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PF apura se dinheiro de Vorcaro bancou Eduardo Bolsonaro nos EUA

Investigadores querem saber se recursos enviados para o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, tiveram outra destinação e ajudaram a custear a permanência do ex-deputado nos Estados Unidos

por Júlia Campos
14/05/2026 às 19h12
em Política
Eduardo Bolsonaro - Gazeta Mercantil

A Polícia Federal apura se recursos ligados a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, foram usados para custear despesas de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, onde o ex-deputado vive desde 2025. A linha de investigação tenta esclarecer se valores destinados oficialmente ao financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro (PL), tiveram outra finalidade e foram direcionados a um fundo sediado no Texas, nos EUA, supostamente vinculado a aliados de Eduardo. A suspeita foi revelada inicialmente por veículos de imprensa e passou a integrar o conjunto de apurações envolvendo o Banco Master e a família Bolsonaro.

Segundo a apuração, os valores teriam sido movimentados pela Entre Investimentos e Participações, empresa apontada como intermediária em repasses relacionados à produção do filme. Oficialmente, os recursos seriam usados para bancar o projeto cinematográfico sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Leia também: TSE restringe telões de Lula; Flávio Bolsonaro também usou painéis de LED.

A Polícia Federal, no entanto, investiga se parte do dinheiro teve destinação diferente da informada. Uma das hipóteses sob análise é se os recursos passaram por um fundo no Texas e foram usados para financiar despesas de Eduardo Bolsonaro durante sua permanência nos Estados Unidos.

O caso amplia o alcance político da investigação sobre Daniel Vorcaro e o Banco Master. Até agora, o foco principal da apuração estava nas suspeitas de fraudes financeiras, venda de carteiras de crédito, relação com o BRB e possíveis pagamentos a agentes públicos. Com a nova linha investigativa, a PF também busca entender se recursos do ex-banqueiro abasteceram estruturas associadas ao entorno da família Bolsonaro.

Leia também: Polícia do DF monitora casa de Bolsonaro sem uniforme e sem armas à mostra.

PF mira destino de recursos enviados para “Dark Horse”

A investigação sobre Eduardo Bolsonaro está ligada ao fluxo de dinheiro destinado ao filme “Dark Horse”. A produção, apresentada como cinebiografia de Jair Bolsonaro, passou a ser examinada após a divulgação de mensagens e áudios envolvendo Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro.

Reportagens recentes mostraram que Flávio Bolsonaro teria pedido recursos milionários ao ex-controlador do Banco Master para financiar o projeto. O valor mencionado nas publicações chegou a R$ 134 milhões, montante que teria como finalidade bancar a produção internacional do filme.

Leia também: Investigação do Cade sobre Latam e Gol apura indícios de cartel algorítmico.

A PF agora busca identificar se os pagamentos foram efetivamente aplicados no projeto audiovisual ou se parte dos valores teve outra destinação. Entre as possibilidades sob análise estão o uso integral na produção do filme, eventual desvio de finalidade ou transferência de recursos para pessoas e estruturas vinculadas a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Investigadores também tentam esclarecer a natureza do fundo sediado no Texas. A suspeita é que a estrutura possa estar ligada a aliados do ex-deputado. Essa hipótese ainda depende de comprovação documental, quebra de sigilo e rastreamento financeiro.

Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde 2025

Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde 2025. O ex-deputado passou a atuar politicamente a partir do exterior e manteve relação estreita com aliados conservadores norte-americanos, em um momento de maior exposição internacional do bolsonarismo.

A permanência de Eduardo nos EUA entrou no radar da PF porque investigadores querem saber como foram custeadas despesas, atividades políticas e estruturas de apoio no país. A apuração tenta identificar se houve conexão entre esses custos e recursos originalmente destinados ao filme sobre Jair Bolsonaro.

Segundo informações divulgadas por veículos que acompanham o caso, a linha de investigação também considera o contexto de bloqueios e restrições financeiras que teriam dificultado o recebimento de recursos por Eduardo no exterior. Essa hipótese foi levantada em representações encaminhadas à PF e ainda será verificada pelos investigadores.

