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Queda do dólar valoriza o real e reacende otimismo com economia brasileira

por Gabriel Monteiro
09/06/2025 às 12h04
em Dólar
Queda Do Dólar Valoriza O Real E Reacende Otimismo Com Economia Brasileira - Gazeta Mercantil - Economia

Queda do dólar impulsiona valorização do real e aquece expectativas no mercado financeiro

A valorização do real em meio à queda do dólar e o cenário macroeconômico nacional

A queda do dólar tem sido um dos principais fatores de movimentação no mercado financeiro brasileiro nas últimas semanas. O recuo da moeda americana frente ao real reflete uma combinação de fatores internacionais e domésticos que influenciam diretamente o câmbio, os investimentos e as políticas econômicas adotadas pelo governo e Banco Central.

No cenário global, a redução dos rendimentos dos Treasuries de curto e médio prazo, combinada à expectativa de uma nova rodada de negociações tarifárias entre Estados Unidos e China, tem exercido pressão sobre a moeda norte-americana. Já no Brasil, a manutenção da taxa Selic em patamar elevado e sinais de compromisso com a responsabilidade fiscal criam um ambiente mais atrativo para os investidores, reforçando a valorização do real.

Leia também: Ambev 4T25: Resultados devem confirmar queda de volumes e margens pressionadas.

Essa conjuntura tem impactos diretos na inflação, nos investimentos em renda fixa e variável, e nas decisões de consumo e importação. A seguir, vamos detalhar os fatores que explicam esse movimento e suas consequências para a economia brasileira.


Contexto internacional favorece desvalorização do dólar

A política monetária norte-americana tem desempenhado papel central na queda do dólar frente às moedas emergentes. O arrefecimento nos rendimentos dos Treasuries, resultado das incertezas sobre os próximos passos do Federal Reserve, reduziu a atratividade dos ativos em dólar. Paralelamente, o reinício das negociações entre Estados Unidos e China sobre tarifas comerciais sinaliza uma possível distensão nas relações econômicas entre as duas maiores potências do mundo.

Esse ambiente mais ameno favorece o apetite por risco e estimula o fluxo de capital para mercados emergentes, como o Brasil. Investidores estrangeiros buscam retornos mais altos e encontram, no mercado brasileiro, uma taxa de juros real positiva, o que aumenta a demanda pelo real e contribui para sua valorização.


Política monetária no Brasil: Selic deve continuar em patamar elevado

Do lado doméstico, os investidores reagem à sinalização do Banco Central de que a taxa Selic deve permanecer em nível restritivo por um período mais prolongado. Essa postura mais firme visa controlar as expectativas inflacionárias e consolidar a tendência de desaceleração dos preços.

Em recente declaração, um diretor do Banco Central destacou que a intensidade do aperto monetário – ou seja, a combinação entre o nível da Selic e o tempo que ela permanecerá elevada – é mais relevante do que a taxa terminal em si. Esse compromisso com a estabilidade contribui para o fortalecimento da moeda brasileira, em um movimento que anda lado a lado com a queda do dólar.


Medidas fiscais reforçam credibilidade econômica do governo

Outro elemento que favorece a valorização do real é o esforço do governo para manter o equilíbrio fiscal, mesmo após a decisão de recuar do aumento do IOF. Para compensar a perda de arrecadação, o governo anunciou uma série de medidas:

  • Edição de uma medida provisória com ajustes na arrecadação;

  • Novo decreto que recalibra a cobrança do IOF em um terço da proposta original;

  • Propostas para revisar gastos infraconstitucionais;

  • Iniciativas voltadas à redução de gastos primários.

Esse conjunto de ações indica um compromisso com a responsabilidade fiscal, o que melhora a percepção dos investidores e reduz a percepção de risco sobre o Brasil.


Inflação desacelera, mas ainda inspira cautela

No front inflacionário, o relatório Focus divulgado pelo Banco Central mostra uma leve queda na expectativa para os próximos 12 meses, com a mediana recuando de 4,81% para 4,77%. Para 2025, a projeção para o IPCA caiu de 5,46% para 5,44%, ainda acima da meta de 4,50%, mas sinalizando uma tendência de moderação.

Esses números reforçam o cenário de inflação sob controle, o que, aliado à queda do dólar, contribui para a manutenção de um ambiente macroeconômico mais estável.

Outro indicador relevante, o IPC-S, subiu 0,41% na primeira quadrissemana de junho, acima dos 0,34% registrados em maio, com variação acumulada de 4,49% em 12 meses. Para 2025, a expectativa é de alta de 2,94%, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV).


Setor corporativo: ajustes nas projeções e impacto nas ações da Petrobras

No setor empresarial, o Banco Santander revisou sua recomendação para os papéis da Petrobras, passando de outperform (compra) para neutra. A decisão reflete a expectativa de um cenário financeiro mais desafiador para a estatal nos próximos meses.

Esse tipo de revisão impacta diretamente o humor dos investidores e influencia o fluxo de capitais no mercado brasileiro. No entanto, o movimento de queda do dólar pode mitigar parte desses impactos, ao fortalecer a atratividade de ativos denominados em real.


China: aquecimento do consumo também influencia o câmbio

Na China, as vendas de automóveis de passeio subiram 13% em maio na comparação anual e 10% em relação a abril. Esse crescimento foi impulsionado por incentivos do governo e pelo alívio nas tensões comerciais com os EUA.

Esse desempenho indica uma recuperação da economia chinesa, que tende a aumentar a demanda por commodities exportadas pelo Brasil, como minério de ferro e soja. Com o aumento das exportações, a entrada de dólares no país cresce, reforçando a queda do dólar e a valorização da moeda brasileira.


A relação entre dólar, inflação e política fiscal: o que esperar?

A queda do dólar tem efeitos positivos sobre diversos indicadores econômicos:

  • Inflação: A desvalorização da moeda norte-americana reduz os preços de produtos importados, contribuindo para o controle da inflação.

  • Custo da dívida: Com o câmbio mais favorável, os custos de financiamentos em dólar tendem a cair.

  • Fluxo de investimentos: A valorização do real e os juros elevados tornam o Brasil mais atrativo para capital estrangeiro.

No entanto, esse cenário depende da continuidade da disciplina fiscal e da manutenção da política monetária responsável. Qualquer ruído político ou mudança abrupta na condução da economia pode reverter os ganhos recentes e comprometer a estabilidade cambial.


Queda do dólar é oportunidade para o Brasil consolidar confiança internacional

A atual queda do dólar representa uma janela de oportunidade para o Brasil consolidar um novo ciclo de confiança internacional. A combinação entre fatores externos favoráveis, como o alívio nas tensões EUA-China, e medidas internas de responsabilidade fiscal e política monetária consistente, cria um ambiente propício para o crescimento econômico sustentável.

Manter essa trajetória exige prudência, compromisso com reformas estruturais e estabilidade política. Se bem aproveitado, o momento atual pode impulsionar a recuperação da economia brasileira e pavimentar o caminho para um novo ciclo de investimentos e geração de empregos.

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