A retomada do varejo e serviços tem sido o tema central do cenário econômico brasileiro em 2025. Dados recentes, divulgados pelo Índice Getnet de Atividade Econômica (IGet) – desenvolvido pelo Santander Brasil em parceria com a Getnet – apontam sinais positivos, mesmo diante de oscilações em alguns segmentos. Este artigo analisa detalhadamente os indicadores do setor, explora as causas desse movimento e discute as perspectivas futuras para o comércio, os serviços e o e-commerce, fornecendo uma visão abrangente sobre como a economia está se reerguendo neste ano.
Introdução
Após um período de desafios econômicos, os setores de varejo e serviços vêm mostrando sinais de recuperação. Em fevereiro de 2025, os indicadores apontam para uma retomada do varejo e serviços que, embora ainda apresente pontos de vulnerabilidade, revela um crescimento generalizado e um movimento de ajuste positivo no comércio e na prestação de serviços. A análise dos dados do IGet permite identificar as áreas que mais contribuíram para esse desempenho e destacar as estratégias adotadas pelas empresas para se adaptarem a um mercado cada vez mais digital.
Nesta matéria, vamos explorar:
- Os principais números e tendências apontados pelo IGet.
- O desempenho dos setores de serviços e varejo, com foco em segmentos específicos.
- O impacto do e-commerce, especialmente para pequenas e médias empresas (PMEs).
- A importância das redes sociais como canais de vendas.
- A consolidação do Pix como meio de pagamento preferencial.
- Perspectivas futuras para o comércio e serviços em 2025.
Cenário Econômico e o Papel dos Indicadores
O Índice Getnet de Atividade Econômica (IGet)
O IGet é um importante termômetro do desempenho dos setores de varejo e serviços no Brasil. Desenvolvido em parceria com o Santander Brasil, o índice reúne dados de diferentes segmentos para oferecer uma visão geral do comportamento do consumo e das atividades econômicas. Em fevereiro de 2025, o IGet apontou uma retomada significativa, mesmo diante de alguns desafios pontuais.
- Os setores de varejo e serviços estão em processo de recuperação.
- A retomada do varejo e serviços é marcada por avanços em vários segmentos, mesmo com quedas pontuais em áreas específicas.
O Impacto da Digitalização
Um dos fatores que têm impulsionado essa retomada é a crescente digitalização do comércio. Com o avanço da tecnologia e a popularização do e-commerce, consumidores estão cada vez mais conectados e exigentes. A integração entre plataformas online e redes sociais tem permitido às empresas atingir um público mais amplo e diversificado, estimulando o crescimento do setor.
Análise dos Setores: Serviços e Varejo
Setor de Serviços: Avanços e Desafios
Os dados do IGet Serviços mostram que, em fevereiro de 2025, houve uma alta de 2,4% na comparação com janeiro. Essa melhora indica um movimento de recuperação, revertendo a estabilidade observada no mês anterior. Contudo, ao comparar com o mesmo período de 2024, verifica-se uma leve queda de 0,5%. Esses números evidenciam que, embora haja sinais positivos, alguns desafios persistem.
Detalhamento dos Segmentos de Serviços
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Alojamento e Alimentação:
O segmento de alojamento e alimentação registrou uma queda de 0,7%, marcando a terceira queda consecutiva. Esse desempenho negativo pode ser atribuído a fatores sazonais e à mudança nos hábitos de consumo, onde os clientes buscam alternativas mais econômicas ou híbridas (com opções de delivery e reservas online). -
Outros Serviços:
Em contrapartida, os demais serviços cresceram 1,3%, compensando parcialmente o impacto negativo dos setores de alojamento e alimentação. Esse crescimento pode estar relacionado a serviços de tecnologia, educação online, consultorias e outros segmentos que se adaptaram rapidamente às novas demandas do mercado.
A dinâmica no setor de serviços demonstra que, mesmo com desafios pontuais, a retomada do varejo e serviços é possível quando há diversificação e inovação nas ofertas.
Varejo: Recuperação e Segmentação
No âmbito do varejo, os indicadores também apontam um cenário de recuperação expressiva. Dois subíndices do IGet foram analisados para oferecer uma visão mais detalhada: o IGet Varejo Ampliado e o IGet Varejo Restrito.
IGet Varejo Ampliado
O IGet Varejo Ampliado, que engloba automóveis e materiais de construção, cresceu 1,3% em fevereiro. Esse avanço é especialmente relevante, considerando que em janeiro o índice registrou uma queda de 0,8%. No comparativo anual, o índice apresentou uma alta expressiva de 5,2%, evidenciando a recuperação gradual do setor.
Destaques do Varejo Ampliado
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Automóveis, Partes e Peças:
Este segmento teve um crescimento de 3,3%, impulsionando a recuperação do varejo ampliado. O aumento pode ser explicado pelo crescimento das vendas pós-pandemia e pela retomada dos investimentos em mobilidade. -
Materiais de Construção:
Apesar de apresentar um crescimento modesto (0,1%), o segmento de materiais de construção manteve sua estabilidade, o que é fundamental para sustentar o setor em períodos de volatilidade.
