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Home Economia Dólar

Dólar hoje sobe após inflação nos EUA e mantém cautela no mercado

Movimento da moeda reflete dados do CPI norte-americano, política monetária internacional e cenário doméstico de juros elevados

por Antônio Lima - Repórter de Economia
13/01/2026
em Dólar, Destaque, Economia, News
Movimento Da Moeda Reflete Dados Do Cpi Norte-Americano, Política Monetária Internacional E Cenário Doméstico De Juros Elevados - Gazeta Mercantil

Dólar hoje sobe após inflação nos EUA e reforça cautela nos mercados globais

O dólar hoje sobe frente ao real em meio à divulgação de novos dados de inflação ao consumidor nos Estados Unidos e à reprecificação das expectativas em torno da política monetária global. A valorização da moeda norte-americana ocorre em linha com o comportamento observado no exterior, enquanto investidores avaliam os efeitos do Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) sobre os juros americanos, os fluxos de capital e o apetite por risco em economias emergentes como o Brasil.

Na sessão desta terça-feira, o mercado cambial brasileiro iniciou o dia com viés de alta para o dólar, acompanhando o movimento internacional e refletindo também fatores domésticos, como a manutenção da Selic em patamar elevado, a atuação do Banco Central no mercado de câmbio e a divulgação de indicadores econômicos locais abaixo das expectativas.

Cotação do dólar hoje no mercado à vista e futuro

Por volta das 10h50, o dólar hoje sobe 0,08% no mercado à vista, sendo negociado a R$ 5,376 na venda. Já o contrato de dólar futuro com vencimento em fevereiro, o mais líquido da B3 no momento, avançava 0,04%, cotado a R$ 5,403. No pregão anterior, a moeda americana havia encerrado em leve alta, aos R$ 5,3723, acumulando valorização diária de 0,11%.

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O comportamento do câmbio reflete uma combinação de fatores externos e internos, com destaque para a reação dos investidores aos números da inflação dos Estados Unidos, à condução da política monetária americana e ao diferencial de juros entre Brasil e EUA, que segue como um dos principais vetores de sustentação do real.

Veja também: Confira nosso guia de siglas corporativas

Inflação nos Estados Unidos influencia o dólar hoje

O dado mais aguardado do dia foi a divulgação do CPI dos Estados Unidos, que mostrou alta de 0,3% em dezembro, em linha com as expectativas do mercado. No acumulado de 12 meses, a inflação ao consumidor avançou 2,7%, repetindo o resultado observado em novembro. O número reforça a percepção de que o processo de desinflação segue em curso, embora de forma gradual, mantendo o Federal Reserve em postura cautelosa quanto ao início de cortes mais agressivos na taxa básica de juros.

A leitura do CPI teve impacto direto sobre o comportamento do dólar hoje sobe, ainda que de forma moderada, ao influenciar as taxas dos Treasuries e as apostas dos investidores sobre o ritmo de flexibilização monetária nos Estados Unidos. Com juros americanos ainda elevados e inflação resistente em alguns segmentos, como energia e alimentos, o dólar segue encontrando suporte nos mercados globais.

Reação do mercado internacional e juros americanos

Após a divulgação do CPI, houve um movimento de alívio nas taxas de juros dos títulos públicos americanos, o que limitou uma valorização mais intensa do dólar no mercado internacional. Ainda assim, o dólar hoje sobe frente a diversas moedas emergentes, refletindo um ambiente global marcado por seletividade dos investidores e busca por ativos considerados mais seguros.

Especialistas destacam que, embora os dados de inflação tenham vindo dentro do esperado, o mercado segue sensível a qualquer sinal de mudança no discurso do Federal Reserve. A possibilidade de cortes de juros ao longo do ano permanece no radar, mas o calendário e a intensidade dessas reduções continuam sendo objeto de debate entre analistas e gestores.

