A Shell (SHEL) registrou lucro ajustado de US$ 10,814 bilhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 99,1% ante os US$ 5,432 bilhões do mesmo período de 2025. O resultado foi impulsionado pela valorização dos produtos refinados, pelos preços mais altos do gás natural liquefeito (GNL) e pelo desempenho das operações de comercialização de energia.
A companhia também anunciou um novo programa de recompra de ações de US$ 5 bilhões, ampliando a distribuição de recursos aos acionistas.
O lucro ajustado cresceu 9,9% em relação ao segundo trimestre, quando somou US$ 9,836 bilhões. Já o lucro líquido atribuível aos acionistas, que inclui efeitos contábeis excluídos do indicador ajustado, alcançou US$ 12,057 bilhões. O valor representa alta de 126,6% ante os US$ 5,322 bilhões registrados um ano antes.
Os resultados refletem um mercado internacional de energia afetado por interrupções de oferta relacionadas ao conflito no Oriente Médio. A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã prejudicou cadeias de abastecimento, instalações de produção e o comércio de petróleo e gás.
Segundo a Shell, as perturbações favoreceram algumas margens comerciais, mas também afetaram parte das atividades de produção.
Margem de refino sobe 262% e alcança US$ 42 por barril
A margem indicativa global de refino atingiu US$ 42 por barril no terceiro trimestre, ante US$ 24 no segundo trimestre e US$ 11,60 no mesmo período de 2025.
O indicador cresceu 75% na comparação trimestral e 262,1% em relação ao ano anterior, segundo cálculos baseados nos dados divulgados pela companhia.
A margem de referência ficou 3,62 vezes acima do nível registrado um ano antes. O indicador, porém, não corresponde diretamente ao lucro líquido por barril processado, pois não inclui integralmente custos específicos das refinarias, despesas operacionais e outros fatores financeiros.
O avanço foi favorecido pelo desequilíbrio entre a oferta de derivados e a demanda por combustíveis, em um ambiente de restrições ao abastecimento internacional. A comercialização de diesel, gasolina e outros produtos refinados ganhou importância para o resultado da companhia.
Na divisão de Produtos, que reúne refino e comercialização, o lucro ajustado alcançou US$ 3,751 bilhões. A área de Produtos Químicos registrou lucro ajustado de US$ 103 milhões, levando o resultado conjunto a US$ 3,855 bilhões.
A Shell informou que a melhora das margens de produtos acrescentou cerca de US$ 1,1 bilhão ao resultado ajustado do segmento em relação ao trimestre anterior. O efeito foi parcialmente compensado pelo desempenho mais fraco das atividades de negociação e otimização comercial.
A taxa de utilização das refinarias caiu de 102% para 96%. Entre os fatores que afetaram a operação estavam os baixos níveis de água do rio Reno, que prejudicaram atividades industriais e logísticas na Europa.
Mesmo com a menor utilização, a rentabilidade da divisão aumentou devido às condições de mercado.
Gás natural rende US$ 3 bilhões e amplia contribuição para o lucro
A divisão de Gás Integrado, responsável por parte das operações de gás natural e GNL, registrou lucro ajustado de US$ 3,037 bilhões no terceiro trimestre.
O resultado foi beneficiado pelos preços mais altos do gás e do GNL, pelo aumento da produção e pelo desempenho das operações de negociação e otimização do portfólio energético.
O preço médio realizado do gás subiu de US$ 7,20 para US$ 8,30 por mil pés cúbicos entre o segundo e o terceiro trimestres, alta de 15,3%.
A produção de gás e líquidos alcançou 772 mil barris de óleo equivalente por dia, ante 631 mil no trimestre anterior. O crescimento de 22,3% foi influenciado principalmente pela aquisição da canadense ARC Resources, concluída em setembro.
As vendas de GNL avançaram de 18 milhões para 19,3 milhões de toneladas, alta de 7,2%. Já o volume de liquefação caiu de 7,7 milhões para 7,4 milhões de toneladas, principalmente devido a paradas programadas para manutenção.
