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PIB per capita Brasil cresce menos que o mundo e país amplia atraso econômico histórico

por Antônio Lima - Repórter de Economia
04/05/2026 às 11h59 - Atualizado em 15/05/2026 às 17h24
em Economia, Destaque, Notícias
Pib Dos Eua Cresce 2% No 1º Trimestre E Inflação Dispara, Pressionando Decisão Do Fed-Gazeta Mercantil

O PIB per capita Brasil consolidou, ao longo das últimas quatro décadas, uma trajetória de distanciamento em relação à dinâmica econômica global, evidenciando uma incapacidade estrutural de acompanhar o ritmo de crescimento das nações desenvolvidas e, mais recentemente, dos pares emergentes. Segundo apuração da reportagem, o indicador, que mensura a riqueza produzida dividida pelo número de habitantes, reflete um cenário de “atraso relativo” que se iniciou nos anos 1980 e não foi revertido por ciclos econômicos posteriores.

O descompasso é mensurável e alarmante: o País não apenas deixou de convergir para os níveis de renda de economias maduras, como passou a perder terreno para nações que, há quarenta anos, possuíam indicadores de produtividade e bem-estar social inferiores aos brasileiros. Conforme apurou a reportagem da Gazeta Mercantil, esse fenômeno aprisionou a economia na chamada “armadilha da renda média”, onde o custo de produção já não é baixo o suficiente para competir em manufaturas básicas, mas a inovação e o capital humano são insuficientes para disputar mercados de alto valor agregado.

O impacto econômico desse atraso é sentido diretamente no poder de compra da população. Entre 1980 e 2025, o avanço da renda média global superou em quase 250 pontos percentuais o desempenho brasileiro, quando analisado sob a ótica da Paridade do Poder de Compra (PPP). Esse dado sinaliza que o brasileiro médio está, proporcionalmente, mais pobre em relação ao cidadão global do que estava no final do regime militar.

O fim do milagre e a década perdida para o PIB per capita Brasil

Até o início da década de 1980, o PIB per capita Brasil ostentava uma das taxas de crescimento mais vigorosas do mundo ocidental. O processo de industrialização acelerada e a urbanização massiva serviram como motores de uma ascensão que parecia imparável. No entanto, o choque do petróleo e a crise da dívida externa em 1981 impuseram uma ruptura estrutural que redefiniu o destino econômico do País.

A Gazeta Mercantil apurou que, caso o Brasil tivesse mantido o ritmo de crescimento observado no período pré-1980, a renda por habitante poderia ser hoje cerca de 70% superior à registrada atualmente. Em vez disso, a “década perdida” de 1980 trouxe hiperinflação, instabilidade política e o esgotamento do modelo de substituição de importações. A partir desse ponto, o crescimento tornou-se errático, com breves surtos de expansão seguidos por recessões profundas.

A volatilidade tornou-se a marca registrada da economia nacional. Diferente de países que adotaram trajetórias lineares de desenvolvimento, o Brasil habituou-se aos “voos de galinha”. A ausência de estabilidade macroeconômica duradoura impediu que o PIB per capita Brasil se beneficiasse do efeito cumulativo do crescimento, essencial para a formação de poupança interna e investimentos de longo prazo em infraestrutura.

A ultrapassagem dos mercados emergentes e o caso asiático

A comparação internacional expõe a fragilidade do modelo brasileiro de forma nua. Enquanto o Brasil patinava em reformas parciais, economias emergentes da Ásia e do Leste Europeu aceleravam. Dados comparativos indicam que economias emergentes, como um todo, registraram crescimento superior a 1.100% no período, enquanto o salto do PIB per capita Brasil foi de 428%.

O contraste com a Coreia do Sul é frequentemente citado por analistas como o exemplo pedagógico do que o Brasil deixou de fazer. Na virada para os anos 1980, os dois países partiam de níveis de renda similares. Contudo, a nação asiática priorizou a educação básica e técnica, a abertura comercial estratégica e o fomento à inovação tecnológica. Hoje, a Coreia do Sul possui uma renda média que é o triplo da brasileira, exportando tecnologia de ponta, enquanto o Brasil reforçou sua dependência de commodities.