A defesa de Eduardo Bolsonaro ainda poderá se manifestar formalmente nos autos. A investigação está em fase de apuração, e não há condenação contra o ex-deputado nessa linha específica.

Entre Investimentos aparece como intermediária

A Entre Investimentos e Participações é apontada na apuração como empresa envolvida na transferência de recursos destinados ao projeto “Dark Horse”. A PF quer entender qual foi o papel da companhia na operação e se os valores repassados seguiram o destino declarado.

Oficialmente, o dinheiro teria sido encaminhado para financiar a produção do filme. A suspeita, no entanto, é que parte dos recursos possa ter sido direcionada para um fundo no Texas. Esse fundo, segundo a linha investigativa, teria ligação com aliados de Eduardo Bolsonaro.

A identificação do caminho do dinheiro é considerada etapa central da apuração. A PF busca reconstruir a sequência de transferências, identificar beneficiários finais e verificar se os contratos e documentos apresentados correspondem à destinação real dos valores.

Em investigações financeiras, esse tipo de rastreamento costuma envolver análise de transações bancárias, contratos de prestação de serviços, registros societários, comunicações entre envolvidos e eventual cooperação internacional, quando há empresas ou fundos no exterior.

Caso se conecta à investigação sobre Daniel Vorcaro

Daniel Vorcaro é investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes bilionárias ligadas ao Banco Master. A operação mira a venda de carteiras de crédito supostamente fraudulentas ou inexistentes, possíveis pagamentos indevidos e articulações envolvendo agentes públicos e instituições financeiras.

O ex-controlador do Banco Master foi preso em fases anteriores da operação. A investigação também alcançou executivos, operadores financeiros, familiares e pessoas próximas ao empresário.

A suspeita envolvendo Eduardo Bolsonaro representa uma ramificação política da apuração. O ponto investigado não é apenas se Daniel Vorcaro transferiu recursos para o filme, mas se parte desse dinheiro teve finalidade diversa da declarada e beneficiou atores políticos ou pessoas ligadas à família Bolsonaro.

Esse novo eixo amplia a pressão sobre o caso porque conecta uma investigação financeira de grande porte a personagens centrais da política nacional. A PF tenta determinar se houve apenas patrocínio privado para uma obra audiovisual ou se os pagamentos serviram para outra finalidade.

Flávio Bolsonaro aparece em mensagens sobre financiamento

O financiamento de “Dark Horse” passou a ser examinado depois da divulgação de mensagens e áudios atribuídos a Flávio Bolsonaro. Nos registros, o senador teria tratado com Daniel Vorcaro sobre valores para viabilizar a produção do filme.

Flávio Bolsonaro afirmou publicamente que buscou patrocínio privado para um projeto privado sobre a história do pai e negou ter oferecido vantagens indevidas. O senador também negou irregularidades na relação com Daniel Vorcaro.

Apesar da negativa, os registros divulgados ampliaram o interesse da PF sobre o fluxo financeiro ligado ao filme. A investigação busca entender quem solicitou os recursos, quem autorizou os pagamentos, quais empresas participaram das transferências e quem foram os beneficiários finais.

A situação também tem impacto político. Flávio Bolsonaro é uma das principais figuras do PL e vinha sendo tratado como possível nome do bolsonarismo para disputas eleitorais futuras. A conexão entre sua campanha, o filme e Daniel Vorcaro passou a ser explorada por adversários e investigada pelas autoridades.

Produção do filme nega irregularidades

A produção de “Dark Horse” nega irregularidades no financiamento do projeto. Segundo reportagens publicadas sobre o caso, representantes ligados ao filme afirmam que a obra tem estrutura própria e que recursos mencionados na investigação não teriam sido usados de forma indevida.

A PF, porém, ainda tenta confirmar a origem e o destino dos valores. A apuração deve comparar documentos da produção, contratos de financiamento, notas fiscais, comprovantes bancários e eventuais repasses internacionais.

