A Petrobras (PETR4) poderá distribuir até US$ 4,2 bilhões em dividendos e outros proventos referentes ao terceiro trimestre de 2026, segundo projeções de instituições financeiras. A estimativa mais elevada é atribuída ao Itaú BBA e acompanha a divulgação de resultados operacionais recordes pela estatal, com crescimento da produção de petróleo e das exportações entre julho e setembro.
O desempenho operacional reforçou as expectativas de geração de caixa, mesmo diante da queda dos preços internacionais do petróleo. Enquanto o Itaú BBA trabalha com uma distribuição de US$ 4,2 bilhões, a XP Investimentos projeta US$ 3,6 bilhões e o Banco Safra estima US$ 3,1 bilhões. Os valores representam rendimentos trimestrais estimados entre 2,5% e 3,2%, dependendo das premissas adotadas por cada instituição.
A eventual remuneração ainda não foi aprovada pelo Conselho de Administração da Petrobras. A companhia divulgará os resultados financeiros do terceiro trimestre em 10 de novembro de 2026, após o fechamento dos mercados. Somente com a confirmação dos números e a deliberação sobre os proventos será possível conhecer os valores efetivamente destinados aos acionistas.
Petrobras registra produção recorde no terceiro trimestre de 2026
O principal fundamento das projeções é a expansão da atividade operacional. Segundo o relatório divulgado pela Petrobras na quarta-feira (28), a produção própria de petróleo, líquidos de gás natural e gás natural alcançou 3,512 milhões de barris de óleo equivalente por dia no terceiro trimestre, o maior volume já registrado pela companhia.
O resultado representa avanço de 11,7% em relação ao mesmo período de 2025 e crescimento de 5,3% na comparação com o segundo trimestre deste ano. A produção própria de petróleo no Brasil chegou a aproximadamente 2,83 milhões de barris diários, impulsionada principalmente pelas operações no pré-sal.
Entre os fatores responsáveis pelo desempenho estão o aumento gradual da produção das plataformas P-78 e P-79, instaladas no campo de Búzios, e a expansão operacional do FPSO Alexandre de Gusmão, no campo de Mero. A companhia também se beneficiou de menores perdas provocadas por interrupções para manutenção e do maior nível de eficiência operacional em oito anos.
A produção de petróleo no pré-sal atingiu aproximadamente 2,45 milhões de barris por dia, crescimento de 6,7% na comparação trimestral. A expansão dessa região compensou o recuo observado em campos do pós-sal, afetados por manutenções e pelo declínio natural da produção.
Outro destaque foi o comércio exterior. As exportações de petróleo e derivados alcançaram 1,251 milhão de barris por dia, também um recorde trimestral. O crescimento dos volumes embarcados amplia a capacidade de comercialização da estatal, embora o impacto sobre a receita dependa dos preços efetivamente realizados e do reconhecimento contábil das operações.
Queda do petróleo pode reduzir o lucro da Petrobras no 3T26
Apesar do aumento da produção, os resultados financeiros devem refletir um ambiente menos favorável para os preços internacionais do petróleo. Conforme análise da XP Investimentos divulgada nesta quinta-feira (29), o Brent apresentou cotação média de US$ 96,80 por barril no terceiro trimestre, contra US$ 104,80 nos três meses anteriores.
A redução de aproximadamente 8% tende a pressionar as receitas e as margens da companhia. Parte desse efeito poderá ser compensada pelo crescimento dos volumes produzidos, pela maior eficiência das operações e pelo desempenho das refinarias.
A XP projeta Ebitda de US$ 17,3 bilhões para o período, queda de 9% na comparação trimestral. A instituição estima lucro líquido de US$ 7,6 bilhões, recuo de 27% em relação ao segundo trimestre, considerando também os efeitos dos custos de transporte e das cargas de petróleo ainda em trânsito no encerramento de setembro.
O Banco Safra apresenta uma perspectiva mais favorável para a rentabilidade. Sua projeção indica Ebitda ajustado consolidado de US$ 19,1 bilhões, retração de 4% sobre o trimestre anterior, com margem de 53% e lucro líquido de aproximadamente US$ 9,9 bilhões.
As diferenças entre as estimativas refletem avaliações distintas sobre preços de venda, custos operacionais, margens de refino e reconhecimento de receitas. Embora os volumes operacionais já tenham sido divulgados, os indicadores financeiros definitivos serão conhecidos apenas com a apresentação do balanço.
Por que a Petrobras pode pagar mais dividendos mesmo com lucro menor?
A expectativa de remuneração elevada aos acionistas, apesar da possível redução do lucro, está relacionada principalmente à geração de caixa. O indicador considera os recursos efetivamente produzidos pelas operações e permite avaliar a capacidade da companhia de financiar investimentos, administrar dívidas e distribuir proventos.
Na avaliação da XP, os recebimentos associados aos programas governamentais de subvenção aos combustíveis devem contribuir para o fluxo de caixa operacional. A instituição calcula que a Petrobras recebeu aproximadamente US$ 2,2 bilhões desses programas durante o terceiro trimestre, incluindo valores referentes ao período anterior.
