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RG antigo já tem prazo para acabar: governo fixa data para troca pela nova identidade

Carteira de Identidade Nacional usa o CPF como número único, reduz duplicidade de registros e será o padrão obrigatório de identificação civil no Brasil a partir de 2032.

por Daniel Wicker
09/07/2026 às 23h40
em Brasil
Rg Antigo Já Tem Prazo Para Acabar: Governo Fixa Data Para Troca Pela Nova Identidade - Gazeta Mercantil

O antigo RG entrou em contagem regressiva, mas o brasileiro não precisa correr aos postos de atendimento. Os documentos de identidade emitidos no modelo tradicional continuam válidos até 28 de fevereiro de 2032. A partir de 1º de março de 2032, a Carteira de Identidade Nacional (CIN) passará a ser o padrão obrigatório de identificação civil em todo o país.

A nova identidade substitui gradualmente o antigo Registro Geral e resolve uma falha histórica do sistema brasileiro: a possibilidade de uma mesma pessoa ter diferentes números de RG em estados distintos. Com a CIN, o CPF passa a ser o número único de identificação nacional, válido em todo o território brasileiro. A mudança busca reduzir duplicidades, corrigir inconsistências cadastrais e dificultar fraudes documentais.

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A transição foi desenhada para ocorrer sem corrida imediata. Quem tem o RG em bom estado, com foto reconhecível e dados corretos, poderá continuar usando o documento normalmente até o prazo final. A troca pode ser feita antes, mas de forma gradual, conforme a disponibilidade dos órgãos de identificação dos estados e do Distrito Federal.

A CIN é emitida pelos institutos de identificação estaduais e tem versões física e digital. No modelo físico, pode ser expedida em papel de segurança ou, quando disponível, em cartão de policarbonato. A primeira via em papel é gratuita; o modelo em cartão é opcional e pode ter cobrança definida por cada estado.

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CPF vira identidade nacional

A principal mudança da Carteira de Identidade Nacional é a unificação do registro civil pelo CPF. Até agora, o número do RG era definido pelos estados, o que permitia cadastros diferentes para uma mesma pessoa. Esse modelo criou brechas para fraudes, duplicidades e dificuldades de integração entre bases públicas.

Com a nova regra, o CPF passa a funcionar como identificador único e suficiente para o cidadão nos serviços públicos. A Lei nº 14.534/2023 estabeleceu o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas como número único para identificação nos bancos de dados de serviços públicos.

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Essa mudança tem impacto direto na relação entre o cidadão e o Estado. A identidade deixa de ser apenas um documento físico de apresentação e passa a integrar uma infraestrutura nacional de dados, com potencial para simplificar cadastros, reduzir exigência de documentos repetidos e melhorar a segurança na concessão de serviços e benefícios.

No modelo anterior, uma pessoa podia tirar RG em mais de uma unidade da Federação, cada um com numeração própria. Na prática, isso dificultava a checagem de informações e aumentava o risco de inconsistência em bancos públicos e privados. A CIN tenta fechar essa lacuna ao concentrar a identificação em um único número nacional.

Documento terá versão digital no GOV.BR

Além da via impressa, a CIN possui versão digital acessível pelo aplicativo GOV.BR após a emissão do documento físico. A carteira também conta com QR Code para verificação de autenticidade e integração com sistemas digitais do governo federal.

O QR Code permite confirmar se o documento é verdadeiro e se os dados apresentados correspondem ao registro oficial. Esse mecanismo amplia a segurança em atendimentos públicos, bancos, empresas, cadastros e operações que exigem identificação do cidadão.

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Segundo o Governo Digital, a nova identidade tem padrões modernos de segurança, formatos físico e digital e integração de dados, com o objetivo de aumentar a confiabilidade da identificação civil e reduzir fraudes.

A CIN também pode facilitar o acesso a serviços públicos digitais. A integração com o GOV.BR torna o documento parte de uma política mais ampla de identificação digital, usada para acessar benefícios sociais, serviços administrativos, plataformas federais e sistemas de atendimento ao cidadão.

