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Squadra reduz aposta no Inter (INBR32) após ações caírem mais de 30%

Gestora passa a deter 9,80% da companhia em um momento de maior cobrança sobre o crescimento dos lucros, a qualidade do crédito e as metas adiadas pelo banco digital

por João Souza - Repórter de Negócios
17/07/2026 às 00h03
em Empresas,Destaque,Negócios
Bdrs Do Inter (Inbr32): Banco Muda Programa E Investidor Tem 3 Opções - Gazeta Mercantil

A Squadra Investimentos reduziu sua participação no Inter (INBR32) para 9,80% do capital da companhia, em uma movimentação realizada enquanto as ações do banco digital acumulam queda superior a 30% em 2026. A gestora informou nesta quinta-feira (16) que passou a deter aproximadamente 31,9 milhões de ações e afirmou que as vendas tiveram finalidade exclusivamente financeira, sem intenção de alterar o controle ou interferir na administração da instituição.

A mudança na posição acionária ocorre em um momento de reavaliação da tese de investimento do Inter (INBR32). Embora o banco tenha apresentado expansão do lucro, da carteira de crédito e da rentabilidade no primeiro trimestre, o mercado passou a exigir maior clareza sobre a velocidade de crescimento dos resultados e a capacidade da companhia de atingir os objetivos estratégicos anunciados nos últimos anos.

A pressão aumentou após o Inter adiar de 2027 para 2029 o prazo de seu plano conhecido como “60-30-30”. A estratégia previa alcançar 60 milhões de clientes, índice de eficiência de 30% e retorno sobre o patrimônio líquido de 30%.

Com a revisão, a meta de rentabilidade também deixou de ser um número fixo. O banco passou a trabalhar com uma faixa de retorno sobre o patrimônio entre 26% e 30% para 2029.

A redução promovida pela Squadra não representa uma saída completa do investimento. Com quase 10% do capital, a gestora permanece entre os acionistas relevantes do Inter (INBR32) e continua exposta à evolução operacional e ao comportamento das ações.

Squadra mantém 31,9 milhões de ações do Inter

O comunicado não detalhou quantos papéis foram vendidos, o valor financeiro da operação nem os preços praticados durante as negociações. Também não indicou se a redução ocorreu em uma única transação ou foi distribuída ao longo de diferentes pregões.

A Squadra declarou que a participação mantida no Inter (INBR32) não busca modificar a composição do controle acionário nem a estrutura administrativa da companhia.

Esse tipo de esclarecimento é habitual em comunicações sobre participação relevante. As regras do mercado de capitais exigem que determinados movimentos acionários sejam informados quando um investidor atinge, supera ou reduz sua posição abaixo de percentuais considerados relevantes.

A finalidade é permitir que o mercado acompanhe mudanças na base acionária e identifique eventuais movimentos de investidores com capacidade de exercer influência significativa sobre uma empresa.

No caso do Inter (INBR32), a gestora permanece com uma posição expressiva. A redução, porém, ganha importância por ocorrer durante uma fase de desvalorização das ações e de menor confiança dos investidores na velocidade de execução das metas apresentadas pelo banco digital.

A decisão pode refletir diferentes fatores, como controle de risco, necessidade de liquidez, redistribuição da carteira ou revisão da relação entre retorno esperado e preço das ações. O comunicado não atribuiu a venda a nenhuma dessas razões específicas.

Ações enfrentam forte correção em 2026

Os papéis do Inter (INBR32) acumulam queda de aproximadamente 34% em 2026. O movimento contrasta com a recuperação operacional registrada pela companhia desde o período em que apresentava lucros reduzidos e baixa rentabilidade.

A correção reflete sobretudo a percepção de que a próxima etapa de crescimento poderá ser mais lenta. Depois de elevar o retorno sobre o patrimônio para patamares próximos de 15%, o banco precisa demonstrar que consegue continuar ampliando o lucro sem aumentar excessivamente o risco da carteira de crédito.

O mercado também passou a revisar as expectativas depois que a administração estendeu o prazo das metas de rentabilidade e eficiência. O adiamento foi interpretado como sinal de que a transformação do crescimento da base de clientes em resultados financeiros exigirá mais tempo.

As ações de bancos digitais costumam ser sensíveis às projeções de expansão porque parte relevante de seu valor depende dos lucros esperados para os anos seguintes. Quando essas projeções são reduzidas ou postergadas, os investidores tendem a aplicar um desconto maior aos papéis.