Parte desse benefício poderá ser neutralizada pela formação de novos créditos ainda não recebidos, com reflexos sobre o capital de giro. Mesmo assim, a XP estima fluxo de caixa livre ao acionista de US$ 4,8 bilhões, equivalente a um rendimento trimestral de aproximadamente 3,5%.
Com base nessas premissas, a instituição projeta US$ 3,6 bilhões em dividendos ordinários, montante superior ao estimado para o trimestre anterior. O Safra trabalha com uma distribuição de US$ 3,1 bilhões, enquanto a estimativa atribuída ao Itaú BBA alcança US$ 4,2 bilhões.
Os números mostram que a remuneração dos investidores pode permanecer elevada mesmo quando o resultado contábil apresenta retração. Para isso, entretanto, a companhia precisa preservar a geração de caixa após os investimentos e atender às condições previstas em sua política de dividendos.
Política de dividendos prevê distribuição de 45% do fluxo de caixa livre
A política de remuneração aos acionistas da Petrobras estabelece a distribuição de 45% do fluxo de caixa livre, desde que sejam respeitadas as condições financeiras e os limites de endividamento definidos pela companhia.
O fluxo de caixa livre corresponde, para essa finalidade, aos recursos líquidos gerados pelas atividades operacionais, descontados os investimentos previstos na fórmula adotada pela estatal, incluindo aquisições de ativos imobilizados, intangíveis e participações societárias.
A regra permite que os pagamentos acompanhem a capacidade financeira efetiva da empresa, sem depender exclusivamente do lucro líquido registrado no balanço. A administração também precisa considerar a sustentabilidade das operações e os compromissos associados ao planejamento estratégico.
Em agosto, o Conselho de Administração aprovou R$ 17,4 bilhões em remuneração aos acionistas, equivalentes a R$ 1,34814262 por ação ordinária ou preferencial, com base no balanço encerrado em 30 de junho de 2026.
O pagamento será realizado em duas parcelas, previstas para 23 de novembro e 21 de dezembro. A primeira será integralmente composta por juros sobre capital próprio, enquanto a segunda combinará dividendos e juros sobre capital próprio.
Essa distribuição já aprovada corresponde ao segundo trimestre e não deve ser confundida com as projeções referentes aos resultados de julho a setembro.
Novas plataformas podem sustentar crescimento da Petrobras em 2027
A continuidade da expansão da produção representa outro fator relevante para as perspectivas de geração de caixa da Petrobras. A companhia mantém projetos de ampliação das operações no pré-sal, com novas plataformas previstas para entrar em funcionamento em 2027.
Entre as unidades em desenvolvimento estão as plataformas P-80 e P-82, destinadas ao campo de Búzios. Cada uma possui capacidade nominal de produção de 225 mil barris de petróleo por dia, com início de operação previsto para o primeiro semestre do próximo ano.
O avanço desses projetos poderá elevar a produção nos próximos exercícios, compensando parte do declínio natural dos campos maduros. O impacto financeiro, no entanto, dependerá do ritmo de entrada em operação, dos investimentos necessários e do comportamento dos preços internacionais.
Para os acionistas, o crescimento da produção tende a favorecer a capacidade de geração de recursos, mas não representa garantia de dividendos maiores. A remuneração continuará condicionada ao fluxo de caixa, à política financeira e às decisões da administração.
Quando a Petrobras divulgará os dividendos do terceiro trimestre?
A Petrobras apresentará seus resultados financeiros do terceiro trimestre em 10 de novembro de 2026, após o encerramento das negociações. No dia seguinte, 11 de novembro, a companhia realizará uma apresentação aos investidores, às 11h30, no horário de Brasília.
A divulgação permitirá conhecer os efeitos da produção recorde sobre as receitas, os custos operacionais, a geração de caixa e o endividamento da estatal. O mercado também acompanhará a eventual proposta de remuneração referente ao período.
Caso uma nova distribuição seja aprovada, a companhia deverá informar os valores por ação, as datas que definirão o direito aos proventos e o calendário de pagamentos.
Até essa confirmação, as projeções entre US$ 3,1 bilhões e US$ 4,2 bilhões permanecem estimativas de instituições financeiras. O desempenho operacional recorde oferece suporte às expectativas, mas o valor final dependerá dos resultados efetivamente apurados e das condições previstas na política de remuneração da Petrobras.
Fontes:
Petrobras — Relatório de Produção e Vendas do terceiro trimestre de 2026, divulgado em 28 de outubro de 2026.
Petrobras — Política de Remuneração aos Acionistas.
Petrobras — Comunicado de distribuição de remuneração aos acionistas de R$ 17,4 bilhões, divulgado em 6 de agosto de 2026.
Petrobras — Comunicado à SEC de 13 de outubro de 2026 sobre o calendário de resultados do 3T26.
XP Investimentos — Prévia do 3T26: Brent mais fraco, produção mais forte, de 29 de outubro de 2026.
Banco Safra — Análise dos resultados operacionais e projeções para o terceiro trimestre de 2026, publicada em 29 de outubro de 2026.










