A PRIO (PRIO3) deve apresentar um dos desempenhos mais expressivos do setor brasileiro de petróleo e gás no terceiro trimestre de 2026, com crescimento estimado de 14% no Ebitda ajustado em relação aos três meses anteriores. A projeção consta de relatório do Banco Safra divulgado nesta quinta-feira (29), que aponta diferenças relevantes entre as companhias produtoras de petróleo e as distribuidoras de combustíveis às vésperas da divulgação dos balanços.
Segundo o levantamento, o Ebitda ajustado da PRIO poderá alcançar US$ 999 milhões entre julho e setembro, impulsionado pelo aumento dos volumes comercializados, pela contribuição de novos ativos e pela redução dos custos de extração. A margem operacional estimada é de 77%, enquanto o custo de produção deverá ficar próximo de US$ 7,50 por barril.
O desempenho esperado contrasta com as perspectivas para empresas como PetroReconcavo (RECV3) e Brava Energia (BRAV3), que enfrentam pressões relacionadas aos preços internacionais do petróleo, às condições de comercialização e aos efeitos de instrumentos de proteção financeira.
Entre as distribuidoras, Vibra Energia (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3) também devem registrar uma acomodação das margens após os resultados elevados do segundo trimestre. Apesar disso, analistas da XP Investimentos avaliam que as condições de mercado continuam favoráveis às grandes companhias do segmento.
PRIO (PRIO3) deve alcançar Ebitda de US$ 999 milhões no terceiro trimestre
A expectativa de crescimento da PRIO está associada principalmente à expansão da produção e aos ganhos de eficiência operacional. De acordo com o Safra, os volumes comercializados devem aumentar 12% em relação ao segundo trimestre, beneficiados pela contribuição integral do campo de Wahoo e pelo início das operações de um novo poço no campo de Frade.
A companhia também deverá apresentar redução dos custos de extração, apoiada pelas iniciativas de controle de despesas no campo de Peregrino. O banco estima um lifting cost, indicador que mede o custo operacional de extração, de aproximadamente US$ 7,50 por barril.
Com a combinação de maior volume e menor custo unitário, a margem Ebitda ajustada poderá atingir 77%. O indicador representa a relação entre a geração operacional de resultado e a receita, antes de juros, impostos, depreciação e amortização, conforme os ajustes adotados pela empresa.
A projeção de US$ 999 milhões corresponde ao Ebitda ajustado estimado para o trimestre, e não ao lucro líquido da petroleira. Os números definitivos ainda dependem da publicação das demonstrações financeiras.
Para os investidores, a divulgação permitirá avaliar se a expansão operacional da PRIO está sendo acompanhada de maior geração de caixa e capacidade de financiar novos investimentos.
PetroReconcavo (RECV3) pode registrar queda de 11% no resultado operacional
Enquanto a PRIO deverá se beneficiar da expansão de seus ativos, a PetroReconcavo (RECV3) enfrenta um cenário de menor rentabilidade, apesar do avanço nos volumes produzidos.
O Safra estima retração de 11% no Ebitda ajustado da companhia na comparação trimestral. A projeção considera efeitos negativos dos preços de comercialização do petróleo e de contratos de proteção financeira, conhecidos como hedge.
Esses instrumentos são utilizados pelas empresas para reduzir a exposição às oscilações de preços, mas seus resultados podem afetar o desempenho financeiro e operacional reportado, dependendo das condições contratadas e da evolução das cotações.
Segundo a análise, os volumes entregues pela PetroReconcavo devem crescer aproximadamente 4% no período. O aumento da atividade, entretanto, não deverá ser suficiente para compensar integralmente os fatores que pressionam a rentabilidade.
O balanço também permitirá observar a evolução dos custos operacionais e a capacidade de conversão da produção em geração de caixa, especialmente diante da volatilidade dos preços internacionais de energia.
Brava Energia (BRAV3) enfrenta pressão de preços e menores volumes
A Brava Energia (BRAV3) também aparece entre as produtoras com perspectiva de desaceleração no terceiro trimestre.
O Safra projeta Ebitda ajustado de aproximadamente R$ 1,6 bilhão para o segmento de exploração e produção, uma redução de 3% em relação ao trimestre anterior. A margem estimada para essa operação é de 57%.
O desempenho deverá refletir a combinação de menores volumes comercializados, recuo das cotações do petróleo Brent e efeitos desfavoráveis dos contratos de hedge.
A avaliação também considera a evolução do crack spread, diferença entre o preço dos derivados de petróleo e o custo da matéria-prima utilizada no refino, indicador relevante para a rentabilidade das operações de processamento e comercialização.
A divulgação dos números será importante para esclarecer como a companhia está administrando suas despesas operacionais e o impacto das condições de mercado sobre suas atividades.
Vibra Energia (VBBR3) deve vender mais, mas com margens menores
No segmento de distribuição de combustíveis, a Vibra Energia (VBBR3) deverá apresentar crescimento dos volumes comercializados, acompanhado de uma redução na rentabilidade por unidade vendida.
