 72 — nível que funcionou como barreira nas últimas semanas. A manutenção acima de US$ 70 preserva viés construtivo no curto prazo. Já o WTI, em US$ 66,70, acompanha o movimento com menor prêmio geopolítico, refletindo especificidades regionais e dinâmica de estoques nos EUA.

Caso as negociações entre EUA e Irã avancem com sinalização concreta de aumento de exportações, o petróleo pode testar suportes abaixo de US$ 70. Por outro lado, qualquer deterioração abrupta no diálogo tende a impulsionar estratégias de hedge e compras defensivas, elevando o petróleo rapidamente.


Reflexos no Brasil: inflação, câmbio e PETR4

A trajetória do petróleo tem implicações diretas para o Brasil. Como grande produtor e exportador via Petrobras (PETR4), o país se beneficia de preços mais elevados sob a ótica fiscal e corporativa. Alta do petróleo tende a fortalecer geração de caixa da estatal e sustentar dividendos.

Em contrapartida, a elevação do petróleo pode pressionar combustíveis e impactar o IPCA, com potenciais efeitos sobre a política monetária do BC. O câmbio funciona como amortecedor: dólar mais forte amplifica repasses, enquanto apreciação do real mitiga parte do choque.

No mercado acionário, investidores monitoram o petróleo como variável-chave para o desempenho do setor de energia e para o humor do Ibovespa em dias de aversão global ao risco.


Prêmio geopolítico permanece incorporado

Mesmo sem conflito aberto, o petróleo carrega prêmio estrutural ligado ao Oriente Médio. A região concentra parcela significativa da produção global e rotas estratégicas. A simples possibilidade de interrupção logística sustenta parte do patamar atual do petróleo.

O mercado avalia que o cenário base ainda é de negociação diplomática com ruído controlado. Entretanto, a combinação entre tensões regionais e incerteza comercial amplia a dispersão de cenários para o petróleo no curto prazo.


Próximos catalisadores que podem redefinir o petróleo

Os próximos dias serão decisivos para a direção do petróleo. A reunião de quinta-feira (26) entre EUA e Irã é o principal catalisador imediato. Além disso, eventuais esclarecimentos da Casa Branca sobre a aplicação das tarifas e dados de atividade global podem alterar projeções de demanda.

Se houver avanço concreto nas tratativas, o petróleo pode reduzir parte do prêmio geopolítico. Caso contrário, a commodity tende a permanecer sustentada, com viés de alta moderada enquanto persistirem incertezas institucionais e comerciais.

No curto prazo, o petróleo segue como termômetro da tensão entre diplomacia e protecionismo — dois vetores que, combinados, definem o apetite global por risco e a dinâmica das commodities energéticas.

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