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Renda fixa hoje: CDB é anunciado a 14,85% ao ano; veja taxas de LCIs e LCAs

Ofertas de títulos bancários nesta quarta-feira (28) incluem aplicações prefixadas, pós-fixadas e atreladas à inflação, em meio à volatilidade dos juros após as eleições

por Camila Braga
28/10/2026 às 10h38
em Mercados
Renda Fixa Hoje: Cdb, Lci E Lca Disparam Antes Do Copom E Elevam Retornos No Brasil-Gazeta Mercantil

O mercado de renda fixa apresenta nesta quarta-feira (28) ofertas de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com remuneração prefixada anunciada de até 14,85% ao ano, além de títulos indexados à inflação com taxas de IPCA mais 8,70%. As condições aparecem em material de divulgação de produtos bancários distribuídos pela plataforma da XP Investimentos, em um momento de ajustes nas expectativas para os juros brasileiros após o segundo turno das eleições presidenciais.

Entre as alternativas apresentadas estão CDBs remunerados por percentuais do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e Letras de Crédito Imobiliário (LCIs). As taxas variam conforme a instituição emissora, o indexador, o prazo de vencimento e as condições de disponibilidade de cada produto.

A oferta de um CDB prefixado do Banco XP com remuneração anunciada de 14,85% ao ano e vencimento em outubro de 2029 aparece entre os destaques da seleção comercial. Também são mencionados um CDB do Banco Original, com retorno equivalente a 107% do CDI, e uma LCA da ASA, remunerada a 90% do CDI, ambos com vencimentos mais longos.

Os percentuais correspondem às condições divulgadas para a sessão e não representam garantia de disponibilidade no momento da contratação. As taxas das ofertas individuais não foram confirmadas de forma independente na área de negociação da plataforma.

CDBs oferecem taxas prefixadas e proteção contra inflação

Os CDBs estão entre os produtos de renda fixa que apresentam diferentes possibilidades de remuneração nesta quarta-feira. Nas aplicações prefixadas, o investidor conhece a taxa anual contratada no momento da aquisição, desde que mantenha o título até o vencimento e a instituição emissora cumpra suas obrigações.

Entre os produtos mencionados no material comercial estão:

  • CDB Banco XP: 14,85% ao ano, com vencimento em outubro de 2029.
  • CDB Banco Original: 107% do CDI, com vencimento em outubro de 2031.

Além dessas emissões, a seleção informa a existência de CDBs atrelados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com remuneração anunciada de até 8,70% ao ano acima da inflação para prazos superiores a 12 meses.

Nos títulos indexados ao IPCA, o retorno nominal depende da inflação acumulada durante o período da aplicação. Já nos CDBs pós-fixados, a remuneração acompanha a evolução do CDI, indicador que costuma permanecer próximo da taxa básica de juros da economia.

O material apresenta diferenças entre os limites gerais anunciados e determinadas ofertas destacadas. Por isso, os percentuais devem ser tratados como condições comerciais de produtos específicos, e não como um levantamento consolidado das maiores taxas efetivamente disponíveis no mercado.

LCAs e LCIs apresentam alternativas isentas de Imposto de Renda

As Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) também aparecem entre as aplicações bancárias divulgadas nesta quarta-feira.

No segmento de LCAs, a relação comercial apresenta taxas prefixadas de até 11,47% ao ano para aplicações com prazo de aproximadamente 12 meses. Os títulos vinculados à inflação oferecem remuneração anunciada de até IPCA mais 4,78% ao ano.

Entre as emissões pós-fixadas destacadas estão a LCA ASA, com remuneração de 90% do CDI e vencimento em outubro de 2029, e a LCA BNDES, com taxa equivalente a 80,5% do CDI e vencimento em outubro de 2027.

Nas LCIs, o material informa taxas prefixadas de até 10,60% ao ano para vencimentos de 12 meses, enquanto as alternativas pós-fixadas apresentam remuneração de até 80,5% do CDI.

Uma diferença importante em relação aos CDBs é o tratamento tributário. Pela legislação vigente, os rendimentos de LCIs e LCAs permanecem isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas, enquanto os ganhos dos CDBs estão sujeitos à tabela regressiva de tributação.

Essa característica faz com que a comparação entre produtos não dependa exclusivamente da taxa nominal anunciada. Uma LCI ou LCA com percentual menor do CDI pode apresentar retorno líquido competitivo diante de um CDB tributado, dependendo do prazo da aplicação.

Juros futuros recuam após forte volatilidade no mercado

As ofertas de renda fixa são divulgadas em um ambiente de oscilações acentuadas nas taxas de juros negociadas no mercado futuro.