IGet Varejo Restrito
O IGet Varejo Restrito, que exclui os segmentos de automóveis e materiais de construção, apresentou um desempenho ainda mais robusto. Em fevereiro, o índice avançou 2,1%, chegando a um acumulado de 6,1% nos últimos 12 meses. Esse crescimento é um indicativo claro da força do comércio varejista tradicional.
Análise dos Segmentos do Varejo Restrito
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Vestuário:
Apesar de ser um dos segmentos mais tradicionais do varejo, o vestuário foi o único que apresentou desempenho negativo, registrando uma queda de 0,8%. Essa redução pode estar relacionada a mudanças no comportamento do consumidor e à concorrência crescente de marcas digitais. -
Bens de Uso Pessoal:
Este segmento surpreendeu ao registrar um crescimento de 10,4%, demonstrando a confiança dos consumidores em produtos que agregam valor e comodidade ao dia a dia. -
Móveis e Eletrodomésticos:
Com um crescimento de 8,0%, esse setor tem se beneficiado do investimento dos consumidores em melhorias para o lar, principalmente em função do home office e do aumento das atividades domésticas. -
Artigos Farmacêuticos:
O segmento também teve um desempenho positivo, com um crescimento de 2,5%, refletindo a crescente preocupação com a saúde e bem-estar.
Os números apresentados no varejo, tanto ampliado quanto restrito, reforçam a importância da retomada do varejo e serviços para a economia nacional. A recuperação dos diferentes segmentos demonstra que, mesmo em um cenário de desafios, o consumo continua sendo um motor crucial para o crescimento econômico.
O Impacto das PMEs no E-commerce
Crescimento Exponencial das Vendas Online
As pequenas e médias empresas (PMEs) têm se destacado no cenário do comércio eletrônico. Segundo levantamento realizado pela plataforma Nuvemshop, as vendas online deste segmento cresceram 42% em relação a 2023, movimentando um total de R$ 4,7 bilhões durante o ano. Esses números refletem não apenas a adaptabilidade das PMEs, mas também a mudança nos hábitos de consumo, onde a digitalização se tornou essencial.
Dados Relevantes:
- Número de Clientes: Mais de sete milhões de clientes realizaram compras, indicando uma ampla aceitação do e-commerce.
- Volume de Unidades Vendidas: Foram comercializadas 73 milhões de unidades, representando um aumento de 30% em relação ao ano anterior.
- Contribuição das Redes Sociais: As redes sociais desempenham um papel significativo, com 24% das compras realizadas através desses canais, sendo que o Instagram responde por 89% das transações.
A forte presença das PMEs no e-commerce evidencia que a retomada do varejo e serviços não se restringe apenas aos grandes players. As pequenas empresas, muitas vezes mais ágeis e inovadoras, têm aproveitado a digitalização para expandir suas operações e conquistar novos mercados.
A Influência das Redes Sociais nas Vendas Digitais
A digitalização não só impulsionou as vendas online, mas também transformou a maneira como os consumidores interagem com as marcas. Atualmente, as redes sociais se tornaram canais essenciais para o comércio eletrônico, influenciando diretamente as decisões de compra.
Estratégias de Sucesso nas Redes Sociais
Empresas que investem em estratégias de marketing digital e integração com redes sociais têm colhido bons frutos. Campanhas interativas, anúncios segmentados e a utilização de influenciadores digitais são algumas das táticas que têm impulsionado as vendas.
Principais Dados:
- Percentual de Compras via Redes Sociais: 24% das transações online são realizadas por meio desses canais.
- Liderança do Instagram: Com 89% das transações, o Instagram se destaca como a plataforma preferida para a promoção e venda de produtos.
Essa tendência reforça a necessidade de que as empresas, independentemente do porte, adaptem suas estratégias de marketing para aproveitar o potencial das redes sociais. Dessa forma, a retomada do varejo e serviços se fortalece, acompanhando as novas dinâmicas de consumo e comunicação.
Faturamento Regional e Principais Segmentos no E-commerce
Destaques Regionais
A análise dos dados regionais revela que São Paulo lidera o faturamento no e-commerce, com impressionantes R$ 2,3 bilhões. Outros estados também contribuíram significativamente para o crescimento do setor:
- Minas Gerais: R$ 469 milhões
- Rio de Janeiro: R$ 356,5 milhões
- Santa Catarina: R$ 325,5 milhões
- Ceará: R$ 260 milhões
Esses números demonstram que a digitalização e o consumo online não se concentram apenas nos grandes centros, mas estão se expandindo para diversas regiões do país, contribuindo para uma retomada do varejo e serviços cada vez mais equilibrada e abrangente.
