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Starbucks fecha 250 lojas na América do Norte e acelera expansão no Brasil

Rede americana prevê US$ 300 milhões em custos de reestruturação, enquanto operação brasileira chega a 130 cafeterias e projeta 32 inaugurações em 2026.

por Gabriel Monteiro
19/10/2026 às 09h38
em Empresas
Starbucks Fecha 250 Lojas Na América Do Norte E Acelera Expansão No Brasil - Gazeta Mercantil - Empresas

A Starbucks anunciou o fechamento de aproximadamente 250 cafeterias nos Estados Unidos e no Canadá, aprofundando a reestruturação de suas operações na América do Norte, enquanto acelera os investimentos no mercado brasileiro. No Brasil, a rede chegou a cerca de 130 estabelecimentos em outubro de 2026 e elevou de 30 para 32 a meta de novas unidades previstas para este ano, das quais 20 já foram inauguradas. O contraste reflete uma estratégia de reorganização do portfólio internacional, com redução de pontos considerados pouco rentáveis em mercados consolidados e expansão seletiva em regiões com potencial de crescimento.

A nova rodada de fechamentos foi anunciada em 24 de setembro pelo diretor de operações da Starbucks, Mike Grams, como parte do programa Back to Starbucks, iniciado sob a liderança do presidente-executivo Brian Niccol. As unidades selecionadas representam aproximadamente 1% das mais de 18 mil cafeterias mantidas pela companhia na América do Norte. A empresa informou que os estabelecimentos atingidos não apresentavam perspectivas satisfatórias de desempenho financeiro ou não atendiam aos padrões de experiência estabelecidos para consumidores e funcionários.

O movimento amplia uma reestruturação iniciada em 2025, quando a Starbucks encerrou 627 estabelecimentos em diferentes mercados, mais de 90% deles na América do Norte. Naquele exercício, a companhia reconheceu aproximadamente US$ 892 milhões em despesas de reestruturação e perdas contábeis relacionadas ao processo. A nova etapa, aprovada em setembro de 2026, prevê encargos adicionais estimados em US$ 300 milhões, associados principalmente ao encerramento de contratos imobiliários, desligamentos de trabalhadores e baixa de ativos.

A estratégia não significa uma retirada generalizada da Starbucks dos mercados americanos. A companhia continua inaugurando unidades, reformando estabelecimentos e investindo em atendimento, mas procura concentrar recursos em pontos comerciais com maior capacidade de geração de receita. No Brasil, a expansão ocorre depois da crise enfrentada pela antiga operadora SouthRock, que entrou em recuperação judicial em 2023 e posteriormente perdeu a operação da marca no país.

Starbucks prevê US$ 300 milhões em custos com novos fechamentos

O plano aprovado pelo conselho de administração da Starbucks em 22 de setembro de 2026 prevê despesas extraordinárias de aproximadamente US$ 300 milhões com a nova rodada de encerramentos. Conforme documento apresentado à Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado de capitais americano, cerca de US$ 200 milhões correspondem a desembolsos financeiros previstos com rescisões contratuais e benefícios relacionados ao desligamento de funcionários. Outros US$ 100 milhões representam encargos sem efeito imediato sobre o caixa, decorrentes principalmente de baixas e perdas no valor contábil dos ativos associados às cafeterias.

A distinção entre essas despesas é importante para avaliar o impacto da reestruturação sobre os resultados financeiros. Os pagamentos relacionados a aluguéis e desligamentos afetam diretamente a disponibilidade de recursos da companhia, enquanto os ajustes contábeis reduzem o resultado reportado sem necessariamente representar uma saída equivalente de dinheiro no mesmo período. Embora o encerramento de unidades gere custos extraordinários no curto prazo, a empresa procura reduzir compromissos operacionais de estabelecimentos considerados pouco eficientes.

A nova rodada ocorre depois de um processo de encerramentos mais amplo em 2025. Segundo os resultados oficiais daquele exercício, a Starbucks fechou 627 cafeterias no âmbito de seu programa de reestruturação, incluindo unidades próprias e licenciadas. O número não deve ser confundido com a variação líquida do total de lojas, pois novas inaugurações realizadas no mesmo período compensaram parcialmente os estabelecimentos encerrados.