Segundo apuração da Gazeta Mercantil, o desvio brasileiro também se deu em relação aos seus próprios vizinhos e competidores diretos. A baixa integração às cadeias globais de valor isolou a indústria nacional, que perdeu produtividade. O resultado é um PIB per capita Brasil que, em termos nominais, sofre com a desvalorização cambial crônica, fruto da falta de competitividade estrutural.

Produtividade estagnada e o setor de serviços

A raiz da estagnação do PIB per capita Brasil reside na produtividade do trabalho, que permanece praticamente inalterada desde meados da década de 1990. Para que a renda per capita cresça de forma sustentada, é necessário que cada trabalhador produza mais valor em menos tempo, o que exige tecnologia, capital e qualificação. No Brasil, o setor de serviços, que representa cerca de 70% do Produto Interno Bruto e da ocupação de mão de obra, é o que apresenta as maiores dificuldades de ganho de eficiência.

A reportagem apurou que a baixa qualificação da força de trabalho atua como um teto invisível para o crescimento. Mesmo com o aumento da escolaridade formal nas últimas décadas, a qualidade do ensino não acompanhou as demandas de um mercado globalizado. A força de trabalho brasileira leva, em média, quatro vezes mais tempo para produzir o mesmo valor que um trabalhador norte-americano, o que condena o PIB per capita Brasil a níveis de subsistência em comparação aos padrões da OCDE.

Além da questão educacional, o ambiente de negócios brasileiro — frequentemente descrito como um “manicômio tributário” — drena recursos que deveriam ser destinados à inovação. A burocracia excessiva e a insegurança jurídica elevam o Custo Brasil, desestimulando o empreendedorismo de alto impacto. Sem um aumento real na produtividade, qualquer tentativa de elevar o PIB per capita Brasil via consumo acaba resultando em inflação e desequilíbrio nas contas públicas.

O legado do Plano Real e as reformas incompletas

A estabilização monetária trazida pelo Plano Real em 1994 foi um divisor de águas necessário, mas não suficiente. Ao debelar a hiperinflação, o País recuperou a capacidade de planejamento e permitiu que o PIB per capita Brasil registrasse ganhos reais, especialmente durante o “boom” das commodities nos anos 2000. No entanto, aquele período de bonança externa não foi utilizado para consolidar reformas estruturais profundas.

Especialistas apontam que a agenda de reformas tributária e administrativa avançou de forma lenta e fragmentada. A Gazeta Mercantil apurou que a falta de uma reforma do Estado brasileiro manteve o gasto público elevado e pouco eficiente, pressionando a carga tributária e reduzindo a taxa de investimento público. Sem investimentos em logística e infraestrutura, o escoamento da produção torna-se caro, afetando o preço final e a renda disponível do cidadão.

A crise de 2015-2016 marcou o início de uma nova fase de deterioração. Pela primeira vez em décadas, o PIB per capita Brasil ficou abaixo da média mundial de forma persistente. A recessão profunda, seguida de uma recuperação anêmica, destruiu o capital acumulado e gerou uma massa de trabalhadores subutilizados, o que pressiona o indicador para baixo e aumenta a desigualdade social.

A ameaça da exclusão na revolução tecnológica digital

O futuro do PIB per capita Brasil enfrenta agora um desafio existencial: a revolução da inteligência artificial e a digitalização acelerada da economia global. Enquanto nações desenvolvidas investem trilhões de dólares em semicondutores e centros de processamento de dados, o Brasil ainda discute entraves básicos de infraestrutura e conectividade.

A reportagem apurou que o risco de uma nova “década perdida” é real se o País não conseguir integrar sua base produtiva às novas tecnologias. A inteligência artificial tem o potencial de elevar a produtividade global de forma exponencial, mas exige uma força de trabalho altamente qualificada e um ambiente institucional que favoreça a experimentação. Sem esses requisitos, o Brasil corre o risco de se tornar apenas um consumidor de tecnologia importada, o que drenaria ainda mais o PIB per capita Brasil via remessa de lucros e pagamentos de royalties.