O fato de o filme envolver uma figura política de grande projeção aumenta a sensibilidade do caso. A investigação precisa distinguir eventual financiamento privado legítimo de possíveis usos indiretos de recursos para custear atividades políticas, despesas pessoais ou estruturas de apoio no exterior.

Essa diferença é central. Financiar uma produção audiovisual, em tese, não caracteriza irregularidade por si só. O problema investigado é se a justificativa do filme foi usada para encobrir outra destinação dos recursos.

Apuração pode envolver cooperação internacional

Como parte dos valores teria passado por um fundo sediado no Texas, a investigação pode exigir cooperação internacional. Caso a PF precise acessar informações bancárias, societárias ou contratuais nos Estados Unidos, será necessário seguir procedimentos formais de assistência jurídica entre países.

Esse tipo de apuração costuma ser mais demorado e depende de pedidos oficiais, análise de autoridades estrangeiras e compatibilidade entre sistemas jurídicos. Ainda assim, a existência de estruturas no exterior não impede o avanço da investigação, especialmente quando há suspeita de lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial ou desvio de finalidade.

A PF também pode buscar informações em comunicações apreendidas, documentos empresariais, relatórios de inteligência financeira e depoimentos de pessoas envolvidas na cadeia de pagamentos.

O objetivo é identificar se Eduardo Bolsonaro recebeu direta ou indiretamente recursos de Daniel Vorcaro, se houve intermediação por aliados e se o dinheiro teve relação com despesas nos Estados Unidos.

Nova suspeita eleva pressão sobre família Bolsonaro

A apuração sobre possível financiamento de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos eleva a pressão jurídica e política sobre a família Bolsonaro. O caso reúne três elementos sensíveis: dinheiro de um empresário investigado por fraudes financeiras, um filme sobre Jair Bolsonaro e a permanência de Eduardo em território norte-americano.

Ainda não há conclusão oficial de que os recursos tenham bancado o ex-deputado. A investigação trabalha com hipóteses e depende da confirmação do caminho do dinheiro. Mesmo assim, a simples inclusão dessa linha investigativa amplia o desgaste político do grupo.

Para a Polícia Federal, o ponto central é saber se os recursos de Daniel Vorcaro foram usados exclusivamente para a produção de “Dark Horse” ou se parte deles teve outra finalidade. Para os investigados, a defesa deve insistir na tese de que se tratava de financiamento privado de uma obra audiovisual.

A resposta dependerá do rastreamento financeiro. Se os documentos indicarem que o dinheiro foi aplicado integralmente no filme, a linha investigativa pode perder força. Se houver indícios de repasse a terceiros ligados a Eduardo Bolsonaro, o caso poderá ganhar uma nova dimensão judicial.

Caso amplia alcance político da investigação sobre o Banco Master

A suspeita de que dinheiro ligado a Daniel Vorcaro possa ter custeado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos amplia o alcance político da investigação sobre o Banco Master. A apuração, inicialmente centrada em fraudes financeiras e operações bancárias, passou a atingir o entorno de uma das famílias mais influentes da direita brasileira.

O caso também reforça a atenção sobre a relação entre dinheiro privado, projetos de comunicação política e estruturas no exterior. A PF tenta esclarecer se o filme “Dark Horse” foi apenas uma produção sobre Jair Bolsonaro ou se funcionou como canal para movimentação de recursos com finalidade diversa da declarada.

Enquanto a investigação avança, Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e demais citados mantêm direito à defesa e ao contraditório. Até eventual decisão judicial definitiva, as suspeitas seguem em apuração.

A nova linha investigativa mantém o caso Banco Master no centro da agenda política e jurídica em Brasília. Além de apurar fraudes financeiras bilionárias, a PF agora busca identificar se parte dos recursos atribuídos a Daniel Vorcaro alcançou estruturas políticas ligadas ao bolsonarismo fora do Brasil.

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