Consideradas as duas decisões anunciadas em 2025 e 2026, aproximadamente 877 unidades foram incluídas nas respectivas rodadas de fechamento. A soma representa o alcance das medidas anunciadas nos dois exercícios, sem significar uma redução líquida equivalente na rede mundial. A diferença ocorre porque a Starbucks mantém investimentos em novos pontos comerciais e continua desenvolvendo oportunidades de crescimento em diferentes países.

O plano também envolve mudanças na experiência oferecida ao consumidor. A companhia pretende ampliar a eficiência operacional, reduzir o tempo de atendimento e reformar unidades existentes, fortalecendo o posicionamento de suas cafeterias como espaços de convivência. A empresa estabeleceu uma iniciativa de modernização de 1.500 estabelecimentos na América do Norte, buscando melhorar o ambiente das lojas e recuperar a frequência de consumidores.

Brasil chega a 130 lojas e projeta 32 inaugurações em 2026

Enquanto reduz o número de estabelecimentos considerados pouco eficientes na América do Norte, a Starbucks retoma o crescimento no Brasil. A rede alcançou aproximadamente 130 cafeterias em operação no país em outubro, depois de abrir 20 novas unidades ao longo de 2026. A meta anual foi ampliada de 30 para 32 inaugurações, movimento que indica a continuidade dos investimentos conduzidos pela Zamp, responsável pela operação brasileira.

O objetivo corresponde a 32 novas cafeterias durante todo o exercício, e não a 32 inaugurações adicionais às 20 já realizadas. Considerando o desempenho informado em outubro, aproximadamente 62,5% da meta anual havia sido cumprida, restando 12 aberturas para alcançar o planejamento. O resultado final dependerá da execução do cronograma, das condições comerciais dos imóveis e da capacidade de colocar as novas operações em funcionamento até dezembro.

A expansão representa uma mudança importante em relação ao período de retração que atingiu a marca depois da recuperação judicial da SouthRock. A antiga operadora enfrentou dificuldades financeiras que levaram ao fechamento de estabelecimentos e à redução da presença da Starbucks em diferentes localidades. Em 2024, a Zamp assumiu os direitos de operação e desenvolvimento da rede no país, iniciando uma reorganização que envolveu revisão de cardápios, investimentos em marketing, recuperação de lojas e melhoria da experiência dos consumidores.

Em dezembro de 2025, a Starbucks havia anunciado oficialmente um plano para inaugurar aproximadamente 30 cafeterias no Brasil em 2026. Na ocasião, a companhia informou que encerraria aquele ano com cerca de 112 estabelecimentos, incluindo novas operações em São Paulo e Curitiba. A revisão posterior da meta para 32 unidades indica uma ampliação moderada do planejamento inicial, acompanhando a retomada dos investimentos.

A presença brasileira continua concentrada nas regiões economicamente mais relevantes para a marca. São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais estão entre os principais mercados de expansão, embora a rede também mantenha operações no Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Bahia e Distrito Federal. A companhia avalia oportunidades de entrada em outras cidades e regiões a partir de 2027, movimento que poderá ampliar sua distribuição geográfica.

Zamp registra crescimento de 7,4% nas vendas comparáveis

Os resultados financeiros da operadora brasileira ajudam a compreender a estratégia de expansão. De acordo com as informações trimestrais da Zamp referentes ao segundo trimestre de 2026, as vendas comparáveis das cafeterias Starbucks cresceram 7,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. O indicador, conhecido como same-store sales, mede a evolução das vendas em estabelecimentos comparáveis, permitindo avaliar o desempenho comercial sem considerar exclusivamente o efeito da abertura de novas lojas.

O crescimento demonstra que a recuperação da operação brasileira não depende apenas da ampliação do número de estabelecimentos. Parte da expansão das vendas ocorre dentro das cafeterias já existentes, resultado que pode refletir maior movimento de consumidores, mudanças no valor médio das compras ou uma combinação desses fatores. A divulgação agregada, entretanto, não permite atribuir a alta de maneira isolada a cada componente.

O desempenho positivo também precisa ser analisado em perspectiva. No primeiro trimestre de 2026, a Starbucks havia registrado crescimento de 11,6% nas vendas comparáveis brasileiras, percentual superior aos 7,4% observados entre abril e junho. A desaceleração do ritmo de expansão não significa queda no faturamento das lojas existentes, mas indica que a recuperação ocorre em velocidades diferentes ao longo dos períodos analisados.