A transição energética também se apresenta como uma faca de dois gumes. Embora o Brasil possua uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, a falta de políticas claras para a reindustrialização verde pode impedir que o País se torne um hub global de produtos de baixa emissão de carbono. O isolacionismo comercial, travestido de proteção à indústria local, tem historicamente reduzido a competitividade e a renda média do brasileiro.

Ciclo demográfico e o fechamento da janela de oportunidade

Um fator crítico que muitas vezes escapa ao debate público é o fim do bônus demográfico. Durante décadas, o PIB per capita Brasil foi beneficiado por uma estrutura populacional jovem, com uma grande proporção de pessoas em idade ativa em relação aos dependentes (crianças e idosos). Essa janela de oportunidade está se fechando rapidamente à medida que a população brasileira envelhece.

Diferente das nações ricas, que envelheceram após se tornarem ricas, o Brasil corre o risco de envelhecer ainda pobre. A pressão sobre o sistema previdenciário e de saúde tende a aumentar, exigindo mais recursos públicos e reduzindo a margem para investimentos em inovação. Segundo apuração da Gazeta Mercantil, o aumento do PIB per capita Brasil agora depende exclusivamente de ganhos de produtividade, já que não haverá mais o impulso do crescimento populacional da força de trabalho.

A reversão desse quadro de estagnação exige um pacto nacional que transcenda ciclos eleitorais. A prioridade absoluta à educação de qualidade, a simplificação radical do sistema tributário e a abertura comercial são os pilares citados por dez entre dez economistas para que o País retome a trajetória de convergência. Sem essas mudanças, o destino do PIB per capita Brasil será a irrelevância no cenário internacional, com impactos severos sobre a mobilidade social e a estabilidade democrática.

Perspectivas para a retomada do crescimento sustentado

Apesar do diagnóstico severo, há caminhos para a recuperação. O setor de agronegócios e a exploração de recursos minerais continuam a ser pilares de eficiência que sustentam o saldo comercial e evitam um colapso maior do PIB per capita Brasil. No entanto, a economia não pode se sustentar apenas em ilhas de excelência. É necessário que os ganhos de produtividade transbordem para os serviços e a indústria de transformação.

Conforme apurou a reportagem, a implementação da reforma tributária sobre o consumo é vista como o primeiro passo concreto em décadas para reduzir as distorções que travam o PIB. A unificação de impostos e a transparência na cobrança devem, em tese, liberar capital para investimentos produtivos. Contudo, a eficácia dessa medida dependerá da regulamentação e da capacidade do Estado em não elevar a carga tributária total sobre um setor produtivo já asfixiado.

O foco na infraestrutura logística também é vital. Parcerias público-privadas e concessões em ferrovias e portos podem reduzir drasticamente o custo de exportação, tornando os produtos brasileiros mais competitivos. No fim do dia, o aumento do PIB per capita Brasil é o resultado de uma somatória de microeficiências que, juntas, permitem que o País produza mais e melhor, garantindo uma vida digna para as futuras gerações.

Tags: armadilha da renda médiaCrescimento EconômicoEconomiaeconomia brasileiragazeta mercantilmercado emergentePIB per capita Brasilprodutividade Brasilrenda média brasileira