Assim, a companhia elevou a comercialização de GNL mesmo com menor processamento em algumas instalações.
A expansão do negócio de gás integra a estratégia de longo prazo da Shell, que busca ampliar a capacidade de fornecimento para mercados internacionais.
Produção de petróleo recua, mas área de exploração mantém lucro de US$ 3,2 bilhões
A divisão de Exploração e Produção, conhecida como Upstream, registrou lucro ajustado de US$ 3,189 bilhões no terceiro trimestre, abaixo dos US$ 3,485 bilhões do segundo trimestre.
A queda de 8,5% foi atribuída principalmente aos preços mais baixos dos líquidos produzidos e ao aumento de baixas contábeis relacionadas a poços.
O preço médio realizado dos líquidos caiu de US$ 89 para US$ 84 por barril, recuo de 5,6%.
A produção total da divisão ficou em 1,802 milhão de barris de óleo equivalente por dia, ante 1,824 milhão no trimestre anterior.
Considerando todas as operações de produção de petróleo e gás, o volume disponível para venda foi de 2,574 milhões de barris de óleo equivalente por dia. No mesmo período de 2025, o volume havia sido de 2,821 milhões.
A retração anual de 8,8% mostra que o aumento do lucro ocorreu apesar da queda nos volumes produzidos.
O resultado reforça o peso das margens de refino, dos preços do gás e das operações comerciais na rentabilidade da Shell.
Fluxo de caixa operacional cresce 72,4% e supera US$ 21 bilhões
A Shell também apresentou forte melhora na geração de caixa.
O fluxo de caixa das atividades operacionais alcançou US$ 21,043 bilhões no terceiro trimestre, ante US$ 12,207 bilhões um ano antes. A alta foi de 72,4%.
Excluindo os movimentos de capital de giro, o indicador ficou em US$ 21,7 bilhões. O resultado incluiu entradas de US$ 3,4 bilhões relacionadas a instrumentos derivativos, parcialmente compensadas por pagamentos de impostos e outras obrigações.
O fluxo de caixa livre somou US$ 16,322 bilhões, contra US$ 9,950 bilhões no mesmo período de 2025. O crescimento foi de 64%.
O indicador mostra os recursos disponíveis após os fluxos operacionais e de investimento. Ele é usado para avaliar a capacidade de financiar operações, reduzir a dívida e remunerar acionistas.
As despesas de capital pagas em dinheiro totalizaram US$ 7,922 bilhões, acima dos US$ 4,237 bilhões do segundo trimestre. Parte relevante do aumento veio da aquisição da ARC Resources.
Mesmo com os desembolsos, a dívida líquida caiu de US$ 41,754 bilhões no fim de junho para US$ 39,733 bilhões em setembro, redução de cerca de US$ 2 bilhões.
O índice de endividamento, conhecido como gearing, recuou de 18,7% para 16,6%.
Shell amplia recompra de ações e mantém pagamento de dividendos
A administração anunciou um novo programa de recompra de ações de US$ 5 bilhões, com execução prevista para aproximadamente três meses.
O programa substitui o ciclo anterior, que previa US$ 3 bilhões em novas recompras e US$ 1,232 bilhão remanescente de operações suspensas. O montante total de US$ 4,232 bilhões foi concluído antes do novo anúncio.
As ações recompradas serão canceladas, reduzindo o número de papéis emitidos pela companhia.
A execução ocorrerá nos mercados britânico e neerlandês, com limites de US$ 3 bilhões e US$ 2 bilhões, respectivamente. Os contratos terão prazo até 29 de janeiro de 2027, conforme as condições de mercado.
A Shell informou ter distribuído cerca de US$ 5,3 bilhões aos acionistas no terceiro trimestre. O valor inclui US$ 3,2 bilhões em recompras e US$ 2,2 bilhões em dividendos.
Esses valores correspondem a distribuições já realizadas e não devem ser confundidos com o novo programa de US$ 5 bilhões.
O conselho também declarou dividendo intermediário de US$ 0,3906 por ação ordinária referente ao terceiro trimestre, ante US$ 0,3580 um ano antes. A alta anual foi de aproximadamente 9,1%.