Ao final de junho, a Zamp contabilizava 112 cafeterias Starbucks no Brasil, conforme suas demonstrações financeiras. O número era igual ao registrado no encerramento de 2025, resultado de aberturas e fechamentos ocorridos durante o primeiro semestre. A elevação posterior para aproximadamente 130 estabelecimentos mostra que a expansão física ganhou intensidade depois de junho.

A combinação entre crescimento das vendas comparáveis e novas inaugurações constitui um dos principais elementos da estratégia brasileira. Quando uma rede consegue elevar o desempenho dos estabelecimentos existentes antes de acelerar sua expansão, aumenta a possibilidade de financiar novos investimentos com uma operação comercial mais consolidada. Entretanto, a viabilidade econômica das futuras lojas dependerá de custos imobiliários, despesas com pessoal, investimentos iniciais e demanda efetiva dos consumidores.

Starbucks aposta em novos formatos e adapta cardápio ao consumidor brasileiro

A retomada da expansão brasileira envolve também uma reorganização da oferta de produtos e dos formatos comerciais. A Starbucks passou a incorporar ao cardápio opções inspiradas nos hábitos locais, incluindo o Cafézinho Brasileiro, com versões de café puro e café com leite. A iniciativa procura aproximar uma marca internacional de consumo relativamente sofisticado dos costumes de um mercado onde o café faz parte da rotina diária de grande parte da população.

Os investimentos em estabelecimentos localizados em centros comerciais, regiões corporativas e pontos de grande circulação também fazem parte da estratégia. Em dezembro de 2025, a empresa anunciou uma cafeteria no Aeroporto Internacional de Curitiba e outra no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Durante 2026, a expansão alcançou novos endereços paulistanos e bairros de Belo Horizonte, incluindo a Savassi.

Em agosto, a companhia anunciou a abertura de uma unidade na região da Savassi e divulgou planos para outras duas cafeterias na capital mineira, no Shopping Del Rey e no Boulevard Shopping. Na ocasião, informou manter 116 estabelecimentos no território brasileiro, sinalizando o início de uma fase de crescimento mais intenso. A escolha de bairros comerciais e centros de compras demonstra uma preferência por localizações que combinam circulação de consumidores, atividades de serviços e oportunidades de consumo recorrente.

A adequação do cardápio representa outro componente da estratégia comercial. Embora a Starbucks preserve produtos que sustentam seu posicionamento internacional, a incorporação de bebidas adaptadas aos hábitos brasileiros permite disputar ocasiões de consumo tradicionalmente atendidas por cafeterias independentes, padarias e outras redes. O desafio consiste em ampliar a frequência de visitas sem comprometer o posicionamento de preços e a rentabilidade da operação.

Reestruturação reduz projeção de novas lojas no mundo

A reorganização da Starbucks também alterou as expectativas de crescimento global da companhia. No documento apresentado à SEC em setembro, a empresa reduziu sua projeção de abertura líquida de cafeterias em 2026 para aproximadamente 440 unidades. A previsão anterior apontava entre 600 e 650 novas lojas líquidas, considerando estabelecimentos próprios e licenciados em todos os mercados.

A revisão representa uma redução de 160 a 210 unidades na expectativa de crescimento da rede mundial. Em termos proporcionais, equivale a uma diminuição de aproximadamente 27% a 32% em relação ao planejamento anunciado anteriormente, dependendo do ponto de comparação utilizado. A mudança reflete principalmente os encerramentos previstos para a América do Norte, parcialmente compensados pelo desempenho de outros mercados internacionais.

O corte nas projeções não significa que a Starbucks tenha abandonado sua estratégia global de expansão. A empresa continua identificando oportunidades comerciais em países onde sua presença pode crescer e procura fortalecer unidades existentes nos mercados mais maduros. A distinção entre expansão bruta, fechamento de estabelecimentos e crescimento líquido é fundamental para compreender o resultado da reorganização.

No terceiro trimestre fiscal de 2026, encerrado em 28 de junho, a Starbucks possuía 41.304 cafeterias em operação no mundo. O total incluía unidades próprias e licenciadas, com diferentes modelos de administração e reconhecimento de receitas. A companhia informou crescimento de 7,9% nas vendas comparáveis globais naquele trimestre, indicando uma melhora do desempenho comercial mesmo durante a reorganização de parte de sua estrutura.