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Segundo A Versão Divulgada Pela Fintech, A Azara Capital Teria Adquirido A Naskar E Outras Empresas Do Grupo, Como 7Trust E Next, Assumindo A Responsabilidade Por Tratativas Voltadas Ao Ressarcimento Dos Clientes. O Caso, Porém, Passou A Levantar Questionamentos Sobre A Própria Azara Capital. A Empresa Não Apresenta Em Seu Site Nomes De Presidente, Diretores, Sócios Ou Responsáveis Pela Gestão. A Página Informa Um Endereço Em Miami, Nos Estados Unidos, Mas A Localização Indicada Aparece Associada Ao Ocean Bank, Banco Comercial Independente Da Flórida. Em Buscas Por “Azara Capital” Em Plataformas De Geolocalização, Não Há Indicação Clara De Sede Própria Da Companhia. Além Disso, A Presença Digital Da Empresa É Recente. O Perfil Da Azara Capital No Instagram Teria Sido Criado Há Poucos Meses E, Até A Manhã Desta Quinta-Feira, Contava Com Apenas Três Publicações. Após A Repercussão Da Suposta Compra Da Naskar, O Perfil Passou Por Alterações, Incluindo Arquivamento De Postagem, Mudanças Na Biografia, Remoção De Contas Seguidas E Bloqueio De Comentários. Naskar Deixou Investidores Sem Acesso Ao Aplicativo A Crise Da Naskar Começou Após A Fintech Não Realizar O Pagamento Mensal De Rendimentos Previsto Para 4 De Maio. Clientes Tentaram Contato Com Os Sócios Da Empresa Para Entender O Motivo Do Atraso, Mas, Segundo Relatos Reunidos No Texto-Base, Não Obtiveram Resposta. A Situação Se Agravou Quando O Aplicativo Da Naskar, Usado Pelos Investidores Para Acompanhar O Patrimônio Aplicado, Deixou De Funcionar Em 6 De Maio. Desde Então, Clientes Passaram A Relatar Dificuldade Para Acessar Informações Sobre Seus Saldos, Rendimentos E Eventual Cronograma De Devolução. A Naskar Atuava Há 13 Anos Captando Recursos De Clientes Com Promessa De Retorno De 2% Ao Mês, Patamar Muito Superior Ao Praticado Em Produtos Financeiros Tradicionais. Pela Estrutura Divulgada Aos Investidores, A Empresa Recebia Valores E Se Comprometia A Administrar O Patrimônio Dos Clientes, Pagando Rendimentos Mensais. O Modelo Atraiu Investidores De Diferentes Regiões Do País. A Crise, No Entanto, Expôs Riscos De Estruturas Privadas De Captação Com Promessa De Retorno Recorrente E Elevado. Quando Pagamentos Deixam De Ser Feitos, A Relação Entre Empresa E Cliente Rapidamente Passa Do Campo Comercial Para O Judicial E Regulatório. Segundo O Texto-Base, Os Valores A Serem Devolvidos Ou Ao Menos Esclarecidos Aos Clientes Superam R$ 900 Milhões. A Naskar, Por Sua Vez, Afirmou Que A Transação Com A Azara Capital Seria Uma “Operação Estratégica Voltada À Reorganização Das Atividades E À Continuidade Do Suporte Aos Investidores”. Azara Capital Não Informa Diretoria Nem Estrutura Operacional Um Dos Principais Pontos De Atenção É A Falta De Informações Institucionais Detalhadas Sobre A Azara Capital. O Site Da Empresa Não Informa Quem Ocupa Cargos De Comando, Quais São Os Responsáveis Pela Operação, Qual É A Estrutura Societária Ou Quais Executivos Responderiam Pelo Processo De Aquisição Da Naskar. Em Uma Operação Que Envolveria Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão E A Assunção De Passivos Com Milhares De Investidores, A Ausência De Dados Públicos Sobre Governança Amplia A Incerteza. Para Investidores E Credores, A Identificação Dos Responsáveis Pela Empresa É Elemento Básico Para Avaliar Capacidade Financeira, Histórico, Experiência E Responsabilidade Sobre Compromissos Assumidos. Outro Ponto Citado No Texto-Base Envolve O Endereço Físico Informado Pela Azara Capital. A Localização Indicada Em Miami Aparece Associada Ao Ocean Bank, Não A Uma Sede Própria Identificável Da Empresa. Buscas Por “Azara Capital” Em Aplicativos E Sites De Geolocalização Também Não Retornariam Resultados Consistentes. A Ausência De Presença Consolidada Em Plataformas Públicas Não Comprova, Por Si Só, Irregularidade. Ainda