Segmentos Mais Procurados
No universo do e-commerce, alguns segmentos se destacaram devido à alta demanda dos consumidores:
- Moda: Com um faturamento de R$ 1,6 bilhão, o segmento de moda continua sendo um dos pilares do varejo digital.
- Saúde & Beleza: Responsável por R$ 442,5 milhões, esse segmento vem ganhando força à medida que os consumidores buscam produtos que promovam bem-estar e cuidados pessoais.
- Acessórios: Com R$ 294 milhões em vendas, os acessórios completam a oferta diversificada do e-commerce.
- Casa & Jardim: Com R$ 206,5 milhões, este segmento reflete a tendência de investimentos em melhorias e decoração do lar.
Esses segmentos não apenas mostram a diversificação do consumo, mas também indicam que as empresas que atuam nesses mercados têm potencial para crescer ainda mais em um cenário de transformação digital.
A Consolidação do Pix como Meio de Pagamento
Um dos aspectos revolucionários do comércio digital em 2025 é a consolidação do Pix como o principal meio de pagamento. Com 46% das transações realizadas por esse sistema, o Pix superou o tradicional cartão de crédito, que respondeu por 45% das compras.
Vantagens do Pix
- Rapidez e Segurança: O Pix permite transações quase instantâneas, oferecendo maior comodidade aos consumidores e reduzindo a burocracia nas compras online.
- Baixo Custo: Com tarifas reduzidas, o Pix é uma opção economicamente viável tanto para os consumidores quanto para as empresas.
- Adoção em Massa: A facilidade de uso e a ampla aceitação pelo mercado impulsionaram sua adoção, contribuindo significativamente para a digitalização do comércio.
O crescimento do Pix é um reflexo da modernização do sistema financeiro e da busca por soluções que facilitem a retomada do varejo e serviços por meio de meios de pagamento mais eficientes e seguros.
Perspectivas para o Futuro: Inovação e Crescimento Contínuo
Tendências de Consumo e Digitalização
As perspectivas para os setores de varejo e serviços em 2025 são amplamente positivas, especialmente considerando o cenário de retomada apresentado pelos indicadores do IGet. A digitalização continua a transformar o comportamento do consumidor, e as empresas que investem em plataformas online, integração com redes sociais e inovação tecnológica tendem a se destacar.
Inovações Tecnológicas:
- Inteligência Artificial e Big Data: O uso de IA e análise de dados permite uma personalização mais eficiente das ofertas, melhorando a experiência do consumidor.
- Realidade Aumentada e Virtual: Tecnologias imersivas estão sendo exploradas para criar experiências de compra diferenciadas, permitindo que os clientes visualizem produtos de maneira mais interativa.
- Omnicanalidade: A integração entre lojas físicas e virtuais tem se intensificado, proporcionando uma experiência de compra fluida e sem atritos.
Estratégias para Empresas e PMEs
Para aproveitar o momento de retomada, empresas de todos os portes devem adotar estratégias que alinhem inovação com uma comunicação eficaz. Entre as principais recomendações estão:
- Investir em marketing digital e campanhas integradas com redes sociais.
- Ampliar as operações de e-commerce e melhorar a logística de entrega.
- Oferecer experiências personalizadas que atendam às demandas específicas dos consumidores.
- Adotar novas tecnologias que facilitem o pagamento e a interação com o cliente.
Essas ações não só potencializam as vendas, como também fortalecem a marca e contribuem para uma recuperação sustentável dos setores de varejo e serviços.
Os dados de fevereiro de 2025 demonstram que estamos diante de um cenário promissor para a retomada do varejo e serviços no Brasil. Com sinais de crescimento em diversos segmentos, a digitalização e a adaptação às novas tendências de consumo têm sido os principais motores desse movimento. A recuperação dos setores de serviços e varejo, aliada à consolidação do e-commerce e a inovações tecnológicas, apontam para um futuro de expansão e fortalecimento do mercado.
Apesar dos desafios pontuais, como a queda no segmento de alojamento e alimentação e o desempenho negativo do vestuário no varejo restrito, os avanços nos demais segmentos compensam essas oscilações. O crescimento robusto dos bens de uso pessoal, móveis, eletrodomésticos e artigos farmacêuticos, aliado à expressiva recuperação no varejo ampliado, evidencia uma economia resiliente e adaptável.
Além disso, o papel das PMEs no comércio eletrônico e a influência das redes sociais reforçam a ideia de que a transformação digital está mudando a forma como consumimos e nos relacionamos com as marcas. O avanço do Pix como meio de pagamento também contribui para um ambiente de transações mais ágil e seguro, potencializando o crescimento do setor.
Em síntese, a retomada do varejo e serviços é uma realidade que se consolida com base em dados robustos e tendências que apontam para um futuro cada vez mais digital e integrado. As empresas que investirem em inovação, tecnologia e estratégias digitais estarão bem posicionadas para aproveitar esse momento e liderar o mercado nos próximos anos.