Nos Estados Unidos, as vendas comparáveis avançaram 7,9% no mesmo período, enquanto as receitas do negócio americano cresceram 7% em relação ao ano anterior. Os resultados mostram que o fechamento de cafeterias não pode ser interpretado automaticamente como uma deterioração generalizada das vendas. A empresa procura melhorar a produtividade de seu portfólio, concentrando investimentos nos estabelecimentos com maior capacidade de atender consumidores e gerar resultados.

Expansão brasileira reforça diferença entre mercados maduros e emergentes

A estratégia adotada pela Starbucks evidencia como uma mesma companhia pode apresentar movimentos distintos de investimento e reorganização em diferentes países. Nos Estados Unidos, onde a rede mantém milhares de estabelecimentos, o principal desafio envolve elevar a produtividade, modernizar unidades e melhorar a rentabilidade de operações consolidadas. No Brasil, onde sua presença é proporcionalmente menor, a empresa ainda identifica oportunidades para ampliar a cobertura territorial e conquistar novos consumidores.

Essa diferença também decorre dos modelos de operação. No mercado brasileiro, a Zamp possui os direitos de desenvolvimento e administração da rede, enquanto a Starbucks global atua como proprietária da marca e parceira contratual. O modelo permite que a expansão seja conduzida por uma empresa com conhecimento do varejo nacional, preservando os padrões comerciais e operacionais estabelecidos pela companhia internacional.

O crescimento brasileiro, entretanto, exige cautela na avaliação de resultados futuros. A abertura de novas cafeterias aumenta as oportunidades de faturamento, mas também demanda investimentos em imóveis, equipamentos, contratação e treinamento de funcionários. Além disso, a rentabilidade depende da capacidade de manter movimento suficiente de consumidores e controlar despesas em um setor caracterizado por concorrência intensa.

Outro aspecto relevante é a escala das operações. Mesmo com a meta de 32 inaugurações em 2026, a Starbucks continuará com uma presença brasileira muito inferior à mantida nos Estados Unidos. Portanto, o movimento não representa uma transferência do centro de negócios da companhia para o Brasil, mas uma redistribuição seletiva dos investimentos conforme as condições comerciais de cada mercado.

O contraste entre fechamentos na América do Norte e expansão no Brasil revela uma tentativa de equilibrar eficiência operacional e crescimento internacional. Ao mesmo tempo que assume custos extraordinários para encerrar estabelecimentos considerados pouco rentáveis, a Starbucks procura aproveitar oportunidades em mercados onde sua rede ainda possui espaço para expansão.

A evolução dessa estratégia dependerá dos resultados das unidades remanescentes nos Estados Unidos, da execução do cronograma brasileiro e da capacidade de transformar o crescimento das vendas em rentabilidade sustentável. O desempenho de 2026 indica que a reorganização global e a expansão regional podem avançar simultaneamente, desde que os investimentos sejam direcionados às operações com perspectivas comerciais favoráveis.

Fontes

Starbucks Corporation — Formulário 8-K apresentado à Securities and Exchange Commission em 24 de setembro de 2026, com detalhes dos fechamentos, custos de reestruturação e revisão das projeções globais.

Starbucks Corporation — Relatório anual Form 10-K do exercício fiscal de 2025, com informações sobre encerramento de 627 unidades e despesas de reestruturação.

Starbucks Corporation — Resultados financeiros do terceiro trimestre fiscal de 2026, divulgados em 29 de julho de 2026.

Zamp S.A. — Informações Trimestrais de 30 de junho de 2026, com indicadores operacionais, vendas comparáveis e evolução da rede Starbucks no Brasil.

Starbucks Brasil — Comunicado institucional de 19 de dezembro de 2025 sobre a abertura de novas cafeterias e o planejamento de expansão para 2026.

Starbucks Brasil — Comunicado institucional de 12 de agosto de 2026 sobre a expansão da rede em Minas Gerais.

Starbucks Corporation — Comunicado institucional de Mike Grams, diretor de operações, divulgado em 24 de setembro de 2026, sobre o programa Back to Starbucks.

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