A desvalorização também aumenta o peso de movimentos realizados por acionistas relevantes. Ainda que a venda da Squadra não explique isoladamente o comportamento do ativo, o anúncio reforça a atenção sobre a composição acionária e o nível de confiança dos investidores institucionais.

Lucro cresce, mas mercado cobra novo salto de rentabilidade

O Inter (INBR32) encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de aproximadamente R$ 395 milhões, crescimento de 38% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

O retorno sobre o patrimônio líquido atingiu 15,5%, avanço de 2,6 pontos percentuais em 12 meses. O retorno sobre o patrimônio tangível aproximou-se de 20%, enquanto o índice de eficiência ficou em torno de 43%.

Os números confirmaram a melhora da operação. O banco ampliou a capacidade de gerar lucro, reduziu proporcionalmente o peso das despesas e avançou na monetização de sua base de clientes.

A carteira de crédito bruta alcançou R$ 49,8 bilhões no fim de março, com expansão anual de 33%. Entre os segmentos que contribuíram para o crescimento estavam cartão de crédito, financiamento imobiliário e consignado privado.

O desempenho, contudo, elevou a base de comparação. Para justificar uma valorização consistente das ações, o Inter (INBR32) precisa demonstrar que o crescimento pode continuar sem deteriorar a qualidade do crédito ou exigir uma expansão desproporcional das despesas.

A dinâmica é particularmente importante em um ambiente de juros elevados. Taxas maiores podem favorecer parte das receitas financeiras, mas também aumentam o custo de captação, pressionam a renda dos clientes e ampliam o risco de inadimplência.

O banco precisa equilibrar três objetivos simultâneos: aumentar a carteira, proteger a qualidade dos ativos e preservar a margem financeira. Um avanço acelerado dos empréstimos pode impulsionar receitas no curto prazo, mas gerar provisões e perdas maiores posteriormente.

Projeções de lucro são revisadas para baixo

A perspectiva de desaceleração levou analistas do Itaú BBA a reduzir as projeções de lucro para o Inter (INBR32).

A estimativa para 2026 foi cortada em 6%, para R$ 1,7 bilhão. Para 2027, a redução foi de 10%, para R$ 2,1 bilhões.

As novas projeções ficaram abaixo da média das estimativas do mercado. A avaliação considera que o banco percorreu uma trajetória relevante de recuperação, mas poderá enfrentar maior dificuldade para manter o mesmo ritmo de avanço dos resultados.

A leitura não representa necessariamente uma ruptura da tese de longo prazo. O Inter construiu uma plataforma que reúne conta bancária, crédito, investimentos, seguros, shopping digital e serviços internacionais.

A principal dúvida está na velocidade com que essa estrutura poderá produzir retornos maiores. Uma base de clientes ampla cria oportunidades comerciais, mas também gera custos com tecnologia, segurança, atendimento e conformidade regulatória.

A rentabilidade depende de quanto cada cliente utiliza a plataforma, da quantidade de produtos contratados e da capacidade do banco de conceder crédito com risco controlado.

Por isso, o número total de correntistas deixou de ser suficiente para sustentar sozinho a avaliação da companhia. Indicadores de engajamento, receita média por cliente, inadimplência, eficiência e retorno sobre o patrimônio ganharam maior peso.

Plano 60-30-30 é empurrado para 2029

O Inter (INBR32) apresentou o plano 60-30-30 como uma referência para sua etapa de crescimento e consolidação. O objetivo inicial era atingir os três indicadores até 2027.

O primeiro número correspondia à meta de 60 milhões de clientes. O segundo previa a redução do índice de eficiência para 30%. O terceiro representava um retorno sobre o patrimônio líquido de 30%.

Em maio, a companhia adiou o prazo para 2029. Também alterou o objetivo de rentabilidade para uma faixa entre 26% e 30%.

A mudança deu ao banco mais flexibilidade para administrar crescimento, despesas e risco. Ao mesmo tempo, reduziu a previsibilidade para investidores que haviam incorporado o cumprimento das metas ao horizonte de 2027.

O índice de eficiência mostra quanto uma instituição gasta para gerar receita. Quanto menor o percentual, maior tende a ser a produtividade operacional, embora a comparação dependa do modelo de negócios e da composição das receitas.

O retorno sobre o patrimônio, por sua vez, mede a capacidade de transformar o capital dos acionistas em lucro. Um ROE entre 26% e 30% colocaria o Inter em um patamar elevado de rentabilidade, mas a distância entre os 15,5% registrados no primeiro trimestre e o objetivo de 2029 ainda é significativa.