Segundo o Safra, a margem unitária da companhia poderá recuar 17%, enquanto os volumes devem crescer 5% em relação ao terceiro trimestre de 2025.
A XP Investimentos também prevê uma acomodação dos resultados, após um segundo trimestre marcado por margens particularmente elevadas. Em relatório publicado na quarta-feira (28), a instituição estimou margem Ebitda de R$ 371 por metro cúbico para a Vibra, ante R$ 456 registrados no trimestre anterior.
Mesmo com a redução sequencial, os analistas avaliam que a rentabilidade continua em patamar favorável, sustentada pelas condições de suprimento do mercado brasileiro.
Um dos principais fatores é a diferença entre os preços dos combustíveis praticados nas refinarias nacionais e os valores de paridade de importação. Esse cenário beneficia distribuidoras com maior acesso ao abastecimento doméstico e reduz a competitividade de determinados importadores independentes.
XP eleva preço-alvo da Vibra para R$ 44 e mantém recomendação de compra
Apesar da expectativa de margens menores no terceiro trimestre, a XP manteve sua recomendação de compra para as ações da Vibra Energia.
A instituição elevou o preço-alvo de R$ 39 para R$ 44 por ação, agora com horizonte de avaliação até o fim de 2027. O novo valor representa potencial de valorização de aproximadamente 37% em relação à cotação utilizada pelos analistas no relatório.
A revisão considera a perspectiva de manutenção de margens operacionais mais elevadas, além da geração de caixa projetada para os próximos períodos.
Para 2027, a XP passou a estimar margem Ebitda recorrente de R$ 201 por metro cúbico para a Vibra, acima da previsão anterior de R$ 191.
O relatório também destaca a possibilidade de retornos atrativos aos acionistas, embora ressalte riscos associados à manutenção dos juros elevados, às condições para aquisições e à demanda por combustíveis líquidos no longo prazo.
Os preços-alvo representam estimativas dos analistas, não garantias de valorização das ações.
Ultrapar (UGPA3) também pode registrar queda de rentabilidade
A Ultrapar (UGPA3), controladora de negócios como Ipiranga, Ultragaz e Ultracargo, deverá enfrentar uma redução de margens em parte de suas operações no terceiro trimestre.
De acordo com o Safra, o Ebitda consolidado poderá apresentar retração de 12%, refletindo principalmente a menor rentabilidade unitária nos negócios de distribuição de combustíveis e gás liquefeito de petróleo.
A projeção considera crescimento dos volumes comercializados por Ipiranga e Ultragaz, mas com margens inferiores às observadas anteriormente. A Ultracargo também deverá apresentar queda no resultado operacional, enquanto o desempenho da Hidrovias do Brasil poderá contribuir parcialmente para compensar essas pressões.
A XP estima margem Ebitda de R$ 392 por metro cúbico para a Ipiranga, abaixo dos R$ 451 registrados no segundo trimestre.
Apesar da expectativa de recuo, a corretora elevou o preço-alvo da Ultrapar de R$ 34 para R$ 41 por ação, com horizonte até o fim de 2027, mantendo a recomendação neutra.
A nova avaliação incorpora projeções mais favoráveis para a rentabilidade recorrente, mas considera que parte dessa melhora já está refletida no valor de mercado da companhia.
Quando PRIO, Vibra e PetroReconcavo divulgam os balanços do 3T26?
A divulgação dos resultados deverá oferecer uma avaliação mais precisa das diferenças de desempenho entre as empresas do setor.
A PRIO (PRIO3) programou a publicação de seu balanço para 4 de novembro de 2026, após o fechamento do mercado. A teleconferência com investidores ocorrerá no dia seguinte, às 15h, pelo horário de Brasília.
A Vibra Energia (VBBR3) também divulgará seus resultados em 4 de novembro, com apresentação ao mercado prevista para 5 de novembro.
Já a PetroReconcavo (RECV3) deverá apresentar os números do terceiro trimestre em 5 de novembro, após o encerramento do pregão, seguida de teleconferência em 6 de novembro.
Os balanços permitirão confrontar as projeções dos analistas com os resultados efetivamente registrados pelas companhias, especialmente em indicadores como Ebitda, margens operacionais, volumes comercializados e geração de caixa.
O cenário apresentado pelo Safra mostra que a evolução do setor não depende exclusivamente dos preços internacionais do petróleo. A capacidade de ampliar a produção, controlar despesas e preservar margens de comercialização deverá determinar parte importante das diferenças de desempenho entre as empresas no terceiro trimestre de 2026.
Fontes:
Banco Safra — Safra Research, análise do setor de petróleo e gás referente ao terceiro trimestre de 2026, divulgada em 29 de outubro de 2026.
XP Investimentos — Distribuição de Combustíveis: Prévia do 3T26, relatório divulgado em 28 de outubro de 2026.
PRIO — Relações com Investidores, calendário de divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2026.
Vibra Energia — Relações com Investidores, calendário de resultados do terceiro trimestre de 2026.
PetroReconcavo — Relações com Investidores, calendário de eventos corporativos de 2026.