A Shell mantém como referência distribuir entre 40% e 50% do fluxo de caixa operacional ao longo do ciclo de negócios.
Shell expande investimentos em gás no Canadá
Em setembro, a companhia concluiu a aquisição da ARC Resources, empresa canadense de produção de gás natural e líquidos. Segundo a administração, os ativos adquiridos acrescentam cerca de 370 mil barris de óleo equivalente por dia à base de produção dos próximos períodos.
A Shell também tomou a decisão final de investimento na segunda fase do projeto LNG Canada, na província da Colúmbia Britânica.
A expansão deverá dobrar a capacidade de liquefação da instalação e dar à Shell acesso a quase 6 milhões de toneladas adicionais de GNL por ano, segundo as projeções da empresa.
O projeto amplia a presença do grupo no mercado global de GNL, especialmente no fornecimento para países asiáticos.
A administração considera o gás integrado uma área prioritária de investimento, devido à contribuição para a geração de caixa e à expectativa de crescimento da demanda internacional.
Paralelamente, a Shell continua reorganizando ativos considerados menos estratégicos, incluindo participações em campos maduros, operações de distribuição e negócios de energia.
Companhia reduz previsão de investimentos para US$ 23 bilhões a US$ 25 bilhões
A Shell revisou sua projeção de despesas de capital em dinheiro para 2026. A nova faixa ficou entre US$ 23 bilhões e US$ 25 bilhões, ante a estimativa anterior de US$ 24 bilhões a US$ 26 bilhões.
O intervalo inclui cerca de US$ 4 bilhões relacionados à aquisição da ARC Resources. A revisão reflete a gestão do portfólio de projetos e a disciplina de capital adotada pela empresa.
Para o quarto trimestre, a companhia prevê produção de 1,08 milhão a 1,18 milhão de barris de óleo equivalente por dia na divisão de Gás Integrado.
Na área de Exploração e Produção, a projeção varia de 1,7 milhão a 1,9 milhão de barris de óleo equivalente por dia.
A taxa de utilização das refinarias deverá ficar entre 92% e 100%.
As estimativas estão sujeitas às condições operacionais, aos preços internacionais de energia e a possíveis mudanças no abastecimento global.
Resultado do quarto trimestre poderá ter efeito contábil de US$ 6,4 bilhões
A Shell alertou para um possível impacto contábil relevante no resultado do quarto trimestre.
A companhia estima reconhecer uma perda não monetária de aproximadamente US$ 6,4 bilhões relacionada à retirada de reconhecimento contábil de um plano de benefícios previdenciários nos Países Baixos.
O valor foi calculado com base nas condições de 30 de setembro e ainda poderá mudar até o reconhecimento definitivo.
Como se trata de um ajuste contábil sem desembolso imediato equivalente, o efeito não representa necessariamente uma redução de igual magnitude na geração operacional de caixa.
Os próximos resultados mostrarão se os ganhos com refino, gás e operações comerciais serão mantidos e quais serão os impactos financeiros das aquisições recentes.
A Shell programou a divulgação dos resultados do quarto trimestre e a atualização de sua estratégia de mercado de capitais para 4 de fevereiro de 2027.
Fontes:
Shell plc — demonstrações financeiras não auditadas do terceiro trimestre e dos nove primeiros meses de 2026, divulgadas em 29 de outubro.
Shell plc — comunicado de resultados do terceiro trimestre de 2026, com indicadores operacionais, margens de refino, fluxo de caixa e projeções.
Shell plc — apresentação de resultados da diretora financeira Sinead Gorman, com informações sobre aquisições, investimentos e distribuição de recursos aos acionistas.
Shell plc — comunicado oficial do programa de recompra de ações de US$ 5 bilhões, anunciado em 29 de outubro de 2026.
Shell plc — comunicado sobre os dividendos intermediários do terceiro trimestre de 2026.
Shell plc — resultados do terceiro trimestre de 2025, utilizados para comparação das margens indicativas de refino.










