A PetroReconcavo (RECV3) registrou lucro lÃquido de R$ 236,1 milhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 94% em relação aos R$ 121,9 milhões apurados no mesmo perÃodo do ano anterior. O resultado, divulgado na quinta-feira (5), foi impulsionado principalmente por ganhos financeiros associados à atualização do valor de instrumentos de proteção cambial, enquanto a companhia manteve disciplina de investimentos e ampliou a geração de caixa, mesmo diante da redução na produção de petróleo e gás natural.
Na comparação com o segundo trimestre, quando havia apresentado lucro de R$ 202,7 milhões, o avanço foi de 16%. O desempenho financeiro compensou parcialmente os efeitos da menor atividade operacional e da queda dos preços do petróleo entre julho e setembro. A receita lÃquida totalizou R$ 786,3 milhões, praticamente estável na comparação anual, mas 3% inferior aos R$ 807,9 milhões registrados nos três meses anteriores.
O lucro lÃquido ajustado, que exclui determinados efeitos cambiais e contábeis relacionados aos instrumentos financeiros e seus respectivos impactos tributários, alcançou R$ 145,3 milhões. O indicador cresceu 93% em relação ao terceiro trimestre de 2025 e 39% frente ao segundo trimestre deste ano, demonstrando que parte da melhora da rentabilidade também ocorreu sem considerar os ganhos extraordinários de marcação a mercado.
A companhia encerrou setembro com dÃvida lÃquida de R$ 1,22 bilhão, redução de 23% em relação ao encerramento de 2025, e posição de caixa de aproximadamente R$ 1,7 bilhão. A geração de caixa livre somou R$ 134 milhões no trimestre, reforçando a capacidade de financiamento das operações e dos projetos de desenvolvimento de campos maduros.
Lucro da PetroReconcavo foi beneficiado por ganhos financeiros
O resultado financeiro lÃquido da PetroReconcavo ficou positivo em R$ 78 milhões no terceiro trimestre, ante R$ 10,8 milhões positivos no perÃodo imediatamente anterior. O principal fator foi a valorização contábil dos swaps associados ao endividamento da companhia, em consequência da redução das curvas futuras de juros e câmbio utilizadas para calcular o valor desses contratos.
Os instrumentos de swap são empregados para administrar a exposição financeira decorrente de dÃvidas e oscilações cambiais. Ao serem avaliados pelas condições de mercado no encerramento de cada perÃodo, podem produzir receitas ou despesas contábeis relevantes, ainda que os valores não representem entradas ou saÃdas imediatas de recursos.
No terceiro trimestre, a marcação a mercado dos swaps de dÃvida gerou efeito positivo de R$ 159,2 milhões. Considerando também os demais instrumentos de proteção financeira, a contribuição lÃquida dos derivativos foi importante para o resultado. Sem os efeitos da atualização a valor de mercado dos swaps e das estruturas de proteção do tipo zero cost collar, o resultado financeiro teria sido negativo em aproximadamente R$ 67 milhões.
A diferença entre os R$ 236,1 milhões de lucro contábil e os R$ 145,3 milhões de lucro ajustado evidencia o peso dos instrumentos financeiros no balanço. Embora esses efeitos sejam reconhecidos de acordo com as normas contábeis, sua contribuição pode variar conforme o comportamento dos juros, do câmbio e dos preços das commodities nos próximos trimestres.
Ebitda ajustado cresce 8% e margem chega a 48,2%
A PetroReconcavo apresentou Ebitda ajustado de R$ 378,6 milhões entre julho e setembro, avanço de 8% em relação aos R$ 350 milhões registrados no terceiro trimestre de 2025. A margem Ebitda ajustada aumentou de 44,5% para 48,2%, expansão de 3,7 pontos percentuais na comparação anual.
O desempenho indica melhora da rentabilidade operacional, apesar da estabilidade da receita. Na comparação com o segundo trimestre de 2026, entretanto, o Ebitda ajustado recuou 4%, refletindo principalmente o ambiente menos favorável para a comercialização do petróleo e a redução dos volumes produzidos.
O Ebitda contábil atingiu R$ 359,6 milhões, crescimento de 3% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, mas queda de 9% frente ao segundo trimestre. A diferença entre os indicadores decorre de ajustes relacionados a eventos não recorrentes reconhecidos no perÃodo.
Os custos e despesas operacionais somaram R$ 367,4 milhões, redução de 4% na comparação anual. O custo de extração, conhecido como lifting cost, ficou em US$ 16,52 por barril de óleo equivalente, abaixo dos US$ 16,80 registrados no segundo trimestre, embora tenha aumentado em relação aos US$ 15,52 do terceiro trimestre de 2025.
Produção de petróleo e gás recua 10% em um ano
A produção média da PetroReconcavo foi de 23,7 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/d) no terceiro trimestre, retração de 10% em relação ao mesmo perÃodo de 2025 e de 2% frente aos três meses anteriores. A queda ocorreu principalmente no Ativo Potiguar, no Rio Grande do Norte, onde a redução da produção de gás natural e problemas pontuais em poços pressionaram os volumes extraÃdos.
O Ativo Potiguar produziu, em média, 11,8 mil boe/d, recuo de 5% na comparação trimestral. Segundo a companhia, o desempenho refletiu a depleção natural de reservatórios de gás no Polo Sabiá, além de interrupções no fornecimento de energia e falhas operacionais em determinados poços.
Na Bahia, a produção média alcançou 11,9 mil boe/d, crescimento de 1% em relação ao segundo trimestre. A recuperação foi favorecida por intervenções em poços e pelo avanço dos projetos de injeção de água, utilizados para manter a pressão dos reservatórios e ampliar a recuperação de petróleo em campos maduros.