Validade muda conforme a idade

A nova Carteira de Identidade Nacional terá prazos de validade diferentes conforme a idade do titular. Para crianças de até 12 anos incompletos, a validade será de cinco anos. Para pessoas entre 12 e 60 anos incompletos, o documento valerá por dez anos. Para cidadãos com 60 anos ou mais, a validade será indeterminada.

A lógica é simples: quanto maior a mudança física esperada ao longo do tempo, menor o prazo de validade do documento. Crianças e adolescentes passam por alterações de aparência mais rápidas, o que exige atualização em intervalos menores. Para adultos, a renovação ocorre em prazo mais longo. Para idosos, a validade indeterminada reduz burocracia.

Mesmo antes de 2032, porém, documentos antigos podem gerar problemas se estiverem rasurados, danificados, com foto muito antiga ou dados desatualizados. Nesses casos, a emissão da CIN pode ser recomendada para evitar recusas em bancos, órgãos públicos, viagens, matrículas, cadastros e atendimentos presenciais.

Mais de 55 milhões já emitiram a CIN

A substituição já avança em escala nacional. Até junho de 2026, mais de 55 milhões de brasileiros haviam emitido a nova Carteira de Identidade Nacional, segundo dados divulgados pelo governo federal. A média informada era de 39,6 mil carteiras emitidas por dia e 1,13 milhão por mês.

O número mostra que a transição deixou a fase inicial e passou a atingir parcela relevante da população. Ainda assim, o prazo até 2032 indica que o governo pretende evitar congestionamento nos postos de identificação e permitir que estados ampliem gradualmente a capacidade de atendimento.

A emissão é feita pelos órgãos de identificação civil de cada unidade da Federação. As regras de agendamento, locais disponíveis, prazos de entrega e exigências operacionais variam conforme o estado. Em geral, o cidadão deve apresentar certidão de nascimento ou casamento e manter o CPF em situação regular para evitar divergências cadastrais.

A segunda via pode ser solicitada em qualquer unidade da Federação, sem necessidade de emissão no estado de nascimento ou residência, segundo orientação do Governo Digital.

Nova identidade também vale no Mercosul

A CIN é válida em todo o território nacional e também pode ser usada como documento de identificação em países do Mercosul, respeitadas as regras de viagem e aceitação documental. A nova carteira, no entanto, não substitui o passaporte para viagens internacionais fora dos acordos regionais.

A padronização nacional também ajuda em situações de mobilidade interna. Uma pessoa que nasce em um estado, mora em outro e solicita serviços em um terceiro passa a ser identificada pelo mesmo número em todas as bases. Para bancos, órgãos públicos, empresas e sistemas de atendimento, isso reduz divergências e facilita a validação de dados.

O ganho econômico e administrativo está justamente na simplificação. Menos números, menos cadastros duplicados e mais segurança reduzem custos operacionais para o Estado e para instituições que dependem de identificação confiável.

Troca não precisa ser feita às pressas

A orientação central para o cidadão é objetiva: o RG antigo não perdeu validade agora. Ele poderá ser usado até 28 de fevereiro de 2032. A troca pela CIN pode ser feita antes, especialmente em caso de perda, roubo, deterioração do documento, atualização de dados, necessidade de segunda via ou preferência por acesso à versão digital.

A primeira via em papel é gratuita, mas serviços adicionais podem variar conforme o estado. A versão em cartão de policarbonato, quando oferecida, é opcional e pode ter custo. Por isso, antes de solicitar a nova identidade, é recomendável verificar o site oficial do órgão de identificação do estado.

A mudança representa uma das maiores reformas recentes na documentação civil brasileira. O antigo RG, fragmentado por estados, será substituído por um modelo nacional baseado no CPF, com versão digital, QR Code e integração ao GOV.BR.

Para o cidadão, a mensagem prática é clara: não há urgência para trocar o documento hoje, mas há prazo final definido. O RG antigo segue válido até 2032. Depois disso, a Carteira de Identidade Nacional será o documento padrão para identificação civil no Brasil.

Fontes : Governo Federal, Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Governo Digital, Planalto e Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

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