Para cumprir o plano, o banco terá de ampliar margens, continuar reduzindo custos relativos e aumentar a monetização dos clientes sem comprometer a qualidade da carteira.

Rule of 50 substitui foco exclusivo no crescimento

Além do adiamento das metas, o Inter (INBR32) passou a adotar uma referência chamada “Rule of 50”, ou Regra dos 50.

A proposta combina o crescimento da receita com a rentabilidade. Pela lógica apresentada pela companhia, a soma dos dois indicadores deve alcançar 50%.

O modelo permite diferentes composições. Em um período de expansão mais acelerada, o crescimento da receita pode ter maior peso. Em uma fase de maturação, uma rentabilidade mais elevada pode compensar um avanço mais moderado.

A regra procura mostrar que o Inter não pretende buscar crescimento a qualquer custo. A administração quer equilibrar expansão da plataforma e retorno sobre o capital.

Para o mercado, o novo indicador terá de ser acompanhado por métricas objetivas. Investidores precisarão observar quais componentes de receita e rentabilidade serão utilizados, quais ajustes poderão ser feitos e como a companhia apresentará a evolução da meta ao longo dos trimestres.

A flexibilidade pode ajudar o banco a responder a mudanças econômicas. Em contrapartida, torna a avaliação menos direta do que o plano 60-30-30, baseado em três números claramente definidos.

A credibilidade da nova estratégia dependerá da capacidade de o Inter entregar resultados próximos das metas apresentadas e explicar eventuais desvios.

Qualidade do crédito vira ponto central para investidores

O crescimento de 33% da carteira de crédito no primeiro trimestre reforçou o banco como uma instituição cada vez mais relevante na concessão de empréstimos.

Essa expansão amplia as receitas potenciais, mas também aumenta a exposição a perdas. O efeito financeiro dos novos créditos depende do comportamento dos clientes nos meses seguintes.

A inadimplência, o custo do risco e o volume de provisões serão indicadores centrais nos próximos balanços do Inter (INBR32). Uma deterioração mais intensa poderia consumir parte do aumento das receitas e reduzir o ritmo de crescimento do lucro.

O consignado privado tornou-se uma das frentes de expansão. O produto possui desconto relacionado à renda do trabalhador, mas ainda exige avaliação sobre estabilidade do emprego, limites de comprometimento e capacidade de recuperação em caso de desligamento.

No financiamento imobiliário, os contratos possuem prazos mais longos e garantias reais, mas expõem o banco aos ciclos do mercado de trabalho, da renda e dos juros.

Já o cartão de crédito oferece margens potencialmente maiores, mas apresenta risco de inadimplência mais elevado. A segmentação dos clientes e o ajuste dos limites tornam-se decisivos para proteger a rentabilidade.

A estratégia do Inter dependerá, portanto, não apenas do volume concedido, mas da qualidade dessa expansão.

Venda da Squadra aumenta pressão sobre próximos resultados

A redução da participação da Squadra ocorre antes de uma sequência de balanços que deverá testar a capacidade do Inter (INBR32) de manter a trajetória de crescimento.

O mercado acompanhará a evolução do lucro, do retorno sobre o patrimônio, da eficiência e da inadimplência. Também observará se o banco continuará expandindo sua carteira em ritmo elevado ou adotará uma postura mais conservadora diante do ambiente de juros.

A queda acumulada das ações reduziu o valor atribuído à companhia, mas uma eventual recuperação dependerá da confirmação dos resultados. O desconto do papel, isoladamente, não garante uma reprecificação.

Para voltar a atrair investidores de forma consistente, o Inter precisará mostrar que o adiamento das metas não representa perda de capacidade operacional, mas uma adequação realista do cronograma.

A posição de 9,80% mantida pela Squadra mostra que a gestora ainda possui exposição relevante à companhia. O movimento não encerra a relação societária, mas indica uma redução de risco justamente quando o mercado cobra maior previsibilidade.

Na segunda metade de 2026, o desempenho das ações deverá depender menos da expansão nominal da base de clientes e mais da capacidade do Inter de converter crescimento em lucro, controlar a inadimplência e demonstrar avanços concretos em direção aos objetivos estabelecidos para 2029.

Tags: ações do Interbanco digitalBanco InterEmpresasINBR32InterMercado Financeironegóciosplano 60-30-30Rule of 50SquadraSquadra Investimentos

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