Assim, Em Uma Transação De Grande Porte Envolvendo Investidores Prejudicados, A Falta De Dados Verificáveis Aumenta A Necessidade De Esclarecimentos. A Reportagem Também Aponta Que A Azara Capital Não Aparece Como Regulada Ou Cadastrada Em Órgãos De Fiscalização Americanos Como A Securities And Exchange Commission E A Financial Industry Regulatory Authority. Essas Informações São Relevantes Porque A Empresa Se Apresenta Como Sediada Nos Estados Unidos E Vinculada Ao Mercado Financeiro. Perfil Em Rede Social Passou Por Mudanças Após Repercussão A Presença Da Azara Capital Em Redes Sociais Também Entrou No Centro Das Dúvidas. O Perfil Da Empresa No Instagram Teria Sido Criado Há Poucos Meses E Exibia Poucas Publicações Até A Divulgação Da Suposta Transação Envolvendo A Naskar. Durante A Quinta-Feira, Após O Nome Da Empresa Ganhar Repercussão, Foram Observadas Mudanças No Perfil. Uma Publicação Que Mencionava “Capital Rápido Para Negócios Imobiliários” Teria Sido Arquivada. A Conta, Que Seguia 18 Perfis, Deixou De Seguir Todos Eles. A Opção De Comentários Nas Publicações Também Foi Bloqueada. O Perfil Da Empresa Não Teria Conta Correspondente No Linkedin, Plataforma Normalmente Usada Por Instituições Financeiras, Gestoras E Empresas De Serviços Corporativos Para Apresentar Equipe, Histórico, Área De Atuação E Estrutura De Negócios. As Alterações Nas Redes Sociais Não Significam, Isoladamente, Irregularidade. No Entanto, Em Um Contexto De Crise Envolvendo Quase R$ 1 Bilhão Em Recursos De Investidores, Mudanças Rápidas Em Canais Públicos De Comunicação Tendem A Reforçar A Pressão Por Transparência. Para Os Clientes Da Naskar, A Principal Preocupação É Saber Quem Assumirá A Responsabilidade Pelos Valores Aplicados, De Onde Virão Os Recursos Para Eventual Devolução E Qual Será O Prazo Real Para O Início Dos Pagamentos. Douglas Silva De Oliveira Aparece Ligado À Azara Segundo A Apuração Mencionada No Texto-Base, O Empresário Douglas Silva De Oliveira Se Apresentava Como Responsável Pela Azara Capital. Em Perfil Pessoal No Instagram, Ele Declarava Ser Fundador E Diretor Da Instituição, Mas A Informação Teria Sido Retirada Horas Após A Divulgação Da Transação Envolvendo A Naskar. Douglas Silva De Oliveira Consta Como Administrador E Sócio-Administrador De 11 Empresas Brasileiras, Sediadas No Distrito Federal E Em Diferentes Estados. Várias Dessas Companhias Têm Capitais Sociais Milionários, Segundo Os Dados Citados No Texto-Base. A Ligação Entre Douglas, Azara Capital E Naskar Passou A Ser Observada Com Mais Atenção Justamente Pelo Tamanho Da Operação Anunciada. A Suposta Compra De Uma Fintech Em Crise, Com Milhares De Investidores Aguardando Reembolso, Exige Comprovação De Capacidade Financeira E Clareza Sobre A Estrutura Jurídica Da Transação. A Naskar Informou Que A Azara Capital Passaria A Ser Responsável Pelo Contato Com Clientes Interessados Em Saber Quando Terão Seu Dinheiro De Volta. A Fintech Também Afirmou Que As Tratativas Para Devolução Começariam A Partir Da Semana Seguinte Ao Anúncio. Até A Última Atualização Do Texto-Base, Representantes Da Azara Capital Não Haviam Respondido A Tentativas De Contato Por Telefone, Whatsapp E E-Mail. Operação Envolveria Naskar, 7Trust E Next A Transação Anunciada Pela Naskar Não Se Limitaria À Gestora. Segundo A Empresa, A Azara Capital Teria Adquirido Também Outras Duas Companhias Do Grupo: 7Trust E Next. O Objetivo Declarado Seria Reorganizar As Atividades, Consolidar Informações Operacionais, Revisar Processos Existentes E Avançar Na Liquidação Com Investidores. O Valor Informado Para A Operação É De Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão. A Cifra É Próxima Ao Montante Que Precisa Ser Devolvido Ou Explicado Aos Cerca De 3 Mil Clientes Da Fintech. Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
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