Apoio internacional a Powell e impacto na confiança

Outro fator que influenciou o ambiente financeiro global foi a divulgação de uma declaração conjunta de dirigentes de alguns dos principais bancos centrais do mundo em apoio ao presidente do Federal Reserve, Jerome Powell. A manifestação ocorreu após ameaças políticas envolvendo possíveis acusações criminais contra o dirigente americano, o que gerou preocupação sobre a independência das autoridades monetárias.

Entre os signatários do documento está o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, reforçando o compromisso institucional com a autonomia dos bancos centrais. O gesto contribuiu para reduzir ruídos políticos e trazer maior previsibilidade ao mercado, ainda que o dólar hoje sobe em resposta à cautela persistente dos investidores.

Atuação do Banco Central no mercado de câmbio

No cenário doméstico, o Banco Central do Brasil realizou leilão de 50 mil contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de fevereiro. A operação faz parte da estratégia da autoridade monetária para administrar a liquidez no mercado de câmbio e suavizar movimentos abruptos da taxa de câmbio.

A atuação do BC é vista como um elemento importante para conter volatilidades excessivas, especialmente em dias de maior sensibilidade aos dados externos. Mesmo assim, o dólar hoje sobe de forma gradual, refletindo um equilíbrio entre a entrada de recursos atraídos pelos juros elevados no Brasil e a força global da moeda americana.

Selic elevada sustenta diferencial de juros

Os investidores seguem majoritariamente posicionados na manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, um dos níveis mais altos do mundo em termos reais. Esse patamar cria um diferencial expressivo em relação aos juros americanos, funcionando como um fator de atração de capital estrangeiro para o mercado brasileiro, especialmente para operações de carry trade.

Esse diferencial tem sido apontado como um dos principais motivos pelos quais o dólar permanece distante de níveis mais elevados, como a faixa de R$ 6,00, mesmo em momentos de maior aversão ao risco. Ainda assim, o dólar hoje sobe pontualmente, acompanhando oscilações externas e ajustes de curto prazo nas posições dos investidores.

Dados fracos da economia brasileira entram no radar

No início da sessão, o IBGE divulgou dados mostrando queda de 0,1% no volume de serviços em novembro na comparação com outubro, resultado pior do que a expectativa de alta de 0,2%. Na comparação anual, o setor cresceu 2,5%, abaixo da projeção de 3,0%.

Os números reforçam sinais de desaceleração da atividade econômica no fim do ano, o que pode influenciar decisões futuras de política monetária. Para o mercado, dados mais fracos da economia doméstica tendem a limitar o espaço para manutenção prolongada de juros elevados, fator que, no médio prazo, pode impactar o comportamento do câmbio e explicar por que o dólar hoje sobe com maior sensibilidade a indicadores externos.

Agenda política e fiscal também influencia o câmbio

Em Brasília, a agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, inclui o lançamento da plataforma digital da Reforma Tributária, seguido de reunião entre as autoridades. Embora o evento tenha caráter institucional, o mercado acompanha de perto qualquer sinal relacionado ao avanço da agenda fiscal e à sustentabilidade das contas públicas.

A percepção de risco fiscal é um componente relevante na formação da taxa de câmbio. Avanços na consolidação fiscal tendem a fortalecer o real, enquanto incertezas podem pressionar o dólar. No contexto atual, o dólar hoje sobe de forma moderada, sem indicar, até o momento, uma deterioração significativa das expectativas fiscais.

Perspectivas para o dólar nos próximos dias

Analistas avaliam que o comportamento do câmbio seguirá condicionado principalmente aos dados econômicos dos Estados Unidos, à comunicação do Federal Reserve e à evolução do cenário doméstico, especialmente no que diz respeito à política monetária e fiscal. O dólar hoje sobe reflete um mercado em compasso de espera, com movimentos contidos e foco em indicadores-chave.

A combinação de juros elevados no Brasil, inflação ainda resistente nos EUA e crescimento global moderado tende a manter o câmbio em um intervalo relativamente estável no curto prazo, embora episódios de volatilidade não estejam descartados diante de surpresas nos dados ou no cenário político internacional.

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