No campo de Tiê, a produção apresentou crescimento de 22,4% na comparação trimestral, com destaque para o aumento de 27,5% na extração de petróleo. O resultado foi associado às intervenções realizadas e aos efeitos iniciais da campanha de recuperação secundária iniciada em setembro de 2025.
A companhia informou que quatro campos prioritários com projetos de injeção de água apresentaram reversão da tendência de declÃnio da produção de petróleo, resultado considerado relevante para a estratégia de sustentação operacional no longo prazo.
Geração de caixa livre cresce 81% e dÃvida diminui
A geração de caixa permaneceu entre os principais destaques do balanço. O fluxo de caixa livre alcançou R$ 134,2 milhões no terceiro trimestre, aumento de 81% em comparação com os R$ 74 milhões registrados entre abril e junho. No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, o indicador somou R$ 288,3 milhões, revertendo o fluxo negativo de R$ 114 milhões observado no mesmo intervalo do ano passado.
O caixa gerado pelas atividades operacionais totalizou R$ 306 milhões no trimestre, crescimento de 16% frente ao perÃodo imediatamente anterior. A companhia atribuiu parte da melhora à redução dos pagamentos de juros, que seguem o cronograma das emissões de debêntures, embora a liquidação de instrumentos financeiros derivativos tenha provocado saÃdas relevantes de recursos.
Os investimentos somaram R$ 147,1 milhões, redução de 24% em relação ao segundo trimestre e de 74% na comparação anual. Entre janeiro e setembro, o volume investido ficou em R$ 537,4 milhões, queda de 55% em relação aos nove primeiros meses de 2025.
A redução do desembolso de capital contribuiu para a evolução da posição financeira. A dÃvida lÃquida encerrou setembro em aproximadamente R$ 1,22 bilhão, enquanto a alavancagem, medida pela relação entre dÃvida lÃquida e Ebitda dos últimos 12 meses, recuou para 0,90 vez, ante 1,01 vez no trimestre anterior.
Com uma posição de caixa e aplicações financeiras próxima de R$ 1,7 bilhão, a PetroReconcavo mantém recursos para financiar suas operações, realizar investimentos selecionados e cumprir compromissos financeiros, embora continue exposta à volatilidade das commodities e do câmbio.
Acordos com Brava Energia (BRAV3) e Petrobras ampliam previsibilidade
Além dos resultados financeiros, a PetroReconcavo destacou avanços comerciais que deverão influenciar a operação nos próximos anos. Em agosto, a companhia firmou um novo contrato de venda de petróleo com a Brava Energia (BRAV3), com vigência de outubro de 2026 até dezembro de 2030.
O acordo estabelece compromisso mÃnimo recÃproco de compra e venda de 50% da produção de petróleo do Ativo Potiguar e prevê condições de precificação mais favoráveis conforme o aumento dos volumes comercializados. A operação amplia a previsibilidade de receitas e contribui para reduzir incertezas relacionadas ao escoamento da produção.
Na Bahia, a empresa também concluiu negociações com a Petrobras (PETR4) para garantir capacidade de processamento de gás natural na Unidade de Tratamento de Gás de Catu (UTG Catu) entre 2028 e 2037. A contratação levou à suspensão da decisão final de investimento na Unidade de Processamento de Gás Natural de Miranga, projeto que exigiria aproximadamente US$ 60 milhões.
A medida permite preservar recursos financeiros e utilizar infraestrutura existente para o processamento do gás, reduzindo a necessidade de investimentos próprios no curto prazo.
Em outubro, a companhia também adquiriu dois blocos exploratórios no sexto ciclo da Oferta Permanente de Concessão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e BiocombustÃveis (ANP), localizados nas bacias Potiguar e do Recôncavo, com área conjunta aproximada de 58 quilômetros quadrados.
Resultados reforçam foco em rentabilidade e disciplina financeira
No acumulado de janeiro a setembro, a PetroReconcavo apresentou lucro lÃquido de R$ 562,6 milhões, redução de 4% em relação aos R$ 587,6 milhões registrados nos nove primeiros meses de 2025. A receita lÃquida acumulada alcançou R$ 2,28 bilhões, queda de 7%, enquanto o Ebitda ajustado ficou em aproximadamente R$ 1,08 bilhão, retração de 5%.
O desempenho mostra que a expansão do lucro no terceiro trimestre ocorreu em um contexto de menor produção e receitas acumuladas inferiores à s do ano anterior. Os ganhos financeiros contribuÃram para elevar o resultado contábil, ao passo que a redução dos investimentos e o controle de custos favoreceram a geração de caixa.
Para os próximos trimestres, a capacidade de estabilizar a produção dos campos maduros, a evolução dos preços do petróleo e o desempenho dos projetos de recuperação secundária estarão entre os fatores determinantes para a rentabilidade. A manutenção de uma estrutura de capital menos alavancada também será relevante para financiar novas oportunidades de desenvolvimento e reduzir a exposição a oscilações das condições financeiras.
Fontes:
PetroReconcavo — Divulgação dos Resultados do 3T26, publicada em 5 de novembro de 2026.
PetroReconcavo — Demonstrações Financeiras Intermediárias referentes a 30 de setembro de 2026.
PetroReconcavo — Central de Resultados e indicadores operacionais e financeiros dos nove primeiros meses de 2026.
PetroReconcavo — Comunicados ao mercado sobre os contratos com a Brava Energia e a Petrobras, divulgados em agosto de 2026.