Segundo relatório publicado pela XP nesta quarta-feira, os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) encerraram a sessão anterior em queda, devolvendo parte da forte abertura registrada na segunda-feira (26), primeiro pregão após a definição do resultado eleitoral.

O DI com vencimento em janeiro de 2027 terminou a terça-feira (27) em 13,64%, enquanto o contrato para janeiro de 2029 fechou em 14,74%. O vencimento de janeiro de 2031 encerrou a sessão em 14,85%, segundo os dados apresentados pela instituição.

O movimento refletiu uma recomposição de posições por parte dos investidores, após a elevação dos prêmios exigidos para aplicações em títulos de prazo mais longo.

A atuação do Tesouro Nacional também contribuiu para reduzir a instabilidade. O órgão realizou um novo leilão de recompra de títulos públicos indexados à inflação, conhecidos como NTN-Bs, enquanto a oferta regular de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs) foi cancelada.

As operações de recompra podem proporcionar liquidez ao mercado em momentos de oscilações expressivas, contribuindo para reduzir desequilíbrios entre compradores e vendedores de títulos públicos.

XP vê oportunidades na renda fixa, mas recomenda seletividade

Em relatório publicado em 27 de outubro, a XP avaliou que a reprecificação dos juros após as eleições pode ampliar as oportunidades de investimento em renda fixa, mas também exige atenção aos riscos associados aos diferentes prazos e emissores.

A instituição destacou que os títulos pós-fixados continuam relevantes diante do nível elevado das taxas de juros, especialmente para investidores que procuram preservar liquidez e flexibilidade na administração das carteiras.

Nos investimentos prefixados, a preferência apresentada pela equipe de análise está concentrada em vencimentos mais curtos, que oferecem menor exposição relativa às oscilações das expectativas fiscais e monetárias de longo prazo.

Os títulos públicos indexados à inflação também permanecem entre as alternativas consideradas pela instituição, principalmente nos vencimentos intermediários, desde que o horizonte de investimento seja compatível com as oscilações de preços.

A XP ressalta que a seleção dos ativos deve considerar a qualidade de crédito, os riscos de mercado, a liquidez e a diversificação entre indexadores.

Decisão do Federal Reserve influencia expectativas para os juros

O cenário internacional também está no radar dos investidores nesta quarta-feira, com a expectativa pela decisão de política monetária do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos.

A definição dos juros norte-americanos influencia os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os fluxos internacionais de capitais e o comportamento do dólar, fatores que também afetam a formação das taxas de juros no Brasil.

No mercado doméstico, as expectativas relacionadas à política fiscal, à dívida pública e à trajetória da inflação continuam entre os principais elementos considerados pelos investidores na precificação dos títulos.

Mudanças nessas expectativas podem provocar oscilações nos preços de mercado dos papéis prefixados e indexados à inflação, especialmente quando possuem vencimentos mais distantes.

O que observar antes de investir em CDB, LCI ou LCA

Apesar das taxas anunciadas, a rentabilidade não deve ser o único critério de escolha de uma aplicação de renda fixa.

Os CDBs estão sujeitos ao Imposto de Renda sobre os rendimentos, com alíquotas que variam de 22,5%, para aplicações de até 180 dias, a 15%, para investimentos mantidos por mais de 720 dias.

As LCIs e LCAs, por sua vez, oferecem isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas nas condições previstas na legislação atual.

Outro fator relevante é a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). CDBs, LCIs e LCAs elegíveis possuem cobertura de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira ou conglomerado, observado o limite global de R$ 1 milhão em garantias pagas a cada período de quatro anos.

A cobertura, entretanto, não elimina o risco de crédito nem assegura acesso imediato aos recursos em caso de problemas com a instituição emissora.

O investidor também precisa observar se o produto permite resgate antecipado. Em determinadas emissões, o dinheiro permanece aplicado até o vencimento, e eventual negociação antes dessa data pode não estar disponível ou ocorrer em condições desfavoráveis.

Com os juros futuros ainda em patamares elevados, as aplicações de renda fixa continuam oferecendo alternativas de remuneração nominal e real. A escolha entre CDBs, LCIs e LCAs, entretanto, depende do retorno líquido, do prazo, da capacidade financeira do emissor e da necessidade de liquidez do investidor.

Fontes:

XP Investimentos — Material de ofertas de emissão bancária de 28 de outubro de 2026, com condições comerciais sujeitas à disponibilidade.

XP Research — Morning Call, 28 de outubro de 2026.

XP Investimentos — Pós-eleição 2026: cenário e como investir em renda fixa, atualizado em 27 de outubro de 2026.

Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — Regras oficiais de cobertura e limites de garantia.

Receita Federal — Tributação de rendimentos de capital e aplicações financeiras em 2026.

B3 — Informações oficiais sobre contratos futuros de Depósito Interfinanceiro.

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